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Açúcar

Recentemente fomos contactados por uma leitora que nos perguntou quais as marcas de açúcar em Portugal que eram vegans e onde poderiam ser adquiridas. Para quem não sabe, o processo de refinação do açúcar pode utilizar carvão de origem animal, tornando-o um alimento a evitar por quem segue um estilo de vida vegan.

Contactamos as principais marcas de açúcar em Portugal e de seguida transcrevemos as suas respostas.

SIDUL

“Informo que na nossa refinaria não são utilizadas substâncias de origem animal em nenhuma fase do processo - na descoloração não são usadas cinzas de origem animal, a descoloração é feita por permuta iónica, num leito fixo de resinas aniónicas.”

RAR

“O processo de refinação que utilize carvão ativado fá-lo com carvão vegetal. O carvão animal (ossos calcinados) foi utilizado no passado, há muito tempo que deixou de ser utilizado por ser um produto demasiado caro, comparado com o carvão vegetal.”

Açúcar Auchan (Jumbo)

“Após consulta junto do fornecedor, informamos que estes não utilizam, nenhum coadjuvante de origem animal para a refinação da cana de açúcar, sendo o carvão utilizado de origem vegetal.”

Açúcar do Pingo Doce

“O nosso fornecedor de açúcar não utiliza carvão no processo de refinação.”
Rutger Bregman no TEDx

Que ideia poderia ligar pessoas tão diferentes como Thomas Paine, Martin Luther King e Milton Friedman? Há quem lhe chame o “dividendo do cidadão”, outros chamam-lhe “rendimento básico”. Rutger Bregman prefere a designação “dinheiro gratuito para todos”.

Nesta palestra no Tedx2014, Rutger Bregman, autor do livro “Utopia for Realists: The Case for a Universal Basic Income, Open Borders, and a 15-hour Workweek”, conta-nos porque se deveria dar a todas as pessoas um rendimento básico incondicional (RBI) – um rendimento para todos os cidadãos, ricos, pobres, com ou sem emprego, para que os mesmos possam pagar as suas necessidades básicas, como a comida, o alojamento e a educação. O escritor tenta ainda esclarecer algumas das principais dúvidas referentes ao RBI, acompanhando os seus argumentos com informações sobre os projetos-piloto já realizados em vários países.

Destes, Rutger Bregman destaca uma experiência levada a cabo em Londres, em 2009, na qual uma instituição de caridade local decidiu oferecer “dinheiro gratuito”, cerca de 3500€, a 13 sem-abrigo da cidade. Os sem-abrigo tinham total liberdade para decidir como gastar esse dinheiro. Nem os próprios assistentes sociais a trabalhar na experiência tinham grandes expectativas em relação à mesma, pensando que estes homens iriam gastar o dinheiro em bebidas alcoólicas, drogas, apostas, etc.. No entanto, ao fim do primeiro ano, verificou-se que, em média, só 900€ desse dinheiro tinham sido gastos – em coisas como um telemóvel, um passaporte, um dicionário, entre outros.

Um ano depois, algo surpreendente aconteceu: 7 dos 13 sem-abrigo tinham um teto sobre as suas cabeças e outros dois estavam à procura de casa. Alguns frequentaram aulas de jardinagem, um outro aprendeu a cozinhar e todos fizeram planos para o futuro. Será, deste modo, como o The Economist concluiu: A forma mais eficiente de se gastar dinheiro com os sem-abrigo poderá ser, simplesmente, dar-lhes esse dinheiro.
As utopias têm a tendência de se tornarem realidade”, defende Rutger Bregman. “O fim da escravatura, a igualdade de direitos para os homens e as mulheres, a democracia – todas elas foram, um dia, consideradas ideias utópicas impossíveis.”
“As ideias podem e fazem o mundo mudar (…) Mais forte do que mil exércitos é uma ideia cujo tempo chegou. E acredito que, neste século, é chegada a hora para o dinheiro gratuito para todos.”

Elefante num circo

A Póvoa de Varzim pode deixar de emitir licenças aos circos com animais selvagens.
A recomendação foi levada à Assembleia Municipal e foi aprovada, dia 22 de setembro, pelos deputados. Este assunto vai agora ser analisado pelo executivo municipal responsável pela alteração do regulamento.

Aires Pereira, presidente da Câmara Municipal, mostrou-se favorável a esta alteração: está a verificar-se uma mudança de comportamentos no que se concerne a defesa dos direitos dos animais e eu estou de acordo com ela. É uma tendência em todo o mundo e que em Portugal também já se está a manifestar”.

Fonte: Câmara da Póvoa de Varzim
Casas na Dinamarca

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), entre um quarto e um terço de toda a comida é perdida ou desperdiçada, todos os anos, o que a organização considera “um excesso numa época em que quase mil milhões de pessoas passam fome”. Deitar fora comida é, assim, um desperdício do trabalho, água, energia, terra e outros recursos usados na produção da mesma.
Para lutar contra este problema, o governo dinamarquês tem procurado ativamente soluções.

"Stop Spild Af Mad"

A Dinamarca, cuja população ronda os 5,7 milhões de habitantes, tem mais iniciativas contra o desperdício alimentar do que qualquer outro país europeu. Estes projetos têm dado resultado: desde 2010, o país conseguiu reduzir um quarto do desperdício alimentar produzido. E no centro desta luta está a organização não governamental Stop Spild Af Mad (“Parem de Desperdiçar Comida”) e a sua fundadora, Selina Juul.
“É uma iniciativa, essencialmente, da base para o topo”, explica a ativista, que tem conseguido atrair para a sua causa milhares de dinamarqueses. “Nós mobilizamos as pessoas, depois elas mobilizam a indústria e os supermercados, os refeitórios e os restaurantes.”
O governo dinamarquês estabeleceu um programa de subsídios para projetos que visem a luta contra este problema, com um financiamento de cerca de 670 mil euros. “O desperdício torna-nos a todos mais pobres”, declarou o ministro dinamarquês dos Negócios Estrangeiros, Kristian Jensen. Estima-se que, globalmente, o desperdício alimentar cause uma perda de até 850 mil milhões de euros, todos os anos. O lixo não é realmente lixo, afirma Selina Juul. “Reduzi-lo é a chave para a futura sobrevivência da humanidade.”



Diversas frentes de combate

Cada vez mais supermercados dinamarqueses têm “zonas para acabar com o desperdício alimentar”, com alimentos perto do fim da validade a preços reduzidos. Legumes “feios” são usados em saladas.
A startup Too Good To Go aposta nas refeições que não foram vendidas e um app liga os consumidores a restaurantes e padarias prestes a fechar, para que possam comprar produtos a preços reduzidos.
No supermercado WeFood, em Copenhaga, todos os produtos vendidos estão perto do fim da validade e têm descontos que variam entre 30% e 50%.
Existem ainda os “OCNIs”. “Um em cada dois dinamarqueses tinha um OCNI, um ‘objeto congelado não identificado’ no seu congelador”, explica Selina Juul. “Por isso fizemos uma campanha para que os consumidores comam, uma vez por mês, os seus OCNIs.”

“Não há qualquer razão para que tanta comida seja perdida e desperdiçada”, disse à DW Andrew Steer, presidente e CEO do Instituto Mundial de Recursos, que, juntamente com outras entidades, impulsionou uma nova estratégia: o primeiro padrão global de medição para o desperdício alimentar. “Para reduzirmos com sucesso o desperdício alimentar em metade, precisamos de adotar uma abordagem sistemática”, defende. A iniciativa é apoiada pelo governo dinamarquês.

A comida une as pessoas

Selina Juul já é um ícone nacional, tendo sido galardoada com o Womenomics Influencer Award de 2016 e nomeada, em 2014, “Dinamarquesa do ano”. Juntamente com o seu grupo, planeia alargar o seu trabalho a outros países. O seu sonho é que este zelo pela comida se possa tornar uma ferramenta para a paz mundial.
“Quando se trata de desperdício alimentar, não importa se se é rico ou pobre, de esquerda ou de direita, não interessa a cor, nacionalidade ou religião – as pessoas concordam”, defende. A comida é mesmo aquela causa que une as pessoas. A comida é amor. Se deitarmos fora comida, estamos a deitar fora amor.”
Trash me

Durante 30 dias, Rob Greenfield vai carregar consigo todo o lixo que produzir, num fato especialmente concebido para tal.
Uma vez que cada americano produz em média cerca de 2 kg de lixo por dia, Rob Greenfield, ao fim de 30 dias, vai carregar consigo mais ou menos 60Kg de lixo.

Normalmente, as pessoas não pensam no lixo que produzem e ao deitá-lo nos contentores, o lixo desaparece das suas vistas e consequentemente das suas mentes. Através deste projeto Rob Greenfield quer mudar a nossa perspetiva em relação ao lixo. "Trash Me" vai ser uma série documental com imagens chocantes da quantidade de lixo que produzimos todos os dias para nos inspirar a mudar o nosso estilo de vida.



Elefantes

Estima-se que, em 58% da superfície terrestre do nosso planeta, a biodiversidade esteja agora abaixo do que os cientistas consideram níveis “seguros”, segundo um estudo recente publicado na Science. Mas existirá mesmo um nível “seguro” para a perda da biodiversidade e não será o desaparecimento de uma só espécie demasiado? Estas são algumas das questões que prevalecem e que têm sido vivamente debatidas pelos cientistas.

Para a realização do estudo, uma equipa de investigadores internacional examinou o que tinha sido previamente definido por especialistas como um “limite seguro” para a perda da biodiversidade, ou seja 10%. Por outras palavras, isto significa que se a abundância de espécies ficar abaixo de 90% do que era antes dos seres humanos surgirem e começarem a usar a terra, as espécies de que dependemos –e, eventualmente, nós – correrão o risco de ficar criticamente ameaçadas.
A biodiversidade é essencial para o bem-estar humano, disse Tom Oliver, ecólogo de paisagens da Universidade de Reading e autor do comentário que acompanha o estudo, apontando como exemplo as espécies das quais dependemos para a polinização das plantas.

Com base em mais de 2 milhões de registos de cerca de 40 mil espécies terrestres, os investigadores concluíram que, devido à utilização da terra e a outras pressões, a biodiversidade já se encontra abaixo desse limiar proposto no que se estima ser 58% da superfície terrestre do mundo – lar de 71% da população global.


Mapa: A perda de biodiversidade no mundo
Fonte: Tim Newbold, University College London


A ideia de que existe um ponto de viragem até ao qual é “seguro” perder-se biodiversidade não deixa de ser controversa. “Estes limites são objeto de enormes incertezas”, contou Tom Oliver ao Motherboard. Há quem debata se estes limites serão mundiais ou regionais e, segundo os autores do estudo, alguns investigadores acreditam que mesmo uma redução de biodiversidade de 70% ainda seria segura.

“Não sabemos qual é o limite seguro. Nem deveríamos tentar descobri-lo”, declarou Erle Ellis, da Universidade de Maryland. “O nosso objetivo é não levar o planeta até aos seus limites seguros.”

“Existem melhorias que podem certamente ser feitas, à medida que surgem mais dados”, explicou Tom Oliver. “No entanto, podemos ter a certeza de que a inação comprometerá o [nosso] futuro.”
central nuclear de Almaraz

Portugal exigiu uma reunião de emergência a Espanha para pedir esclarecimentos sobre a continuidade do funcionamento da central nuclear de Almaraz que deveria ter fechado em 2010 e que tem vindo a registar incidentes por estar obsoleta.

Numa audição hoje, 27 de setembro, na Assembleia da República, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, explicou que o Estado português decidiu agir devido a um “parecer positivo [do Conselho de Segurança Nuclear] para construção de nova instalação para depósito de resíduos nucleares já que o mesmo “indicia que a central poderia permanecer ativa para além da licença atual”.

Embora respeite a “soberania de Espanha em relação à sua política energética”, o ministro garante que o “Estado português intervirá de forma a garantir o escrupuloso cumprimento de todas as regras de segurança”. Por esta razão “foi solicitada, pelos canais diplomáticos, aos ministros que tutelam a energia e o ambiente em Espanha, uma reunião com caráter de urgência para debater este tema.”

A Quercus considera esta nova construção e o prolongamento da atividade da central nuclear “inadmissível”.
A central nuclear de Almaraz devia ter fechado em 2010, mas as autoridades espanholas prolongaram a licença até 2020. Caso a nova estrutura seja aprovada o tempo de vida da central deverá ser aumentado, informa o Observador.

Foto: Greenpeace
Margem do rio Sena

A Câmara de Paris aprovou, dia 26 de setembro, uma proposta para transformar uma estrada na margem direita do rio Sena numa via para peões e ciclistas, proibindo a circulação de automóveis.

A presidente Anne Hidalgo afirmou que esta decisão pretende "a reconquista do rio Sena".
A circulação dos automóveis foi proibida em 3,3km da via, entre os Jardins das Tulherias, junto ao Museu do Louvre, e o túnel Henrique IV, perto da Praça da Bastilha. Estima-se que cerca de 43 mil veículos circulem nesta via diariamente. As margens do Sena são Património Mundial da Unesco desde 1991 e atraem milhares de visitantes por ano.
Além da proibição da circulação de carros, o projeto, que terá um custo de 8 milhões de euros, prevê a construção de percursos em madeira e a criação de espaços verdes.

No passado domingo, 27 de setembro, foi proibida a circulação automóvel numa parte central da cidade, repetindo-se o “dia sem carros” em Paris, que em 2015 teve um impacto significativo nos níveis de poluição: na Avenida dos Campos Elísios os níveis de dióxido de carbono desceram 30% e ao longo do Sena os níveis caíram cerca de 40%, revela o Observador. Segundo especialistas, a poluição atmosférica é responsável pela morte de 2500 pessoas todos os anos na cidade e de 6600 na região metropolitana.
A presidente está determinada a combater a poluição da cidade cuja qualidade do ar viola frequentemente as normas da UE, rivalizando por vezes com a de cidades altamente poluídas, como Pequim e Xangai, conta o Independent.

Abate de árvores

A proibição do abate de árvores lucrativo, que tinha sido implementada pelo governo de Myanmar (Birmânia), será levantada em abril de 2017. A produção de madeira será retomada, mas a “níveis reduzidos”, de acordo com o diretor-adjunto da Myanmar Timber Enterprise, Aye Cho Thaung, ou seja, restringir-se-á a 15 mil toneladas de teca e 350 mil toneladas de outras madeiras.

Esta proibição tinha sido implementada numa tentativa de travar a desflorestação que tem devastado as florestas do país. Segundo a Environmental Investigation Agency, Myanmar perdeu 1,7 milhões de hectares de área florestal, entre 2011 e 2013.

A exportação de madeira, que ultrapassou os 560 milhões de euros em 2013/14, continuará, no entanto, a ser proibida, conta o Myanmar Times. Mesmo assim, o abate ilegal de árvores tem prosperado, sendo as valiosas madeiras contrabandeadas para as vizinhas China e Tailândia.

Win Myo Thu, um dos fundadores da ONG Ecodev, declarou ser de esperar que a produção recomeçasse, mas que esta deveria ser levada a cabo com “maiores restrições” do que no passado.
Na cadeia montanhosa de Bago, continuará a ser proibido o abate de árvores lucrativo ao longo de 10 anos.
Borboleta-monarca

Desapareceram, desde 1990, quase mil milhões de borboletas-monarca, segundo estatísticas do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA. A perda de habitat – especialmente de asclépias, as plantas que servem de alimento a estas borboletas e de abrigo para as suas lagartas –, devido ao aumento da utilização de culturas geneticamente modificadas e de herbicidas, é um factor importante que tem influenciado o seu declínio. Outras causas incluem o uso generalizado de inseticidas neonicotinóides, doenças e a destruição do habitat onde as borboletas-monarca passam o Inverno.

A estas estatísticas, juntam-se as de um relatório de junho de 2016 da Xerces Society que comparou o número médio de borboletas que passaram o Inverno na Califórnia, durante os períodos de 1997-2001 e de 2010-2014, e descobriu um declínio de 74%.

Em dezembro de 2015, cientistas mexicanos revelaram outros dados alarmantes, desta vez relativos a um importante santuário de borboletas-monarca. Segundo um estudo realizado na Reserva de Biosfera da Borboleta-Monarca, em 2014-2015, pelo Instituto de Biologia da Universidade Nacional Autónoma do México, 20 hectares deste refúgio ficaram degradados graças à desflorestação causada pelo abate de árvores ilegal e um outro hectare devido a um cocktail de “seca, pragas, relâmpagos e derrocadas”. Isto significa que um considerável número destes polinizadores, na sua viagem pelo Canadá, Estados Unidos e de regresso ao México, não terão para onde voltar.

“Há anos que a maioria das comunidades locais no núcleo da Reserva de Biosfera da Borboleta-Monarca tem demonstrado o seu compromisso para preservar as suas florestas, ao participar no Fundo Monarca, reduzindo a desflorestação para quase zero em 2011. Infelizmente, nos últimos 3 anos, o abate de árvores ilegal tem sido documentado na mesma comunidade de San Felipe de los Alzati”, explicou o diretor-geral da WWF no México, Omar Vidal.

“É essencial que as autoridades aumentem a vigilância na área e que continuem o seu diálogo com a comunidade de San Felipe de los Alzati para travar a degradação das florestas imediatamente”, declarou Victor Cordero, diretor do Instituto de Biologia da Universidade. Recentemente, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem (Fish and Wildlife Service – FWS) dos Estados Unidos declarou oficialmente extintas duas espécies de borboletas, que não eram observadas desde 2000 e 2004, respetivamente. As populações de outros polinizadores, como escaravelhos e, principalmente, abelhas, também têm diminuído significativamente, sendo o uso generalizado de pesticidas uma das causas apontadas para este fenómeno.
Em parceira com duas organizações de conservação, o FWS planeia plantar asclépias por todo o país de modo a salvar o maior número possível de borboletas-monarca, conta o Washington Post. A agência financiará ainda projetos de conservação e disponibilizará sementes de asclépia a qualquer pessoa disposta a plantá-las, mesmo em espaços públicos, como bermas da estrada, parques, florestas, entre outros lugares.
A responsabilidade dos agricultores pelo declínio destes insetos é, na opinião do diretor do FWS, Dan Ashe, apenas parcial. “Fomos todos responsáveis. Nós somos os consumidores dos produtos agrícolas. (…) Os agricultores não são o inimigo. Poderão ser parte da solução? Sim, defende.