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Mais de 140 organizações de toda a Europa – do setor da alimentação, proteção do ambiente, saúde humana, bem-estar animal e da defesa dos consumidores – uniram-se na campanha Living Land, para pedir uma reforma da Política Agrícola Comum (PAC) da Europa. A Campanha Living Land é uma iniciativa da Birdlife Europa e Ásia central (representada pela SPEA em Portugal), do Gabinete Europeu do Ambiente e da WWF-Europa.

A campanha de momento apela a que o maior número de entidades se associem e mostrem o seu apoio enviando o seu logótipo, e que divulguem a campanha e respondam à consulta pública.

A Política da União Europeia para a agricultura tem tido efeitos devastadores no ambiente, destruindo a vida selvagem, prejudicando a saúde pública e provocando a falência de pequenos e médios agricultores, bem como das sociedades rurais.

“Com esta consulta pública sobre a PAC, há uma oportunidade única, em muitos anos, para dizer à Comissão Europeia que o sistema de agricultura e produção alimentar está obsoleto e que precisa de ser reformulado. Juntem-se à campanha Living Land e façam a vossa voz ser ouvida no debate da agricultura do futuro”, afirmou o representante da Birdlife Europa da Agricultura para a Europa e Ásia central, Trees Robijns.

Segundo Faustine Bas-Defossez, do Gabinete do Ambiente Europeu “a política europeia para a agricultura deve deixar de apoiar um modelo que é destruidor do ambiente. Quando a agricultura trabalha em harmonia com o ambiente e não contra ele, protegemos os recursos naturais dos quais dependemos e produzimos alimentos seguros para hoje e amanhã. Os que fingem proteger os interesses da comunidade dos agricultores, têm defendido uma agricultura que leva à destruição destes recursos, uma vez que o que nós produzimos e consumimos nos afeta a todos. É por isso tempo de ter um debate inclusivo sobre o futuro da PAC, que não seja dominado pelos interesses velados dos que estão estabelecidos no sistema”.

O representante da WWF Europa, Andreas Baumueller, refere ainda que a agricultura industrial está a esgotar os recursos naturais na Europa e a nível global. O sistema atual está a afetar a Natureza, pequenos e médios agricultores, a saúde das pessoas e a qualidade da nossa comida. Nós apelamos a um grande número de organizações, empresários e cidadãos para se associarem e dizer à Comissão Europeia que precisamos de uma mudança drástica, uma verdadeira reforma da agricultura.”

O Diretor da SPEA, Dr. Domingos Leitão, lembra que “a continuar com este sistema de produção, que beneficia as grandes propriedades, sem qualquer contrapartida e a agricultura intensiva sem quaisquer preocupações ambientais, as comunidades de aves dos ecossistemas agrícolas, a biodiversidade geral, a qualidade dos alimentos que nós comemos e a justiça social, vão continuar a diminuir e parte do mundo rural, tal como o conhecemos, desaparecerá. Isto terá repercussões na vida de todos nós.”

As organizações que já se juntaram à Living Land concordam que a nova política agrícola da UE deve ser:
  • Justa – para os agricultores e comunidades rurais;
  • Ambientalmente sustentável – para um ar e água mais limpos, solos saudáveis e comunidades de plantas e animais prósperas;
  • Saudável – pela boa comida e para o bem-estar das pessoas;
  • Globalmente responsável.

Foto: Queremos quintas amigas dos pássaros!
1ª Foto: És o que comes.


Todos os anos, até 190 000 toneladas de microfibras de plástico libertadas pela nossa roupa invadem os oceanos, estimou o grupo de consultadoria Eunomia. Este é o peso de 1357 baleias-azuis e um valor bastante mais elevado do que as estimadas 35 000 toneladas de micropartículas de plástico provenientes de produtos como os cosméticos, que também vão parar ao mar.
“Um número considerável de peixe e marisco está atualmente contaminado por pequenos fragmentos de plástico, incluindo fibras”, disse Richard Thompson, professor da Universidade de Plymouth. “E, de facto, já que elas não se degradam, a não ser que tomemos medidas para reduzir estes plásticos, vamos vê-los cada vez mais na vida marinha, no futuro.”

De cada vez que é lavada, a roupa de tecidos sintéticos liberta centenas de milhares de fibras de plástico. Muitas delas passam através dos filtros das ETAR (estações de tratamento de águas residuais) e fazem o seu caminho até aos nossos rios, terrenos agrícolas e oceanos, entrando, eventualmente, na nossa cadeia alimentar.




As microfibras são tão pequenas que se tornam difíceis de detetar a olho nu, mas já foram encontradas, com a ajuda de um microscópio, nos estômagos de peixes, aves, plâncton e criaturas do fundo do mar. Até 2050, 99% das aves marinhas terão plástico nos seus estômagos, concluiu um estudo da CSIRO e do Imperial College de Londres. Quando os animais ingerem plástico sentem uma falsa sensação de saciedade que leva muitos deles a morrer de fome.

Mas há quem esteja à procura de soluções. Um exemplo são os alemães Alexander Nolte e Oliver Spies que desenvolveram o Guppy Friend, um saco capaz de capturar as fibras que se soltam da roupa na máquina de lavar.



Outro é Sophie Mather, que, juntamente com investigadores da Universidade de Leeds, lançou uma campanha de angariação de fundos colaborativa (crowdfunding) para desenvolver uma nova tecnologia que mudaria a forma como determinados materiais, como o nylon e o poliéster, são fabricados.

“A indústria da moda precisa realmente de fazer muito mais relativamente a isto. Vemos [por exemplo] tecidos como a malha polar que são péssimos. Perdem muitas fibras quando os lavamos e precisamos de saber mais sobre isto”, contou à Sky News.

De acordo com estudos anteriores, as roupas mais velhas serão as que mais fibras perdem durante a lavagem. Os especialistas avisam, todavia, que, se não houver um maior compromisso por parte da indústria da moda, o problema irá piorar consideravelmente com o tempo.



Infográfico: Eunomia 2016



De modo a alterar a prática generalizada no nosso país do uso dos herbicidas para controlo das ervas daninhas, a Quercus lançou em 2014 a campanha "Autarquias sem Glifosato / Herbicidas", com a colaboração da Plataforma Transgénicos Fora.

O UniPlanet falou com Alexandra Azevedo, coordenadora da campanha "Autarquias sem Glifosato / Herbicidas" da Quercus, que nos falou um pouco sobre o “Encontro Nacional Alternativas aos Herbicidas – Exemplos e testemunhos”, que vai decorrer no dia 30 de março.


UniPlanet (UP): Quantas autarquias já aderiram ao manifesto da Quercus “Autarquias sem glifosato”?

Como se poderá constatar no mapa no site da campanha são no total 30 autarquias, das quais 11 municípios e 19 freguesias. Curiosamente localizadas na sua esmagadora maioria em regiões mais favoráveis ao desenvolvimento da vegetação espontânea, ou seja com clima mais húmido.


UP: Que métodos utilizam?

As autarquias têm feito o seu trabalho de pesquisa e procura das melhores soluções, pelo que não teremos conhecimento de todos os métodos que estão a ser utilizados, mas da informação que temos obtido os métodos mais utilizados são os manuais (enxada) e moto-manuais (motorroçadora e roçadora), e ainda os mecânicos (destroçadores). Há também algumas autarquias que têm testado e utilizado alguns equipamentos de monda térmica, como a vapor de água.
Os pavimentos de calçada à portuguesa são umas das áreas que colocam mais desafios a um controlo adequado das ervas espontâneas, uma vez que a segurança pública nunca pode estar em causa, pelo que pode ser necessário uma combinação de vários métodos, por exemplo os motomanuais seguidos dos térmicos.


Foto: União das Freguesias Barreiro e Lavradio usa monda térmica para controlo de ervas daninhas


UP: O que leva, na sua opinião, a que as restantes autarquias continuem a usar glifosato nas suas ruas, mesmo após a OMS o ter classificado como “cancerígeno provável para o ser humano”?

Nunca é fácil mudar de hábitos, mesmo quando há um benefício individual direto, como mudar para hábitos de vida saudáveis! Por isso as autarquias que já conseguiram dar esse passo têm uma motivação, digamos, acima da média, que permitiu nuns casos uma mudança radical sem qualquer período de transição, noutros a um esforço de redução do uso de herbicidas ao longo de vários anos. Merecem destaque as freguesias de Praia do Norte (Horta – Açores) e Carvalheira (Terras de Bouro) que desde 2011 e 2013, respetivamente, deixaram de utilizar herbicidas pela sua própria iniciativa e motivação.

Por outro lado, os constrangimentos orçamentais que as autarquias enfrentam são mais um facto relevante para que a mudança não seja com a rapidez que desejaríamos.
Uma vez que o alerta e debate público sobre este assunto é relativamente recente no nosso país, o mais importante é a sensibilização de todas as autarquias e também dos cidadãos e da sociedade em geral, uma vez que todos têm um papel a desempenhar na procura e implementação das soluções. De facto, de forma mais estruturada e persistente este alerta e debate público apenas começou há 3 anos com o início da campanha da Quercus, com o apoio da Plataforma Transgénicos Fora, que desafia as autarquias a subscrever, agora com nova versão para novas subscrições, o manifesto “Autarquia sem Glifosato / Herbicidas”.


UP: Vai decorrer, no dia 30 de março, o Encontro Nacional “Alternativas aos Herbicidas - Exemplos e testemunhos”. Quer falar-nos um pouco sobre o programa?

Têm-se realizado vários encontros e debates sobre as alternativas aos herbicidas pelo país e pela iniciativa de diversas entidades para além da Quercus, como outras ONGA, autarquias, partidos políticos, organizações profissionais ou cidadãos, facto que é de louvar, por isso para este encontro queríamos dar-lhe uma dimensão nacional, conseguida também através do importante apoio institucional da ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias) e da ANMP (Associação Nacional dos Municípios Portugueses), em que procurámos privilegiar os exemplos e testemunhos de diversas autarquias.

Quero realçar ainda a componente prática do programa com a demonstração dos equipamentos pela freguesia da Estrela, que tem sido notável no seu pioneirismo na procura das soluções mais eficientes e eficazes na limpeza das inúmeras áreas de calçada à portuguesa que esta autarquia, no coração da cidade de Lisboa, tem de cuidar.
Estamos convictos que pelas características, diria, especiais deste encontro se dê um forte impulso à mudança de mentalidades e de práticas na gestão dos espaços públicos, e não só, no nosso país.


UP: Na sua opinião, o que podem fazer os cidadãos que morem em cidades onde se continua a usar glifosato nas ruas?

O tipo de práticas na gestão dos espaços públicos é paradigmática da importância das lideranças políticas e a mudança pode mesmo surgir quase de um dia para o outro, mas na falta de lideranças políticas os cidadãos podem ter um papel decisivo!
No site da campanha temos uma área reservada precisamente a várias sugestões sobre o que os cidadãos podem fazer.

Desde o início da campanha foi sempre um objetivo a mobilização dos cidadãos cabendo-nos incentivar, coordenar e liderar de certo modo as diversas iniciativas, não só porque o trabalho depende quase em exclusivo de uma única voluntária, eu própria, apoiada por outros voluntários e quadros profissionais da Quercus, mas sobretudo porque a solução tem de passar pelo esforço de toda a sociedade: responsáveis políticos, técnicos, organizações não governamentais e cidadãos.


UP: Para terminar, o que pensa das fusões que têm ocorrido recentemente, como no caso da Bayer-Monsanto, Dow Chemical-Dupont e da Syngenta-ChemChina?

Estas empresas formam um oligopólio no controlo das sementes, nomeadamente as transgénicas, e nos pesticidas, pelo que estas fusões aumentam ainda mais o seu poder e controlo sobre o setor da produção agrícola mundial, pelo que o poder dos agricultores, em especial os pequenos agricultores, neste mercado cada vez mais monopolizado, assim como o poder dos consumidores que somos todos nós, sobre os alimentos que consomem e o modo como são produzidos é cada vez menor.

Para parar esta corrida frenética pelo controlo do direito a semear e a comer – no fundo, o direito a viver – bastava simplesmente que as autoridades da concorrência começassem a atuar, mas serão necessárias também políticas públicas de apoio consequente a um sistema alimentar que respeite o planeta e as suas populações (que começam a surgir, mas ainda são muito débeis) para uma mudança de paradigma mais rápida, sendo que os esforços de produtores e consumidores conscientes em resistir ao modelo dominante também têm dado e continuarão a dar os seus frutos.



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Veja mais em:

Encontro Nacional – Alternativas aos Herbicidas Exemplos e testemunhos
Campanha Autarquias sem Glifosato / Herbicidas
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Uma juíza determinou que a Califórnia pode exigir à Monsanto que coloque um aviso cancerígeno no rótulo do seu herbicida Roundup, apesar de a empresa insistir que o produto, vendido em mais de 160 países, não representa um risco para a saúde humana.

A Proposta 65 da Califórnia exige que o estado norte-americano publique uma lista com os químicos que podem causar cancro, malformações congénitas ou outras doenças do aparelho reprodutor. Esta medida tem resultado numa grande quantidade de avisos nos rótulos de todo o tipo de produtos.

Em janeiro de 2017, a Monsanto processou a Agência de Saúde Ambiental e Avaliação dos Perigos da EPA da Califórnia, quando esta agência comunicou a sua intenção de adicionar o glifosato, a substância ativa do Roundup, à lista de químicos da Proposta 65. Segundo as autoridades reguladoras californianas, esta decisão foi fundamentada nas conclusões da Agência Internacional para a Investigação do Cancro, considerada a maior autoridade mundial no que toca ao cancro.


Embora a gigante dos pesticidas e das sementes geneticamente modificadas negue qualquer ligação entre o cancro e a utilização de glifosato, nem todos concordam. “As pessoas deviam saber que há cientistas (...) que não concordariam com a Monsanto e com algumas das avaliações dos organismos reguladores, e até mesmo dentro da EPA há divergências [sobre este assunto]”, disse Robin Greenwald, advogado. Mesmo na UE tem havido muita discórdia entre os países. Não é tão simples como a Monsanto o faz parecer.”

No acórdão final, a juíza Kristi Culver Kapetan do Supremo Tribunal pronunciou-se contra a Monsanto, dizendo que nenhuma das suas objeções era fundamentada, conta o Los Angeles Times. Trenton Norris, o advogado da multinacional, disse à juíza que a colocação de avisos iria afugentar clientes, prejudicando, consequentemente, a empresa.

Foto: Mike Mozart
Aterro

O Parlamento Europeu propôs, no dia 14 de março, o objetivo de reciclar 70% dos resíduos urbanos até 2030, em vez dos cerca de 44% que são reciclados atualmente. Os eurodeputados querem também reduzir a quantidade de resíduos urbanos depositados em aterros, que deve ser reduzida para 5%, segundo um comunicado do Parlamento Europeu.

Estima-se que a produção anual de resíduos alimentares na U.E. seja de 89 milhões de toneladas, cerca de 180 kg per capita. O Parlamento Europeu propôs um objetivo de redução dos resíduos alimentares de 30% até 2025 e de 50% até 2030.

As propostas legislativas votadas em plenário fazem parte do pacote da economia circular, que pretende “fechar o ciclo” de vida dos produtos através da reutilização e da reciclagem. Estas medidas têm ainda de ser negociadas com o Conselho da U.E., onde estão representados os governos nacionais.


As cidades estão a ganhar cada vez mais habitantes – 66% da população mundial viverá em zonas urbanas até 2050 – e não são só os seres humanos a fazer delas a sua casa. Atraídos pela comida abundante e protegidos de perigos como a caça, muitos animais têm descoberto formas de viver na “selva urbana”.

É chegada a hora, dizem os cientistas, de se desenvolverem novas formas para as pessoas e a fauna selvagem viverem lado a lado e de começarmos a encará-la como “uma de nós”, já que as zonas urbanas podem contribuir para a conservação das espécies nativas.

“A conservação urbana é uma grande oportunidade, tanto para as pessoas como para a vida selvagem nativa", diz Kylie Soanes, cientista da Universidade de Melbourne.

"Quer seja ao se instalar uma caixa-ninho num quintal, um hotel para abelhas no jardim de um café ou uma passagem para a vida selvagem numa estrada local, a conservação urbana permite às pessoas tomar medidas positivas nas suas próprias casas, locais de trabalho e comunidades. Tomadas individualmente, estas medidas podem parecer pequenas. Mas o seu efeito combinado pode fazer uma enorme diferença no que diz respeito à capacidade dos animais nativos sobreviverem nas cidades”, conta a cientista.


Pisco-de-peito-ruivo | Foto: Andrew Alexander

Nos últimos anos, são cada vez mais os cientistas e conservacionistas a trabalhar em conjunto com planeadores urbanos, arquitetos e artistas de modo a desenvolver soluções criativas para a partilha do meio urbano com a vida selvagem.

A Importância das Árvores

“O primeiro passo a tomar é apercebermo-nos de que os espaços para a conservação urbana não têm de ser amplos. Mesmo uma árvore solitária pode ser o meio de subsistência da vida selvagem nativa. Investigadores da Universidade Nacional Australiana em Canberra descobriram que as árvores grandes e velhas são locais de nidificação e alimentação críticos para uma enorme variedade de animais nas zonas urbanas. Uma vez perdidas, são necessárias centenas de anos para as substituir, o que torna vital a proteção das que nos restam”, diz a cientista num artigo para o The Guardian.

Estes fatores devem ser tidos em consideração, quando os ramos das árvores se partem e causam danos. “Em vez de se remover toda a árvore, muitas câmaras estão a optar por podar os ramos perigosos e conservar o resto da árvore para a vida selvagem. Podem-se criar cavidades artificiais nelas e adicionar caixas-ninho para se recriarem os espaços de nidificação dos pássaros e dos mamíferos nativos”.



Ouriço-cacheiro | Foto: Alexas Fotos

Ninhos, Hotéis para Abelhas e Flores

A conservação urbana, diz Kylie Soanes, é algo em que todos os habitantes das cidades podem participar, criando novos habitats e recursos nas suas comunidades. A cientista destaca exemplos como as caixas-ninho que ajudam aves, esquilos e morcegos, os hotéis para abelhas e ainda o programa “De piscina a lago”, do Conselho de Ku-ring-gai, na Austrália, que ajuda os residentes a converter piscinas que não são utilizadas em habitats para peixes, sapos e tartarugas nativas. Cultivar plantas melíferas e flores variadas é outra forma simples de se ajudarem os polinizadores urbanos.

Gerir os espaços habitados por estes animais, que vão desde cemitérios a estações de tratamento de águas residuais, de forma a protegê-los é outro passo para se garantir a sobrevivência da vida selvagem urbana.


Cegonha-branca | Foto: Felix Brönnimann

Telhados e Paredes Verdes

“A recente revolução dos telhados e paredes verdes abre ainda mais caminhos para a vida selvagem na cidade”, conta. “Podem fornecer habitat para as abelhas, borboletas, escaravelhos e aves e estão a tornar-se mais comuns nos edifícios um pouco por todo o mundo. Estas estruturas não são só fantásticas para a fauna selvagem como também servem de oásis verdes para os seres humanos.”



Abelha | Foto: Meli1670

Pontes e Passagens Subterrâneas

No entanto, a cidade também está repleta de perigos para estes "habitantes": carros, vedações, janelas, animais domésticos, cabos elétricos, ruído, pesticidas, etc.. Para se combaterem as consequências destas ameaças, podem-se desenvolver novas estruturas e estratégias. A construção de pontes ou passagens subterrâneas para a vida selvagem, por exemplo, é uma boa forma de ajudar os animais a atravessar estradas em segurança. Estas estruturas são construídas em locais onde os animais costumam atravessar e são colocadas vedações para os ajudar a encontrar a entrada da estrutura.



Coruja-das-torres | Foto: Skeeze

Vidros com Padrões

Para evitar a colisão dos pássaros com as janelas, que resulta tantas vezes na sua morte, vários edifícios têm vindo a incorporar padrões nos seus vidros. Foi o que fez o Centro de Convenções de Jacob K. Javits, em Manhattan, conseguindo reduzir o número de mortes de aves em 90%. Juntamente com o vidro com padrões, o Centro criou ainda um dos telhados verdes maiores do país, que atraiu para ele dezenas de espécies de aves assim como cinco espécies de morcegos.

“As medidas que tomamos para atrair a vida selvagem para as nossas cidades trazem benefícios para os seus residentes humanos. Aumentar o espaço para a natureza nas cidades é bom para a nossa própria saúde e bem-estar, pode prevenir as inundações e até fazer-nos poupar dinheiro em ar condicionado", diz Kylie Soanes.




Uma em cada cinco espécies vegetais do mundo está em risco de extinção, concluiu a primeira avaliação global da flora, realizada por peritos dos Reais Jardins Botânicos de Kew.

Das 390 mil espécies vegetais conhecidas, mais de 30 mil são usadas pelos seres humanos – 57% destas são utilizadas no desenvolvimento de medicamentos e 5500 na alimentação.

“As plantas são absolutamente fundamentais para a humanidade”, disse Kathy Willis, diretora de ciência nos jardins de Kew e autora do trabalho. “As plantas fornecem-nos tudo – comida, combustível, medicamentos, madeira – e são extremamente importantes para a regulação do nosso clima. Sem elas não estaríamos aqui.”

As principais ameaças enfrentadas pelas espécies vegetais são a destruição dos habitats para a agricultura (31%) – p.ex., para a produção de óleo de palma e para a criação de gado –, a desflorestação para a obtenção de madeira (21%) e a construção de edifícios e infraestruturas (13%).

Numa nota mais positiva, o relatório revela que são descobertas 2000 espécies novas de plantas todos os anos. “Considero isso muito encorajador e excitante. Ainda estamos a descobrir espécies novas de árvores, espécies novas de alimentos: foram descobertas, por exemplo, 5 espécies novas de cebola [em 2015]”, explicou a investigadora ao The Guardian.


Foto: Plantação de óleo de palma

“Existem vastas áreas no mundo nas quais não sabemos que [plantas] estarão lá a crescer. Poderá residir lá a chave para o futuro da comida. A diversidade genética nos nossos alimentos está a ficar cada vez mais pobre.”

Ao longo de milhares de anos, muitas das nossas culturas importantes foram selecionadas e cruzadas de forma a tornarem-se mais produtivas, perdendo, entretanto, genes que as ajudam, por exemplo, a combater pragas. As beringelas, as bananas e o sorgo estão entre as plantas cultivadas com muito pouca diversidade genética, o que as deixa vulneráveis a novas ameaças.

“Atualmente, com os desafios globais [da] dimensão populacional, alterações na utilização dos solos, doenças das plantas e pragas, existe uma crescente urgência de se encontrarem e preservarem as variedades silvestres das plantas cultivadas, dizem os investigadores no relatório, sublinhando que “o acesso a este grande e diverso fundo genético é essencial” para se criarem variedades mais robustas.

O relatório também revela que mais de 5000 espécies invadiram países estrangeiros e estão a causar danos no valor de milhares de milhões de euros por ano. “Estima-se que as despesas com as espécies invasoras correspondam a quase 5% da economia mundial e que o seu impacto, só na economia do Reino Unido, equivalha a 1,9 mil milhões de euros por ano.”

Decorre, até ao dia 21 de março, a ação “Reciclar para Plantar”, integrada nas comemorações dos Dias da Floresta 2017 de Almada. Durante estes dias poderá receber gratuitamente árvores juvenis, plantas aromáticas e arbustos típicos da flora portuguesa, se levar materiais recicláveis para trocar.
Por exemplo, 10 embalagens de sumo podem ser trocadas por uma planta.

Veja em baixo a tabela de Eco-trocas “Reciclar para Plantar” com os materiais que podem ser trocados e as respetivas quantidades.


Local:
Casa Municipal do Ambiente,
Rua Bernardo Francisco da Costa, 40,
Almada

Horário:
10h00 às 18h00


Quando será um preço demasiado bom para ser verdade e qual será o verdadeiro custo de uma “pechincha”? Alguma vez parou para pensar na origem de um produto, em quem o produziu e se recebeu o que deveria pelo seu trabalho?

Embora as indústrias da moda, do café, do chá e do cacau sejam extremamente lucrativas, a maioria dos agricultores e trabalhadores que produzem estes bens não recebem o suficiente para que tenham um nível de vida digno.

As consequências dos baixos rendimentos são preocupantes: as crianças abandonam a escola para ir trabalhar, as famílias não têm dinheiro suficiente para necessidades básicas como comida, água canalizada ou cuidados de saúde e muitos têm de trabalhar sob condições que colocam em risco a sua saúde ou segurança.

Uma em cada três pessoas nas regiões de produção de chá e café do Quénia vive em pobreza. Cerca de 30% dos agregados familiares do sul de Malawi, a principal região de produção de chá do país, vivem em pobreza e metade não tem comida suficiente. Há mais de 2 milhões de crianças a trabalhar sob condições perigosas na Costa do Marfim e no Gana. Neste último país, um produtor de cacau vive, em média, com menos de 0,46€ por dia.



Existe trabalho infantil na produção de baunilha e de óleo de palma – um ingrediente que está presente em cerca de 50% dos produtos nos nossos supermercados, de pastas de dentes a batatas fritas. Em Myanmar e no Bangladesh, há crianças a trabalhar nas fábricas onde é produzida a roupa de marcas conhecidas. Pelo seu trabalho, recebem 0,15€/hora.

Se alguém nos mostrasse estas realidades, o que faríamos? O vídeo do Comércio Justo“O serviço de entrega ao domicílio que nunca imaginaram” convida-nos a ponderar sobre a origem dos produtos e a não esquecer que fazemos parte de um mundo maior. As nossas ações e escolhas têm consequências que não nos afetam só a nós. A mensagem é simples: Não alimente a exploração e exija transparência às empresas.



As ervas silvestres como as urtigas, as beldroegas, a rúcula e a acelga faziam, antigamente, parte da cozinha tradicional portuguesa.
Existem várias espécies de urtigas em Portugal (Urtica urens, U. membranacea, U. dioica e U. pilulifera) e todas são comestíveis. São grátis, crescem um pouco por todo o lado e são muito ricas em vitaminas e minerais, especialmente em cálcio e potássio.

Deve usar luvas para as colher e as folhas mais escuras devem ser escaldadas para reduzir o seu sabor intenso.
As urtigas podem ser usadas em receitas de sopas, pesto, pão, arroz, sumos ou mesmo em chá. As sementes das urtigas também são comestíveis.

Como identificar e cozinhar a urtiga + receita de maionese de linhaça e urtigas



Creme de urtigas


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Sopa de urtigas


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Sopa de urtigas


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Arroz de urtigas


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Pesto de urtiga


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Pesto de urtiga


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Pão de urtigas


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Sumo de urtigas


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Chá de urtigas


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Leia também a entrevista com Alexandra Azevedo sobre a Natureza Comestível de Portugal
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