O "Wasted waste" é um documentário sobre o desperdício alimentar que nos dá a conhecer o freeganismo, que luta contra este desperdício. Ao mesmo tempo, mostra movimentos que contribuem para um estilo de vida mais sustentável, como a Fruta Feia, Refood, Maria Granel, Banco do Tempo, GoodAfter.

O UniPlanet falou com Pedro Serra que nos apresentou o seu novo documentário.


UniPlanet (UP): Como surgiu a ideia para este teu novo projeto?

A ideia para este documentário surgiu algum tempo depois de ter tomado conhecimento do que era o Freeganismo e precisamente por saber que havia ainda pouca informação sobre o mesmo, ou a que havia, ser ainda tabu.
Como já tinha feito uma longa metragem em torno da sustentabilidade - o documentário "Que Estranha Forma de Vida" sobre comunidades em busca da auto suficiência, achei que o Freeganismo seria um ponto fulcral a ser explorado num novo projeto.
Num mundo onde 3,6 milhões de kg de comida são desperdiçados diariamente em todo o mundo, enquanto 870 milhões de pessoas poderiam ser alimentadas apenas com este desperdício, 800 milhões de pessoas passam fome no nosso Planeta (dados FAO - Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura). São dados pouco contabilizados no nosso dia-a-dia e penso que merecem ser consciencializados.


Bananas no lixo

UP: À medida que foste começando a investigar o desperdício alimentar para a realização do teu documentário “Wasted Waste”, quais foram os factos que mais te chocaram?

A comida que facilmente é desperdiçada. Digo facilmente porque vi comida em perfeitas condições a ser descartada logo na primeira fase (no produtor) por não ter as medidas standard que os supermercados exigem (cor, tamanho, textura). Ou a comida que é "perdida" no transporte e manuseamento da mesma. Se uma caixa vai ao chão é automaticamente descartada. Por aí fora. Depois, pior que isto, é a privação imposta a quem quer reaproveitar esta comida. Os supermercados fazem de tudo para impedir o acesso à comida desperdiçada. Um exemplo muito simples e escandaloso é o uso de lixívia na comida que vai para os contentores, para que ninguém a colete. Ou espalharem tudo para que certos alimentos se tornem incomestíveis, como misturarem legumes com outro tipo de lixo, ou abrirem sopas, etc. São só alguns exemplos, justificados mais uma vez pelo lucro. Se as pessoas reaproveitam comida destes contentores, já não a vão comprar...





UP: Queres falar-nos um pouco sobre o desperdício das grandes superfícies e dos principais hipermercados portugueses?

Como sabemos, dados mundiais, 1/3 da comida produzida é desperdiçada em toda a sua cadeia. Desde a fase de produção, ao consumidor final. 198mil hectares foram usados para produzir toda esta comida desperdiçada. Tudo isto são dados que não são contabilizados, trazendo consequências catastróficas para o Planeta e seus habitantes. Estamos a falar de recursos hídricos, energia, trabalho laboral, terras e todos os recursos naturais associados. Para não falar da destruição de biodiversidade (desflorestação, erosão dos solos, etc.) que a agricultura intensiva acarreta.
Centrando-me diretamente na questão (tinha de falar em termos globais para chegar à questão nacional) em Portugal, estes dados representam um desperdício anual de 180kg de alimentos por cada português. Falando em entidades, não vou revelar nomes por motivos óbvios, mas tive o desprazer de ver toneladas e toneladas de comida ao final do dia irem para o lixo! Comida em ótimas condições espalhada que não vai ser aproveitada de maneira alguma! Há aqui algo que tem de mudar. E quando o PAN (partido pelas Pessoas, Animais e Natureza) levou à Assembleia a lei que procurava promulgar benefícios fiscais para superfícies comerciais que doassem os excedentes a instituições de solidariedade (bem como penalizações a quem não o fizesse), foi rejeitada por todos os partidos!
Felizmente, há quem continue a batalhar contra todo este desperdício e é sobre isso que é este documentário. Tanto pessoas individuais (os freegans) como entidades coletivas como a Refood, Fruta Feia, Food For Life, Maria Granel, GoodAfter...

Loja Maria Granel

Este documentário é por isso sobre estilos de vida individuais com repercussões conscientes no coletivo. Porque do ponto de vista da Natureza não existe desperdício. É a simbiose da vida. Um todo constituído de variáveis interdependentes, cada uma com sua causa e reação.
Se a civilização se ergueu a partir da idade da pedra, então também se poderá erguer a partir da idade do desperdício. Apocalipse significa descobrimento e não necessariamente desastre. São os descobrimentos da realidade, estamos a enfrentar a realidade, devemos ser otimistas e recebê-la bem. Atualmente temos os recursos, a tecnologia e o conhecimento para fazer do mundo um sucesso completo para todos, sem nos apoderarmos ou destruirmos o meio envolvente. A crise existe para nos levar ao próximo nível da existência como espécie. É nisso que acredito.



UP: Para quem não conhece o conceito, queres explicar-nos o que é o freeganismo?

Freeganismo é um estilo de vida alternativo baseado no boicote ao capitalismo, com vista a diminuir o impacto causado no meio ambiente e rejeitando qualquer forma de exploração humana e animal. Fazem-no através do consumo limitado e consciente de recursos, bem como o resgate (reaproveitamento) do desperdício. Não por necessidade. Mas por acreditarem que a sociedade produz acima das suas necessidades e possibilidades, com vista a dar continuidade a uma sociedade de consumo e crescimento ilusório.


UP: Agora que vês o desperdício alimentar com outros olhos, que dicas nos dás para alterarmos os nossos hábitos?

Para o consumidor comum, aquilo que mais aconselho do que aprendi, é a fazermos cada vez mais uma compra planeada. Sabermos o que precisamos realmente, não comprarmos acima das nossas possibilidades, comprarmos localmente, evitarmos grandes superfícies, tomarmos conhecimento de como, quem e de onde os nossos produtos vieram. E acima de tudo, consumir menos e reaproveitar mais. O mundo não suporta mais este estilo de vida baseado num crescimento ilusório à custa de recursos que são finitos. Pensarmos mais do ponto de vista da Natureza e menos do ponto de vista do capital.



UP: Quais foram as principais dificuldades que sentiste na realização do “Wasted Waste”?

As principais dificuldades penso que foi chegar às pessoas. Mais de 90% dos freegans que tentei contactar não quiseram dar a cara. E eu entendo. A lei não está do lado deles. Muito menos a maior parte dos media. É algo que é mal visto do ponto de vista social. E foi isso que quis desmistificar. É isso que tento fazer com todos os meus projetos. Mostrar o outro lado e levantar questões ao espectador. E também nenhuma das grandes cadeias de supermercados em Portugal ter querido falar connosco.


UP: Para terminar, onde podemos assistir ao teu documentário e onde podemos encontrar mais informação sobre o “Wasted Waste”?

A melhor maneira de estarem a par de todas as novidades, será mesmo na nossa página do facebook, onde estará tudo em primeira mão (próximas exibições, notícias, etc.) e também onde anunciaremos quando ficará online: facebook.com/wastedwastedocumentary.

Caixote do lixo


A partir do dia 1 de janeiro de 2018, o uso de animais selvagens em circos estará proibido na Irlanda.

O ministro irlandês da Agricultura, Alimentação e da Marinha, Michael Creed, disse: “O uso de animais selvagens para fins de entretenimento nos circos não pode continuar a ser permitido. Esta é a opinião geral do grande público e uma posição que fico feliz em apoiar publicamente. Este é um passo em frente, que reflete o nosso empenho em matéria de bem-estar dos animais”.

Michael Creed também se congratulou com o facto de, nos últimos anos, algumas autoridades locais terem espelhado a opinião da sociedade sobre este assunto, ao não autorizarem a utilização de terras públicas para circos com animais selvagens.

Segundo se lê num comunicado do seu ministério, "a capacidade de um circo itinerante satisfazer plenamente todas as necessidades de animais como os camelos e os tigres já não é uma premissa defensável.


Vídeo: Os circos com animais selvagens em 60 segundos

A proibição foi saudada pela Sociedade Irlandesa para a Prevenção da Crueldade sobre os Animais, que tinha recolhido mais de 27 600 assinaturas em prol da medida.

Os circos itinerantes não conseguem e nunca conseguirão proporcionar um ambiente adequado para os animais selvagens, como os elefantes, tigres e leões, que têm necessidades físicas e psicológicas complexas”, disse Andrew Kelly, diretor executivo da sociedade.

“A coerção de animais selvagens para a realização de truques – que são, de facto, comportamentos anormais para estes animais – a fim de entreter pessoas é uma prática ultrapassada e é correto que esteja a ser remetida para os livros de história.”

“Embora o afastamento dos poucos animais selvagens dos circos irlandeses possa parecer uma perda, estou confiante de que esta medida fará mais para garantir o futuro da comunidade circense. Adaptar-se às normas modernas relativas ao bem-estar dos animais significará que mais pessoas terão interesse em ir ao circo”, declarou Michael Creed.

Recentemente, a Itália proibiu o uso de animais selvagens em circos, juntando-se a uma lista crescente que também inclui a Roménia e a Eslováquia.
Foto: Thesupermat


Para forçar os líderes mundiais a confrontar o problema do lixo marinho e sensibilizar o público para esta questão, a empresa de informação LADbible e a organização The Plastic Ocean Foundation, juntamente com os profissionais de marketing Michael Hughes e Dal Evans de Almeida, tiveram uma ideia original.

Primeiro criaram um passaporte, uma bandeira e uma moeda. Depois apresentaram às Nações Unidas uma candidatura para o reconhecimento oficial da Grande Ilha de Lixo do Pacífico como um país, chamado Ilhas de Lixo (“Trash Isles”, em inglês).

Para apoiar esta candidatura, também lançaram uma petição, que já reuniu quase 200 mil assinaturas. Os assinantes são informados de que podem passar a considerar-se cidadãos das Ilhas de Lixo.

“Sabíamos que, embora esta ilha de lixo cubra uma área com o tamanho de um país, é fácil para os líderes mundiais ignorarem-na – o ditado ‘longe da vista, longe do coração’ não podia ser mais apropriado do que com esta questão”, disse Michael Hughes ao Dezeen. “Queríamos encontrar uma forma de os forçar a encará-la.”



A Grande Ilha de Lixo do Pacífico é a mais mediática grande mancha de lixo de origem humana – na sua maioria resíduos plásticos – no mar, ali reunida pelos vórtices das correntes oceânicas. Segundo Michael Hughes e Dal Evans de Almeida, já atingiu o tamanho de França.

Entre as personalidades que apoiam este projeto, destacam-se a atriz Judy Dench, o atleta Mo Farah, o ator Ross Kemp e o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, que já possui um passaporte de cidadão das Ilhas de Lixo.



Com a ajuda do designer Mario Kerkstra, a equipa criou um passaporte, dinheiro, uma bandeira e selos para o país, feitos de materiais reciclados.

“Trabalhando com o Mario como designer, tivemos a ideia de criar tudo o que um país oficial precisa, por isso com ele concebemos um passaporte, dinheiro, selos e uma bandeira”, explicou Michael Hughes.

No passaporte podemos ver o lema “O oceano precisa de nós” e o brasão que retrata um leão-marinho, uma tartaruga, uma gaivota e uma baleia afetados pelos detritos plásticos.


Se na União Europeia temos o euro, os cidadãos das Ilhas de Lixo têm o “detrito”. Com ilustrações de Tony Wilson, as notas mostram imagens dos oceanos devastados pelo plástico. A nota de 20 detritos mostra uma tartaruga com um resíduo plástico à volta da sua carapaça.


A nota de 50 retrata um leão-marinho com redes de pesca descartadas à volta do pescoço e a de 100 uma gaivota com a cabeça presa num conjunto de anéis de plástico para latas de bebidas.


Com 0,30 detritos conseguimos comprar um conjunto de selos azuis que nos mostram os célebres símbolos deste país de lixo, animais marinhos num mar de plástico.


Dal e Mike esperam que o reconhecimento da Grande Ilha de Lixo do Pacífico como um país vá encorajar outros países a limpá-lo.

Alentejo

A BirdLife Europe & Central Asia, European Environmental Bureau (EEB) e a NABU (Alemanha), apresentaram no dia 21 de novembro, em Bruxelas, uma Avaliação da eficácia da Politica Agrícola Comum (PAC) baseada em estudos desenvolvidos em toda a União Europa.

De acordo com a SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves), a presente PAC, que representa quase 40% do total do orçamento da UE (60 biliões de euros por ano), não serve os objetivos para que foi criada nem os interesses dos europeus. Não é efetiva nem coerente nos benefícios para os agricultores e coloca claramente em causa a sustentabilidade dos ecossistemas e a biodiversidade, afetando a própria agricultura e a qualidade de vida de todos os cidadãos.

No estudo independente “Is the CAP fit for purpose?” os autores analisaram mais de 450 artigos científicos relevantes. A investigação foi desenvolvida por uma equipa de reputados especialistas europeus (incluindo de Portugal e Espanha), de áreas diversas como a agro-economia, ecologia e sociologia tendo como base a própria metodologia de avaliação da eficácia de políticas da União Europeia.

Alguns dos resultados do estudo mostraram que o envolvimento ambiental da PAC é insuficiente para deter a degradação do ambiente rural e reduzir o declínio dramático da biodiversidade e que esta não aborda adequadamente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Como refere Francisco Moreira, investigador do CIBIO - Universidade do Porto e membro da equipa responsável pelo estudo, “uma das grandes surpresas foi a baixíssima eficiência da PAC, em proveito por unidade de investimento. Comparando o enorme investimento em financiamento com os baixos proveitos ambientais, o valor ambiental da CAP é dececionante.

Para Domingos Leitão, Diretor Executivo da SPEA, também em Portugal os efeitos são evidentes “com situações escandalosas de insuficiência de fundos para as medidas agro-ambientais para a Rede Natura 2000 e simultaneamente os investimentos de milhões em medidas tão básicas, que o agricultor acaba por não fazer nada de significativo em prol do ambiente”. “Ainda na semana passada o Ministro da Agricultura anunciou mais 500 milhões de euros para regadios, que não se sabe para que servirão, nem de onde virá a água, com a agravante de parte desses investimentos serem obtidos com empréstimos ao Banco Europeu de Investimentos. Ou seja, mais dívida pública para um negócio que se sabe que não vai trazer emprego, e que vai trazer enormes passivos ambientais”.

A Comissão Europeia não cumpriu as suas próprias regras de boa regulamentação e não realizou uma verificação da aptidão da PAC, apesar de vários apelos da sociedade civil e elementos da comunidade empresarial para o fazer (por exemplo, no âmbito da campanha Living Land promovida em Portugal pela SPEA, WWF e LPN). Esta verificação da PAC também foi formalmente solicitada pela plataforma Regulatory Fitness and Performance Program (REFIT), um grupo consultivo chave da Comissão Europeia composto por representantes dos negócios, parceiros sociais e sociedade civil. O resultado do estudo apresentado torna claro que a PAC não serve os seus próprios objetivos nem os cidadãos.

Num comunicado, a SPEA afirmou que “como ficou bem expresso na apresentação do estudo, o gasto de milhões de euros anualmente do orçamento europeu em pagamentos diretos não é eficiente nem bem justificado, e não tem como resposta um aumento da sustentabilidade da agricultura nem do rendimento dos agricultores. Responde a objetivos muito dispersos, pouco claros e muitas vezes conflituantes”.
A PAC revela-se uma política pouco coerente, muito permeável às pressões de diferentes setores económicos privados, e com consequências graves na qualidade de vida das pessoas e nos valores ambientais essenciais para um desenvolvimento sustentável”, acrescenta.

Foto: Alentejo | Domingos Leitão
Esquilo

Os esquilos estão definitivamente de volta ao território nacional. Depois de extintos durante centenas de anos até aos anos 80, altura em que lentamente foram atravessando a fronteira no Minho, nas últimas duas décadas, a espécie expandiu-se até ao rio Tejo e está fora de perigo. As conclusões são do estudo realizado em Portugal sobre a distribuição do esquilo-vermelho, um trabalho do Departamento de Biologia (DBio) da Universidade de Aveiro (UA) que contou com uma preciosa ajuda: centenas e centenas de cidadãos que nos últimos anos avisaram os investigadores sempre que viam esquilos.

Para perceber por onde andavam os esquilos e se estavam em expansão, a Unidade de Vida Selvagem da UA lançou, em 2014, o projeto Esquilo Vermelho. Para esta investigação, os biólogos voltaram-se para a população. Através de um inquérito online, pediam a quem avistasse um esquilo que indicasse o local do avistamento.

E o resultado é muito otimista para o futuro do esquilo em Portugal – cerca de 1400 avistamentos de esquilos distribuídos entre os rios Minho e Tejo.
O estudo foi publicado no último número da revista European Journal of Wildlife Research.

Esquilo

Expansão para lá do Tejo

“Comparativamente ao estudo anterior, realizado em 2001 e que indicava que o esquilo ocorria apenas a norte do rio Douro, verifica-se hoje uma grande expansão desta espécie nas últimas duas décadas”, congratula-se a bióloga Rita Gomes Rocha. A coordenadora do estudo aponta ainda a boa notícia de “existirem alguns registos esporádicos a sul do rio Tejo, que podem indicar uma contínua expansão em locais onde existe habitat e recursos disponíveis para o esquilo”.

A boa capacidade de dispersão do esquilo, refere Rita Rocha, já era conhecida na Europa. Faltava, no entanto, estudá-la em território nacional. “A expansão que está a decorrer em Portugal confirma essa capacidade de dispersão da espécie que, no entanto, está bastante depende das florestas e respetivos recursos disponíveis e, por isso, a proteção do seu habitat é fundamental para a contínua preservação da espécie, avisa a investigadora.

A participação da população foi, e continua a ser, fundamental para o sucesso do Esquilo Vermelho. “Este é um projeto que se baseia na cidadania ativa na recolha de dados científicos, ou a chamada Ciência Cidadã, e a adesão que temos tido tanto no envio de registos como na partilha de informação tem sido surpreendente”, aponta Rita Rocha.

A investigação continua, por isso se vir algum esquilo avise os investigadores através da página de Facebook do projeto.


Segundo um novo estudo publicado na revista científica Nature Communications, a agricultura biológica poderia alimentar a população mundial crescente se reduzíssemos a quantidade de alimentos desperdiçados e parássemos de usar tantas terras agrícolas para produzir alimentos destinados aos animais de pecuária.

Até 2050, espera-se que a população mundial alcance os 9,8 mil milhões, o que se traduz em 2 mil milhões de bocas adicionais para alimentar e na necessidade de se aumentar a produção agrícola em 50%, escreveram os autores do estudo. O desafio é exacerbado pela mudança dos padrões alimentares e o aumento da procura de carne, que pressionam ainda mais o ambiente.

“É, portanto, fundamental refrearem-se os impactos ambientais negativos da agricultura, ao mesmo tempo que se garante que a mesma quantidade de alimentos pode ser fornecida”, escreveram os investigadores.

São muitas as estratégias que têm sido sugeridas para se alcançar este objectivo, entre as quais o aumento da eficiência da produção e da utilização de recursos, a adoção de abordagens holísticas como a agroecologia e a produção biológica e a redução do consumo de produtos de origem animal e do desperdício alimentar.

“A agricultura biológica é uma sugestão concreta, mas controversa, de como se melhorar a sustentabilidade dos sistemas alimentares”, escreveram os autores do estudo. “Este tipo de agricultura abstém-se do uso de fertilizantes e pesticidas sintéticos, promove a rotação de culturas e incide na fertilidade do solo e em ciclos fechados de nutrientes.”

Como a agricultura biológica não utiliza pesticidas sintéticos, isto traduz-se num ambiente com menos químicos e em menos riscos para a biodiversidade de insetos, animais que desempenham um papel crítico para o funcionamento dos ecossistemas, como polinizadores e como uma importante fonte de alimento para as aves e outros pequenos animais.


Aplicação de pesticidas num campo | Foto: Zeynel Cebeci

Um dos principais argumentos contra a aposta na agricultura biológica é a diferença de produtividade: a ideia de que as culturas biológicas requerem mais terras porque a sua produtividade é inferior à das culturas convencionais, o que poderia resultar em mais desflorestação.

“Devido à diferença de produtividade, existem vozes opositoras que dizem que não é possível... (e) há apoiantes que dizem que esta diferença não é realmente importante e que poderia ser resolvida”, disse Adrian Müller, autor do estudo e cientista do Instituto de Investigação de Agricultura Biológica, na Suíça. “Queríamos encará-lo de uma perspetiva ao nível dos sistemas alimentares, porque achamos que considerar apenas a diferença de produtividade não é suficiente. É importante que se observe realmente a produção e o consumo juntos e ver o que a agricultura biológica pode contribuir a este nível.”

Para explorar mais a questão, Adrian Müller e os seus colegas desenvolveram modelos com base em dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), observando os efeitos que a transição para a agricultura biológica teria em diferentes cenários e tendo em conta fatores como a percentagem de desperdício alimentar e de culturas usadas para alimentar o gado em vez de pessoas, explica o Los Angeles Times.

A equipa de investigadores descobriu que as necessidades da população mundial poderiam ser inteiramente satisfeitas por uma agricultura exclusivamente biológica, se se reduzisse em metade o desperdício alimentar e se se parasse a produção de alimentação animal em terras que poderiam ser usadas para cultivar alimentos para os seres humanos.

Porém, isto reduziria consideravelmente a quantidade de gado e, consequentemente, o consumo de carne, algo que não agradaria a todos.

Adrian Müller sugere um compromisso mais praticável: fazer com que as culturas biológicas perfaçam cerca de 50% de todas as culturas e reduzir em metade tanto o desperdício alimentar como as terras agrícolas usadas para produzir alimentação animal.

“Precisamos de utilizar todas as estratégias possíveis de que dispomos, sem apoiar um extremo e descartar outras abordagens”, declarou. “Acho que estamos a caminhar na direção certa e, como um otimista, acho que, sim, de alguma forma, vai funcionar.”
Sem-abrigo

O presidente da Câmara do Porto afirmou que quer ter “pelo menos dois, se não três” restaurantes solidários para sem-abrigo. As zonas apontadas para estes restaurantes são a Boavista e o Campo 24 de Agosto.

No dia 14 de novembro, foi aprovado aumentar de 50 mil para 60 mil euros o apoio municipal ao restaurante solidário para sem-abrigo que foi criado em 2016 e que se localiza na zona da Batalha, sendo que o objetivo é que passem a ser dois ou três os espaços que vão servir refeições diárias aos sem-abrigo.

Durante o primeiro ano de funcionamento, este restaurante garantiu o fornecimento de cerca de 170 refeições diárias.
O restaurante solidário faz parte do programa Porto de Abrigo e é um “contributo do município do Porto para a Estratégia Local de Integração de Pessoas em Situação de Sem Abrigo”.


A edição de 2017 da Semana Europeia da Prevenção de Resíduos (SEPR) decorre entre os dias 18 e 26 de novembro. O objetivo da iniciativa é alcançar tantos cidadãos quanto possível a fim de os sensibilizar para os passos fáceis que podem ser dados para reduzir os resíduos que produzem.

O tema deste ano, "Reutilizar e Consertar: Dar uma nova vida!", quer lembrar-nos de que devemos apreciar mais os produtos e os recursos utilizados para os fabricar e mostrar-nos que é fácil encontrar-se valor em algo que achávamos que se tinha tornado inútil.



A SEPR criou ainda uma ferramenta online que pretende inspirar as pessoas da Europa e do resto do mundo a adotar um conjunto de comportamentos mais sustentáveis.

Participar é simples: escolha alguns dos 15 bons hábitos da lista que se segue e comprometa-se a aderir a estes comportamentos no site da SEPR (clicando em "comprometo-me"). Não se esqueça de que estes bons hábitos podem e devem ser repetidos ao longo do ano.

15 bons hábitos para reduzir os resíduos

1 Separar corretamente os resíduos
Separe corretamente os seus resíduos. Uma correta separação melhora o processo de reciclagem.

2 Optar por reparar os objetos para evitar deitá-los fora
Repare o seu telemóvel, computador, impressora, sapatos, televisão, bicicleta, roupa, mobiliário, etc. e poupe os recursos do nosso planeta.

3 Dizer não à publicidade não solicitada
Coloque um autocolante “Publicidade aqui não” na sua caixa de correio.

4 Entregar os equipamentos que já não funcionam
Entregue os equipamentos elétricos e eletrónicos que já não funcionam no ecocentro ou local adequado para que as matérias-primas possam ser recuperadas.

5 Evitar os produtos perigosos
Escolha pilhas recarregáveis, detergentes ecológicos, tintas sem dissolventes químicos, etc. Cuide da sua saúde e do ambiente.


Os artigos descartáveis que utilizamos são uma ameaça para a vida selvagem

6 Pedir emprestado ou alugar em vez de comprar
Peça emprestado e empreste livros, ferramentas, CD, DVD, jogos, etc. Alugue aqueles objetos que só utiliza ocasionalmente.

7 Imprimir menos
Imprima apenas quando realmente necessita e de ambos os lados da folha de papel.

8 Evitar os produtos com excesso de embalagens
Escolha produtos concentrados, recarregáveis e em embalagens reutilizáveis. Faça compras a granel.

9 Espalmar as embalagens que vão ser recicladas
Esvazie e espalme as embalagens antes de as separar. Desta forma, facilitará o processo de triagem e encaminhamento para reciclagem.

10 Acabar com o desperdício alimentar
Faça uma lista de compras. Não desperdice, aproveite os restos.


90% das aves marinhas têm plástico nos seus aparelhos digestivos

11 Adquirir artigos em 2ª mão
Compre móveis, roupa, livros, CD, DVD e jogos em segunda mão.

12 Fazer compostagem doméstica dos restos de jardim e cozinha
Produza o seu próprio composto. É gratuito e de qualidade.

13 Evitar as embalagens de bebidas
Beba água da torneira e compre bebidas em garrafas reutilizáveis.

14 Usar sacos reutilizáveis
Leve consigo um saco reutilizável para fazer compras.

15 Doar roupas que já não usa
Em vez de deitar fora as roupas que já não usa, doe-as ou troque-as em swap markets.

Participe e convide os seus amigos e familiares a participar!

1ª foto: Dan DeLuca


Cientistas da Universidade de Newcastle descobriram plástico nos estômagos dos animais que vivem nos locais mais profundos do planeta, provando que nenhum lugar está livre da poluição causada pelos resíduos plásticos.

“Não há dúvida de que a poluição dos plásticos está tão disseminada que nenhum lugar – não importa quão remoto - está imune”, disse Alan Jamieson, autor do novo estudo.

Os investigadores descobriram fibras de plástico em crustáceos de seis dos lugares mais profundos do planeta: as fossas das Marianas, do Japão, Izu-Bonin, Peru-Chile, Novas Hébridas e Kermadec. Estas fossas abissais atingem profundidades que vão dos sete aos dez quilómetros e incluem o ponto mais profundo da superfície terrestre registado, chamado Depressão Challenger, que se situa na Fossa das Marianas.

“Estas observações são o registo da ocorrência e ingestão de microplásticos à maior profundidade possível, indicando que é altamente provável que já não existam ecossistemas marinhos que não tenham sido afetados pelos resíduos antropogénicos”, disse o cientista.

“A descoberta de fibras de plástico dentro de animais a quase 11 quilómetros de profundidade só serve para mostrar a extensão do problema. Para além disso, o número de locais nos quais descobrimos isto e as distâncias de milhares de quilómetros envolvidas mostram que não é apenas um caso isolado, isto é global.”



A equipa de investigação examinou 90 animais e descobriu que a ingestão de plástico variava entre 50% na fossa de Novas Hébridas e 100% na das Marianas.

Os fragmentos identificados incluíam microfibras celulósicas semissintéticas, como o rayon, liocel e rami, que são usadas em têxteis, e outras fibras de plástico provavelmente provenientes de artes de pesca, garrafas e embalagens de plástico.

Alan Jamieson explicou que os organismos de profundidade dependem da comida que “cai da superfície, a qual, por sua vez, [pode] levar elementos negativos, como plástico e poluentes”.

“As profundidades marinhas não são só o derradeiro depósito para qualquer material que caia da superfície, mas também são habitadas por organismos que estão bem adaptados a um ambiente com pouca comida e que, muitas vezes, comem qualquer coisa.”

Cerca de oito milhões de toneladas de plástico vão parar ao mar todos os anos. Estima-se que existam 300 milhões de toneladas de plástico a poluir, atualmente, os oceanos e que mais de 5 biliões de peças de plástico flutuem na sua superfície.

“O lixo despejado nos oceanos irá, em última instância, acabar por dar de novo à costa ou afundar-se nas profundidades marinhas, não há outras opções”, disse o investigador. Uma vez que estes plásticos cheguem ao fundo do mar, não há mais nenhum lugar para onde possam ir, por isso assume-se que eles simplesmente se acumulem em maiores quantidades.”


Vai decorrer, no dia 23 de novembro, no Dialogue Café, dentro do ciclo Global Exchange of Crafts Makers, uma sessão sobre craftivismo, uma forma de ativismo que aborda o ambientalismo, o capitalismo, o feminismo e outras causas sociais.

O UniPlanet falou com Dália Sendra, do Dialogue Café, que nos deu a conhecer este conceito.


UniPlanet (UP): Qual o principal objetivo do ciclo Global Exchange of Crafts Makers?

O objetivo principal do ciclo Global Exchange of Crafts Makers é promover o diálogo e partilha de experiências entre artesãos e “makers” com o duplo fim de, por um lado, identificar os desafios e oportunidades deste sector no âmbito de uma economia criativa; e, por outro lado, incentivar a transmissão de conhecimentos entre artesãos tradicionais e inovadores, jovens e seniores e proporcionar formas de um relacionamento estreito entre todos. Por isso, no âmbito do ciclo Global Exchange of Crafts Makers abordamos algumas questões estratégicas, designadamente como promover uma moda mais sustentável, como desenvolver um negócio etc.

O ciclo foi lançado em 2016 e temos organizado até agora sessões em temáticas tão diversas como: promoção do diálogo intercultural e a diversidade cultural, diálogo entre tradição e design, inclusão de refugiados, moda sustentável, movimento DIY, cooperação entre fab labs e artesãos, e o desenvolvimento de um negócio. Para mais informações, por favor consultem a nossa página Web.




UP: Em que consiste o craftivismo? Pode dar-nos alguns exemplos desta prática?

Craftivismo é um novo conceito que surgiu em 2003. Betsy Greer, escritora e consultora, criou o conceito para juntar numa mesma palavra dois conceitos, o de ativism e o de crafts, e dar assim nome a um tipo de ação pelo bem comum que utiliza as técnicas artesanais como linguagem de protesto.

No entanto, este conceito tem raízes mais antigas e que consistem na utilização das técnicas artesanais para protestar, para promover uma causa ou mudança social, para empoderar coletivos em risco de exclusão. Nos séculos XIX e princípios do XX, feministas canadianas, tais como as Voice of Women ou Canadian Handicrafts Guild já utilizaram as técnicas do tricot, bordado, e outras artes manuais têxteis para educar e promover valores sociais, assim como para empoderar e favorecer a autonomia de mulheres em contextos rurais. Ao longo da história, há de facto muitas experiências que aliam este ativismo feito com crafts ao feminismo.




Hoje em dia, há muitos movimentos, comunidades e colectivos que trabalham a ideia do craftivism. Um exemplo é o Yarn Bombing, comunidades de pessoas que se agrupam à volta do crochet e do tricot e atuam nas ruas das nossas cidades com um determinado objetivo. Outro é o Craftivist Collective fundado por Sarah Corbett no Reino Unido. No Canadá existe o Blankets for Canada Society, um coletivo que tece mantas para pessoas sem-abrigo. Como iniciativas globais, podemos referir o Pussyhat Project, que dispensa apresentações… trata-se de uma iniciativa liderada a partir de Washington para celebrar o dia internacional da mulher em 2017, e que teve um impacto global muito relevante. De facto, veio a tornar-se um símbolo da solidariedade para com os diretos das mulheres.

Ao nível nacional, neste momento temos a Campanha Linha Vermelha em curso. Trata-se de uma ação nacional organizada pela Academia Cidadã e pelo Climáximo para sensibilizar a população para a questão da exploração de petróleo e gás nas praias e costas de Portugal. Para isso, as pessoas que apoiam a iniciativa estão a tecer peças em tricot ou crochet em vermelho que vão ser unidas com o fim de criar uma grande linha vermelha.

Mas craftivism é também usado para criar mudança social e, nesse sentido, há imensas iniciativas que estão a utilizar as técnicas artesanais para empoderar e favorecer a inclusão social de refugiados, idosos em risco de isolamento, ou mulheres e jovens em risco de exclusão e pobreza. Em Portugal, temos iniciativas muito interessantes a este nível como é o caso dos projetos para avós da A Avó veio Trabalhar, a Hora d´Avó e Entrelaços, para pessoas com background migrante, o projeto Transistórias, ou para refugiados os projetos Pão a Pão, Amal Soap, e Mano a Mano. Representantes de todas estas iniciativas têm participado em sessões do Dialogue Café, o que tem sido um enorme gosto, para além de a sua participação contribuir em muito para enriquecer os diálogos nesta matéria.





UP: Vai realizar-se no dia 23 de novembro, às 15h, no Dialogue Café, uma sessão sobre craftivismo. O que irá decorrer durante este evento?

No dia 23 de novembro, organizaremos uma partilha de experiências que utilizam o craftivismo como estratégia de atuação na diversidade das suas perspectivas: como ação nas ruas, como desenvolvimento de coletivos, como linguagem para a defesa de uma causa e também para o empoderamento de pessoas. Abordaremos igualmente este conceito quer do ponto de vista coletivo quer individual. As técnicas artesanais que utilizam as pessoas convidadas são várias e vão desde as técnicas têxteis do tricot, crochet ou bordado, até à ilustração. Para isso, contaremos com iniciativas e ativistas relevantes oriundos de cidades tão diversas como Évora, Lisboa, Novi Pazar (na Sérvia) e Rio de Janeiro. O debate será em inglês e será transmitido via Facebook.


UP: Onde podemos fazer a inscrição e encontrar mais informação sobre este evento?

Podem encontrar as informações no blog da página web do Dialogue Café ou no evento que criamos no Facebook: Craftivism at Dialogue Café! Para se inscreverem, basta mandarem um e-mail para: info@dialoguecafe.com.
Muito obrigada!




1ª Foto: Royal Alberta Museum