A Quercus pediu ao ministro do Ambiente que se passe a aplicar uma taxa de IVA de 23% para todos os produtos em plástico descartável e uma taxa de IVA mais reduzida de 13% para todos os materiais reutilizáveis, para além da proibição dos microplásticos nos produtos cosméticos e de higiene pessoal, a partir de janeiro de 2021.

Estas propostas foram lançadas durante a Semana Europeia da Prevenção de Resíduos (The European Week for Waste Reduction), que decorre do dia 18 a 26 de novembro.

O consumo de produtos descartáveis tem vindo a aumentar, de acordo com a Quercus, estudos recentes mostraram que em Portugal se consome por ano 259 milhões de copos de café, 10 biliões de beatas de cigarros, 40 milhões de embalagens de take-away, 1 bilião de palhinhas de plástico (suficientes para dar a volta ao planeta cinco vezes) e 721 milhões de garrafas descartáveis.

Os microplásticos (pequenas partículas de plástico com menos 5 mm) são um ingrediente comum em muitos cosméticos e produtos de higiene pessoal (em esfoliantes do rosto, corpo, cabelo e em pastas de dentes) ou são o resultado da degradação de objetos maiores (cotonetes, palhinhas, sacos de plástico descartáveis). Estes materiais podem ser também usados em processos industriais, onde são lançados sob alta pressão para remover os depósitos e resíduos, acabando por ser lavados para uma rede de esgotos. Estas partículas são demasiadamente pequenas para serem completamente filtradas nos sistemas de tratamento e acabam no mar.

Estas partículas ameaçam a biodiversidade marinha, e ao entrarem na cadeia alimentar dos animais, acabam também por entrar na cadeia alimentar humana através do consumo de peixe, o que constitui um risco para a saúde. As micropartículas de plástico já foram encontradas no sal, algas, peixes e aves.

No início de junho de 2017, a Ministra do Ambiente da Suécia, Karolina Skog, anunciou a proibição da venda dos produtos cosméticos que contêm microplásticos na sua composição.

A associação apela a que haja uma maior preocupação com os produtos que adquirimos, através de medidas que permitam ajudar na mudança de hábitos de consumo, contribuindo para a proteção do ambiente marinho e da saúde.

A Quercus propõe a regulação das seguintes categorias de descartáveis:

Plástico:
  • Talheres e copos de plástico;
  • Tampas;
  • Copos e taças rígidas;
  • Caixas de plástico para alimentos;
  • Sacos (< 50 microns);
  • Filme (película);
  • Palhinhas.
Esferovite:
  • Copos, contentores e pratos de espuma;
  • Caixas e contentores (pesca);
  • Artes de pesca.
Artigos de festa:
  • Balões (Latex) (alternativa: balões de resina biodegradável);
  • Confettis, serpentinas de plástico e de papel plastificado (alternativas: confettis e serpentinas de papel).


Nem sempre é fácil encontrar marcas de brinquedos diferentes dos que encontramos nas grandes superfícies, na sua maioria feitos de plástico. Quando quiser oferecer um brinquedo, opte pela qualidade em vez da quantidade, escolha brinquedos de pequenos produtores feitos à mão e troque o plástico por materiais biodegradáveis como, por exemplo, a madeira e o algodão. Alguns artesãos optam por tintas à base de água e recuperam a madeira que sobra dos excedentes da produção do mobiliário.

Para facilitar a sua vida, o UniPlanet criou uma lista com marcas portuguesas de brinquedos mais sustentáveis feitos de madeira, tecido ou papel.


Matilde Beldroega



Matilde Beldroega é a marca de Rita Pinheiro, que vende bonecos de pano feitos à mão, com fibras naturais como o algodão e o linho. Também faz bonecos personalizados.

Bicho Carpinteiro



Bicho Carpinteiro é uma marca de brinquedos de madeira (teatros de madeira, cavalinhos, casas de bonecas, tendas, etc.) feitos à mão, com grande atenção aos detalhes.

Dream Pillows



As Dream Pillows são almofadas bordadas à mão, feitas em Portugal, utilizando materiais criteriosamente selecionados, como linhas de alta qualidade e tecidos de algodão e linho puro.

Carrossel



A Carrossel é uma marca portuguesa de brinquedos feitos em madeira. Oferece brinquedos de origem tradicional, mas com linhas simples e um toque moderno. Cavalos de baloiço, piões de cordel, espadas, casas e berços para bonecos, pintados à mão com tintas de base aquosa, resultando em brinquedos que perduram no tempo.

Oficina do Alfredo



A Oficina do Alfredo é uma marca de brinquedos de madeira “feitos com amor”. Utilizam matérias-primas locais ou reciclam madeiras de mobiliário.

“Queremos partilhar o gosto de fazer algo que preserva o saber manual e que dá o exemplo de sustentabilidade que se pretende nos dias de hoje. Os brinquedos de madeira não devem ir para o lixo, podem sempre ser consertados e passar de geração em geração.”

Ricardo Rodrigues



Ricardo Rodrigues é um ilustrador e criador de bonecos de pano com grande pormenor.

Pukaca



A Pukaca é uma marca portuguesa de brinquedos de papel 100% reciclado que se constroem e ficam em 3D.

“Gostamos muito de saber que as nossas criações trazem alegria e felicidade a toda a gente.”

Amo-te Mil Milhões



A “Amo-te Mil Milhões” é uma marca que se dedica à criação de brinquedos e acessórios feitos à mão para crianças de todas as idades.

“Adoro imaginar os meus bonecos a passar de geração em geração, gastos de tão amados que são.”

Mi Mitrika



Mi Mitrika é um projeto de Alexandra Macedo. Um lugar onde reúne os seus interesses pelos tecidos, os fios, o desenho de padrões e a estamparia manual. Faz também bonecas às quais chamou Valentinas.

"Esta Valentina é uma menina determinada que escolheu ser senhora do seu nariz. Recusa-se a seguir qualquer imposição venha ela donde vier, é uma rebelde e não vai em modas."

Paralela



A Cidade de Cortiça da Paralela é um jogo feito em cortiça que permite construir casas, castelos, fábricas e tudo o que a imaginação permitir. Existem duas versões: 14 ou 27 blocos. Não traz instruções e vem dentro de um saco de pano cru.

“A ideia é estimular a criatividade das crianças e dos adultos, também.”

So So



A So So (“Assim assim”) é uma marca portuguesa que cria objetos inspirados em provérbios, adágios e expressões portuguesas. Fazem brinquedos em madeira como cães puxados por trelas com o provérbio “Cão que ladra, não morde”, rinocerontes, ovelhas ou, por exemplo, um mobile em forma de nuvem com o provérbio “Quem anda à chuva molha-se!”.

Ookaki



Os Ookaki são bonecos de pano que estão “desejosos de ir para a vossa casa, de ser abraçados” feitos em Évora.

Oficina do achado



A Oficina do achado é um projeto dedicado aos mais pequenos que recria jogos tradicionais com muita cor. Os brinquedos são feitos com materiais não tóxicos e são 100% artesanais.

Wood Toys



A Wood Toys produz brinquedos em madeira de modo artesanal, numa pequena oficina, que fazem com que os pais e avós relembrem os tempos de infância e as suas brincadeiras.

“Nesta fase que a sociedade atravessa, a sustentabilidade é algo que nos preocupa e por isso o facto de os nossos brinquedos serem em madeira faz com que sejam amigos do ambiente e não provoquem qualquer tipo de poluição sendo também restauráveis em caso de dano ou desgaste de uso poupando assim a Natureza.”

Joana em Banho Maria



Designer de formação, Joana Coelho é apaixonada pelo crochet e cria bonecos em amigurumi.

Nheko



Nheko (o diminutivo de boneco) é uma loja com alguns brinquedos exclusivos feitos em tecido ou madeira, fruto de parcerias com artistas ou outro tipo de criadores.

“Oferecemos uma seleção de coisas bonitas, duradouras, que contribuem para uma vida em família cada vez mais consciente e refletida.”

Fulana, Beltrana e Sicrana



A “Fulana, Beltrana e Sicrana” é a marca de Benedetta Maxia, que cria bonecos de pano personalizados e únicos feitos à mão.

“Cada boneca é única e feita com a combinação de tecidos vintage reutilizados.”

Bonecas Maria Feijão



As Bonecas Maria Feijão são feitas em pano e são da autoria da artista Patrícia Pedro Afonso, que vive no Porto.



Conhece uma marca que não está na lista? Entre em contacto connosco aqui.



Capa do livro
Persépolis é a autobiografia de Marjane Satrapi, uma menina que cresce em Teerão, no Irão, durante a Revolução Islâmica. Irreverente e rebelde, Marjane é filha de um casal de classe alta, com convicções marxistas e que está envolvido nos movimentos de resistência contra dois regimes políticos opressivos.

Em 1979, o Xá foi deposto, no Irão, mas a Revolução foi desviada do seu objetivo secular pelo Ayatollah e os seus mercenários fundamentalistas. O livro narra episódios brutais de perseguição, torturas, execuções e bombardeamentos, o momento em que as mulheres passam a ser obrigadas a usar véu, tudo do ponto de vista de uma criança. Conta também a história da sua passagem pela Áustria, durante a adolescência, o regresso ao Irão e a partida final para Paris.
Os momentos passados em casa, narrados com grande ternura, são fascinantes. A avó é, sem dúvida, uma das grandes personagens da história, mas para saber porquê tem de ler o livro.

Persépolis é um livro inteligente, divertido e comovente que transmite uma mensagem universal de liberdade e tolerância. Com ilustrações a preto e branco e textos com uma simplicidade infantil, Marjane consegue mudar totalmente a imagem que temos do Irão. É um daqueles livros que, quando acaba, ficamos com saudades das personagens.

Leia que vale a pena!

Biografia

Marjane Satrapi nasceu em Rasht, no Irão, em 1969, e atualmente vive em Paris. Estudou no liceu francês de Teerão, onde passou a sua infância. Bisneta de um imperador do país, teve uma educação que combinou a tradição da cultura persa com valores ocidentais e de esquerda. Aos 14 anos, partiu para a Áustria, e depois retornou ao Irão onde estudou belas-artes. Hoje em dia, é autora e ilustradora, tendo conquistado o reconhecimento mundial com Persépolis, obra que ganhou alguns dos mais prestigiados prémios deste género literário. As ilustrações de Marjane são publicadas em revistas e jornais de todo o mundo, incluindo o The New Yorker e o The New York Times.

Ao jornal Público, em 2004, Marjane contou que do Irão tinha saudades de "Tudo, tudo. A começar pelas montanhas que rodeiam Teerão. Mas do que sinto mais falta é do sentido de humor iraniano. As piadas que mais me fazem rir são as iranianas. O apocalipse pode acontecer no Irão que no dia a seguir há piadas acerca desse apocalipse. E as pessoas... têm uma generosidade que nunca, nunca vi em parte alguma do mundo".

Se preferir, pode assistir ao filme:



Com a chegada do Outono, milhões de pessoas viajam até ao Parque Nacional Great Smoky Mountains, no Tennessee, para apreciar o espetáculo de vermelhos, laranjas e amarelos da estação.

No entanto, para os milhões de visitantes com protanopia (dificuldade na distinção do espectro de cores vermelho e verde), a paisagem outonal pode não ser um espetáculo assim tão impressionante.

Pensando nestes visitantes, o Departamento de Desenvolvimento Turístico do Tennessee instalou binóculos com lentes especiais, nos miradouros, que ajudam a distinguir o espectro vermelho e verde.

No vídeo abaixo, alguns dos visitantes veem, pela primeira vez, as cores do Outono – um momento comovente que os deixa sem palavras.



“Estou feliz por o ter visto. Só queria ter visto isto toda a minha vida”, comentou um destes turistas.

Só no ano passado, o Parque Nacional Great Smoky Mountains atraiu 11 milhões de visitantes.

“Um dos principais pilares que promovemos no Tennessee é a beleza das nossas paisagens”, disse Kevin Triplett, comissário do Departamento de Desenvolvimento Turístico do estado. “Os vermelhos, os laranjas e os amarelos do Outono e as cores incríveis da Primavera são uma das principais coisas que vêm à cabeça das pessoas quando pensam no Tennessee ou o visitam.”

“Mas ao nos apercebermos que, através de deficiências envolvendo a perceção das cores vermelho e verde e outras formas de daltonismo, podem existir mais de 13 milhões de pessoas, só no nosso país, que não podem apreciar plenamente a beleza que o nosso estado tem para oferecer, quisemos fazer algo em relação a isto.”
Agricultura

A Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro iniciou um concurso para 20 cargos de direção intermédia de 2.º grau:

– Chefe de Divisão de Apoio à Agricultura e Pescas;
– Chefe de Divisão de Infraestruturas e Ambiente;
– Chefe de Divisão de Desenvolvimento Rural;
– Chefe de Divisão de Recursos Humanos;
– Chefe de Divisão Financeira;
– Chefe de Divisão de Sistemas de Informação, Comunicação e Documentação;
– Chefe de Divisão de Investimento de Aveiro;
– Chefe de Divisão de Investimento de Coimbra;
– Chefe de Divisão de Investimento da Guarda;
– Chefe de Divisão de Investimento de Viseu;
– Chefe de Divisão de Planeamento e Estatística;
– Chefe de Divisão de Controlo;
– Chefe de Divisão de Licenciamento e Apoio Laboratorial;
– Chefe de Delegação de Aveiro;
– Chefe de Delegação de Castelo Branco;
– Chefe de Delegação de Coimbra;
– Chefe de Delegação de Gouveia;
– Chefe de Delegação da Guarda;
– Chefe de Delegação de Leiria;
– Chefe de Delegação de Viseu.

As indicações dos respetivos requisitos, do perfil exigido, da composição do júri e dos métodos de seleção estão publicados na Bolsa de Emprego Público (BEP).

Veja aqui o Aviso do Concurso publicado no dia 8/11/2017


Os governos do Gana e da Costa do Marfim estão a elaborar planos para pôr um ponto final em toda a nova desflorestação, recuperando e replantando as suas florestas degradadas. Estes planos surgem após as investigações da organização Mighty Earth e do jornal britânico The Guardian, que revelaram a extensão da destruição das florestas e áreas protegidas dos dois países, impulsionada pela indústria do chocolate.

“Uma grande quantidade do cacau usado no chocolate produzido pela Mars, Nestlé, Hershey’s, Godiva e outras grandes empresas de chocolate foi cultivada ilegalmente”, concluíram os investigadores, que também avisaram que, se não forem tomadas medidas preventivas, até 2030, a Costa do Marfim perderá todas as suas florestas.

As investigações trouxeram à luz o facto de algumas autoridades costa-marfinenses corruptas estarem a aceitar enormes subornos para permitir que os pequenos agricultores cortem e queimem florestas protegidas de forma a plantar cacau nelas. Isto também está a levar ao surgimento de vilas e aldeias com milhares de habitantes dentro de parques nacionais.

O cacau produzido ilegalmente é posteriormente comprado por intermediários e vendido aos grandes comerciantes de cacau, como a Barry Callebaut, Olam e a Cargill, fornecedores de marcas como a Cadbury, a Mars e a Nestlé.



Segundo a Mighty Earth, as medidas planeadas pelos governos são prometedoras, mas não serão bem-sucedidas se os comerciantes de cacau e os fabricantes de chocolate não investirem neste esforço.

“O grande perigo agora é que a indústria vá adiar a tomada de uma decisão e culpar os governos do Gana e da Costa do Marfim, fazendo-os resolver o problema sem dar um contributo financeiro suficiente. Mas quem tem o dinheiro e os recursos técnicos para resolver isto é a indústria”, disse Etelle Higonnet, autora do relatório “O Segredo Obscuro do Chocolate” da Mighty Earth.

O jornal The Guardian contactou as marcas Mars, Hershey Company e Mondelez para saber as suas posições, mas estas não confirmaram se iriam investir verbas nos planos dos governos.

Segundo o projeto de plano da Costa do Marfim, estes comerciantes tomariam, cada um, responsabilidade por algumas florestas protegidas degradadas, organizando os agricultores para que estes plantem árvores ao mesmo tempo que cultivam o cacau na sua sombra. Este é um modo mais sustentável de cultivar cacau do que o atual, em que os produtores cortam árvores antigas para garantir que os seus cacueiros dispõem de muita luz.

Algumas florestas costa-marfinenses ganharão estatuto de parque nacional e um destes parques, o de Marahoué, poderá perder o seu estatuto por estar em tão más condições.



Os planos do Gana incluem um compromisso para acabar com as novas operações de desflorestação e transparência na cadeia de fornecimento, entre outras medidas.

Não fica claro quem financiará os planos dos dois países. A Costa do Marfim espera que sejam os comerciantes a pagar, mas não especificou quais seriam as consequências se eles recusassem. Acresce ainda o problema das comunidades que se instalaram nas áreas protegidas – o governo já foi acusado de violações dos direitos humanos por ter despejado milhares de produtores de cacau do parque nacional de Mont Péko.

Os preços do cacau em ambos os países caíram um terço no ano passado e a economia do Gana tem sido afetada por preços baixos do ouro e do petróleo. Os esforços de monitorização e reflorestação serão muito dispendiosos e o país terá dificuldade em financiá-los.

Para Etelle Higonnet, é claro: as empresas e os comerciantes de chocolate devem pagar.

“As empresas precisam de pagar pela plantação das árvores no próximo ano. Elas vão ter, provavelmente, lucros de quatro mil milhões de dólares, porque o preço das barras de chocolate manteve-se o mesmo mas o preço do cacau está a colapsar”, disse. “Portanto, o que podem eles fazer com esse dinheiro extra? Bem, podem usá-lo para plantar árvores.”

Existe ainda a preocupação de que, com a maior restritividade na África Ocidental, as empresas transfiram o comércio para outras regiões, como a Amazónia, a África Central e o sudeste asiático.

“Continuaremos a reproduzir os mesmos desastres que vimos na África Ocidental a menos que protejamos estas florestas agora”, disse a investigadora.
1ª Foto: WWF


U m novo estudo, publicado na revista científica Environmental Pollution, descobriu sacos de plástico, redes de pesca, invólucros de gelado e até um cartucho de espingarda nos aparelhos digestivos de várias espécies de golfinhos, baleias e toninhas na costa da Irlanda.

“Ficamos surpreendidos por descobrir que as espécies marinhas que mergulham até grandes profundidades, como as baleias, que se pensaria que estariam menos expostas a estes resíduos, tinham incidências mais elevadas de plásticos”, disse Simon Berrow, coautor do estudo.

“Extraímos um cartucho de espingarda do estômago de uma baleia-de-bico-de-true que deu à costa em 2013. As baleias-de-bico-de-true são muito raras e passam 98% do seu tempo debaixo de água, por isso não se veem à superfície. A descoberta de um cartucho num dos seus estômagos mostra a extensão da sua exposição aos resíduos antropogénicos”, afirmou.

Quase 10% dos 528 cetáceos autopsiados continham detritos de plástico (macroplásticos) nos seus aparelhos digestivos. Todos os animais nos quais os investigadores procuraram microplásticos – grânulos, fibras e fragmentos com menos de cinco milímetros de diâmetro – continham estas pequenas partículas de plástico no seu sistema digestivo. O número de partículas encontradas nestes animais variava entre uma e 88 fibras.

O estudo incluiu a análise de relatórios da autópsia de cetáceos que deram à costa ou foram pescados como capturas acessórias entre 1990 e 2015, sendo considerado o maior trabalho do seu género até à data.



Todos os anos, pelo menos oito milhões de toneladas de plástico vão parar aos oceanos. Estas são estimativas da Fundação Ellen MacArthur, cujo relatório também avisou que, até 2050, haverá mais plástico, por peso, do que peixes no mar.

“A não ser que haja uma mudança radical na forma como usamos plástico, prevemos que isto vá piorar”, disse Karin Dubsky, ecologista marinha e cofundadora da Coastwatch Europe. “Os camarões ingerem essas fibras. Um bacalhau, ou outro peixe, come o camarão e elas vão subindo na cadeia alimentar.”

“É chocante”, defendeu Tony Lowes, diretor da Friends of the Irish Environment. “Não me ocorre um único efeito positivo dos plásticos no oceano. Uma garrafa de plástico demora 450 anos a decompor-se. Há faixas de plástico, com centenas de quilómetros de tamanho, no meio do Atlântico. Nada pode justificar esse nível de contaminação.”

O ministro irlandês de Comunicações, Ação Climática e Ambiente, Denis Naughten, disse que estava a trabalhar para reduzir a utilização excessiva de plástico.

“Na reunião da OCDE do ano passado, em Paris, abordei especificamente o tema das micropartículas e da poluição de plástico”, declarou. “Prometi o empenho e a determinação da Irlanda no apelo a uma proibição à escala europeia, que não se limite aos produtos de cuidado pessoal e inclua também os outros produtos domésticos.”

Entretanto, Naughten diz que não vai ficar à espera da UE, preparando-se para proibir as micropartículas de plástico na Irlanda.


Exemplos dos detritos de plástico encontrados nos aparelhos digestivos dos cetáceos


A Biotrem é a primeira e única fabricante de pratos e talheres descartáveis e biodegradáveis de farelo de trigo. Os seus produtos são 100% naturais e ecológicos, sendo feitos apenas com farelo de trigo comestível sem nenhum composto químico.

O UniPlanet falou com Artur Bednarz, da Biotrem, para ficar a conhecer este projeto.


UniPlanet (UP): Como tiveram a ideia de criar pratos comestíveis?

Para a maioria dos clientes internacionais os pratos descartáveis produzidos a partir de farelo de trigo são algo completamente novo, mas a nossa tecnologia tem quase duas décadas. O processo de produção de pratos e talheres de farelo de trigo foi inventado por Jerzy Wysocki, cujas tradições de moagem da família têm mais de um século.
O farelo trata-se das camadas exteriores duras dos cereais - trigo, centeio ou aveia. É um subproduto no processo de moagem de grãos e é geralmente usado para alimentar os animais. Uma pequena parte do farelo também é usada pela indústria alimentar. Mas, infelizmente, para muitos, o farelo é considerado desperdício.

É também um grande problema para a indústria de moagem, porque, em termos de peso, o farelo é apenas 30% do grão, mas em volume, é quase 100% do grão original. Isto requer espaço para armazenamento e precauções especiais no manuseamento, uma vez que não pode ser armazenado por mais de 14 dias.
Wysocki - moleiro e inventor - começou a pensar numa forma de transformar o farelo (e especialmente o farelo de trigo, que é o mais comum) em algo mais útil do que apenas alimentação animal ou composto.




UP: Porque decidiram usar farelo de trigo?

Atualmente, a Biotrem é uma empresa de tecnologia que desenvolve um processo inovador de produção de talheres e embalagens orgânicos. A nossa tecnologia patenteada permite o fabrico de pratos descartáveis a partir de matérias-primas orgânicas, como o farelo de trigo (amplamente disponível na nossa região), mas também de subprodutos de mandioca, ervas marinhas ou até algas. Os nossos produtos não são apenas seguros, naturais e biodegradáveis, como também reduzem os resíduos através da utilização de subprodutos orgânicos.
A Biotrem já está a vender os seus produtos em mais de 40 mercados por todo o mundo.
A nossa principal linha de produtos é a de pratos descartáveis totalmente biodegradáveis produzidos com farelo de trigo comprimido. Também produzimos talheres feitos a partir de uma mistura de bioplástico PLA e farelo de trigo.



UP: Porque devemos parar de usar pratos e talheres descartáveis de plástico?

De acordo com os estudos mais recentes, foram vendidos mais de 500 mil milhões de copos descartáveis em todo o mundo em 2016. As vendas globais de copos descartáveis - feitos de plástico, papel ou biomateriais processados - deverão ultrapassar os 850 mil milhões de unidades até ao final de 2026.
Só em França e no Reino Unido, os consumidores usaram cerca de 7,7 mil milhões de copos descartáveis em 2016. Menos de 1% foi reciclado. O resto acabou em aterros. Os números relativos ao consumo de outros artigos descartáveis - pratos, talheres, embalagens - são ainda mais aterradores.

As alternativas comuns ao plástico são a polpa orgânica (casca, fibra, celulose) ou os chamados bioplásticos, que não são mais ecológicos se considerarmos todo o processo de produção - incluindo a colheita, processamento, produção, utilização e, finalmente, a gestão de resíduos.
O farelo de trigo ou os subprodutos de mandioca são matérias-primas naturais, já disponíveis em grandes volumes, quase em todo o mundo.
Os pratos da Biotrem feitos de farelo de trigo são uma excelente alternativa para a maioria dos artigos de mesa descartáveis. Não permanecem durante dezenas de anos em aterros. Simplesmente desaparecem em apenas 30 dias, transformando-se num fertilizante de qualidade no compostor caseiro.



De acordo com uma pesquisa realizada em 2015 pelo Polish Packaging Research Institute, os pratos da Biotrem caracterizam-se pela sua pequena pegada ecológica. Isto deve-se à estandardização do processo de produção e ao uso de farelo de trigo como matéria-prima. O estudo sobre o ciclo de vida do produto mostrou que cerca de 66% do impacto ambiental dos pratos da Biotrem está relacionado com o cultivo, transporte, processamento e produção, sendo que a percentagem do impacto ambiental do farelo de trigo é de cerca de 30 a 35%. No caso de materiais convencionais usados no fabrico de artigos de mesa descartáveis, como os plásticos e o papel, o impacto ambiental é de 60 a 80%.

Graças à fácil e rápida biodegradação através da compostagem, os artigos da Biotrem têm uma participação mínima na gestão de resíduos.
Os pratos da Biotrem exibem um desempenho funcional muito melhor em comparação com os seus homólogos feitos de plástico e até de papel. Além disso, os plásticos - como provêm de um material fóssil e não renovável - têm uma influência ambiental significativa, especialmente em termos do impacto negativo no clima e no uso de combustíveis fósseis.
Para os produtos de mesa da Biotrem, a pegada de carbono expressa em kg CO2 eq por 1 kg varia entre 1,3 e 1,6 kg. Em comparação - para um peso equivalente de utensílios de mesa feitos de poliestireno - o valor da pegada de carbono é de 8,5 kg de CO2 eq.
Num futuro próximo, ao tornar possível o fabrico dos nossos produtos em todo o mundo, podemos torná-los ainda mais ecológicos (e reduzir a pegada geral de carbono), ao reduzir a necessidade do transporte de longa distância.



UP: Os vossos pratos aguentam temperaturas altas?

Os nossos produtos foram concebidos para uma utilização de curta duração para alimentos processados ou não processados, quentes ou frios. Aconselhamos que se sirvam as refeições quentes até 15 minutos antes de serem consumidas.
Os nossos produtos são fortes e estáveis. Podem ser usados confortavelmente e com segurança em casa, num piquenique, num restaurante ou em eventos ao ar livre.



Os pratos de farelo de trigo da Biotrem são testados a nível da segurança alimentar, para o uso no forno (até 180 ° C) e micro-ondas (até 750 W). Isto é algo que não se pode fazer com os artigos descartáveis habituais feitos de plástico ou papel. Até se pode cozer um pão ou assar um peixe ou carne nos nossos pratos ou taças.
E como os nossos produtos são feitos de farelo de trigo comestível, pode comê-los com segurança. A não ser que tenha alergia ao trigo ou sofra de doença celíaca. Por isso, já estamos a criar uma versão sem glúten dos nossos produtos.



UP: Onde podemos encontrar mais informações sobre os pratos de farelo de trigo da Biotrem?

Para saber mais sobre os nossos produtos, visite o nosso site e siga-nos nas redes sociais:
FB: biotrem
IG: biotrem_eu




Biotrem is the first and the only maker of disposable and biodegradable tableware made of wheat bran. Their products are 100% natural and environmentally friendly. They use only pure, edible wheat bran and no other chemical compounds.

We talked to Artur Bednarz, from Biotrem, to find out more about this project.


UniPlanet (UP): How did you come up with the idea to create edible tableware?

Although to most of international customers disposable tableware produced from wheat bran is something completely new, our technology is almost two decades old. The wheat bran tableware production process was invented by Mr. Jerzy Wysocki, whose family’s milling traditions date over a century back.
Bran is the hard outer-layers of cereal grain – wheat, rye or oat. It’s a by-product in the grain milling process – usually utilised as feed to animals. A small fraction of bran is also used by the food industry. But, unfortunately, by many, bran is considered as semi-waste.

It is also a huge problem for the milling industry, because weight-wise bran is just 30 percent of the grain, but volume-wise it’s almost 100 percent of the original, unprocessed grain. It requires storage space, and special handling as it can’t be stored longer than 14 days.
Mr. Wysocki – as practicing miller and as inventor in his heart – started thinking on how to turn bran (and especially wheat bran, which is the most common) into something more useful than just animal feed or compost.




UP: Why did you choose to use wheat bran?

Today’s Biotrem is a technology company developing an innovative production process of bio-based tableware and packaging. Our patented technology allows to manufacture disposable tableware from organic raw materials, such as wheat bran (which is widely available in our region), but also from cassava by-products, seagrass or even algae. Our products are not only safe, natural and biodegradable but also reduce the waste stream by utilizing bio-based by-products.

Biotrem is already selling its products on over 40 markets world-wide and we’re currently discussing further large-scale commercialization of our technology with a number of potential partners from North and South Americas, Asia and Europe.
With its own production facility and state-of-the-art machine park (developed internally and patent-protected), Biotrem delivers its products to mass-market clients including selected restaurant chains and premium retailers, either directly or through distributors. With over 5 million euros spent on R&D to date, the company is continuously working on new innovations in terms of shapes, raw materials and the production process.
Our main product line is fully biodegradable disposable tableware produced from the compressed wheat bran. The company’s offer also includes cutlery made from mix of PLA bioplastic and wheat bran.
Video from the production facility:



UP: In your opinion, why should we stop using disposable plastic plates and cutlery?

According to the latest studies, more than 500 billion units of disposable cups were sold across the globe in 2016. The global sales of disposable cups – made from plastic, paper or processed bio-materials – are expected to reach over 850 billion units towards the end of 2026.

In France and the United Kingdom alone consumers used around 7,7 billion of disposable cups in 2016. Less than 1% was recycled. The rest landed on landfills. The numbers for other disposables – plates, cutlery, packaging – are even more terrifying.
Common alternatives to plastic are organic or semi-organic pulp (husk, fibre, cellulose) or so-called bio-plastics. But it doesn’t make them more environmentally friendly if we consider the whole production process – including excavation or harvesting, processing, production, transpiration, utilisation and finally the waste management.

Wheat bran or cassava by-products are natural raw materials, already available in large volumes almost everywhere around the globe.
Biotrem tableware made of wheat bran is an excellent alternative to most of disposable dishware. They don’t stay for ages in landfills. They simply disappear within mere 30 days, turning in the home composter into a quality fertilizer for the future crops.
Video from the biodegradation lab test:



According to research carried out in 2015 by the Polish Packaging Research Institute, Biotrem tableware is characterised by its very low environmental burden. This is first and foremost due to the standardisation of the production process and the use of wheat bran as a natural raw material. Product life-cycle research has shown that about 66% of the environmental impact of Biotrem tableware is related to cultivation, transport, processing and production. This study shows that the share of the wheat bran itself in the environmental impact of Biotrem tableware is about 30-35%. In the case of conventional materials used in the manufacturing of disposable tableware, such as plastics and paper, this ranges from 60% to even 80%.

Thanks to the possibility of easy and rapid biodegradation through composting, Biotrem tableware also has a minimal share in the waste management.
Biotrem tableware exhibits much better functional performance when compared to its counterparts made of plastics and even paper. In addition, plastics – as a fossil and non-renewable material – have a significant environmental influence, especially in terms of their negative impact on the climate and fossil fuel use.

For Biotrem tableware the carbon footprint expressed in kg CO2 eq per 1 kg for the products ranged between 1.3 and 1.6 kg. In comparison – for a functionally equivalent weight of tableware made of the commonly used polystyrene – the carbon footprint value is as low as 8.5 kg CO2 eq.
In the near future, by making possible to manufacture our products everywhere across the globe, we can make our products even more environmentally friendly (and reduce the overall carbon footprint) by reducing the need of long-distance transportation.



UP: Is your wheat bran tableware suitable for high temperatures?

Our products are designed for short-term contact with processed and unprocessed food, either warm or cold. We advise to serve warm meals up to 15 minutes prior to consumption.
Our products are robust and stable. They can be comfortably and safely used at home, on a picnic, in the restaurant or during the open-air events.



Biotrem wheat bran tableware is tested for food contact safety, baking safety (up to 180 C), and microwave re-heating safety (up to 750 W). That’s something you couldn’t do with regular disposables made from plastic or paper. You can even bake a bread or roast a fish or meat in our plates or bowls.

And since our products are made of edible wheat bran, you can safely bite them. Unless you suffer from wheat allergies or celiac disease. Therefore, we are already working on a wheat-gluten-free version of our products.



UP: Where can we find more information about Biotrem and its wheat bran tableware?

To learn more about us and our products, please visit our website and follow our social media channels:
FB: biotrem
IG: biotrem_eu


Urso no circo

O parlamento italiano votou, no dia 8 de novembro, a favor da proibição da utilização de animais selvagens nos circos e espetáculos itinerantes.

Segundo dados da Animal Defenders International (ADI), existem 100 circos no país com cerca de 2000 animais forçados a participar em espetáculos, o que, para a organização, “faz desta uma das maiores vitórias na campanha para se acabar com o sofrimento nos circos”.

Com esta medida, a Itália junta-se a 40 países e muitas outras cidades e estados que já adotaram proibições totais ou parciais do uso de animais selvagens nos circos.

Viajando de lugar em lugar, semana após semana, utilizando jaulas e currais desmontáveis temporários, os circos simplesmente não podem garantir a satisfação das necessidades dos animais”, disse Jan Creamer, presidente da ADI. “Através de investigações encobertas, mostramos a violência e os maus-tratos usados para forçar estes animais a obedecer e a realizar truques. Aplaudimos a Itália e instamos outros países, como o Reino Unido e os EUA, a seguir o seu exemplo e a acabar com esta crueldade.”

“As exigências em matéria de bem-estar dos animais selvagens não domesticados não podem ser satisfeitas num circo itinerante – no que diz respeito à acomodação ou à capacidade de expressar o seu comportamento natural”, defendeu a Associação Veterinária Britânica.

Recentemente, a Índia proibiu o uso de animais selvagens em circos, juntando-se a uma lista crescente que também inclui a Roménia e a Eslováquia.
Foto: Urso num circo em Nova Iorque (Tim Evanson)


Vídeo: Circo com ursos "dançarinos", na Mongólia