Castor europeu

Durante um período de 12 anos, uma equipa de cientistas da Universidade de Stirling, na Escócia, analisou os efeitos que um grupo de quatro castores tinha na zona onde foram reintroduzidos. A equipa descobriu que os industriosos animais criaram quase 200 metros de barragens, 500 metros de canais e um acre de lagos.

Esta transformação deixou a antiga pastagem, que tinha sido drenada há mais de 200 anos, “quase irreconhecível”, com uma grande variedade de habitats criados e um mosaico de vegetação que aumentou 71% em complexidade.

O número de espécies de plantas cresceu quase 50% e, ao mesmo tempo, diminuíram as espécies que crescem normalmente em zonas com níveis elevados de nitrogénio, o que indica que as condições do solo passaram a ser mais naturais.

Segundo os investigadores, o estudo demonstra que os castores podem ser uma opção de baixo custo para a restauração das zonas húmidas.


O local de estudo um ano após a introdução dos castores (a) e 11 anos depois (b)

“As zonas húmidas são ambientes extremamente importantes para a biodiversidade”, disse Nigel Willby, professor da Universidade de Stirling. “Também servem para armazenar água e melhorar a sua qualidade – são os ‘rins da paisagem’. Todavia, as zonas húmidas do mundo estão a desaparecer a um ritmo alarmante – as estimativas mais recentes sugerem que se perderam quase dois terços desde 1900.”

Um estudo anterior da mesma equipa de investigação mostrou como as represas dos castores podem abrandar os fluxos de água, reduzindo o risco de cheias e a poluição da água.

“Os castores são famosos pelas suas habilidades de engenharia, como a construção de barragens, e estão agora a ser considerados como ferramentas para a recuperação das zonas húmidas. Eles foram reintroduzidos em muitos locais, incluindo na Escócia, em parte com este propósito e as nossas descobertas demonstram os benefícios surpreendentemente grandes que trazem à biodiversidade”, disse o professor.

400 anos após terem sido caçados até à extinção, os castores foram reintroduzidos na Escócia e já foram reconhecidos oficialmente como uma espécie nativa. Entretanto, está a ser considerada a sua reintrodução em Gales.


Foto: Mike Symes/ Devon Wildlife Trust/ Universidade de Exeter
1ª foto: Tomasz Chmielewski


Com as suas complexas construções, os castores criam lagos nos quais se podem abrigar de predadores como os ursos, lobos e glutões.

“Depois de 12 anos de otimização do habitat pelos castores, o local do estudo ficou quase irreconhecível em relação ao seu estado inicial”, escreveram os autores do estudo publicado na revista científica Science of the Total Environment. “A reintrodução da espécie em causa poderá revelar-se o ingrediente em falta para a restauração bem-sucedida e sustentável a longo-prazo das zonas húmidas.”

“Sabemos muito sobre os benefícios dos castores em ambientes naturais, mas até agora não conhecíamos toda a extensão do que eles conseguem realizar nas paisagens atuais, onde a recuperação é mais necessária”, disse Alan Law, um dos investigadores do estudo.

“Os castores oferecem uma solução inovadora e menos interventiva para o problema da perda de zonas húmidas. Ver o que eles podem fazer pelas nossas zonas húmidas e rurais salienta a diversidade de paisagens que temos perdido nos últimos 400 anos.”

Os cientistas lembram, no entanto, que as reintroduções dos animais devem ser geridas com cuidado para evitar conflitos com os agricultores, que temem o impacto que os animais podem ter nos campos.

“Acho que, desde que os castores tenham bastante espaço para formar um número decente de territórios, poderá haver benefícios enormes”, disse Nigel Willby.


As empresas Pepsico, Unilever e Nestlé foram acusadas de cumplicidade na destruição da última área de floresta tropical onde elefantes, orangotangos, rinocerontes e tigres vivem lado a lado.

Segundo um relatório da organização Rainforest Action Network (RAN), o óleo de palma produzido nas plantações que resultam da destruição ilegal da floresta da ilha de Samatra, na Indonésia, terá sido usado por dezenas de marcas populares, entre as quais também se contam a McDonald’s, Mars, Kellogg’s e Procter & Gamble.

“Se não forem tomadas medidas mais urgentes para impor políticas de não-desflorestação, estas marcas serão recordadas como as grandes empresas responsáveis pela destruição do último lugar na Terra onde os elefantes, orangotangos, rinocerontes e tigres de Samatra viviam lado a lado”, diz o estudo.

Através de dados obtidos por satélite, aliados a registos fotográficos e coordenadas GPS, o estudo mostra a desflorestação que está a decorrer em faixas do ecossistema de Leuser, apesar de uma moratória anunciada em 2016.



Destas plantações, o óleo de palma chega às marcas através de uma cadeia de fornecimento pouco transparente, que começa na empresa madeireira PT Agra Bumi Niaga (ABN), passando pelos moinhos da empresa PT Ensem Sawita (ES), que, por sua vez, vende o produto a alguns dos maiores distribuidores do mundo.

“Depender de organizações não governamentais para desvendar a verdade, simplesmente, não é suficiente”, disse Gemma Tillack da Rainforest Action Network. “Se a RAN, com o nosso orçamento relativamente limitado, o conseguiu descobrir, então as multinacionais multimilionárias certamente o podem fazer. O facto de não o fazerem demonstra que não é a falta de capacidade que as está a deter, mas sim a falta de vontade.”

O ecossistema de Leuser é a maior floresta tropical da ilha de Samatra e um habitat de importância crítica para animais ameaçados como os leopardos-nebulosos, ursos-malaios e elefantes de Sumatra. Entre 2012 e 2015, pelo menos 35 elefantes foram mortos em Leuser. Os conflitos entre os seres humanos e os animais também estão a aumentar, à medida que as plantações de palma fragmentam os seus habitats. Esta fragmentação também deixa os animais mais vulneráveis à caça furtiva.


Leopardo-nebuloso-do-Bornéu (Neofelis diardi) | Foto: Spencer Wright

A taxa de desflorestação de Leuser é uma das mais elevadas do mundo. Em 2015, os incêndios florestais de Samatra – muitas vezes ligados às plantações – destruíram mais de 20 000 km2 de floresta tropical, o que se estima que vá contribuir para a morte prematura de cerca de 100 000 pessoas, conta o The Guardian.

Em 2016, o governador de Aceh, no noroeste de Samatra, Zaini Abdullah, ordenou a todas as empresas de óleo de palma que parassem todas as operações de desflorestação. No entanto, o estudo da RAN mostra que as empresas continuaram a desflorestar, mesmo depois da ordem do governador.

“As marcas mundiais, como a Pepsico, não podem continuar a esconder-se atrás de promessas em papel e culpar, simplesmente, os seus parceiros internacionais por crimes florestais. O ecossistema de Leuser vai sofrer uma morte lenta se as marcas não começarem a tomar medidas urgentes para enfrentar a principal causa desta crise”, disse Gemma Tillack.

Em resposta a este relatório, a Pepsico identificou “fornecedores diretos que tinham nas suas cadeias de fornecimento estes moinhos” e a Unilever admitiu ter comprado, indiretamente, óleo de palma da PT ABN através dos seus fornecedores. A Nestlé, a Cargill e a Musim Mas afirmaram que estavam a investigar estas alegações. A Mars, Kellog’s e Procter & Gamble frisaram as suas políticas de óleo de palma sustentável e a McDonald’s negou qualquer ligação à PT ABN.

No entanto, as empresas já tinham sido avisadas, em 2014, da presença deste óleo de palma nas suas cadeias de fornecimento através dos fornecedores da PT ES.

“As marcas e os distribuidores costumam esconder-se atrás das complexidades das cadeias de fornecimento”, disse Gemma. “Mas os consumidores precisam de saber se o óleo de palma que eles utilizam está ligado à destruição das florestas tropicais.”
urso enjaulado numa quinta no Vietname

A Administração Florestal do Vietname e a ONG Animals Asia assinaram um acordo, no dia 19 de julho, para resgatar os restantes 1000 ursos mantidos em cativeiro para a extração da sua bílis, no país, comprometendo-se a acabar com o comércio de bílis e a encerrar todas as quintas de ursos num período de cinco anos.

O novo acordo preencherá a lacuna jurídica que tem permitido a continuação da exploração de bílis de urso no Vietname, apesar de ter sido proibida. Isto porque torna finalmente ilegal a posse de ursos por particulares e determina que os cerca de 1200 atualmente em cativeiro por todo o país terão de ser transferidos para santuários.

“Fundamentalmente, o governo concordou em preencher a lacuna que tem permitido à exploração de bílis persistir na última década”, disse o diretor da Animals Asia no Vietname, Tuan Bendixsen. “Concordaram que não podem existir ursos em explorações, porque enquanto houver, vai-lhes ser extraída bílis.”

Em 2015, a Animals Asia já tinha alcançado outra vitória na sua campanha, quando conseguiu que a Associação Vietnamita de Medicina Tradicional assinasse um acordo no qual se comprometia a acabar com a prescrição da bílis de urso até 2020.

O que há numa quinta de ursos do Vietname?



A bílis de urso tem sido usada, ao longo de milhares de anos, por vários países asiáticos, para o fabrico de medicamentos para doenças de fígado e da vesícula biliar. Hoje em dia, contudo, já existem alternativas sintéticas ou à base de plantas ao ácido ursodesoxicólico, o princípio farmacologicamente ativo presente na bílis de urso.

Embora a exploração da bílis de urso esteja proibida no Vietname, os ursos continuam a ser capturados e enjaulados em explorações ilegais no país, para que lhes seja retirada bílis. O processo de extração envolve cirurgias invasivas e dolorosas – o líquido é extraído através de um buraco feito na vesícula biliar do animal ou de um cateter.

O site Vice descreveu, num artigo, uma visita a uma destas quintas no norte do Vietname, onde encontrou “ursos sentados, curvados, em jaulas exíguas e enferrujadas, ofegando devido ao calor e à humidade. Os seus excrementos acumulavam-se em montes debaixo de cada uma das suas jaulas. Os ursos eram magros e, a alguns, faltavam tufos de pelo.”

Durante uma visita a uma das explorações do país, a Animals Asia verificou que 20% dos ursos estavam macilentos, muitos gravemente malnutridos, faltava a 20% um membro e 100% tinham lesões nas patas devido ao contacto com as grades.


Ursos numa quinta para extração de bílis no Vietname | Foto: Animals Asia

Efeito nas populações de ursos selvagens

Segundo um relatório de 2016 da organização TRAFFIC, as populações de ursos no sudeste asiático têm caído drasticamente.

“Desde que a exploração de bílis de urso se tornou uma prática comum na China e no Vietname nos anos 80, as populações selvagens destes animais têm sido dizimadas para satisfazer a procura criada pela indústria”, explica a Animals Asia.

“Este acordo mostra que o Vietname reconhece que a exploração de bílis de urso prejudica as populações selvagens. Ao assiná-lo, mostraram que estão empenhados na conservação dos restantes ursos selvagens do país e na proteção do património das gerações futuras”, declarou Tuan Bendixsen.


Ursos resgatados no santuário da Animals Asia | Foto: Animals Asia

Os obstáculos pela frente

A Animals Asia estimou que serão necessários até 17 milhões de euros para resgatar e construir santuários suficientes para todos os ursos. O financiamento trata-se, segundo as autoridades, do principal obstáculo para o resgate dos ursos e o encerramento do comércio.

“Deparamo-nos com dificuldades em encontrar financiamento para prevenir e travar a caça e resgatar os animais selvagens”, declarou Cao Chi Cong, diretor-adjunto da Administração Florestal.

Os especialistas também temem que o mercado de bílis seja, simplesmente, transferido para os países vizinhos, como o Laos e o Camboja.

“Isto, claro está, não termina o trabalho”, disse Jill Robinson, fundadora da Animals Asia. “Muito pelo contrário. Mas significa que trabalhamos juntos com um objetivo mútuo – acabar com a crueldade.”
Jovem Khulood de minissaia

Uma mulher publicou um vídeo de 6 segundos a passear num forte histórico, na Arábia Saudita, com o cabelo solto e com uma minissaia vestida.
A jovem modelo Khulood partilhou o vídeo na rede social Snapchat, que se tornou viral e iniciou um debate nas redes sociais, com pessoas a pedir a prisão da jovem por ir contra o código de vestuário da Arábia Saudita e outros a saudarem-na pela coragem por ir contra a norma do país.
O vídeo terá sido um protesto contra os códigos de vestuário da Arábia Saudita, depois de, recentemente, a ativista Loujain al-Hathloul ter sido presa por conduzir, algo que as mulheres não podem fazer neste país.

Depois do Comité para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício (a polícia religiosa da Arábia Saudita) ter avisado que estava a acompanhar o caso "da rapariga em trajes indecentes" e que iria tomar as "medidas necessárias", a jovem foi presa e interrogada.
Entretanto, Khulood já foi libertada.

“Se fosse estrangeira estariam a cantar sobre a beleza da sua cintura e o encanto dos seus olhos… Mas como é saudita, estão a pedir que seja presa”, pode ler-se num tweet.

Cotonetes com hastes de papel

Cotonetes bio com hastes de papel da Douce Nature (200 unidades)


O melhor:
Ter hastes em papel;
O algodão ser biológico, certificado pela ECOCERT;
Uma boa alternativa às cotonetes com hastes de plástico;
Embalagem em cartão reciclado.

O pior:
Preço ser mais elevado do que as que existem à venda com hastes de plástico.


Preço: 2,60€ (Celeiro)
Elefante africano

Sem as ameaças causadas pelos seres humanos, particularmente a caça furtiva, existiriam muitos mais elefantes nas savanas africanas. Um novo estudo da Universidade de Pretoria estimou o número destes animais que poderiam existir em 73 áreas protegidas de 21 países africanos, se os fatores ambientais, e não a intervenção humana, controlassem a dimensão das suas populações.

Segundo o trabalho, faltam às áreas protegidas de África 75% dos elefantes que nelas deveriam existir, o que equivale a cerca de 730 000 animais. O estudo revelou ainda que um terço destas áreas protegidas não tem sequer 5% dos elefantes que deveriam existir nelas.

“O estudo (…) levou 10 anos a completar e é o melhor indicador até agora do verdadeiro impacto que a caça furtiva está a ter nas populações de elefantes de África e como estas poderiam prosperar se não fossem afetadas pela interferência humana”, disse Joseph Okori, da organização IFAW, que ajudou a financiar o trabalho de investigação.

Com o novo estudo, os conservacionistas sabem, pela primeira vez, quais são os lugares aos quais deve ser dada prioridade na conservação de elefantes. “No passado, tivemos estimativas relativamente boas do número de elefantes que existem e de quantos são vítimas da caça furtiva. Mas agora determinámos quantos elefantes deveria haver, em primeiro lugar”, declarou Ashley Robson, autora do estudo.

“Pela primeira vez, temos metas de conservação positivas. Podemos canalizar o financiamento e esforços para onde são mais necessários.”

Elefantes africanos

“Ainda que a magnitude da perda causada pela caça furtiva seja devastadora – faltam 730 000 elefantes nas 73 áreas protegidas avaliadas –, não vejo o nosso trabalho como mais uma perspetiva negativa e pessimista. Pelo contrário, proporcionamos, aos conservacionistas de elefantes, objetivos significativos em termos ecológicos. É um avanço positivo para os elefantes”, defendeu Ashley Robson.

“Se se tentar estabelecer uma relação entre a atual densidade de elefantes nas áreas protegidas de África e a disponibilidade local de vegetação e água, falhar-se-á. Desde a era colonial até hoje, os humanos afetaram de forma tão generalizada as populações que poucas, se é que algumas, alcançaram uma dimensão onde o limite dos recursos se impõe naturalmente para parar o crescimento”, disse a investigadora.



A equipa de investigação analisou dados de censos dos últimos 25 anos para descobrir as populações que têm estado relativamente estáveis. De seguida, mediram a vegetação e água de cada local com tecnologias de teledeteção para quantificar os recursos mais importantes para os elefantes. Por fim, adicionaram ao seu modelo um índice de caça furtiva.

“Os elefantes prosperam numa enorme variedade de condições – de desertos a florestas exuberantes – por isso a sua densidade varia de acordo com os recursos locais. Não existe uma densidade ideal. Os ecologistas sabem disto há muito tempo, mas nunca foi quantificado até agora”, explicou Rudi van Aarde, supervisor do projeto.

“O comércio de marfim (...) e a caça furtiva influenciaram os elefantes de todo o continente e esconderam a relação entre a dimensão populacional e as condições ambientais”, disse o investigador. “Mas nós tivemos em consideração o impacto da caça furtiva nos nossos modelos para predizer ‘valores ecológicos de referência’ – a dimensão que as populações atingiriam se os fatores ambientais, e não a intervenção humana, controlassem o crescimento populacional.”



“[Este trabalho não é realizado] apenas em nome dos elefantes; os elefantes têm um papel fundamental na modelação das savanas, que em África cobrem tanta terra quanto o território continental dos EUA e a Europa juntos. A perda dos elefantes é prejudicial para as nossas savanas e para as espécies que dependem delas”, afirmou Ashley Robson.

“Embora as metas de conservação sejam um avanço positivo, o nosso estudo é uma chamada de atenção”, declarou a investigadora.

Costumamos pensar que as áreas protegidas são refúgios onde a vida selvagem prospera sem a interferência humana. Mas quando se trata dos elefantes, as áreas protegidas estão a falhar. Se as populações de elefantes estão tão fortemente reduzidas, mesmo quando protegidas, o que dizer das populações em 70% do território dos elefantes que estão fora dos limites dos parques naturais?”, indagou Morgan Trimble, que integrou a equipa de investigação.

"O facto de os elefantes não estarem em boa situação, mesmo quando protegidos, significa que precisamos de agir”, frisou Ashley Robson.
Cobra

Foi aprovada, no dia 19 de julho, no Parlamento a proposta de lei do PAN que regula o comércio de animais de companhia em estabelecimentos comerciais e através da internet e proíbe a venda online de animais selvagens. O projeto de lei foi aprovado com os votos a favor de PS, BE, PCP, PEV, PSD e PAN, e com a abstenção do CDS.

Esta lei traz várias alterações:
  • A criação de um registo de criadores;
  • Os animais selvagens deixam de poder ser comercializados através da internet;
  • Os estabelecimentos comerciais estão impedidos de expor os animais em montras ou vitrinas, deixando de apelar à compra;
  • Os anúncios de venda de animais de companhia passam a estar sujeitos a requisitos extremamente apertados;
  • Haverá coimas mais duras para o incumprimento da legislação.


Uma equipa de investigadores dos Países Baixos monitorizou os movimentos das aves selvagens durante as celebrações de Ano Novo de três anos consecutivos, utilizando um radar meteorológico.

Os dados que obtiveram revelaram que, a partir da meia-noite, altura em que começaram os espetáculos de fogo de artifício, havia uma “explosão” de dezenas de milhares de aves em voo. As aves em pânico atingiram altitudes de 500 metros, voando em grandes bandos durante cerca de 45 minutos.

Quais podem ser as consequências?

O facto de muitas espécies de aves não serem dotadas de uma boa visão noturna significa que, à semelhança de uma multidão a tentar escapar de um lugar escuro, as aves selvagens em pânico podem chocar umas contra as outras, contra edifícios, linhas de alta tensão, automóveis, postes ou árvores, especialmente em noites nubladas ou sem luar.

Estas colisões podem provocar lesões graves aos animais e chegar a ser fatais. Por exemplo, na véspera de Ano Novo de 2010, em Beebe, no Arkansas, os fogos de artifício terão causado a morte de cerca de 5000 aves.


Um dos milhares de tordos-sargentos que apareceram mortos na passagem de ano no Arkansas | Foto: Reuters

Nos Países Baixos, os cidadãos podem detonar os seus próprios fogos de artifício na véspera do Ano Novo, durante um período de quatro horas – entre as 22:00 de 31 de dezembro e as 02:00 de 1 de janeiro –, embora a maioria seja detonada nos primeiros 30 minutos a seguir à meia-noite. Esta é uma prática que os holandeses adotaram com entusiasmo por todo o país.

Vários estudos têm demonstrado que o ruído antropogénico já invadiu até as áreas naturais protegidas e que os animais terrestres e marinhos reagem com medo a uma série de distúrbios causados pelos seres humanos, incluindo o ruído, os drones, os barcos, a caça ou a mera presença humana. No entanto, ainda se sabe pouco sobre o modo como os animais reagem ao fogo de artifício.

Quantas aves há no ar no Ano Novo?

Para descobrir onde e quando a exibição de fogos de artifício em grande escala afetava as aves selvagens, os investigadores da Universidade de Amesterdão e da Real Força Aérea da Holanda utilizaram um radar meteorológico – que consegue detetar pássaros em voo – durante as celebrações de Ano Novo de 2008 a 2010.

O radar monitorizou os ecos criados pelas aves em voo a intervalos de cinco minutos, em diversas faixas de altitude, num raio de 25 km.

Os investigadores verificaram que não havia muitas aves no ar imediatamente antes da meia-noite do Ano Novo, algo que mudou drasticamente a partir da 00:05, quando se começaram a detonar os fogos de artifício por todo o país. Nessa altura, o radar detectou movimentos em grande escala das aves selvagens.


Figura: Série temporal dos movimentos de pássaros sobre Loosdrechtse Plassen.
(a) 2007/2008, (b) 2008/2009, and (c) 2009/2010.

As aves em voo elevaram-se a altitudes de 500 metros ou mais, descendo depois lentamente. “Estas altitudes excedem em muito as que estas aves atingiriam normalmente, durante voos locais e são, de facto, comparáveis às altitudes de voo medidas durante a migração”, disse Judy Shamoun-Baranes, autora do estudo e professora da Universidade de Amesterdão.

A maior densidade de aves a voar foi registada sobre lagos, zonas húmidas e várzeas, muitos dos quais fazem parte da rede Natura 2000, sendo locais protegidos de nidificação, repouso e invernada de espécies raras e ameaçadas, conta a Forbes. A equipa estimou que a maior densidade de aves no ar ao mesmo tempo pode ter chegado a 1000 aves/km2.

Os investigadores presumiram, com base em censos anuais de animais na região, que a maioria das aves presentes durante este período de tempo eram aves aquáticas – na sua maioria patos e gansos.

“Estima-se que centenas de milhares de aves tenham levantado voo, só num raio de 40 quilómetros de onde o radar se encontrava a tirar medidas”, declarou Judy Shamoun-Baranes. “Se tivermos todo o país em consideração, utilizando esta estatística, milhões de aves podem ser afetadas."



"Estes valores são bastante assombrosos, especialmente quando se considera que as aves ficam perturbadas e abandonam as áreas que estão, de outro modo, designadas para a conservação das espécies, especialmente durante o Inverno e a estação de migração”, disse a investigadora.

Como é um país densamente povoado, as áreas de conservação de vida selvagem costumam estar localizadas perto de zonas habitadas.

“As observações nos Países Baixos são talvez extremas devido às elevadas concentrações de aves que se encontram em corpos de água no Inverno e à sua proximidade das atividades humanas.”

No entanto, com a urbanização, o crescimento populacional e a expansão da agricultura, os animais selvagens estão a ficar limitados a áreas cada vez menores e mais próximas dos seres humanos, um pouco por todo o mundo.

“Este fenómeno também foi observado na Bélgica, por isso o problema não está, claramente, restrito à área onde este estudo foi realizado”, explicou a autora do trabalho de investigação, que foi publicado na revista científica Behavioral Ecology.
Douro

A REN (Redes Energéticas Nacionais) quer construir um gasoduto ao longo da região do Alto Douro Vinhateiro, Património Mundial da UNESCO, que atravessará os municípios de Celorico da Beira, Vilar de Frades e Bragança. O objetivo do gasoduto é ligar a rede nacional de gás à rede espanhola.

O ICOMOS-Portugal, que representa o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, criticou este plano e recordou que o governo, tal como aconteceu com a barragem do Vale do Tua, não consultou a UNESCO.

O ministro do Ambiente assegurou que o projeto está a ser "avaliado pela Agência Portuguesa do Ambiente" e que vai ser "alvo da decisão de técnicos".

A obra prevê a construção de um canal para instalar tubos com 70 cm de diâmetro e a definição de corredores de servidão com 20 m de largura, numa extensão próxima dos 160 km, o que implicará danos na paisagem.

Foto: Aires Almeida


Apesar de a "Antártida ser considerada uma região selvagem extremamente isolada e intocada”, o plástico já invadiu as águas que a rodeiam. Cientistas britânicos descobriram que os níveis de microplásticos a acumularem-se no Antártico são "muito piores" – cinco vezes mais elevados – do que se esperava.

Os microplásticos são partículas com menos de 5 mm de diâmetro, que estão presentes em alguns produtos do dia-a-dia, como pasta-de-dentes, champô, gel de banho e detergentes, ou que se libertam dos pneus e das roupas de tecidos sintéticos. De cada vez que é lavado, um casaco polar liberta milhares de fibras de plástico.

Estes pequenos fragmentos vão parar ao mar através das águas residuais e da degradação de detritos de plástico maiores e já foram descobertos tanto na superfície do mar, como no oceano profundo e nos sedimentos do fundo do mar.

Como os níveis de microplásticos registados no Antártico são mais elevados do que os que a equipa esperava encontrar com origem local, ou seja, provenientes de navios e estações de investigação, os investigadores admitem a possibilidade de o plástico proveniente de outras regiões estar a atravessar a Corrente Circumpolar Antártica, historicamente considerada quase impenetrável.


Microfibras de plástico encontradas no oceano Antártico | Fotos: Catherine Waller e Claire Waluda

O oceano Antártico ou Austral representa 5,4% dos oceanos do mundo. Para além das ameaças que a pesca, poluição e introdução de espécies não indígenas representam para a região, os cientistas temem os efeitos que a poluição de resíduos plásticos pode ter no ecossistema, sendo que os animais marinhos podem ficar presos nos detritos ou ingeri-los.

“O ecossistema é muito frágil, com as baleias, focas e pinguins a consumir krill e outros tipos de zooplâncton como um elemento essencial da sua dieta”, explicou Catherine Waller, autora do estudo e especialista em ecologia e biologia marinha da Universidade de Hull.

Em março, um cientista filmou o momento em que uma microfibra de plástico é ingerida por plâncton. Segundo ele, a presença de plástico no fundo da cadeia alimentar poderá afetá-la “até ao topo”.

“Temos monitorizado a presença de detritos grandes de plástico na Antártida ao longo de mais de 30 anos. Embora saibamos que as peças maiores de plástico podem ser ingeridas por aves marinhas ou causar o enredamento das focas, os efeitos dos microplásticos nos animais marinhos no oceano Antártico ainda são desconhecidos, disse Claire Waluda, coautora do estudo e bióloga do British Antarctic Survey.



Mais de metade das estações de investigação na Antártida não possui sistemas de tratamento de águas residuais, revelou o trabalho de investigação, que foi publicado na revista científica Science of the Total Environment.

Estima-se que até 500 kg de microplásticos dos produtos de cuidado pessoal e até 25,5 mil milhões de fibras sintéticas da roupa entrem no oceano Austral por década, devido às atividades turísticas, de pesca e de investigação científica. Embora isto seja insignificante à escala do oceano, os investigadores afirmam que pode ser significativo a uma escala local.

“A nossa compreensão das fontes e destino dos plásticos nestas águas é, quanto muito, limitada”, disse Huw Griffiths, coautor do estudo e biogeógrafo marinho do British Antarctic Survey.

“Este trabalho representa um excelente passo em direção ao reconhecimento da presença de microplásticos na Antártida e permite-nos reivindicar esforços internacionais de monitorização da situação enquanto esta ainda está nas suas fases iniciais”, afirmou Claire Waluda.