O Estudo Nacional sobre a Violência no Namoro em contexto universitário mostrou que mais de metade dos inquiridos (de 1800 jovens universitários) foi vítima de violência no namoro e 37% admitem já tê-la praticado.

“Estamos a falar de 56,5% destes e destas jovens que foram expostos a pelo menos uma forma de violência”, alerta a investigadora Sofia Neves. “Há aqui um desconhecimento muito grande do que leva a que as vítimas permaneçam nas relações”, lamenta.

A Associação Plano i, também responsável pelo Observatório da Violência no Namoro, recebeu 128 denúncias — 77 vítimas e 51 testemunhas (colegas, amigos, psicólogos) — desde abril de 2017 até janeiro deste ano. Em 92% dos casos as vítimas são do sexo feminino, e em 94% das denúncias os agressores são do sexo masculino.

Mais de metade dos casos reportou violência física, um terço violência social, 27,3% stalking e 17,2% violência sexual. Em 10,9% das situações, as vítimas foram ameaçadas de morte por namorados ou ex-namorados. A forma mais frequente de violência no namoro é a violência psicológica — presente em 90,6% dos casos.
A maioria das denúncias (60,9%) falam de agressões que ocorreram mais do que uma vez, e em um terço dos casos a violência é perpetrada frequentemente.
Ciúmes, foi o motivo mais citado pelas vítimas, em dois terços das situações, os problemas mentais dos agressores (em 35,1%) e o consumo de álcool (em 29,6%).
Uma bofetada, um empurrão, um puxão de cabelos nem sempre são vistos pelas vítimas como comportamentos de violência”, conta a investigadora.

“Há uma resistência muito grande em pedir ajuda, o que faz com que elas lidem sozinhas com a sua própria situação”, explica Sofia Neves. Existe, por um lado, um receio de uma escalada de violência e por outro, uma descrença no sistema e na sua eficácia. Nos casos reportados ao Observatório, em 11,7% foi apresentada queixa às autoridades e em apenas 5,5% das situações foi aplicada uma medida ao agressor.


Garrafa de vidro (300 ml) da Flying Tiger Copenhagen

O melhor:
  • Uma alternativa ao plástico
  • Existe em quatro cores diferentes (salmão, azul, verde e rosa)
  • A água não fica com sabor a plástico como nas garrafas de plástico
  • Muito prática
  • Bom preço.
O pior:
  • Bastante mais pesada do que uma garrafa de plástico (200g vs 15g)
  • É preciso ter-se cuidado quando se poisa o saco que a contém para não se partir.

Preço: 3€ (Flying Tiger Copenhagen)



Sabia que a maioria do glitter e da purpurina à venda é feita de plástico?
Depois das festas, quando toma banho ou lava a cara para retirar o glitter, os microplásticos vão parar diretamente ao oceano pois são demasiadamente pequenos para serem filtrados pelas ETAR. Os microplásticos são uma ameaça para a vida marinha, não se decompõem e são praticamente impossíveis de ser retirados do oceano.

Em alternativa aos microplásticos, as marcas podem usar mica natural ou mica sintética (synthetic fluorphlogopite), sintetizada em laboratório. Relativamente à mica natural, é preciso lembrar que é um ingrediente que está muitas vezes ligado ao trabalho infantil na Índia.

Faça questão de que todo o brilho que descer pelo ralo da sua casa e for parar ao oceano seja inofensivo para os animais marinhos!


Glitter Glitter



Marca de glitter biodegradável, vegan e artesanal. As embalagens são feitas de plástico reciclado ou vidro. Se devolver 5 embalagens vazias, recebe um produto novo em troca.

Glitra



Purpurina biodegradável à base de celulose de eucalipto, vegan e disponível em 4 cores: turquesa, rosa, ouro e prateado.

Pura bioglitter



Glitter feito à base de algas e minerais, biodegradável e vegan. Como o processo é artesanal, cada lote tem tons únicos.

Shock


Glitter gel, dourado ou prateado com FPS 25. É vegan, hipoalergénico e sai facilmente com água.

Glitter ecológico



Glitter ecológico feito à base de ingredientes naturais. Fácil de aplicar e de remover.

Lá do Mato



São feitos com gomas vegetais provenientes de algas e milho. O verde é obtido da alga spirulina, o amarelo da curcuma, o vermelho e laranja do urucum, o preto do carvão e o roxo da beterraba.

Brilhow



Glitter biodegradável artesanal, feito por duas biólogas marinhas. Existem duas opções: o “escaminha” feito de agar-agar, corantes alimentares e minerais, e um pó mais fino, que é feito de minerais e farinha de arroz.

Cintia Naomi Atelier



Purpurina de algas marinhas e mica, vegan, biodegradável e zero waste.

Com Amor Florinda



Glitter ecológico feito de mica apanhada à mão no Espírito Santo.

Zim Color



De forma a preservar o ambiente sem deixar a diversão e o brilho de lado, a Zim Color lançou o Pó de Estrela: um ecoglitter à base de mica. É lavável, não tóxico, e totalmente livre de plásticos. A mica usada no Pó de Estrela vem de fornecedores internacionalmente certificados.


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Há crianças com apenas 12 anos a trabalhar sob condições perigosas, no Paquistão, para fazer as ferramentas cirúrgicas usadas nos consultórios e salas de operações um pouco por todo o mundo.

Dentro de pequenas oficinas, as crianças cortam, perfuram e transformam peças de aço em instrumentos cirúrgicos para exportação. Por este trabalho, recebem 0,80€ por dia.

Embora estejam expostas constantemente a poeiras de metais e ao ruído ensurdecedor das máquinas que trabalham o metal, não utilizam óculos de proteção, máscaras ou equipamentos para proteção auditiva.

Os instrumentos cirúrgicos representam 10% das exportações totais do Paquistão e 99% da produção destas ferramentas está centrada em Sialkot, Punjab, onde têm sido sinalizados casos de trabalho infantil em várias oficinas.

Zain, de 12 anos, começou a trabalhar numa das oficinas de Sialkot há oito meses, depois da morte do seu pai. Ele trabalha oito horas por dia, seis dias por semana e recebe 20€ por mês. “Eu sei que é um trabalho perigoso, mas tenho de pagar algumas dívidas e ajudar a minha família”, contou ao jornal britânico The Guardian.

Em alturas mais atarefadas, Zain chega a trabalhar 12 horas por dia. À noite, muitas destas crianças sofrem de tosse seca, asma e outros problemas respiratórios.

Aos 12 anos, Azwar também começou a trabalhar numa pequena oficina. “Tenho de ajudar os meus pais e irmãos a pagar as contas”, disse.



Pelo menos três das empresas que exportam ferramentas cirúrgicas para o Reino Unido afirmaram comprá-las a estas oficinas. Esta revelação suscitou preocupações de que os instrumentos usados rotineiramente pelo serviço nacional de saúde do país pudessem ter sido fabricados com recurso a trabalho infantil.

Entre 80 e 90% dos instrumentos cirúrgicos do Reino Unido são fabricados no Paquistão. O país é ainda o terceiro maior comprador destes produtos paquistaneses.

“Sabemos que muitas [das ferramentas cirúrgicas] vieram do Paquistão. Ficaria surpreendido se pelo menos alguns dos instrumentos usados no Serviço Nacional de Saúde não fossem feitos nessas pequenas oficinas”, confessou o cirurgião Mahmood Bhutta, fundador do Grupo Médico de Comércio Equitativo e Ético da Associação Médica Britânica, instituição que investigou este problema pela primeira vez em 2008.

Embora as condições e os salários tenham melhorado nalgumas das fábricas de maiores dimensões desde essa investigação inicial, o cirurgião acredita que ainda há sérios motivos para preocupação.



“Os orçamentos do Serviço Nacional de Saúde são limitados. Mas as poupanças não devem fazer-se às custas dos direitos humanos”, defendeu Cindy Berman, da Iniciativa de Comércio Ético.

“Sabemos que existe trabalho infantil no setor de instrumentos cirúrgicos do Paquistão, frequentemente nas etapas iniciais da produção, e é provável que alguns destes instrumentos acabem por vir parar cá”, disse.

Cindy Berman acrescenta ainda que o trabalho infantil floresce quando os trabalhadores adultos não conseguem alimentar, alojar e vestir as suas famílias e é por isso que órgãos públicos como o serviço nacional de saúde precisam de garantir que estão a pagar preços justos e a adquirir os produtos a fornecedores éticos.

O trabalho infantil é “comum num país onde a pobreza é endémica, o nível de cumprimento das leis laborais é baixo, os sindicatos escassos e as margens de lucro baixas”, escreveu o The Guardian. Embora o país não tenha realizado uma sondagem oficial desde 1996, estima-se que haja entre 5,7 e 12,5 milhões de menores a trabalhar no Paquistão.

Em Punjab, onde estão localizadas as oficinas, é proibido aos menores de 18 anos trabalharem em “indústrias perigosas” e aos menores de 14 anos exercerem qualquer trabalho.
1ª foto: Laura Salvinelli


Os combustíveis para os navios vão ficar mais limpos em 2020, altura em que uma norma da Organização Marítima Internacional vai exigir uma redução de cerca de 80-86% no teor de enxofre destes combustíveis.

Esta medida é a melhoria mais significativa nas normas internacionais referentes aos combustíveis para a indústria naval em 100 anos e trará com ela benefícios para a saúde igualmente relevantes à escala global.

Segundo um novo estudo, a adoção de combustíveis navais menos poluentes vai resultar numa redução de 3,6% nos casos de asma infantil no mundo.

A equipa de investigadores estudou os impactos das emissões de enxofre dos navios com os atuais combustíveis marítimos, que contribuem para a poluição atmosférica sob a forma de dióxido de enxofre e de partículas, que prejudicam a saúde humana e o ambiente.

Estima-se que aproximadamente 14 milhões de casos anuais de asma infantil estejam relacionados com a poluição gerada pelos navios. Os investigadores calcularam que a mudança para combustíveis mais limpos reduzirá em metade estes casos.

Para além da asma em crianças, também se estima que a poluição gerada pelos navios contribua para 400 mil mortes prematuras por cancro do pulmão e doenças cardiovasculares, anualmente. A redução das emissões de enxofre dos navios também evitará cerca de um terço destas mortes.



“As nossas descobertas mostram que estas normas são benéficas, mas também que ainda se podem alcançar mais benefícios para a saúde com navios menos poluentes”, disse James Winebrake, professor e diretor do Instituto de Tecnologia de Rochester, em Nova Iorque. Apesar da redução do teor de enxofre, os combustíveis navais vão continuar a contribuir para aproximadamente 250 000 mortes prematuras e 6,4 milhões de casos de asma infantil por ano.

Com a nova norma, o teor de enxofre permitido nos combustíveis para os navios diminuirá de 3,5% para 0,5%, uma redução de 35 000 partes por milhão (ppm) para 5000 ppm.

As indústrias de refinação investirão na tecnologia necessária para produzir estes combustíveis menos poluentes e o sector marítimo investirá na adaptação dos sistemas de motores para os utilizar. Estes custos serão suportados pelos consumidores, nos preços dos produtos que compram. James Corbett, professor de política e ciência marinha e autor do estudo, acredita que os benefícios para a saúde justificam o investimento.

“Estes combustíveis navais mais limpos vão ajudar as pessoas que não têm um papel económico nesta atividade e que, mesmo assim, sofrem com os efeitos da poluição gerada por ela, algumas das quais vivem em locais que nem sequer estão envolvidos no comércio, para além de ajudarem as comunidades localizadas junto a grandes vias de navegação”, declarou o professor.

O estudo foi publicado na revista científica Nature Communications.


Os microplásticos nos oceanos são uma “grande ameaça” para as baleias, alguns tubarões e outros animais filtradores como as raias, concluiu um novo estudo publicado na revista científica Trends in Ecology & Evolution.

Espécies marinhas como a baleia-comum, o tubarão-frade e o tubarão-baleia filtram a água do mar para capturar o plâncton e os pequenos peixes de que se alimentam. Alguns destes animais engolem centenas ou mesmo milhares de metros cúbicos de água diariamente para se alimentarem. No processo, também estão a ingerir os microplásticos presentes no mar.

Os investigadores acreditam que estas partículas indigeríveis podem bloquear a absorção de nutrientes, causar danos nos aparelhos digestivos dos animais e outros problemas decorrentes da exposição às toxinas associadas aos plásticos.

“Os nossos estudos sobre os tubarões-baleia no Mar de Cortez e as baleias-comuns no Mar Mediterrâneo confirmaram a exposição a químicos tóxicos, o que indica que estes animais estão a ingerir microplásticos nos seus locais de alimentação", declarou Maria Cristina Fossi, professora da Universidade de Siena e coautora do estudo.

“A exposição às toxinas associadas ao plástico representa uma grande ameaça para a saúde destes animais, uma vez que pode alterar as hormonas que regulam o crescimento e desenvolvimento do corpo, assim como o metabolismo e as funções reprodutoras”, explicou a professora.

Os investigadores estimam que as baleias-comuns no Mar Mediterrâneo estejam a engolir milhares de microplásticos por dia e que, na península da Baixa Califórnia, os tubarões-baleia ingiram 171 peças de plástico diariamente.


Foto: Tubarão-baleia

Os microplásticos são partículas de plástico com menos de 5 mm de diâmetro, que vão parar ao mar através, por exemplo, da lavagem de roupa de fibras sintéticas, da utilização de produtos com micropartículas de plástico, como alguns cosméticos, e da fragmentação de detritos de plástico de maior dimensão.

Muitas espécies de baleias, tubarões e raias já se encontram, atualmente, em risco de extinção, devido a ameaças como a sobrepesca e a poluição. Os autores do estudo temem que o impacto dos microplásticos os coloque ainda mais perto da extinção.

“Apesar de haver cada vez mais trabalhos de investigação sobre os microplásticos no ambiente marinho, apenas alguns estudos examinam os efeitos nos grandes animais filtradores. Ainda estamos a tentar compreender a magnitude do problema. Tornou-se claro, no entanto, que a contaminação por microplásticos tem o potencial de reduzir ainda mais os números das populações destas espécies, muitas das quais vivem muitos anos e têm poucas crias durante as suas vidas”, disse Elitza Germanov, coautora do estudo.

Os cientistas salientam a necessidade de se realizarem mais estudos para se compreenderem melhor os efeitos dos microplásticos nos gigantes dos oceanos e explicam que estes animais filtradores estão particularmente em risco de exposição por viverem em águas muito poluídas, como o Golfo do México, a região do Triângulo de Coral, o Golfo de Bengala e o Mar Mediterrâneo.
1ª foto: Elitza Germanov / Marine Megafauna Foundation


A partir do dia 1 de julho de 2018, as empresas estarão proibidas de oferecer sacos de plástico aos clientes na cidade de Victoria, no Canadá. Mediante solicitação, os estabelecimentos comerciais poderão vender sacos de papel ou sacos reutilizáveis aos seus clientes.

Segundo dados municipais, os habitantes da cidade de Victoria utilizam, todos os anos, 17 mil milhões de sacos, que perfazem 15% dos resíduos dos aterros.

Os sacos de plástico têm impactos negativos na vida marinha e no ambiente e são feitos com recurso a combustíveis fósseis não renováveis”, lê-se no site oficial da cidade canadiana.

Muitos animais tentam comer os sacos que poluem o oceano e as praias, por os confundirem com comida. Outros ficam presos neles, o que lhes pode causar ferimentos ou fazê-los asfixiar.

Segundo a Sociedade de Conservação Marinha do Reino Unido, os animais que comem sacos de plástico sentem uma “falsa sensação de saciedade”, uma vez que estes detritos podem ficar presos nos seus aparelhos digestivos e, consequentemente, levar a infeções, problemas nos intestinos, perda de peso e morte.


Vídeo: Gaivota ingere saco de plástico

A nova proibição prevê exceções, como os sacos usados para colocar produtos a granel, medicamentos ou para a roupa nas lavandarias. Em 2019, as empresas que não estiverem em conformidade com a lei poderão ariscar-se a pagar multas que vão dos 65€ aos 6500€.

A cidade começou, em janeiro, a desenvolver programas de sensibilização para os resíduos plásticos, estando também a planear um concurso que procurará encontrar a “ideia mais criativa e irresistível” para inspirar as pessoas a fazer a transição para os sacos de compras reutilizáveis. O vencedor ganhará cerca de 1300€.

Várias outras cidades canadianas já proibiram os sacos descartáveis de plástico, entre as quais Montreal, Thompson, Deux-Montagnes e Brossard. Recentemente, o Quénia, o Chile e Goa também proibiram os sacos de plástico.



No dia 10 de fevereiro, vai decorrer a 27ª edição do Troca-te!, que conta este ano com uma troca de roupa e a exibição do documentário "Wasted Waste", na Associação Mais Cidadania, no Bairro Alto.

O Troca-te! é uma iniciativa social, que existe desde 2011 e que promove a ecologia e a economia da partilha através da realização de eventos de trocas, dedicados a várias áreas temáticas.

O objetivo é reforçar o sentido de comunidade, promovendo simultaneamente a sensibilização para questões que marcam o nosso tempo como a proteção ambiental, a poluição gerada pela produção excessiva de novos produtos ou o consumo exagerado. O Troca-te pretende ainda ser uma resposta alternativa para a aquisição de bens úteis.

Para participar poderá levar roupa de adulto e criança em bom estado, estado novo ou semi-novo e acessórios de moda, como, por exemplo, calçado, chapéus, cintos, malas e bijutaria.
Após a exibição do documentário "Wasted Waste" de Pedro Serra, vai decorrer um debate sobre a atual “cultura do desperdício”, que conta com a participação de alguns protagonistas do filme.

Os artigos que ficarem por trocar serão entregues ao Banco de Roupa do CEPAC - Centro Padre Alves Correia.

Local: Associação Mais Cidadania, Rua do Teixeira 13, Bairro Alto
Trocas (2º piso) - 15h-19h
Exibição e debate (1º piso) - 17h00-19h00
Veja mais aqui.




A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) condenou, em janeiro, cinco explorações suinícolas da Agropecuária Valinho ao pagamento de uma multa de 800 mil euros por realizarem descargas de resíduos para rios e ribeiras sem terem licença.

A APA decidiu ainda aplicar a duas destas explorações (uma em São Gregório, Caldas da Rainha, e a outra em Abrigada, Alenquer) a sanção acessória de encerramento por três anos.

O não-tratamento dos esgotos das suiniculturas não é um problema novo e desde há anos que a população local se tem vindo a queixar das descargas poluentes da Agropecuária Valinho na ribeira da Ota, que desagua no Tejo. Os habitantes desta zona chegaram a queixar-se de que havia restos de carcaças de suínos na ribeira, provenientes de uma das explorações da Agropecuária Valinho, situada a montante da ribeira da Ota.

A descarga de águas residuais industriais para rios ou ribeiras sem licença constitui uma contra-ordenação ambiental muito grave punida com uma coima mínima de 38.500€.


Vamos deixar às gerações futuras um legado de resíduos plásticos. Pode ser desconcertante, mas é verdade.

Os produtos de plástico que usamos, como as garrafas e as fraldas descartáveis, demoram mais de 400 anos a decompor-se, o que é cinco vezes superior à esperança média de vida de um português ou de um brasileiro.

“Estamos a produzir demasiado plástico, acreditando que ele é descartável, mas não é. É indestrutível”, disse Jo Ruxton, produtora do documentário “Oceanos de Plástico”.

Produzimos quase 20 mil garrafas de plástico por segundo. A produção deste material deverá duplicar nos próximos 20 anos e quadruplicar até 2050, estimou um relatório da Fundação Ellen MacArthur, que também avisou que até meio deste século haverá mais plástico do que peixes no mar (por peso).

Os resíduos plásticos que vão parar ao mar percorrem grandes distâncias, flutuando durante décadas e prejudicando os ecossistemas marinhos. O seu impacto no ambiente e na vida selvagem tem sido bem documentado: são responsáveis por estrangular leões-marinhos, asfixiar aves e encher os estômagos de golfinhos e baleias que acabam por morrer de fome.


Resíduos plásticos flutuam no mar das Caraíbas | Foto: Caroline Power

“[O plástico], ao envelhecer, torna-se quebradiço, e fragmenta-se, dando origem a pedaços minúsculos, os quais se misturam com o plâncton, que é o centro da cadeia alimentar marinha”, explicou Jo Ruxton.

Segundo estimativas das Nações Unidas, existirão 51 biliões de partículas de microplásticos nos mares e oceanos – 500 vezes o número estimado de estrelas na nossa galáxia. Quando estas partículas são ingeridas pelos peixes e outros animais marinhos, podem acabar por fazer o seu caminho, através da cadeia alimentar, até aos nossos pratos.

O plástico está em todo o lado

As imagens chocantes da “maré de lixo de plástico” que invadiu a costa de uma ilha paradisíaca das Caraíbas, assim como as de outros acontecimentos semelhantes, lembram-nos de que “a poluição dos plásticos está tão disseminada, que nenhum lugar – não importa quão remoto – está imune”, disse o cientista Alan Jamieson. Erik Solheim, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, chamou-lhe o “Armagedão dos oceanos”.


Foto: Jedimentat44/Flickr

Os plásticos também já são "ubíquos no ar que respiramos, na água da torneira, no peixe que comemos, na cerveja que bebemos, no sal que usamos – os plásticos estão simplesmente em todo o lado”, desabafou Sherri Mason, professora da Universidade Estadual de Nova Iorque em Fredonia.

A reciclagem não é a solução

Apenas 9% dos 6,3 mil milhões de toneladas de resíduos de plástico criados desde os anos 50 foram reciclados.

Embora a reciclagem ajude a reduzir a produção de novos plásticos, também não resolve o problema dos resíduos a longo prazo. Os plásticos só podem ser reciclados um número limitado de vezes e, no final do processo, continua a existir uma quantidade de material indesejado que demorará décadas a decompor-se.

Recentemente, a China, que processou metade dos plásticos reciclados no mundo em 2016, parou a importação de vários tipos de resíduos sólidos. Esta medida poderá significar que mais plástico – cerca de 540 mil toneladas só no Reino Unido – será enviado para aterros ou incinerado.

O ocidente terá de “aprender a tratar do seu próprio lixo”, disse, a este respeito, um jornal do Partido Comunista Chinês.


Sinais de mudança

No mundo, já há sinais de mudança. São cada vez mais os países, empresas e indivíduos a aperceberem-se do problema e a tomarem medidas para o enfrentar.

O Canadá, o Reino Unido, a Nova Zelândia e os EUA, por exemplo, proibiram as micropartículas de plástico em cosméticos e produtos de cuidado pessoal – uma fonte de poluição marinha facilmente evitável.

O Chile, Goa e o Quénia proibiram, recentemente, os sacos de plástico. A França proibiu os talheres, pratos e copos descartáveis de plástico, num decreto-lei que entrará em vigor a 1 de janeiro de 2020.

“Se queremos proteger os nossos oceanos, precisamos de pôr fim à era do plástico descartável. As empresas precisam de abandonar o plástico descartável, apostar nas embalagens reutilizáveis e garantir que o resto é feito de materiais 100% reciclados”, disse Louise Edge, da Greenpeace.

Algumas empresas também se têm comprometido a reduzir os resíduos plásticos. A “Pret a Manger”, uma cadeia de fast-food britânica, aumentou, em janeiro deste ano, o desconto que oferece aos clientes que levam copos reutilizáveis de 0,28€ para 0,56€. A Patagonia aliou-se a dois alemães para desenvolver um saco que captura 99% das fibras de plástico libertadas durante a lavagem de roupas sintéticas.


Foto: NOAA

O que podemos fazer?

Também se pode juntar a este movimento, mudando alguns dos seus hábitos de consumo.

1 Em primeiro lugar, evite os plásticos descartáveis, como as garrafas, palhas, talheres e pratos de plástico. Troque-os por artigos reutilizáveis.

2 Compre produtos com embalagens de cartão ou vidro ou que têm embalagens maiores, em vez dos que trazem muitos pacotes individuais.

3 Faça compras a granel ou avulso e leve os seus próprios sacos reutilizáveis. Pode pesar os legumes ou frutas em sacos de rede.

4 Opte por comprar sabonetes e “champôs sólidos” em vez de produtos líquidos de cuidado pessoal que vêm embalados em plástico.

5 Para as máquinas de lavar, compre detergentes com caixas de cartão em vez de cápsulas embaladas em plástico.

6 Preste atenção à forma como descarta o plástico que não consegue eliminar do seu dia-a-dia. Não deite cotonetes na sanita e recicle o plástico no contentor amarelo.

7 Pense duas vezes antes de comprar balões ou purpurina, cujos impactos na natureza são tudo menos festivos.

Lembre-se: reduza e recuse primeiro. A reciclagem deve ser encarada como uma última opção.

"[Quando se recicla] não se está a fazer algo de positivo pelo ambiente. Só se está a fazer algo que é menos mau”, disse Adam Minter, escritor e ativista. “Se queremos mesmo lidar com o problema dos resíduos que estamos a enfrentar, precisamos de pensar melhor sobre a natureza do próprio consumo.”

Para se dizer adeus ao plástico descartável, vai ser necessário o empenho dos governos, empresas e consumidores”, disse Louise Edge. “Quando decidimos reduzir a nossa pegada de plástico ao levar connosco um saco, garrafa ou copo reutilizáveis, não estamos apenas a reduzir o risco para a vida marinha, também estamos a transmitir aos comerciantes, fabricantes e, em última análise, ao governo a mensagem de que este problema é importante para nós.”