No dia 18 de fevereiro decorreu a grande Limpeza da Ilha Deserta que contou com a presença de 190 voluntários. Nesta ação foram recolhidos mais de 1400 kg de lixo ao longo de aproximadamente 5 km de costa (ria e mar).
A maioria do lixo estava associada a artes de pesca perdidas como covos e outras armadilhas para polvos (que estavam muitas vezes enterradas), cabos, cordas, boias, redes variadas. No entanto, outro tipo de lixo também estava presente, nomeadamente várias garrafas de plástico e vidro, roupa, uma bicicleta, uma churrasqueira e uma arca congeladora.

Apesar do imenso esforço, empenho e trabalho dos voluntários, o lixo recolhido representa apenas uma pequena parte do que foi encontrado na Ilha Deserta. Muito lixo ficou ainda por recolher. Para além dos resíduos recolhidos foram ainda encontrados dois golfinhos e várias aves marinhas já mortas. Esta informação foi assim encaminhada ao destacamento da Polícia Marítima de Faro.

Esta limpeza foi organizada pela Straw Patrol em colaboração com a empresa marítimo-turística Animaris (que ofereceu o transporte dos voluntários para a Ilha) e o Núcleo de Estudantes de Biologia da Universidade do Algarve (NEBUA) e teve ainda o apoio do restaurante Estaminé, da FAGAR, da Fundação Yves Rocher e da empresa Ansell Portugal.



floresta

Inúmeros estudos têm vindo a demonstrar que a exposição a ambientes naturais traz benefícios tanto para a saúde mental como para a física, aumentando o bem-estar, reduzindo o stress e a depressão e até aliviando a dor.

Segundo um novo trabalho de investigação, os ambientes naturais também promovem uma imagem corporal positiva – o que envolve o respeito pelo próprio corpo e a rejeição de ideais rígidos relativos à aparência.

“Existem várias razões por que a exposição à natureza pode estar a ter este efeito positivo na imagem corporal. Poderá ser porque distancia as pessoas, física e mentalmente, de situações centradas na aparência, que são uma das causas de uma imagem corporal negativa”, disse Viren Swami, professor de psicologia social da Universidade de Anglia Ruskin e principal autor do estudo.

“Também é possível que a exposição a ambientes com profundidade e complexidade restrinja os pensamentos negativos relacionados com a aparência. Mais especificamente, os ambientes naturais cativam a nossa atenção sem qualquer esforço – um processo conhecido como “fascinação suave”. Isto é frequentemente acompanhado por sensações de prazer, como quando a nossa atenção é voltada para o espetáculo de um pôr-do-sol”, explicou o professor.

jovem aprecia a paisagem

“Um ambiente que não requer toda a nossa atenção pode proporcionar-nos tranquilidade cognitiva, que, por sua vez, pode promover a autocompaixão, como o respeito pelo nosso corpo e a compreensão de que ele é parte de um ecossistema mais vasto que precisa de proteção e cuidado”, afirmou.

“O acesso à natureza também poderá significar que os indivíduos passam mais tempo ao ar livre, participando em atividades que prendem a sua atenção na funcionalidade do corpo em vez da sua estética.”

O trabalho de investigação envolveu a realização de cinco estudos pelas Universidade de Anglia Ruskin, no Reino Unido, e de Perdana, na Malásia, e pelo University College London. Em três dos estudos, a equipa de investigação mostrou fotografias de ambientes naturais ou urbanos a estudantes universitários de Cambridge e Londres. Os investigadores descobriram que a exposição a imagens de ambientes naturais resultava numa imagem corporal mais positiva. O mesmo não se verificava no caso das imagens dos ambientes urbanos.

Para o quarto estudo, membros do público caminharam tanto em ambientes naturais como urbanos, em Londres, e, para o estudo final, foram recrutados participantes à entrada do parque de Primrose Hill, também na capital do Reino Unido. Ambos os estudos indicaram que passar tempo num ambiente natural resulta numa apreciação corporal significativamente mais positiva.

Outros trabalhos têm demonstrado que atividades como a dança, o ioga e as aulas de desenho com modelos vivos também promovem e desenvolvem uma imagem positiva do corpo.


Pensamos no Ártico como uma região selvagem e remota, sem vestígios de atividade humana. No entanto, também esta região já foi tocada pela poluição por resíduos plásticos que está a assolar o planeta.

Uma equipa de cientistas avisou, num novo relatório, que os resíduos plásticos se estão a acumular no Ártico norueguês.

Os investigadores do Instituto Polar Norueguês afirmaram ter encontrado resíduos plásticos em praticamente todos os lugares onde procuraram e mostraram-se particularmente preocupados com as grandes concentrações de fragmentos de microplástico presentes no gelo marinho.

“Estamos a encontrar cada vez mais resíduos plásticos em Svalbard [arquipélago norueguês no oceano Ártico], onde trabalho”, contou Geir Wing Gabrielsen, um dos autores do estudo.

Os detritos de plástico representam uma ameaça para os animais marinhos, que podem ingeri-los ou ficar presos neles.

“Os pombaletes nidificam em Svalbard. No final dos anos 70, descobrimos muito pouco plástico nos seus estômagos. Em 2013, a última vez que investigamos, alguns tinham mais de 200 peças de plástico nos seus estômagos”, disse o investigador.

A proliferação de resíduos plásticos no Ártico está a afetar muitos outros animais para além das aves marinhas, causando a morte de peixes, focas e até mesmo renas. “Outros animais estão a ficar presos nas redes que dão à costa – como as renas. Algumas morrem porque não conseguem libertar as suas hastes – encontramo-las todos os anos.”



Segundo Gabrielsen, a poluição no sul da Noruega está dominada por detritos de plástico provenientes das habitações, mas, em Svalbard, 80% dos resíduos provêm das atividades de pesca, locais ou distantes.

Em algumas zonas, os investigadores descobriram concentrações de até 234 partículas de plástico em apenas um litro de gelo marinho derretido, o que é superior aos níveis encontrados em mar aberto.

Estes microplásticos (partículas com menos de 5 mm de diâmetro) incluem as fibras das roupas sintéticas e das artes de pesca e os fragmentos de resíduos maiores.

As sondagens sugerem que as tripulações dos navios de pesca estão cada vez mais conscientes da sua responsabilidade nesta questão e já há esquemas, na região, através dos quais os pescadores recolhem o lixo plástico que encontram no mar.


Foto: Stig Onarheim

Bo Eide, consultor ambiental da câmara municipal de Tromsø, organiza, há vários anos, limpezas nas praias do país.

“As pessoas veem as fotografias do Ártico pristino nas brochuras e reservam acomodações para virem cá passar as férias”, contou à BBC News. “Às vezes, ficam bastante chocadas ao descobrir que, de perto, o Ártico já não é como nas brochuras.”

“Só no ano passado, acho que retirámos 30 toneladas [de detritos e plásticos marinhos] – lixo das casas, película para guardar comida, garrafas”, lembra. “Mas a maior parte, em termos de peso, são artes de pesca. Enormes quantidades de pedaços de corda.”


Foto: Guri Tveito

“Descobrimos claros sinais de que [a frota de pesca internacional] contribui para este problema. Mas, de qualquer modo, encontramos lixo proveniente de toda a Europa e algum que vem do outro lado do Atlântico", disse Bo Eide. “Quero dizer, podemos atirar uma coisa ao oceano na Flórida e pensar que nos livramos dela. E depois esse objeto poderá acabar por vir parar às nossas praias.”

“É tão óbvio que o que estamos a fazer aqui é a ponta do iceberg. Mas é apenas a ponta visível”, declarou.

Ola Elvestuen, ministro norueguês do Ambiente, classificou a situação como “inquietante”. “Não há nenhum lugar na Terra que seja tão longínquo que não tenha sido afetado pelos plásticos. Isto deveria ser um apelo à tomada de medidas. Já se sabe [deste problema] há anos, mas a sua magnitude não foi assimilada como deveria ter sido. Temos de parar a poluição por resíduos plásticos.”


Com estas seis receitas fáceis e deliciosas, aprenda a fazer chantilly vegan, sem lactose.
Experimente!

Chantilly vegan de leite de coco



Chantilly vegan (aquafaba)



Chantilly vegan de leite de soja



Chantilly vegan de leite de coco



Chantilly vegan de amêndoa e caju (receita em francês)



Chantilly vegan de leite de coco – apenas 2 ingredientes (receita em inglês)



O Estudo Nacional sobre a Violência no Namoro em contexto universitário mostrou que mais de metade dos inquiridos (de 1800 jovens universitários) foi vítima de violência no namoro e 37% admitem já tê-la praticado.

“Estamos a falar de 56,5% destes e destas jovens que foram expostos a pelo menos uma forma de violência”, alerta a investigadora Sofia Neves. “Há aqui um desconhecimento muito grande do que leva a que as vítimas permaneçam nas relações”, lamenta.

A Associação Plano i, também responsável pelo Observatório da Violência no Namoro, recebeu 128 denúncias — 77 vítimas e 51 testemunhas (colegas, amigos, psicólogos) — desde abril de 2017 até janeiro deste ano. Em 92% dos casos as vítimas são do sexo feminino, e em 94% das denúncias os agressores são do sexo masculino.

Mais de metade dos casos reportou violência física, um terço violência social, 27,3% stalking e 17,2% violência sexual. Em 10,9% das situações, as vítimas foram ameaçadas de morte por namorados ou ex-namorados. A forma mais frequente de violência no namoro é a violência psicológica — presente em 90,6% dos casos.
A maioria das denúncias (60,9%) falam de agressões que ocorreram mais do que uma vez, e em um terço dos casos a violência é perpetrada frequentemente.
Ciúmes, foi o motivo mais citado pelas vítimas, em dois terços das situações, os problemas mentais dos agressores (em 35,1%) e o consumo de álcool (em 29,6%).
Uma bofetada, um empurrão, um puxão de cabelos nem sempre são vistos pelas vítimas como comportamentos de violência”, conta a investigadora.

“Há uma resistência muito grande em pedir ajuda, o que faz com que elas lidem sozinhas com a sua própria situação”, explica Sofia Neves. Existe, por um lado, um receio de uma escalada de violência e por outro, uma descrença no sistema e na sua eficácia. Nos casos reportados ao Observatório, em 11,7% foi apresentada queixa às autoridades e em apenas 5,5% das situações foi aplicada uma medida ao agressor.


Garrafa de vidro (300 ml) da Flying Tiger Copenhagen

O melhor:
  • Uma alternativa ao plástico
  • Existe em quatro cores diferentes (salmão, azul, verde e rosa)
  • A água não fica com sabor a plástico como nas garrafas de plástico
  • Muito prática
  • Bom preço.
O pior:
  • Bastante mais pesada do que uma garrafa de plástico (200g vs 15g)
  • É preciso ter-se cuidado quando se poisa o saco que a contém para não se partir.

Preço: 3€ (Flying Tiger Copenhagen)



Sabia que a maioria do glitter e da purpurina à venda é feita de plástico?
Depois das festas, quando toma banho ou lava a cara para retirar o glitter, os microplásticos vão parar diretamente ao oceano pois são demasiadamente pequenos para serem filtrados pelas ETAR. Os microplásticos são uma ameaça para a vida marinha, não se decompõem e são praticamente impossíveis de ser retirados do oceano.

Em alternativa aos microplásticos, as marcas podem usar mica natural ou mica sintética (synthetic fluorphlogopite), sintetizada em laboratório. Relativamente à mica natural, é preciso lembrar que é um ingrediente que está muitas vezes ligado ao trabalho infantil na Índia.

Faça questão de que todo o brilho que descer pelo ralo da sua casa e for parar ao oceano seja inofensivo para os animais marinhos!


Glitter Glitter



Marca de glitter biodegradável, vegan e artesanal. As embalagens são feitas de plástico reciclado ou vidro. Se devolver 5 embalagens vazias, recebe um produto novo em troca.

Glitra



Purpurina biodegradável à base de celulose de eucalipto, vegan e disponível em 4 cores: turquesa, rosa, ouro e prateado.

Pura bioglitter



Glitter feito à base de algas e minerais, biodegradável e vegan. Como o processo é artesanal, cada lote tem tons únicos.

Shock


Glitter gel, dourado ou prateado com FPS 25. É vegan, hipoalergénico e sai facilmente com água.

Glitter ecológico



Glitter ecológico feito à base de ingredientes naturais. Fácil de aplicar e de remover.

Lá do Mato



São feitos com gomas vegetais provenientes de algas e milho. O verde é obtido da alga spirulina, o amarelo da curcuma, o vermelho e laranja do urucum, o preto do carvão e o roxo da beterraba.

Brilhow



Glitter biodegradável artesanal, feito por duas biólogas marinhas. Existem duas opções: o “escaminha” feito de agar-agar, corantes alimentares e minerais, e um pó mais fino, que é feito de minerais e farinha de arroz.

Cintia Naomi Atelier



Purpurina de algas marinhas e mica, vegan, biodegradável e zero waste.

Com Amor Florinda



Glitter ecológico feito de mica apanhada à mão no Espírito Santo.

Zim Color



De forma a preservar o ambiente sem deixar a diversão e o brilho de lado, a Zim Color lançou o Pó de Estrela: um ecoglitter à base de mica. É lavável, não tóxico, e totalmente livre de plásticos. A mica usada no Pó de Estrela vem de fornecedores internacionalmente certificados.


Aprenda a fazer o seu próprio glitter biodegradável



Conhece uma marca que não está na lista? Entre em contacto connosco aqui.


Há crianças com apenas 12 anos a trabalhar sob condições perigosas, no Paquistão, para fazer as ferramentas cirúrgicas usadas nos consultórios e salas de operações um pouco por todo o mundo.

Dentro de pequenas oficinas, as crianças cortam, perfuram e transformam peças de aço em instrumentos cirúrgicos para exportação. Por este trabalho, recebem 0,80€ por dia.

Embora estejam expostas constantemente a poeiras de metais e ao ruído ensurdecedor das máquinas que trabalham o metal, não utilizam óculos de proteção, máscaras ou equipamentos para proteção auditiva.

Os instrumentos cirúrgicos representam 10% das exportações totais do Paquistão e 99% da produção destas ferramentas está centrada em Sialkot, Punjab, onde têm sido sinalizados casos de trabalho infantil em várias oficinas.

Zain, de 12 anos, começou a trabalhar numa das oficinas de Sialkot há oito meses, depois da morte do seu pai. Ele trabalha oito horas por dia, seis dias por semana e recebe 20€ por mês. “Eu sei que é um trabalho perigoso, mas tenho de pagar algumas dívidas e ajudar a minha família”, contou ao jornal britânico The Guardian.

Em alturas mais atarefadas, Zain chega a trabalhar 12 horas por dia. À noite, muitas destas crianças sofrem de tosse seca, asma e outros problemas respiratórios.

Aos 12 anos, Azwar também começou a trabalhar numa pequena oficina. “Tenho de ajudar os meus pais e irmãos a pagar as contas”, disse.



Pelo menos três das empresas que exportam ferramentas cirúrgicas para o Reino Unido afirmaram comprá-las a estas oficinas. Esta revelação suscitou preocupações de que os instrumentos usados rotineiramente pelo serviço nacional de saúde do país pudessem ter sido fabricados com recurso a trabalho infantil.

Entre 80 e 90% dos instrumentos cirúrgicos do Reino Unido são fabricados no Paquistão. O país é ainda o terceiro maior comprador destes produtos paquistaneses.

“Sabemos que muitas [das ferramentas cirúrgicas] vieram do Paquistão. Ficaria surpreendido se pelo menos alguns dos instrumentos usados no Serviço Nacional de Saúde não fossem feitos nessas pequenas oficinas”, confessou o cirurgião Mahmood Bhutta, fundador do Grupo Médico de Comércio Equitativo e Ético da Associação Médica Britânica, instituição que investigou este problema pela primeira vez em 2008.

Embora as condições e os salários tenham melhorado nalgumas das fábricas de maiores dimensões desde essa investigação inicial, o cirurgião acredita que ainda há sérios motivos para preocupação.



“Os orçamentos do Serviço Nacional de Saúde são limitados. Mas as poupanças não devem fazer-se às custas dos direitos humanos”, defendeu Cindy Berman, da Iniciativa de Comércio Ético.

“Sabemos que existe trabalho infantil no setor de instrumentos cirúrgicos do Paquistão, frequentemente nas etapas iniciais da produção, e é provável que alguns destes instrumentos acabem por vir parar cá”, disse.

Cindy Berman acrescenta ainda que o trabalho infantil floresce quando os trabalhadores adultos não conseguem alimentar, alojar e vestir as suas famílias e é por isso que órgãos públicos como o serviço nacional de saúde precisam de garantir que estão a pagar preços justos e a adquirir os produtos a fornecedores éticos.

O trabalho infantil é “comum num país onde a pobreza é endémica, o nível de cumprimento das leis laborais é baixo, os sindicatos escassos e as margens de lucro baixas”, escreveu o The Guardian. Embora o país não tenha realizado uma sondagem oficial desde 1996, estima-se que haja entre 5,7 e 12,5 milhões de menores a trabalhar no Paquistão.

Em Punjab, onde estão localizadas as oficinas, é proibido aos menores de 18 anos trabalharem em “indústrias perigosas” e aos menores de 14 anos exercerem qualquer trabalho.
1ª foto: Laura Salvinelli


Os combustíveis para os navios vão ficar mais limpos em 2020, altura em que uma norma da Organização Marítima Internacional vai exigir uma redução de cerca de 80-86% no teor de enxofre destes combustíveis.

Esta medida é a melhoria mais significativa nas normas internacionais referentes aos combustíveis para a indústria naval em 100 anos e trará com ela benefícios para a saúde igualmente relevantes à escala global.

Segundo um novo estudo, a adoção de combustíveis navais menos poluentes vai resultar numa redução de 3,6% nos casos de asma infantil no mundo.

A equipa de investigadores estudou os impactos das emissões de enxofre dos navios com os atuais combustíveis marítimos, que contribuem para a poluição atmosférica sob a forma de dióxido de enxofre e de partículas, que prejudicam a saúde humana e o ambiente.

Estima-se que aproximadamente 14 milhões de casos anuais de asma infantil estejam relacionados com a poluição gerada pelos navios. Os investigadores calcularam que a mudança para combustíveis mais limpos reduzirá em metade estes casos.

Para além da asma em crianças, também se estima que a poluição gerada pelos navios contribua para 400 mil mortes prematuras por cancro do pulmão e doenças cardiovasculares, anualmente. A redução das emissões de enxofre dos navios também evitará cerca de um terço destas mortes.



“As nossas descobertas mostram que estas normas são benéficas, mas também que ainda se podem alcançar mais benefícios para a saúde com navios menos poluentes”, disse James Winebrake, professor e diretor do Instituto de Tecnologia de Rochester, em Nova Iorque. Apesar da redução do teor de enxofre, os combustíveis navais vão continuar a contribuir para aproximadamente 250 000 mortes prematuras e 6,4 milhões de casos de asma infantil por ano.

Com a nova norma, o teor de enxofre permitido nos combustíveis para os navios diminuirá de 3,5% para 0,5%, uma redução de 35 000 partes por milhão (ppm) para 5000 ppm.

As indústrias de refinação investirão na tecnologia necessária para produzir estes combustíveis menos poluentes e o sector marítimo investirá na adaptação dos sistemas de motores para os utilizar. Estes custos serão suportados pelos consumidores, nos preços dos produtos que compram. James Corbett, professor de política e ciência marinha e autor do estudo, acredita que os benefícios para a saúde justificam o investimento.

“Estes combustíveis navais mais limpos vão ajudar as pessoas que não têm um papel económico nesta atividade e que, mesmo assim, sofrem com os efeitos da poluição gerada por ela, algumas das quais vivem em locais que nem sequer estão envolvidos no comércio, para além de ajudarem as comunidades localizadas junto a grandes vias de navegação”, declarou o professor.

O estudo foi publicado na revista científica Nature Communications.


Os microplásticos nos oceanos são uma “grande ameaça” para as baleias, alguns tubarões e outros animais filtradores como as raias, concluiu um novo estudo publicado na revista científica Trends in Ecology & Evolution.

Espécies marinhas como a baleia-comum, o tubarão-frade e o tubarão-baleia filtram a água do mar para capturar o plâncton e os pequenos peixes de que se alimentam. Alguns destes animais engolem centenas ou mesmo milhares de metros cúbicos de água diariamente para se alimentarem. No processo, também estão a ingerir os microplásticos presentes no mar.

Os investigadores acreditam que estas partículas indigeríveis podem bloquear a absorção de nutrientes, causar danos nos aparelhos digestivos dos animais e outros problemas decorrentes da exposição às toxinas associadas aos plásticos.

“Os nossos estudos sobre os tubarões-baleia no Mar de Cortez e as baleias-comuns no Mar Mediterrâneo confirmaram a exposição a químicos tóxicos, o que indica que estes animais estão a ingerir microplásticos nos seus locais de alimentação", declarou Maria Cristina Fossi, professora da Universidade de Siena e coautora do estudo.

“A exposição às toxinas associadas ao plástico representa uma grande ameaça para a saúde destes animais, uma vez que pode alterar as hormonas que regulam o crescimento e desenvolvimento do corpo, assim como o metabolismo e as funções reprodutoras”, explicou a professora.

Os investigadores estimam que as baleias-comuns no Mar Mediterrâneo estejam a engolir milhares de microplásticos por dia e que, na península da Baixa Califórnia, os tubarões-baleia ingiram 171 peças de plástico diariamente.


Foto: Tubarão-baleia

Os microplásticos são partículas de plástico com menos de 5 mm de diâmetro, que vão parar ao mar através, por exemplo, da lavagem de roupa de fibras sintéticas, da utilização de produtos com micropartículas de plástico, como alguns cosméticos, e da fragmentação de detritos de plástico de maior dimensão.

Muitas espécies de baleias, tubarões e raias já se encontram, atualmente, em risco de extinção, devido a ameaças como a sobrepesca e a poluição. Os autores do estudo temem que o impacto dos microplásticos os coloque ainda mais perto da extinção.

“Apesar de haver cada vez mais trabalhos de investigação sobre os microplásticos no ambiente marinho, apenas alguns estudos examinam os efeitos nos grandes animais filtradores. Ainda estamos a tentar compreender a magnitude do problema. Tornou-se claro, no entanto, que a contaminação por microplásticos tem o potencial de reduzir ainda mais os números das populações destas espécies, muitas das quais vivem muitos anos e têm poucas crias durante as suas vidas”, disse Elitza Germanov, coautora do estudo.

Os cientistas salientam a necessidade de se realizarem mais estudos para se compreenderem melhor os efeitos dos microplásticos nos gigantes dos oceanos e explicam que estes animais filtradores estão particularmente em risco de exposição por viverem em águas muito poluídas, como o Golfo do México, a região do Triângulo de Coral, o Golfo de Bengala e o Mar Mediterrâneo.
1ª foto: Elitza Germanov / Marine Megafauna Foundation