A remoção das plantas invasoras pode ter um impacto positivo nas espécies nativas e, segundo um novo estudo, os benefícios não se ficam por aqui: quando se removem as espécies invasoras que crescem junto a um ribeiro ou rio, também se promove a biodiversidade dos organismos aquáticos.

Os autores do estudo quiseram saber se a remoção do arbusto invasor Lonicera maackii (madressilva de Maack), que crescia junto de um ribeiro numa floresta de Ohio, influenciaria a diversidade dos insetos, caracóis, vermes e outros macroinvertebrados aquáticos que viviam no curso de água. Para tal, removeram 160 metros da madressilva, uma operação que melhorou a disponibilidade de luz ao longo do ribeiro, assim como a qualidade da matéria orgânica.

Posteriormente, os cientistas recolheram amostras do ribeiro todos os meses, durante mais de três anos. Descobriram que a remoção da madressilva de Maack teve um impacto positivo considerável na densidade, riqueza e diversidade dos macroinvertebrados no ribeiro. Estes animais invertebrados habitam principalmente sistemas de água doce e são indicadores da qualidade da água, para além de serem fundamentais para toda a cadeia trófica dos ecossistemas fluviais.

“Fica claro que remover as plantas invasoras pode ter um impacto ascendente nos ecossistemas aquáticos adjacentes, mesmo quando se restaura apenas uma pequena secção do ribeiro”, disse Rachel McNeish, autora do estudo publicado na revista Invasive Plant Science and Management. “Os gestores do espaço rural têm agora um importante novo impulso para a gestão das espécies invasoras.”

No princípio deste ano, um estudo da Universidade de Vigo, em Espanha, revelou que as plantações de eucaliptos – uma espécie exótica – reduzem a diversidade de macroinvertebrados em pequenos ribeiros florestais, deixando-os ainda mais propensos a secarem completamente no Verão.


Tudo começou com uma ida, mais propriamente uma tentativa de ida, ao CineEco em Seia, onde queríamos assistir a um documentário no dia 15 de outubro.

Durante a viagem, fomos vendo vários incêndios ao longo do IC6 e posteriormente na N17. Quando estávamos a 20 minutos de Seia encontramos a GNR a barrar a estrada. Tentamos um novo percurso, mas mais uma vez encontramos a estrada cortada.
Partimos depois em direção a Oliveira do Hospital, pois pensamos que o mais correto seria despacharmo-nos, antes que fossemos impedidos de regressar a casa.



Quando já estávamos de volta ao IC6, encontramos alguns carros e um grupo de motards parados. Os GNR tinham fechado esta estrada, na qual tinha explodido uma bomba de gasolina. Informaram-nos que os acessos a Coimbra estavam todos cortados e que poderíamos tentar por Arganil. Em conversa com os motards, ficamos a saber que iam em direção a Coimbra e que tinham estado em Seia, onde o Museu do Pão tinha sido evacuado, antes de terem tempo de pagar o almoço. Esperamos um pouco sem saber o que fazer. Por cima do IC6, numa ponte, havia alguém que gritava e pedia ajuda para as pessoas, em casa, que precisavam de ser socorridas do fogo que se aproximava. Viemos depois a saber que era um lar de idosos.

Um dos GNR aproximou-se de nós a gritar, dizendo que tínhamos de ir embora e que não era seguro.
Os motards inverteram o sentido da marcha e nós seguimo-los. Paramos numa terra que nos disseram que se chamava “Catraia dos Poços”. Na rotunda, estavam várias viaturas estacionadas e pessoas fora dos carros que contemplavam os fogos que lá longe se iam aproximando, vindos do sul e oeste. Estacionamos e saímos também. Os moradores ofereceram-nos água, sumos e bolos e deixaram-nos carregar o telemóvel.

Todos os que se tinham juntado (residentes que fugiram de aldeias que já tinham sido apanhadas pelo fogo e pessoas que tentavam ir para Coimbra, Aveiro, etc.) assistiam ao espetáculo assustador dos incêndios vistos à noite. Debatia-se se o fogo chegaria àquela aldeia. A maioria achava que não.
O céu estava estrelado e, ao contrário do que acontece nas cidades, viam-se inúmeras constelações.

Começamos a ouvir o “rugir” do fogo que se aproximava cada vez mais. Fagulhas saltavam, lá longe, e, em 5 minutos, criavam novos focos devido ao vento forte que se fazia sentir (e ao facto de os eucaliptos serem altamente inflamáveis).

Decidimos ir jantar a um restaurante ali perto. O marido da proprietária e os empregados tinham ido entregar comida aos bombeiros que estavam a combater as chamas. Enquanto jantávamos, chegavam pessoas a pedir comida, cigarros e a perguntar se podiam usar o telefone fixo, ao que a proprietária respondia que, como era por fibra, não tinha telefone, nem televisão, nem nada.

Lá fora, no largo do estacionamento, as pessoas tentavam telefonar, mas ninguém tinha rede. Havia quem se empoleirasse em cima dos Ecopontos à procura de sinal. Alguém teve a ideia de subir alguns degraus num poste de eletricidade e de lá conseguiu ter rede. Aproveitamos todos para telefonar, utilizando o seu telemóvel, para “tranquilizar” os familiares em casa. Às horas certas (21h, 22h) aproveitávamos para ouvir as notícias no rádio do carro, o único meio de comunicação que tínhamos com o mundo exterior, e que acabava por não ser muito útil, pois os jornalistas apenas diziam o que já sabíamos: que o IP3 e a A1 estavam fechados, juntamente com outras 20 estradas, mas não discriminavam quais eram. Também não diziam o que as populações deviam fazer, nem as aldeias que deviam ser ou já tinham sido evacuadas.

Regressamos à aldeia Catraia dos Poços.
Não chegamos a ver um único bombeiro. As pessoas ficaram totalmente entregues a si, sem telefone, internet, sem saber o que fazer, que estradas estavam cortadas, etc. Uma sensação verdadeiramente assustadora...

De vez em quando a luz ia abaixo
, mas acabava por regressar. Os carros passavam a grande velocidade e por pouco não atropelavam quem se juntava nas estradas para ver os incêndios a aproximarem-se. Vimos os fogos a engolir aldeias lá longe e a luz nessas aldeias a apagar. Chegaram, entretanto, pessoas a chorar e a gritar: “A minha casa!” ou “O meu irmão ficou na sua casa!” ou “Estamos todos f*!”. Uma mulher contou que telefonou para o número de emergência e que alguém a atendeu a chorar dizendo que já não tinham mais meios disponíveis e que deveria fugir para um sítio seguro. O vento estava muito forte e a chuva que tinha sido anunciada, nem vê-la… Os fogos viam-se em todas as direções para as quais olhássemos. Estávamos rodeados!

A certa altura, chegou um carro da GNR que avisou que tirássemos os automóveis da rotunda pois ia ficar um caos com as pessoas que vinham a fugir de S. Martinho da Cortiça, que tinha sido engolida pelo fogo. A GNR ficou no carro estacionado sem comunicar com a população sobre o que devia fazer quando o fogo chegasse.

Fomos convidados, assim como os motards, a passar a noite numa das casas da aldeia, que iria abrigar dezenas de pessoas.
Entretanto, começaram a cair fagulhas nas habitações pois os incêndios estavam já muito próximos.



O fogo chegou à aldeia e rodeou a primeira casa. De dentro as pessoas tentavam apagá-lo a partir das varandas. O som do incêndio que vinha da “floresta” e por trás das casas era ensurdecedor. De repente, o asfalto ficou quente (conseguíamos sentir o calor através do calçado) e uma quantidade enorme de fagulhas caía agora nas casas, carros e pessoas. “O que devíamos fazer? Ficar ou seguir caminho?” A tragédia de Pedrógão Grande, estava bem presente nas mentes de todos nós.

Os GNR ligaram o motor do carro e prepararam-se para abandonar a aldeia.
As pessoas, em pânico dentro das suas casas, ficaram entregues à sua sorte uma vez que não tinham um único bombeiro para as ajudar. Era por volta da uma da manhã.

Acenamos para parar o carro da GNR e perguntamos aos agentes, que tinham máscaras por causa do fumo, o que devíamos fazer, ao que responderam que fôssemos para Arganil pois já não era seguro ficarmos ali. Como o fumo ficava cada vez mais intenso, pedimos-lhes máscaras, mas só tinham para eles. Um rapaz num carro, no meio da chuva de fagulhas, contou-nos que tinha vindo de Arganil e que a estrada estava livre e deu-nos indicações de como chegar lá.

As fagulhas caíam sem parar. Perguntamos a uma família, que assistia àquele espetáculo assustador encostada ao carro, se ia seguir o conselho da GNR. Acabaram por dizer que sim e nós juntámo-nos a eles. Metemo-nos no carro, provavelmente no último minuto de fuga, e, sem conseguirmos apertar bem o cinto, começamos a fugir daquele incêndio que rugia, deixando os motards para trás na casa a esperarem o melhor e o pior…

Conduzimos cerca de meia hora na total escuridão, sem sabermos se teria sido a decisão certa, até chegarmos a Arganil e pararmos em frente ao quartel dos bombeiros.
Em Arganil, sentimo-nos finalmente em segurança. Dentro do carro, tentamos descansar um pouco de todo o pânico anterior. As pessoas e os automóveis concentravam-se à volta do quartel dos bombeiros.

Nunca chegamos a ter rede de telemóvel em Arganil. Tínhamos fome, mas à uma e meia da manhã não havia onde comprar nada. Fomos ao quartel dos bombeiros, onde, no interior, bombeiros e voluntários dividiam sandes, bolos, bolachas, garrafas de água e fruta que iriam entregar numa escola, que estava preparada para receber e albergar, durante a noite, quem fugia dos incêndios. Deram-nos sandes, água e fruta.
Por volta das das duas da manhã, uma mulher apareceu, desesperada, a pedir ajuda para um familiar seu que ficara para trás, numa das aldeias.

Partimos depois para a escola, onde passamos a noite. As pessoas dormiam em colchões de ginástica ou de yoga. Alguns com cobertor, outros sem, como nós, pois já não havia mais. A imagem das labaredas permanecia viva nas nossas mentes, mesmo quando fechávamos os olhos. Chegavam pessoas com cães que tinham trazido das suas casas para os salvarem do fogo. Lá fora, um casal, já com bastante idade, sentado e tapado com um cobertor, segurava num pastor alemão e num cãozinho mais pequeno. Chegou um homem com um penso na cara e uma t-shirt cheia de sangue. Contou que se tinha visto aflito para lá chegar (eram cerca das três da manhã) e que tinha visto um carro explodir e ser catapultado para o ar. Reencontramos uma mãe e o filho, que nos tinham oferecido água em Catraia dos Poços, que nos contaram que apenas uma casa tinha ardido totalmente (uma que estava devoluta) e que as pessoas estavam bem e ainda que o estacionamento do restaurante onde tínhamos jantado tinha ardido. Segundo nos disse o filho, a sua mãe tivera de ser forçada a abandonar a casa pela GNR.

No dia seguinte, 16 de outubro, os escuteiros ofereceram-nos um saco com o pequeno-almoço.
Lá fora, o ambiente estava tenso, já que havia vários incêndios à volta de Arganil que se estavam a aproximar da escola. Uma vez mais, o fogo estava a cercar-nos… Na vila, já estavam a pedir às pessoas para se juntarem no centro de Arganil para ficarem em segurança. Contaram-nos que o Mosteiro de Arganil e os seus terrenos tinham ardido. Disseram-nos também que as estradas à volta de Arganil estavam todas cortadas. Perguntamos se o IC6 e o IP3 estavam abertos e disseram-nos que sim. Uma menina da Cruz Vermelha, que ia para o IC6, convidou-nos a seguir caminho com ela.

Partimos e, quando estávamos mesmo a chegar ao IC6, os bombeiros não nos deixaram seguir pois estava tudo a arder. Um dos habitantes daquela zona contou-nos que havia uma outra estrada que estava aberta porque já tinha estado a arder. A viagem foi desoladora: árvores caídas, tudo queimado e negro, várias pedras na estrada e fumo de zonas que ainda ardiam, mas finalmente entramos no IC6, para depois apanharmos o IP3 e seguirmos viagem.



Algumas considerações do que devemos ter no carro para situações de emergência como esta:

  • Carregador do telemóvel que carregue no isqueiro do automóvel;
  • Bracelete ou outros objetos refletores, para a noite;
  • Máscara para proteção contra o fumo de incêndios;
  • Gotas para lavagem dos olhos;
  • Um cobertor;
  • Um pacote de bolachas;
  • Uma garrafa de água de 1,5Lt.

Algumas ideias do que se pode fazer diferente em Portugal:

  • Devem-se remover os eucaliptos à beira das estradas e das casas.
  • Deveria ser criado uma estação de rádio com atualizações ao minuto sobre os fogos, as estradas cortadas, aldeias evacuadas, informação sobre o que as populações deviam fazer.
  • Deveria haver mais comunicação entre a GNR e as populações locais.
  • Devia ser criado um plano de emergência para cada aldeia e vila e explicado às pessoas o que deviam fazer em caso de incêndio.


Em todo o mundo, 151,6 milhões de crianças, ou quase uma em cada dez, são vítimas de trabalho infantil. Cerca de metade destas crianças – 72,5 milhões – realizam trabalhos perigosos, que colocam a sua saúde e segurança em risco, revelou um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Embora se tenha assistido a uma diminuição no número de crianças submetidas a trabalho infantil desde o início do milénio, o declínio abrandou entre 2012 e 2016, um desenvolvimento que pode comprometer os esforços para erradicar o trabalho infantil até 2025, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) fixados pelas Nações Unidas.

Segundo Houtan Homayounpour, da OIT, o mundo não está a caminho de alcançar este ODS em oito anos e as estimativas predizem que, a este ritmo, ainda existirão 121 milhões de crianças vítimas de trabalho infantil em 2025. “Temos de estugar o passo”, disse o investigador à Reuters.

O relatório revela que há mais rapazes a trabalhar (88 milhões) do que raparigas (64 milhões), embora as estimativas não incluam as tarefas domésticas, ocupadas, na sua maioria, por meninas.
Sete em cada dez crianças afetadas trabalham no setor da agricultura, um trabalho que é, frequentemente, perigoso. Algumas crianças têm mais de 43 horas semanais de trabalho.


Meninas trabalham numa fábrica de tijolos do Nepal | Foto: Krish Dulal

Um terço dos menores com idades compreendidas entre os 5 e os 14 anos envolvidos em trabalho infantil, ou 36 milhões de crianças, não frequentam a escola. Os que a frequentam costumam ter um desempenho mais fraco do que as crianças que não trabalham.

“O tempo e a energia que gastam a trabalhar interfere com a sua capacidade de usufruir em pleno das horas de ensino na sala de aulas e de estudar fora da escola”, escreveram os investigadores da OIT.

Ao mesmo tempo, um segundo relatório da OIT e da Fundação Walk Free revelou que existem, globalmente, 10 milhões de crianças submetidas a trabalho escravo.

Nove em cada dez crianças “trabalhadoras” vivem em África e na região da Ásia-Pacifico; a África subsaariana viu ainda um aumento no número de crianças submetidas a trabalho infantil entre 2012 e 2016. “África, onde os números de trabalho infantil são os mais elevados tanto em termos proporcionais como absolutos, e onde os progressos estagnaram, continua a constituir uma prioridade”, apontaram os investigadores. Contudo “o trabalho infantil não se limita a países de baixo rendimento. Mais de metade das crianças afetadas vive, de facto, em países com rendimento médio-baixo e médio-alto.”

O relatório também encontrou uma forte relação entre o trabalho infantil, o conflito e os desastres, os quais causam desemprego, deslocação e a interrupção das redes de apoio, deixando as crianças mais vulneráveis.

1ª foto: Criança indiana vende comida na rua (© Jorge Royan)


Embora os pardais-comuns estejam bem adaptados à vida urbana, os seus números estão a cair na Europa. Ao contrário das aves que vivem nos meios rurais, os pardais urbanos mostram sinais de stress ligados aos efeitos nocivos da poluição atmosférica e de uma dieta desequilibrada, concluiu uma equipa de investigadores, num estudo publicado na revista Frontiers in Ecology and Evolution. Os investigadores sugerem que isto também poderá ter implicações para a saúde de quem vive nas cidades.

“Verificamos que os pardais-comuns que vivem na cidade estão a sofrer de mais stress do que os que vivem no campo e associamos isso às diferenças na qualidade do ar e da dieta”, disse Amparo Herrera-Dueñas, autora do estudo. “É particularmente mau para as aves urbanas durante a época de nidificação, quando estão divididas entre a atribuição de recursos para a luta contra os efeitos tóxicos da poluição ou para a postura de ovos saudáveis, e a dieta deficiente não é uma ajuda para nenhuma destas situações.”

“Se as nossas cidades não são saudáveis para os pássaros, como o nosso estudo sugere, então, como vizinhos deles, devíamos estar preocupados porque estamos expostos aos mesmos fatores ambientais de stress que os pardais-comuns”, disse a investigadora.

A equipa de investigação da Universidade Complutense de Madrid analisou amostras de sangue de centenas de pardais de zonas rurais, suburbanas e urbanas na Península Ibérica, em Espanha, recolhidas de forma não invasiva. Os investigadores procuraram sinais de stress oxidativo – que pode ser usado para medir até que ponto um fator de stress ambiental, como a poluição, está a enfraquecer as defesas naturais da ave – nessas amostras.

“Os poluentes atmosféricos ou uma dieta desequilibrada podem promover a formação de radicais livres. Estas moléculas são produtos secundários de processos celulares normais, por isso as nossas células desenvolveram um mecanismo para as neutralizar. Contudo, sob condições exigentes, a produção de radicais livres pode esgotar estas defesas antioxidantes, causando stress oxidativo. Quando isto acontece, os radicais livres podem acelerar o envelhecimento das células. Nos seres humanos, isto tem sido associado a doenças respiratórias, como a asma, a problemas cardiovasculares e ao cancro”, explicou Amparo Herrera-Dueñas.

Os investigadores descobriram que os pardais urbanos estão sujeitos a níveis mais elevados de danos provocados pelos radicais livres do que os rurais. As amostras de sangue também revelaram que os pardais da cidade estavam a tentar combater estas moléculas prejudiciais, mas que, em comparação com os seus congéneres rurais, as suas defesas naturais tinham uma menor capacidade para o fazer.

“Precisamos de nos esforçar para melhorar a qualidade do ambiente urbano, como por exemplo a qualidade do ar e o design das zonas verdes. Até os restos de comida que deitamos no caixote do lixo no parque deveriam encorajar-nos a refletir: mais frutos secos e frutas e menos batatas fritas e bolachas seriam melhores tanto para as pessoas como para os pássaros”, aconselha a investigadora espanhola.
Cachorro

A Califórnia tornou-se no primeiro estado dos EUA a proibir a venda de cães, gatos e coelhos em lojas de animais. A lei foi assinada pelo governador da Califórnia no dia 13 de outubro e entrará em vigor em 2019.

As lojas ficam agora proibidas de vender cães, gatos, coelhos e outros animais, expostos em jaulas ou montras de vidro, passando a funcionar como espaços de adoção de animais.

Esta medida foi aplaudida pelas organizações de defesa dos animais. "Quando os consumidores compram cachorros e gatinhos nas lojas de animais, desconhecem, muitas vezes, a origem dos animais e contribuem para uma indústria triste e de sofrimento", disse Deborah Howard, presidente da Companion Animal Protection Society (CAPS).

A Califórnia junta-se à lista das cidades dos EUA que já tinham proibido a venda de cães e gatos em lojas de animais, como Los Angeles, São Francisco, Sacramento, Chicago, Filadélfia, Austin e Otava e Vancouver, no Canadá.
Reunião de trabalho

O dia 13 de outubro foi o último dia do ano com igualdade nos ganhos médios mensais entre homens e mulheres, o que significa que, a partir deste dia, as mulheres portuguesas não recebem qualquer remuneração, de acordo com dados da CGTP.

A CGTP citou os últimos dados oficiais divulgados pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho e Solidariedade Social (GEP/ MTSSS) referentes a outubro de 2016. Existe uma diferença de 21,8% no ganho médio mensal entre homens e mulheres que, ao ser traduzida em dias, perfaz 79 dias de trabalho das mulheres sem remuneração.

“Assim, o dia 13 de outubro é o último dia do ano com igualdade nos ganhos médios mensais entre homens e mulheres, não existindo qualquer remuneração para as mulheres nos restantes 79 dias do ano”, referiu a CGTP.

Para além de terem salários, em média, mais baixos, as mulheres ocupam, em maior número, postos em que recebem o salário mínimo nacional. Em outubro de 2016, 28,9% das mulheres receberam o salário mínimo, em comparação com 18,5% dos homens, de acordo com o estudo do GEP.

“Muitas empresas excluem ou penalizam as mulheres na atribuição de prémios de assiduidade, de antiguidade e de produtividade, por terem estado em consultas pré-natais, em gozo de licença de maternidade ou redução de horário para amamentação”, informa a CGTP.


A baleia-de-bossa de 18 toneladas e 12 metros que deu à costa e morreu numa praia de Nova Gales do Sul, na Austrália, tinha arrastado consigo cordas e uma armadilha de pesca ao longo de mais de 1700 km.

Segundo o comandante da unidade de resgate marítimo do Porto de Macquarie, Neil Yates, a armadilha, na qual o cetáceo ficara preso, provinha da Tasmânia.

“Parece que se enredou há possivelmente um ano”, disse o comandante, acrescentando que “como tal, o animal estava em fracas condições”.

Todos os anos, 640 mil toneladas de redes, cordas e outras artes de pesca são descartadas ou perdidas no mar, com impactos devastadores para a vida marinha. Estas “redes fantasma” capturam e matam milhares de focas, leões-marinhos, baleias, tubarões, golfinhos, tartarugas e outros animais marinhos.

Durante a época de migração anual das baleias-de-bossa, a organização de resgate e investigação ORRCA costuma atender a vários casos de baleias presas em detritos marinhos, incluindo boias de marcação e cordas de pesca.

“Esta é uma enorme viagem que as baleias estão a empreender, da Antártida para Queensland e de volta”, contou a vice-presidente da ORRCA, Shona Lorigan, explicando que os enredamentos são muitas vezes fatais. “Elas estão a gastar uma imensa quantidade de energia para a viagem. Portanto, se tiverem algum equipamento a arrastar-se atrás delas, quer seja uma armadilha ou uma série de boias de marcação e flutuadores, isso torna a viagem muito mais difícil.”



O governo da Escócia anunciou que vai estender por tempo indeterminado a moratória que proíbe a fracturação hidráulica (“fracking”) no país. A decisão, anunciada pelo ministro escocês da Energia, Paul Wheelhouse, foi tomada após uma consulta pública feita pelo governo que revelou a “avassaladora oposição” dos escoceses ao fracking.

“A decisão que estou a anunciar hoje significa que o ‘fracking’ não tem e continuará a não ter lugar na Escócia”, disse o ministro.

Cerca de 99% dos 60 mil escoceses consultados opunham-se à técnica, por razões principalmente ambientais e pelos escassos benefícios económicos. O fracking implica a injeção de água com produtos químicos a alta pressão no subsolo para fraturar as rochas e libertar os hidrocarbonetos (petróleo ou gás), existindo o risco de contaminação do solo e da água.

“As opiniões expressas através da nossa consulta demonstraram que as comunidades da Escócia, particularmente as de zonas densamente povoadas onde os desenvolvimentos poderiam ter lugar, não estão convencidas da existência de um forte argumento económico nacional quando se compara este com o risco e os distúrbios que antecipam nas zonas”, declarou Paul Wheelhouse.

A decisão foi saudada por diversas organizações ambientalistas, que incitaram o governo a converter a moratória numa proibição completa.

Em junho, a Irlanda juntou-se a uma lista crescente de países que estão a proibir a fracturação hidráulica, que inclui a Alemanha, a França e a Bulgária.

Foto: Maverick Photo Agency/Friends of the Earth Scotland


E se as cidades conseguissem, com uma só medida, reduzir a obesidade e a depressão, aumentar a produtividade e o bem-estar e diminuir a incidência de asma e doenças cardíacas nos seus habitantes? As árvores urbanas oferecem todos estes benefícios e muito mais: filtram o ar, ajudando a remover as partículas finas emitidas pelos carros e fábricas, retêm a água da chuva e diminuem as despesas com o aquecimento.

Num novo relatório, realizado pela organização The Nature Conservancy, os cientistas defendem que as árvores urbanas são uma importante estratégia para a melhoria da saúde pública nas cidades, devendo ser financiadas como tal.

“Há muito tempo que vemos as árvores e os parques como artigos de luxo; contudo, trazer a natureza de volta para as cidades é uma estratégia crítica para se melhorar a saúde pública”, disse Robert McDonald, cientista da The Nature Conservancy e coautor do relatório.

Todos os anos, entre três e quatro milhões de pessoas morrem, em todo o mundo, devido à poluição atmosférica e aos seus impactos na saúde humana. A poluição do ar aumenta o risco de doenças respiratórias crónicas, havendo estudos que a associam ainda às doenças cardiovasculares e ao cancro. As ondas de calor nas zonas urbanas também fazem milhares de vítimas, por ano. Vários estudos têm demonstrado que o arvoredo urbano pode ser uma solução eficaz em termos de custos para ambos estes problemas.



Apesar de todos os estudos que documentam os benefícios dos espaços verdes, muitas cidades ainda não veem a ligação entre a saúde dos moradores e a presença de árvores no ambiente urbano.
Robert McDonald defende a necessidade da cooperação entre diferentes departamentos e a inclusão da natureza nos debates sobre ordenamento urbano.

“Não é suficiente falar-se apenas das razões que tornam as árvores tão importantes para a saúde. Temos de começar a discutir as razões sistemáticas por que é tão difícil para estes sectores interagirem – como o sector florestal pode começar a cooperar com o de saúde pública e como podemos criar ligações financeiras entre os dois”, disse o investigador.

“A comunicação e a coordenação entre os departamentos de parques, florestas e saúde pública de uma cidade são raras. Quebrar estas barreiras pode revelar novas fontes de financiamento para a plantação e gestão de árvores.”

O cientista dá como exemplo a cidade de Toronto, onde o departamento de saúde pública trabalhou em conjunto com o florestal para fazer frente à ilha de calor urbano. Como muitos edifícios em Toronto não possuem ar condicionado, os dois departamentos colaboraram de forma a colocarem, estrategicamente, árvores nos bairros onde as pessoas estão particularmente vulneráveis ao calor, devido ao seu estatuto socioeconómico ou idade.



O relatório diz ainda que o investimento na plantação de novas árvores – ou até na manutenção das existentes – está perpetuamente subfinanciado, mostrando que as cidades norte-americanas estão a gastar menos, em média, no arvoredo do que nas décadas anteriores. Os investigadores estimaram que despender apenas $8 (7€) por pessoa, por ano, numa cidade dos EUA, poderia cobrir o défice de financiamento e travar a perda de árvores urbanas e dos seus potenciais benefícios.

Outros trabalhos também têm mostrado que o arvoredo urbano tem um valor monetário significativo. Segundo um estudo do Serviço Florestal dos EUA, cada $1 gasto na plantação de árvores tem um retorno de cerca de $5,82 em benefícios públicos.

Num outro estudo, uma equipa de investigadores da Faculdade de Estudos Ambientais da Universidade do Estado de Nova Iorque concluiu que os benefícios das árvores para as megacidades tinham um valor médio anual de 430 milhões de euros (505 milhões de dólares), o equivalente a um milhão por km2 de árvores. Isto deve-se à prestação de serviços como a redução da poluição atmosférica, dos custos associados ao aquecimento e arrefecimento dos edifícios, das emissões de carbono e a retenção da água da chuva.



Com demasiada frequência, a presença ou ausência de natureza urbana, assim como os seus inúmeros benefícios, é ditada pelo nível de rendimentos de um bairro, o que resulta em desigualdades dramáticas em termos de saúde. De acordo com um estudo da Universidade de Glasgow, a taxa de mortalidade entre os homens de meia-idade que moram em zonas desfavorecidas com espaços verdes é inferior em 16% à dos que vivem em zonas desfavorecidas mais urbanizadas.

Para Robert McDonald, a chave é fazer-se a ligação entre as árvores urbanas e os seus efeitos positivos na saúde mental e física. “Um dos grandes objetivos deste relatório é fazer com que diversos serviços de saúde vejam que deviam estar a participar na discussão para tornar as cidades mais verdes”, declarou. “As árvores urbanas não podem ser consideradas um luxo, dado que constituem um elemento essencial para uma comunidade saudável e habitável e uma estratégia fundamental para a melhoria da saúde pública.”


Nesta semana, o UniPlanet falou com a artista Margarida Girão que nos deu a conhecer o seu trabalho de colagem, uma forma de se dar asas à imaginação e de se dar uma vida nova às revistas que já não vamos ler mais.


UniPlanet (UP): É artista visual, designer, ilustradora e muito mais. Quando nasceu a sua paixão pela colagem?

Aos 11 anos comecei a cortar imagens de revistas e jornais - não recordo como e nem porquê, mas este foi o primeiro momento da minha história. Marcou o início da minha carreira: criar histórias visuais.
Estava a comunicar os meus pensamentos e emoções através da colagem, distante de saber que o que fazia tinha esse nome técnico. Sabia sim que tinha encontrado a fórmula mágica de superar o tédio - a minha infância e adolescência foram vividas numa vila no centro de Portugal. Bem no interior.






UP: No seu site, diz-nos que a colagem, para além de estimular a criatividade, também reduz o stress e a ansiedade. Quer explicar-nos melhor?

Só dei conta desses benefícios com os meus workshops de colagem. Os participantes estão completamente concentrados no trabalho manual que estão a realizar. Abstraem-se de outros assuntos.
Mas não é só a questão do stress, a alegria e satisfação quando terminam a composição visual é tão bonita de se observar!






UP: O que acontece normalmente durante um workshop de colagem orientado por si?

São três horas divertidas, diferentes do quotidiano e cada participante sai do workshop com uma peça de arte criada por si.
Todo o material é oferecido, e há sempre um tema ou uma atividade pré-definida, por exemplo, ilustrar um retrato.



UP: Que materiais precisamos de levar para estes workshops?

Nada. Até o lanche é oferta, mas raros são os que interrompem a atividade para comer. De qualquer maneira, eu obrigo-os a beberem algo pelo menos :)
Acho o máximo todo este empenho da parte deles!






UP: Para terminar, quando vão decorrer os próximos wokshops e onde podemos encontrar mais informação sobre o seu trabalho?

No meu site www.margaridagirao.com encontram toda a informação, ou seguindo qualquer uma das minhas redes sociais.
Datas dos próximos workshops:

28 Outubro - Tema: Viajar
11 Novembro - Tema: Donald Trump
18 Novembro, Organii LX Factory, Lisboa
25 Novembro - Tema: Mindfulness
2 Dezembro, Organii LX Factory, Lisboa