A associação ANIMAL vai entregar uma petição com 16 mil assinaturas, no primeiro trimestre de 2018, ao presidente da Assembleia da República a solicitar a proibição de animais nos circos.

A ANIMAL promoveu, ontem, no parlamento a audição pública "Por um Circo Mais Humano", com a presença dos deputados do PAN, Bloco de Esquerda, Partido Ecologista Os Verdes e PS, para sensibilizar a sociedade civil para o problema dos animais nos circos.
A petição pretende sensibilizar os grupos parlamentares a avançarem com projetos que impeçam a utilização de animais nos circos.
Até ao momento ainda não foi criado em Portugal um santuário ou rede de acolhimento para os animais dos circos.

Em países como a Itália, a Holanda, a Bélgica e a Áustria a legislação já proíbe a utilização de animais nos circos, assim como em Madrid.
Algumas salas de espetáculos como o Coliseu do Porto e de Lisboa passaram a acolher apenas espetáculos sem animais.
O PAN vai apresentar, no dia 21 de dezembro, um Projeto-Lei para abolir a utilização de animais nos circos.

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Vídeo chocante mostra vida de animais do circo quando não estão em digressão
O que acontece a um urso antes de aparecer no circo


O Museu de História Natural vai deixar de vender garrafas de água de plástico nas suas instalações em Londres e em Tring, para ajudar a “reduzir o dilúvio de plástico nos nossos oceanos”.

A instituição, que já tinha deixado de oferecer palhinhas de plástico nos seus cafés, irá promover o acesso dos visitantes a bebedouros e encorajar as pessoas a reutilizarem as suas garrafas e copos, em vez de comprarem produtos descartáveis.

A decisão do museu tem como pano de fundo a preocupação crescente dos cientistas e ambientalistas com o impacto dos resíduos plásticos nos oceanos.

Todos os anos, milhões de toneladas de plástico são despejadas no oceano e, a cada minuto, um milhão de garrafas de plástico são compradas no mundo – a maioria das quais acaba nos aterros ou no oceano.

“É vital que instituições científicas como o Museu assumam a liderança na luta para compreender e proteger o mundo natural”, disse Ian Owens, diretor de ciência do Museu. “A poluição de plástico está a ter um efeito devastador em muitas espécies marinhas e nos ecossistemas que sustentam a vida na Terra. Milhões de garrafas descartáveis de plástico são compradas todos os dias, só no Reino Unido, e milhares de milhões acabam no mar todos os anos.”

“Nós estamos a fazer a nossa parte para encorajar uma mudança coletiva de estilo de vida, que ajudará a reduzir o dilúvio de plástico nos nossos oceanos”, declarou.

Em 2014, um estudo realizado por cientistas do Museu de História Natural, em colaboração com a Universidade Royal Holloway de Londres, revelou a dimensão da poluição causada pelos plásticos no rio Tamisa e os níveis deste material nos estômagos dos peixes do rio.
Quinoa Portuguesa

A Quinoa Portuguesa é um produto de produção 100% portuguesa, fruto do investimento de três jovens empreendedores num projeto que promove um estilo de vida saudável e equilibrado.

O UniPlanet falou com Dora Vaz de Figueiredo para conhecer este projeto.


UniPlanet (UP): Como nasceu a Quinoa Portuguesa?

A ideia da Quinoa Portuguesa surgiu em 2013 quando a FAO elegeu esse ano como o Ano Internacional da Quinoa e um dos fundadores, o Dr. Carlos Conceição, se interessou por este superalimento questionando-se sobre a possibilidade de o cultivar em Portugal. A ele juntaram-se dois dos outros fundadores, Nuno Rodrigues e Filipe Figueiredo, juntos começaram a estudar de que forma a Quinoa poderia ser produzida em Portugal. O passo seguinte foi encontrar um fornecedor de sementes de Quinoa, em França e na Dinamarca encontrámos finalmente fornecedores que nos cederam algumas variedades e que testámos inicialmente na Covilhã. As variedades vingaram pelo que decidimos avançar para o nível seguinte e testar a Quinoa a uma escala maior. Neste ponto juntou-se o outro fundador, Filipe Carvalho, e fizemos várias tentativas de cultivar duas variedades de Quinoa em Barcelos, usando várias técnicas, em várias datas de sementeira. Finalmente em 2016 obtivemos uma colheita com interesse comercial e fundámos a Quinoa Portuguesa.


UP: Onde é cultivada?

A Quinoa Portuguesa é cultivada em Negreiros, freguesia de Barcelos.




UP: Como se cozinha a quinoa?

Lave sempre a Quinoa antes de cozinhar. A Quinoa contém saponinas, uma substância inofensiva que pode dar um travo amargo aos cozinhados. Coloque a Quinoa numa taça com água durante alguns minutos e, depois, passe por água corrente. Repita, se necessário, até a água ficar transparente. Para Cozinhar a Quinoa, deverá adicionar duas medidas de água a ferver para uma de Quinoa. Ou seja, se colocar uma chávena de Quinoa, deve adicionar duas chávenas de água. Depois é só deixar cozinhar durante 12 a 15 minutos ou até a água evaporar. Cuidado para não deixar a Quinoa cozinhar demasiado ou vai ficar com uma consistência mole e empapada. Preste atenção ao aspeto da Quinoa. Quando estiver transparente com umas linhas esbranquiçadas em torno do grão está cozida. Ainda assim, vá provando os grãos para garantir que obtém a consistência desejada. Depois de cozida, pode escorrer a Quinoa para retirar o excesso de água. E, se quiser “dar um toque mais pessoal”, durante a cozedura, tempere a gosto. Pode optar ainda por refogar ligeiramente a Quinoa (depois de cozida) com um pouco de azeite. Desta forma, não só ganha mais sabor como ainda obtém uma textura mais crocante.


UP: Que tipo de pratos podem ser feitos com quinoa?

A Quinoa é um alimento super versátil que pode ser adaptado para inúmeras receitas, dependendo apenas da imaginação do cozinheiro. No nosso site temos várias receitas com Quinoa.




UP: A Quinoa Portuguesa é biológica?

No que se refere à certificação biológica, a nossa Quinoa atualmente à venda não possui esta certificação. No entanto, podemos garantir que não foram utilizados quaisquer produtos fitofarmacêuticos (i.e. pesticidas) na produção desta cultura. Já realizámos análises que comprovam a inexistência de vestígios de mais de 250 pesticidas. A única razão pela qual a nossa Quinoa não foi certificada como agricultura biológica deve-se ao facto de termos utilizado um fertilizante de origem mineral e não de origem orgânica. Nas sementeiras deste ano, temos uma parcela em que estamos a realizar a certificação do modo de produção biológico e esperamos, no próximo ano, ter Quinoa biológica no mercado. Garantimos, assim, que não foram utilizados quaisquer tipos de pesticidas na cultura, inclusive realizámos análises ao grão para despistar qualquer resíduo de pesticidas. Realizámos também análises nutricionais, microbiológicas, glúten e a metais pesados por forma a garantir a segurança do produto.


UP: Quais foram as principais dificuldades que sentiram na produção de quinoa em Portugal?

As principais dificuldades prenderam-se com a falta de informação de como cultivar Quinoa em Portugal dado que, pelo que conseguimos saber, a Quinoa nunca tinha sido cultivada em Portugal com sucesso. As dificuldades incluíram a adaptação do equipamento agrícola disponível para a cultura da Quinoa, a definição da época de sementeira, o controlo de pragas com recurso a técnicas amigas do ambiente e do consumidor, a colheita, a limpeza do grão e também lidar com os imensos custos que tivemos até chegar aqui, não tendo qualquer tipo de apoio ou subsídio.



UP: Onde podemos comprar a Quinoa Portuguesa? Qual é o preço de cada embalagem?

A Quinoa Portuguesa está disponível em embalagens de 500g a um preço de 4,5€. Pode ser adquirida na Loja Online ou nos diversos pontos de venda físicos que já temos em Portugal e que podem ser consultados aqui.


UP: Onde podemos encontrar mais informação sobre a Quinoa Portuguesa?

Na nossa loja online, no Facebook e no Instagram.


A cada segundo, depositamos em aterros ou incineramos o equivalente a um camião de lixo cheio de têxteis. Menos de 1% do material usado para produzir vestuário é reciclado e transformado em roupas novas. Estas são algumas das conclusões de um novo relatório da Fundação Ellen MacArthur sobre o impacto e o futuro da moda.

“A indústria têxtil de hoje em dia está assente num modelo linear obsoleto de usa-faz-descarta e é extremamente esbanjadora e poluidora, declarou Ellen MacArthur, velejadora britânica e presidente da fundação com o seu nome, acrescentando que o novo relatório “apresenta uma visão ambiciosa de um novo sistema, com base nos princípios da economia circular, que oferece benefícios à economia, sociedade e ao ambiente”.

Desde o séc. XX, as roupas têm sido cada vez mais encaradas como produtos descartáveis e a indústria tornou-se altamente globalizada, o que significa que os artigos são frequentemente concebidos num país, fabricados noutro e comercializados em todo o mundo, a um ritmo cada vez mais acelerado.

Esta tendência acentuou-se ainda mais nos últimos 15 anos, com o aumento da procura por parte de uma classe média em crescimento e o surgimento da “fast fashion” (moda rápida), fenómenos que levaram à duplicação da produção durante este período de tempo.

Atualmente, o crescimento da produção está intrinsecamente associado ao declínio da utilização de cada artigo, o que leva a uma quantidade incrível de desperdício. Estima-se que mais de metade da produção da moda rápida seja descartada em menos de um ano e que o número médio de vezes que uma peça de roupa é usada tenha caído 36% nos últimos 15 anos.


Rio contaminado pelos resíduos industriais do sector têxtil | Foto: RiberBlue

Recursos, saúde e ambiente

“A indústria têxtil depende sobretudo de recursos não renováveis – 98 milhões de toneladas, no total, por ano –, incluindo petróleo para produzir fibras sintéticas, fertilizantes para cultivar algodão e químicos para produzir, tingir e finalizar fibras e têxteis, explica o relatório.

“A produção têxtil (incluindo a produção de algodão) também usa cerca de 93 mil milhões de metros cúbicos de água anualmente, contribuindo para problemas em regiões onde a água escasseia, escreveram os autores do trabalho. “Com os seus baixos níveis de utilização (…) e baixos níveis de reciclagem, o atual sistema linear e esbanjador é a principal causa desta pressão imensa e crescente nos recursos.”

A utilização de substâncias potencialmente perigosas na produção têxtil também tem um impacto sério na saúde dos agricultores e dos trabalhadores das fábricas, assim como no ambiente. É frequente os resíduos industriais e tintas usados pelo sector contaminarem os cursos de água.

As estimativas apontam para que, durante a lavagem, as nossas roupas libertem meio milhão de toneladas de microfibras de plástico para os oceanos, todos os anos. Estas fibras são ingeridas por peixes e outros animais marinhos e entram na cadeia alimentar, o que significa que podemos acabar por comer as nossas próprias roupas.

Os investigadores preveem que os impactos negativos da indústria têxtil aumentem drasticamente até 2050.



"Pelo futuro da moda e do planeta"

O relatório da Fundação Ellen MacArthur defende a necessidade de um novo modelo para o sector, assente nos princípios da economia circular, no qual as roupas, os tecidos e as fibras reentram na economia após a sua utilização e nunca acabam como desperdício. Para tal, o trabalho apela à tomada de quatro medidas:

  1. Suprimir gradualmente o uso de substâncias potencialmente perigosas e a libertação de microfibras.
  2. Aumentar a vida útil da roupa, por exemplo, através do apoio e promoção, por parte da indústria, de esquemas de aluguer de roupa a curto prazo.
  3. Melhorar radicalmente a reciclagem.
  4. Apostar na utilização de materiais renováveis.

“O relatório indica um caminho a seguir para criarmos melhores empresas e um melhor ambiente”, disse Stella McCartney, estilista que se uniu a esta causa. “Abre a discussão que nos permitirá encontrar uma forma de trabalharmos em conjunto a fim de melhorarmos a nossa indústria, para o futuro da moda e o futuro do planeta.”

O relatório foi apoiado publicamente por marcas como a H&M, a C&A e a Nike.


Vídeo: Entrevista com Ellen MacArthur e Stella McCartney
1ª foto: True Cost
Arroz doce

Com estas sete receitas, aprenda a fazer um delicioso arroz doce sem leite, ovos ou leite condensado.
Experimente!

Arroz doce vegan (com leite de amêndoa)



Arroz doce vegan (com leite de soja ou de amêndoa)



Arroz doce sem lactose



Arroz doce vegan na Bimby (com leite de coco)



Arroz doce (com leite de amêndoa)



Arroz doce integral sem açúcar e sem lactose (com leite de coco)

Arroz doce - versão vegan da receita portuguesa

Pinheirinho de Natal

A startup Rnters lançou um projeto que permite alugar-se um pinheiro verdadeiro e, ao mesmo tempo, ajudar os bombeiros.
A iniciativa com a hashtag #PinheiroBombeiro reaproveita árvores cujo corte é obrigatório para a limpeza de matas e prevenção de incêndios. Cada pinheiro tem uma altura de 1,80m e uma largura de 1m.

O processo é simples: basta ir a este site, escolher quantos pinheiros quer (alugar um pinheiro custa 20€), selecionar o método de pagamento e escolher o local de recolha (por exemplo, o Hub Criativo do Beato) e o dia (até 17 de dezembro).



Os pinheiros alugados podem ser devolvidos, entre os dias 6 e 12 de janeiro, no local onde foram recolhidos e serão posteriormente convertidos em biomassa.
“Quantos mais pinheiros forem devolvidos, mais fundos angariamos para os bombeiros”, informa a Rnters.
A iniciativa vai ajudar a equipar os bombeiros, uma vez que metade do valor do aluguer será entregue à Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários.



A mais recente atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica a coruja-das-neves como uma espécie ameaçada pela primeira vez.

A população destas aves – que é muito mais pequena do que se pensava – sofreu um declínio de 30-49% em três gerações e a espécie vê assim o seu estatuto alterado de “Pouco Preocupante” para “Vulnerável”.

“Esta icónica coruja das regiões árticas está a sofrer declínios populacionais rápidos na América do Norte e provavelmente também no norte da Europa e da Rússia”, explica a UICN, que aponta como algumas das possíveis causas a falta de presas, assim como as colisões com veículos e infraestruturas.

“Continua a existir alguma incerteza relativamente à taxa global de declínio e, caso se revele ainda mais elevada, a espécie poderá ser elegível para reclassificação como ‘Em Perigo’”, explica a organização.

As estimativas anteriores apontavam para uma população global de aproximadamente 200 mil indivíduos. Os dados mais recentes são bem inferiores, sugerindo a existência de apenas cerca de 14 mil casais ou até mesmo de apenas 7000-8000 casais.


Fotos: Coruja-das-neves, Bubo scandiacus (Tony Hisgett e David Hemmings Quebec)



Se rejeitássemos os sistemas de produção pecuária intensiva, que estão a colocar em risco a biodiversidade e a vida selvagem em várias regiões do planeta, teríamos capacidade para alimentar mais 4 mil milhões de pessoas por ano, defendeu Philip Lymbery, ativista da campanha global Stop the Machine.

Segundo Lymbery, atualmente, 35% da colheita mundial de cereais e a maioria da farinha de soja são dadas como alimento aos animais de criação intensiva, o que é “uma prática esbanjadora e ineficiente”, dado que estes animais contribuem com muito menos – na forma de leite, ovos e carne – do que aquilo que consomem.

Usando valores da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o ativista calculou que a colheita total de 2014 proporcionou calorias suficientes para alimentar mais de 15 mil milhões de pessoas (atualmente, a população mundial ronda os 7,6 mil milhões). No entanto, muito disto acabou por ser desperdiçado ou direcionado para a indústria de alimentação animal.

“A indústria alimentar parece ter sido sequestrada pela indústria de alimentos para animais”, declarou o ativista.



Impacto na Vida Selvagem

“Há dez mil anos, os seres humanos e o nosso gado representavam cerca de 0,1% dos grandes vertebrados do mundo”, disse o antigo diretor da organização Friends of the Earth, Tony Juniper, ao The Guardian. “Agora perfazemos cerca de 96%. Este é um debate oportuno e necessário, e uma questão que está a ser cada vez mais discutida.”

A expansão da agricultura e a produção agrícola industrial são responsáveis por colocar a vida selvagem em perigo. Em países da América do Sul, como o Brasil, a Bolívia e o Peru, é comum a desflorestação de áreas de floresta, mesmo em plena Amazónia, para a sua conversão em pastagens ou em plantações de soja, que se destinam a produzir alimento para o gado. Esta destruição de habitat está a afetar as espécies nativas ameaçadas, como o jaguar, o urso-formigueiro-gigante e a preguiça.

Na Ásia, o elefante-de-samatra tem sofrido severamente com o impacto da crescente indústria de óleo de palma: mais de metade do seu habitat foi destruído para se criarem plantações de palmeiras e os números destes elefantes estão a cair rapidamente. A mesma história poderia ser contada relativamente aos orangotangos-do-bornéu.

Nos últimos anos, os países em desenvolvimento têm assistido à expansão significativa da agricultura. De acordo com a organização Land Matrix, a nível mundial, foram adquiridos 40 milhões de hectares para fins agrícolas só na última década e meia, sendo que quase metade dessas aquisições ocorreu em África.


A desflorestação na Costa do Marfim | Foto: Mighty Earth

”Uma prática que pertence a um museu”

Philip Lymbery defende que devolver o gado às pastagens, assim como manter os porcos e as aves de criação no exterior, onde podem procurar comida, e suplementar isso com resíduos alimentares, é muito mais saudável e eficiente.

As opiniões expressas pelo ativista não são partilhadas por todos. Um representante da União Nacional de Agricultores do Reino Unido defendeu que “o uso de cereais pelos produtores de gado é apenas uma parte de um conjunto diverso de opções alimentares para os animais. Os cereais usados nas explorações pecuárias são uma forma eficaz e sustentável de usar produtos que, de outra forma, seriam desperdiçados, uma vez que não alcançam o padrão para o consumo humano”.

Em maio, mais de 200 cientistas e peritos em definição de políticas assinaram uma carta que pedia aos candidatos a diretor-geral da Organização Mundial da Saúde que reconhecessem que a produção pecuária intensiva representa uma séria ameaça para os seres humanos e para o ambiente.

Na carta lia-se que as “práticas como o uso indiscriminado de antibióticos, o confinamento rigoroso dos animais e a escala insustentavelmente elevada da produção se tornaram a norma na indústria e cada uma tem consequências graves para a saúde humana”.

A exposição da campanha Stop the Machine decorreu no Museu de História Natural, em Londres, o que, para Lymbery, não poderia ser mais apropriado. “O Museu de História Natural é o sítio certo para se realizar esta exposição porque a produção pecuária intensiva pertence a um museu, disse.

1ª Foto: Otwarte Klatki


Os juízes do Tribunal da Relação do Porto Joaquim Neto de Moura e Maria Luísa Arantes vão ser alvo de processo disciplinar devido ao acórdão que desvalorizou a violência doméstica.

“Quanto ao senhor juiz desembargador Neto de Moura por violação dos deveres funcionais de correção e de prossecução do interesse público, este na vertente de atuar no sentido de criar no público a confiança em que a Justiça repousa (12 votos a favor e 5 contra)”, disse o Conselho Superior da Magistratura (CMS) em comunicado.
“Quanto à senhora juíza desembargadora Luísa Senra Arantes, por violação do dever de zelo (9 votos a favor e 8 contra)", acrescenta.

O instrutor do processo disciplinar irá produzir uma acusação contra os dois magistrados, da qual se poderão defender. No final, fará um relatório, propondo uma medida que pode ir desde o arquivamento até uma das várias sanções possíveis: advertência (registada ou não), multa, suspensão de funções, transferência, aposentação compulsiva ou demissão. Caso não concordem com a punição aplicada, Neto de Moura e Luísa Arantes podem recorrer dela para os tribunais.

O acórdão vergonhoso

A decisão diz respeito a um caso de violência doméstica que envolve três pessoas. Em junho de 2015, depois de sequestrar a vítima, o ex-namorado chamou o ex-marido para a confrontarem os dois, acabando por a agredir com uma moca com pregos.
No acórdão da Relação do Porto, do dia 11 de outubro, o juiz relator, Neto de Moura, minimizou o crime de violência doméstica pelo facto da vítima ter sido infiel.
Para tal, o juiz invocou a Bíblia, o Código Penal de 1886 e mencionou civilizações que punem o adultério com pena de morte, de forma a desvalorizar a violência cometida contra esta mulher por parte do marido e do amante, ambos condenados a pena suspensa na primeira instância.

“O adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras) e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher, escreveu Neto de Moura na decisão do tribunal superior (que foi assinada pela desembargadora Maria Luísa Abrantes sem a ler até ao fim). O adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte. Ainda não foi há muito tempo que a lei penal [de 1886] punia com uma pena pouco mais que simbólica o homem que, achando a sua mulher em adultério, nesse acto a matasse”.



Depois de conhecido o acórdão, foi criada uma petição “online” que foi assinada por mais de 28 mil pessoas, através da qual se pedia uma tomada de posição do Conselho Superior de Magistratura e do provedor de Justiça e que apelava a uma "reflexão urgente e séria" sobre a necessidade de se alterar o sistema de e/ou avaliação dos juízes, "para que casos como este sejam evitados no futuro".

No dia 27 de outubro, centenas de pessoas, que classificaram o acórdão como machista e desculpabilizador do crime de violência doméstica, protestaram no centro de Lisboa.
O acórdão foi criticado pela Associação Portuguesa de Mulheres Juristas, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e pela a UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta.

A Amnistia Internacional Portugal disse estar “preocupada” não só pela atuação dos juízes desembargadores ao “arrepio” dos preceitos legais e constitucionais, mas pelo espelhar de uma cultura e justiça promotora de "misoginia", sem ter em conta os direitos das mulheres e à compreensão do uso de violência para vingar a honra e a dignidade. “A Amnistia Internacional Portugal defende a ausência de considerações de caráter religioso como fundamentação jurídica em nome do respeito do princípio da laicidade e em nome da igualdade e do respeito por todas as religiões”, realçou. “O Código Penal Português de 1886, citado no acórdão do tribunal da Relação do Porto, foi revogado pelo Código Penal de 1982, revisto pelo Decreto-Lei 48/95, de 15 de março. Assim, o Código Penal de 1886, citado no acórdão, não é fonte de direito português, não podendo ser utilizado pelos tribunais. A sua utilização revela a ineficácia da justiça portuguesa.



Outras decisões polémicas

Em 2013, Neto de Moura considerou que uma agressão de um homem a uma mulher com o filho recém-nascido ao colo não tinha "gravidade bastante". Uma mulher acusou o marido de violência doméstica, depois de este lhe ter dado um murro no nariz e de a ter mordido numa mão quando tinha ao colo o filho. Neto de Moura, na altura no Tribunal da Relação de Lisboa, não considerou estes atos como violência doméstica. "É manifesto que essa conduta do arguido não tem a gravidade bastante para se poder afirmar que foi aviltada a dignidade pessoal da recorrente [a vítima], mesmo tendo em conta que a assistente estava com o filho (então com nove dias de vida) ao colo", lê-se no acórdão. O juiz considerou que o murro teve pouca força, uma vez que o nariz ficou apenas "ligeiramente negro de lado" e que a mão da vítima não apresentava "lesões aparentes." O homem foi absolvido do crime de violência doméstica e foi condenado por ofensas à integridade física e ao pagamento de uma multa de 350 euros.

Em 2016, o juiz anulou uma sentença de dois anos e quatro meses de prisão por pena suspensa por violência doméstica agravada. Segundo Neto Moura a vítima cometeu adultério e era "uma pessoa falsa, hipócrita, desonesta, desleal, fútil, imoral". De acordo com o processo n.º 388/14.6 GAVLC.P1 da Relação do Porto, a pena tinha sido decidida pela Instância Local de Vale de Cambra a 13 de Outubro de 2015. Além da pena suspensa, o arguido tinha de pagar uma indemnização de 2500€.
O arguido interpôs recurso e a sua pena foi anulada a 15 de junho de 2016. Como referiu Neto de Moura, o tribunal de Vale de Cambra não ficou convencido com as declarações do agressor e "conferiu crédito irrestrito a quem não se mostra dele merecedor [a vítima]". "Uma mulher que comete adultério é uma pessoa falsa, hipócrita, desonesta, desleal, fútil, imoral. Enfim, carece de probidade moral. Não surpreende que recorra ao embuste, à farsa, à mentira, para esconder a sua deslealdade e isso pode passar pela imputação ao marido ou ao companheiro de maus-tratos. Que pensar da mulher que troca mensagens com o amante e lhe diz que quer ir jantar só com ele ‘para no fim me dares a sobremesa’? Isto, está bem de ver, enquanto o companheiro ficaria a cuidar dos filhos menores do casal…”

"Revelou-se a denunciante merecedora do crédito total e incondicional que o tribunal lhe atribuiu? A resposta só pode ser um rotundo não. Em boa verdade, a denunciante não é, propriamente, aquela pessoa em que se possa acreditar sem quaisquer reservas", defendeu Neto de Moura. "Na contestação que apresentou, o arguido alegou que a denunciante, sua ex-companheira, ainda quando viviam como marido e mulher, mantinha uma relação extraconjugal com um indivíduo. Os documentos que juntou com a sua contestação atestam isso mesmo, que a denunciante andava a cometer adultério e até nem seria a primeira vez que o fazia. Ora, o tribunal ignorou completamente essa alegação."



Na oficina Respiga, na Vila da Parede, cria-se mobiliário e objetos de decoração feitos a partir de madeiras e materiais reciclados, que são autênticas obras de arte e que contrariam o conceito do compra-usa-e-deita-fora.

O UniPlanet falou com Rui Bispo, da Respiga, para conhecer este projeto.


UniPlanet (UP): Como nasceu a Respiga?

O projeto Respiga começou a tomar forma há cerca de 3 anos e meio.
Desde essa altura e até à abertura da nossa loja-oficina em novembro de 2015, reabilitamos um edifício carismático do seculo XIX no centro da Vila da Parede, que é hoje o nosso espaço onde produzimos as nossas peças.
A inspiração do nome surge do documentário "Os respigadores e a respigadora" de Agnés Varda. Esta obra estabelece um paralelismo entre os respigadores do passado que apanhavam os grãos de trigo sobrantes das colheitas e os respigadores contemporâneos que se dedicam a recuperar e reaproveitar coisas a partir de sobras e detritos.
Por outro lado, respiga é um termo técnico de carpintaria que denomina um tipo de entalhe que entra na mecha de uma peça de madeira, sendo a conceção de peças de mobiliário em madeira uma das componentes principais da nossa atividade.





UP: Onde vão “respigar” a madeira e os outros materiais que usam nas vossas obras?

Em obras de demolição/reabilitação de edifícios, nos caixotes de lixo, nas casas de familiares e amigos que têm peças que já não querem. Também no campo e nas praias, um bocadinho por todo o lado.


UP: Têm também uma oficina partilhada. Como funciona?

A oficina da Respiga abriu as portas com o objetivo de criar um espaço de partilha vocacionado para o trabalho com a madeira, e ao mesmo tempo uma incubadora de “respigadores”.
Queremos um espaço que permita a concretização de projetos individuais num ambiente de partilha de experiências e conhecimentos, onde estejam disponíveis as ferramentas e máquinas de gama profissional necessárias para a concretização dos projetos, grandes e pequenos, simples ou mais arrojados, a mais valia de no mesmo espaço poderem projetar o que querem concretizar, e “meter a mão na madeira”, experimentar, aprender, fazer.

A oficina tem uma área de 46 m² equipada com 4 bancadas de trabalho individuais que permitirá uma utilização de 4 pessoas ao mesmo tempo e que funcionarão de uma forma rotativa, dependendo dos horários que cada um ocupa.
Cada pessoa terá disponível uma prateleira de arrumos para o seu material e ferramentas, onde poderá também armazenar as peças em que se encontra a trabalhar.
Está disponível também uma área exterior com tanque de lavagens onde poderão ser desenvolvidas diversas atividades.




UP: Quais são as principais diferenças entre um móvel da Respiga e um à venda numa grande superfície como o IKEA, Moviflor ou outro?

Recorremos quase exclusivamente à reutilização de matérias-primas pelo que trabalhamos com o que vamos encontrando: madeiras, partes de móveis, garrafas de vidro, conchas, cascas de caracóis, etc.
Em relação às madeiras, é preciso realçar que fomos encontrando desde madeiras com mais de 1 século de existência num excelente estado de conservação, com menor probabilidade de empenar e com tonalidades únicas próprias da passagem do tempo, assim como madeiras cujo valor comercial é elevado, como é o caso do mogno, mutene, wengue, etc.

Estas matérias-primas permitem-nos fazer peças de mobiliário com uma forte predominância da madeira maciça, que aliada a um design contemporâneo, resultam em peças com uma maior longevidade e por isso com uma menor pegada ecológica. Tentamos que o preço seja proporcional aos custos inerentes à sua produção, de forma a ser o mais justo possível.
Destacamos ainda as cascas de caracóis, que é uma matéria-prima que se encontra com facilidade, sem qualquer aproveitamento. Note-se que as cascas têm a particularidade de variar de tamanho e cor, conservando, contudo, a forma e padrão, os quais permitem, quando em quantidade significativa, formar uma imagem rica em detalhe, mantendo-se ainda a relação entre o todo e as partes.

Resumidamente, embora as nossas peças sejam naturalmente mais caras, possuem um design muitas vezes exclusivo, duram “uma vida”, têm acabamentos de melhor qualidade, têm uma menor pegada ecológica, o grosso da fatia do seu preço vai para quem as concebeu e não para intermediários e são obviamente feitas em Portugal por portugueses.




UP: Quais são as principais dificuldades que sentem na realização do vosso trabalho?

No que se refere à reutilização de mobiliário e reciclagem de madeira, Portugal ainda está a “anos-luz”, em relação ao que, por exemplo, se faz no norte da Europa ou na Austrália.
As pessoas partem do princípio que o uso de madeira reciclada resulta obrigatoriamente em peças com um preço mais baixo, desconhecendo que esta madeira exige um tratamento complexo e dispendioso em termos de mão-de-obra para voltar a ser utilizada, com consequências para o custo na produção e preço final.

Julgamos também que ainda existe alguma discriminação em relação ao uso de materiais que foram obtidos a partir de obras de demolição ou encontrados na rua, considerando-se como sendo lixo e por consequência pouco digno.
Presentemente, julgamos que as pessoas já têm alguma consciência do peso da pegada ecológica, mas ainda não assumem a responsabilidade de contribuir para a sua redução, adquirindo bens feitos com mão de obra barata, sem questionar a origem da matéria prima, muitas vezes com um tratamento desadequado dos resíduos resultantes do seu fabrico e de fraca durabilidade.
A Respiga tenta ser exatamente o oposto.




UP: Onde podemos comprar os vossos móveis e outros objetos criados por vocês?

Visitando a nossa oficina ou contactando-nos via e-mail, telefone ou nas redes sociais. Esporadicamente, participamos em feiras (por exemplo, a feira do Jardim da Estrela) e em exposições (em dezembro estaremos na Quinta dos Caniços).
Temos ainda algumas peças “espalhadas” em restaurantes e bares aqui na Parede.


UP: Para terminar, onde podemos encontrar mais informação sobre a Respiga?

Além do nosso site, estamos no Facebook, Pinterest e Instagram.