Mais de metade das florestas da Europa desapareceram nos últimos 6000 anos devido à crescente procura de terras para exploração agrícola e à utilização da madeira como uma fonte de combustível, concluiu um novo estudo da Universidade de Plymouth.

Utilizando análises de pólen de mais de 1000 locais, os cientistas revelaram que mais de dois terços do norte da Europa e da Europa central estariam, em tempos, cobertos de árvores.

Atualmente, esta percentagem diminuiu para apenas cerca de um terço, embora em regiões mais ocidentais e costeiras, como no Reino Unido e na República da Irlanda, o declínio verificado tenha sido muito mais acentuado – em algumas zonas, o coberto florestal chegou mesmo a cair para valores inferiores a 10%.

Há cerca de 8000 anos, um esquilo poderia andar de árvore em árvore, de Lisboa a Moscovo, sem tocar no chão”, comentou Neil Roberts, professor de geografia física da Universidade de Plymouth e principal autor do estudo.

“De um modo geral, a perda de florestas tem sido uma característica dominante da ecologia da paisagem da Europa na segunda metade do atual período interglacial, com consequências para os ciclos de carbono, o funcionamento dos ecossistemas e a biodiversidade”, disse o professor.



No entanto, estas tendências decrescentes começaram a reverter-se, através da descoberta de novos tipos de combustível e técnicas de construção e de iniciativas ecológicas como a nova Floresta do Norte anunciada pelo governo britânico em janeiro de 2018.

O estudo da Universidade de Plymouth mostrou ainda que o coberto florestal chegou inclusive a aumentar de aproximadamente 60%, há 11 000 anos, para 80%, há 6000 anos. Contudo, o desenvolvimento das práticas agrícolas, durante o Neolítico, suscitou um declínio gradual, que acelerou perto do final da Idade do Bronze e continuou, em grande medida, até hoje.

Para Neil Roberts, este é um dos elementos mais surpreendentes do estudo, dado que, embora se costume assumir que a desflorestação é um fenómeno relativamente recente, 20% das florestas britânicas já tinham desaparecido no final da Idade do Bronze, há 3000 anos.

“Alguns dos nossos habitats mais prezados surgiram ao se abrirem as florestas para criar relvados e charnecas. Até cerca dos anos 40, grande parte das práticas agrícolas tradicionais também respeitavam a vida selvagem e criaram habitats para muitos dos nossos animais mais estimados. Esta informação poderá ser usada para compreender como as futuras iniciativas florestais poderão também influenciar a alteração de habitats.”


O fotógrafo libanês, Eli Rezkallah, recriou os anúncios sexistas dos anos 40, 50 e 60, colocando os homens no lugar das mulheres.
“Imaginei um universo paralelo, onde os papéis estavam invertidos e os homens podiam experimentar um pouco do seu veneno sexista”, afirmou o fotógrafo.
Vejam o resultado em baixo.


"Os homens nunca deixam a cozinha!"



"Não te preocupes querido, não queimaste a cerveja!"



"Saia da cozinha mais cedo!"



"Quer dizer que um homem consegue abri-lo?"



"Mostre-lhe que este é um mundo de mulheres"





"Ainda bem que ela não perdeu a cabeça."



"É bom ter um rapaz em casa."



"Na manhã de Natal ele vai ficar mais feliz por ter um Hoover"

Tradução da primeira imagem: "Se algum dia a sua esposa descobrir que não anda a escolher o café mais fresco..."
Cápsulas de café

As Baleares, em Espanha, querem proibir, a partir de 2020, a comercialização de cápsulas de café não recicláveis e só permitirão a venda de cápsulas feitas de materiais compostáveis ou que tenham um sistema de recolha e reciclagem depois do uso.

Embora existam alternativas reutilizáveis, a maioria das empresas ainda utiliza o plástico ou o alumínio na produção destas cápsulas.

“A grande maioria das cápsulas não se pode reciclar e estamos a criar cada vez mais resíduos desnecessários”, disse o diretor geral de Educação Ambiental, Qualidade Ambiental e Resíduos, Sebastià Sansó.

"Temos um território limitado e ambientalmente sensível e uma economia dependente da atividade turística, que faz disparar o uso destes objetos", os quais, de acordo com Sansó, acabam muitas vezes por ser retirados em grandes quantidades das praias. As palhinhas de plástico para beber acabam por ir parar aos passeios das ruas turísticas e, arrastadas pela chuva e pelo vento, vão parar ao mar.

O anteprojecto de Lei dos Resíduos e Solos contaminados, que está a ser preparado, pretende também proibir a utilização de palhinhas de plástico, isqueiros que não sejam recarregáveis, máquinas de barbear descartáveis, cotonetes de plástico, tinteiros que não sejam reutilizáveis, sacos de plástico para a fruta e legumes (que passarão a ser de papel em 2020) e discos desmaquilhantes, ou seja, produtos que não são recicláveis, e ainda obrigar os produtores de toalhitas húmidas a identificarem claramente qual é o destino deste produto, uma vez que as pessoas as deitam pela sanita criando problemas nas ETARs.

Para garantir o cumprimento da lei, estão previstas sansõess que vão desde os 300 euros a 1,7 milhões de euros para casos muito graves.
A lei poderá ser aprovada no verão de 2018 e entrará em vigor em 2020.
Tartaruga a comer plástico

Desde o dia 1 de janeiro de 2018, os sacos descartáveis de plástico estão proibidos numa das maiores cidades do Canadá, Montreal, na província do Quebeque.

“Os quebequenses usam dois mil milhões de sacos por ano e a taxa de recuperação é de apenas 14%”, disse Jean-François Parenteau, membro da Comissão Executiva Municipal responsável pelo Ambiente. “Encontramos estes sacos em árvores, na costa sul – em toda a natureza.”

Todos os anos, despejamos oito milhões de toneladas de plástico nos oceanos, o equivalente a um camião de lixo cheio de plástico por minuto.

As embalagens de plástico representam uma grave ameaça para o ambiente, afetando milhares de espécies marinhas. Uma vez nos oceanos, os sacos estrangulam tartarugas, asfixiam aves marinhas e enchem os estômagos de golfinhos e baleias que acabam por morrer de fome.

A proibição de Montreal abrange mais do que os típicos sacos de compras de plástico. Os sacos de plástico biodegradável e outros tipos de sacos que se fragmentam e decompõem na natureza também estão proibidos.

Alguns sacos mais pequenos – como os usados para colocar os vegetais frescos e os medicamentos – ficam excluídos da proibição.

Várias outras cidades canadianas já proibiram os sacos descartáveis de plástico, entre as quais Thompson, Deux-Montagnes e Brossard.

Recentemente, o Quénia, o Chile e Goa também proibiram os sacos de plástico.
Gamo num bosque

O Governo britânico anunciou que vai criar uma “Floresta do Norte” com 50 milhões de árvores entre Liverpool e Hull, em Inglaterra. A floresta será plantada ao longo de uma faixa com mais de 190 km, durante os próximos 25 anos, e servirá para melhorar o ambiente, a saúde e o bem-estar dos cidadãos, criar habitats para a vida selvagem e prevenir a inundação de 190 mil casas. A plantação das árvores começará já em março.

“As árvores são uns dos nossos bens naturais mais estimados e uma prova viva do nosso investimento para as gerações futuras”, disse o secretário para o Ambiente do Governo britânico, Michael Gove. “Elas não são só uma fonte de beleza e fascinação, mas também uma forma de gerir o risco de inundações, proteger espécies valiosas e criar espaços mais saudáveis para trabalharmos e vivermos.”

“Esta nova Floresta do Norte é um projeto ambicioso e entusiasmante, que criará uma vasta faixa de floresta no Norte de Inglaterra, que se estenderá de costa a costa, proporcionando um habitat rico no qual a vida selvagem poderá prosperar e um ambiente natural para ser desfrutado por milhões de pessoas”, afirmou.

O projeto, que faz parte do Plano Ambiental de 25 anos do Governo, terá um custo total estimado de mais de 500 milhões de euros, não sendo ainda claro de onde provirá o financiamento. Espera-se que a floresta gere mais de 2 mil milhões de euros para a economia, através do turismo, da promoção das empresas rurais e da criação de emprego.


A área onde será plantada a "Floresta do Norte" | Fonte: The Woodland Trust

Apenas 7,6% do território do Norte de Inglaterra está coberto por florestas, o que é inferior à média britânica de 13% e muito inferior à média de 44% da União Europeia.

A Inglaterra é um dos países menos florestados da Europa, por isso o apoio do governo para a nova Floresta do Norte é extremamente bem-vindo”, comentou Paul de Zylva, da organização Friends of the Earth.

A Floresta do Norte ligará as cinco Florestas Comunitárias do Norte de Inglaterra. Os futuros bosques também serão criados de forma a melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas, estando prevista a sua plantação dentro e em redor de grandes centros urbanos como Chester, Liverpool, Leeds e Manchester.

“Têm-se feito progressos”, disse a primeira-ministra britânica, Theresa May. “Estamos a investir três mil milhões de libras na melhoria da qualidade do ar, a combater a poluição marinha ao proibir as prejudiciais micropartículas de plástico e a aumentar as penas de prisão para a crueldade contra os animais para cinco anos. Mas, para se criar um ambiente preparado para o futuro, não podemos parar aí, e é por isso que estamos a apoiar a criação desta nova Floresta do Norte.”


A McDonald’s vai deixar de usar copos e embalagens de espuma de poliestireno – mais conhecida como esferovite em Portugal e isopor no Brasil – até ao final do ano.

“O impacto ambiental das nossas embalagens é uma prioridade máxima”, escreveu a empresa no seu site. “Planeamos eliminar as embalagens de esferovite do nosso sistema global até ao final de 2018.”

“Embora apenas cerca de 2% das nossas embalagens, por peso, sejam atualmente feitas de esferovite, acreditamos que este pequeno passo é importante no nosso caminho.”

A cadeia de fast-food também anunciou que planeia utilizar materiais de fontes recicladas e certificadas para todas as suas embalagens de fibras naturais até 2020.

A medida é aguardada há muito tempo pelos ambientalistas, que lembram que já passaram quase 27 anos desde que a McDonald’s tomou uma decisão semelhante, proibindo as embalagens de esferovite para os seus hambúrgueres e outros produtos. “Apreciamos o que a McDonald’s fez”, disse Conrad MacKerron, vice-presidente sénior da fundação As You Sow. “Demorou muito tempo, mas é melhor tarde do que nunca.”

Há esperanças de que a decisão da gigante de fast-food inspire outras empresas a fazer o mesmo.

Em 2017, a ilha de Maui, no Havai, aprovou uma proposta de lei que proíbe a venda e a utilização de embalagens e copos de esferovite para bebidas e comida takeaway.
Foto: Reuters


Os fabricantes de cosméticos e produtos de cuidado pessoal já não podem adicionar pequenas peças de plástico, conhecidas como “micropartículas”, aos seus produtos no Reino Unido e no Canadá, depois de as proibições anunciadas por ambos os países terem entrado em vigor no princípio de janeiro.

Numa primeira fase, foi proibido o fabrico de gel de duche, pasta de dentes, esfoliantes, entre outros produtos, com estas micropartículas, sendo que a proibição da sua venda entrará em vigor em julho.

Estima-se que existam cinco biliões de peças de plástico a flutuar nos oceanos. As micropartículas representam uma percentagem pequena mas importante destes plásticos, sendo uma forma de poluição fácil de prevenir.

As micropartículas de plástico que usamos nos nossos produtos e escorrem pelo ralo não podem ser filtradas pelas estações de tratamento de águas residuais, devido ao seu tamanho muito reduzido.

Consequentemente, vão parar aos rios, lagos e ao mar, onde são facilmente ingeridas por peixes e outros animais aquáticos, juntamente com as substâncias tóxicas que nelas se podem acumular, prejudicando a vida selvagem e entrando na cadeia alimentar.

“Se alguém comer seis ostras, é provável que tenha ingerido 50 partículas de microplástico”, avisou Mary Creagh, responsável do Comité para a Auditoria Ambiental do Reino Unido. Um relatório do mesmo comité também revelou que um só banho pode originar a entrada de 100 mil pequenas peças de plástico no oceano, graças à utilização de produtos de higiene com micropartículas deste material.

“As micropartículas persistem – as que se encontram nos nossos oceanos ficarão lá durante séculos”, explicou Tisha Brown, da Greenpeace.



“Os oceanos estão entre os nossos bens naturais mais valiosos e eu estou determinada a que ajamos agora para fazer frente ao plástico que devasta a nossa preciosa vida marinha”, disse a ministra britânica do Ambiente, Thérèse Coffey.
As micropartículas são totalmente desnecessárias, quando existem tantas alternativas naturais disponíveis, e eu congratulo-me com o facto de, a partir de hoje, os fabricantes de cosméticos não poderem adicionar este plástico prejudicial aos seus produtos”, declarou a ministra.

“Esperamos que esta proibição assinale o despertar de uma nova era na luta por oceanos mais limpos e saudáveis”, afirmou Dilyana Mihaylova, da Fauna & Flora International.

Contudo, existem produtos com micropartículas de plástico, como os detergentes, que não são abrangidos pelas novas proibições. “Existem imensos produtos que contêm ingredientes microplásticos que não estão incluídos na proibição, os quais continuarão a ser fabricados e vendidos. O próximo passo deveria ser considerar alargar-se o âmbito da proibição a mais produtos, como os protetores solares e maquilhagem de uso corrente.”

As micropartículas de plástico também já foram proibidas nos EUA e na Nova Zelândia.
Foto: MPCA/Flickr


O governo da Noruega comprometeu-se a encerrar a indústria de produção de peles até 2025, fechando as 300 quintas do país - onde cerca de 1 milhão de raposas e visons são criados por causa das suas peles.

A decisão é o resultado de 28 anos de protestos e campanhas contra o uso de peles realizados pela organização de defesa dos direitos dos animais norueguesa (NOAH).
"Estamos muito contentes por ver um compromisso inequívoco por parte do governo norueguês para proibir todas as quintas de produção de peles", disse Ruud Tombrock, diretor executivo da Humane Society International.

Nos últimos meses, marcas de moda de luxo, como a Gucci, retiraram as peles das suas coleções, o que demonstra o declínio do uso de peles de animais na moda. "Os consumidores estão a virar as costas ao comércio sangrento das peles", disse Tombrock. "E é por isso importante que os políticos noruegueses permitam que a Noruega se junte à lista crescente de países compassivos que recusam a cruel produção de peles dentro das suas fronteiras".

Com este passo, a Noruega juntou-se ao grupo de países que já decretaram proibições totais ou parciais das quintas de produção de peles de animais, entre os quais o Japão, a República Checa, a Índia e a Croácia.

Foto: Fabian Bimmer | Reuters

lobo

Pela primeira vez em mais de 100 anos, foi descoberto um lobo selvagem na região da Flandres, no norte da Bélgica. Após séculos de perseguição, há alcateias a voltarem a estabelecer-se em diversos países europeus e têm sido observados lobos na Dinamarca, Holanda e no Luxemburgo.

“O nosso país era o único da Europa continental que não tinha sido visitado por um lobo”, desde que estes animais começaram o recolonizar o continente, declarou o grupo ambiental Landschap.

Desde a Convenção de Berna de 1979, o lobo passou de inimigo público a espécie protegida como “um elemento fundamental do nosso património natural europeu”, conta a agência de notícias francesa AFP.

O lobo detetado na Flandres possuía uma coleira localizadora, o que permitiu a sua identificação como um animal proveniente da Alemanha. O mesmo lobo tinha sido avistado, por volta do Natal, nos Países Baixos.

“Nos últimos dias, o lobo permaneceu perto da cidade flamenga de Beringen e da base militar de Leopoldsburg. O animal percorreu 500 km em dez dias”, disse o Landschap.

A presença do lobo em território belga foi saudada como uma excelente notícia pelos grupos conservacionistas, que pedem ao governo para adotar uma estratégia que encoraje o regresso da espécie ao país, incluindo indemnizações para os agricultores cujo gado possa ser atacado.

Em 2011, já tinham sido captadas imagens do que parecia ser um lobo, à noite, no sul do país, mas o avistamento não chegou a ser confirmado.

Segundo Farid Benhammou, especialista em predadores, em países como a Roménia e a Polónia, onde sempre viveram lobos, as pessoas encaram os ataques às ovelhas “como um acidente, como um rebanho que caiu numa ravina”. No entanto, nas zonas recentemente colonizadas pela espécie – como em França e em algumas regiões de Itália e Espanha – existem grandes tensões, especialmente com os agricultores.


O Belize aprovou uma lei que põe fim à exploração petrolífera nas suas águas para proteger o seu famoso recife de coral.

O Recife de Coral do Belize é uma secção com 300 km de comprimento da Barreira de Coral Mesoamericana, a segunda maior do mundo – precedida apenas pela Grande Barreira de Coral da Austrália – e o lar de quase 1400 espécies, incluindo vários animais ameaçados, como a tartaruga-de-escamas, o manatim e algumas espécies de tubarão. O Recife do Belize faz parte da Lista do Património Natural em Perigo da UNESCO desde 2009.

“Esta decisão é extremamente importante”, disse Chris Gee, da organização WWF. “Mostra que o Belize, um país em desenvolvimento, está preparado para colocar os seus cidadãos e o ambiente em primeiro lugar.”

A decisão do primeiro-ministro belizense, Dean Barrow, de estabelecer esta moratória por prazo indefinido assinala a primeira vez que um país em desenvolvimento tomou um passo tão significativo para proteger os seus oceanos da exploração e extração de petróleo, conta o The Guardian.

O turismo e pescas sustentam, direta ou indiretamente, metade da população do país, cerca de 190 mil pessoas. Como a sua principal atração turística, o recife tem um papel preponderante na economia do Belize.

“A legislação para parar a exploração offshore de petróleo no Beize é uma decisão extremamente sábia”, declarou Ralph Capeling, coproprietário do Splash Dive Center. “O potencial económico do recife ultrapassa claramente o valor de quaisquer possíveis descobertas.”

Há esperanças de que a decisão do país da América Central inspire outros a fazer o mesmo. “Como um mergulhador ávido há mais de 35 anos, acho que seria extraordinário se outros países seguissem o exemplo do Belize e dessem passos positivos, como proibir a exploração offshore de petróleo”, comentou John Searle, proprietário da Sea Sports Belize.
Foto: Adam/Flickr