Painéis solares

A empresa holandesa Heijmans vai iniciar em 2018 um projeto que irá transformar as barreiras sonoras nas bermas das estradas em painéis solares.

Ao todo vai montar 68 painéis solares no lugar das tradicionais barreiras acústicas, ao longo de 2 km da autoestrada A50, o que será suficiente para fornecer eletricidade para cerca de 50 habitações.

Caso a eletricidade produzida seja financeiramente viável, o governo holandês irá posteriormente patrocinar a instalação de mais painéis em outras estradas.

Este vídeo explica um pouco melhor o conceito que foi desenvolvido pela Universidade de Eindhoven:



As Solar Roadways são também um projeto que pretende fazer com que as estradas gerem energia.


Estudantes e professores da Universidade da Califórnia em San Diego desenvolveram os primeiros chinelos do mundo feitos a partir de algas. Quando começarem a ser produzidos para comercialização, deverão custar cerca de 2,5€ e os seus criadores acreditam que poderão ser revolucionários.

“Embora os chinelos pareçam um produto sem muita importância, um artigo descartável que toda a gente usa, de facto são o calçado mais usado no mundo”, contou Stephen Mayfield, professor de biologia da Universidade da Califórnia em San Diego, que, juntamente com Skip Pomeroy, professor de química e bioquímica, liderou este projeto de investigação.

Todos os anos são fabricados três mil milhões de chinelos feitos à base de petróleo no mundo, que, eventualmente, acabam como lixo não-biodegradável nos aterros, rios e oceanos.

“Este é o calçado de um pescador e de um agricultor. É o calçado mais utilizado na Índia, o mais utilizado na China e em África. E, de facto, um dos maiores poluentes no oceano é o poliuretano dos chinelos e do outro calçado arrastado ou atirado para os rios e que vai parar ao oceano”, disse o professor.


Stephen Mayfield, professor de biologia da UC em San Diego | Foto: Erik Jepsen/UC San Diego Publications

Dois anos antes, os dois professores, em conjunto com os seus alunos, desenvolveram a primeira prancha de surf à base de algas – uma inovação que foi rapidamente adotada por vários surfistas profissionais.

“A prancha de surf feita com algas foi o primeiro produto óbvio a fazer, mas quando olhamos para os números, apercebemo-nos de que fazer uns chinelos ou a sola de uns sapatos assim é muito mais importante”, contou Stephen Mayfield. “Podem-se fabricar espumas rígidas ou macias com o óleo de algas. E podem-se fazer produtos renováveis à base de algas como pranchas de surf, chinelos, calçado desportivo de poliuretano, assentos de automóvel ou até os pneus para o seu carro.”

Juntamente com Michael Burkart, professor de química e bioquímica, os dois professores criaram uma start-up, chamada “Algenesis Materials”, na qual alguns dos seus alunos trabalham, desenvolvendo os chinelos e outros projetos.



“Ensinar química na sala de aula, por vezes, é como tentar ensinar futebol no quadro”, comentou Skip Pomeroy. “No laboratório, os estudantes ficam muito mais empenhados quando estão realmente a tentar resolver um problema. A maioria das pessoas dirá que os nossos alunos são muito, muito inteligentes, mas nem sempre têm experiência prática. Esta é uma forma de lhes proporcionar essa experiência.”

“Parte do desafio é que, habitualmente, eu fazia uma descoberta, publicava um artigo e, de certa forma, acabava aí”, explicou Stephen Mayfield. “Mas a melhor invenção que não sai do laboratório não é realmente útil para o mundo. E a forma de a tornar numa invenção útil é transformá-la num produto.”

Como o primeiro produto da Algenesis, os chinelos permitirão à equipa aperfeiçoar a sua fórmula e o processo de fabrico, abrindo o caminho para futuras solas de sapatos e outros produtos, que normalmente são feitos à base de petróleo.

“O petróleo vem das algas que viviam nos antigos oceanos há centenas de milhões de anos”, explicou o professor de biologia. “Muitas pessoas não sabem disso. Mas o que isto significa é que tudo o que podemos fazer a partir do petróleo podemos, em última análise, fazer com as algas.”


Foto: Erik Jepsen/UC San Diego Publications

Os chinelos Triton, assim designados em virtude do tridente que os adorna, são sustentáveis porque o carbono usado para os fabricar foi retirado da atmosfera e não de reservas de petróleo existentes no subsolo. Os cientistas também querem torná-los biodegradáveis.

“A ideia que queremos levar por diante é a de fazer estes chinelos de forma a poderem ser colocados num contentor de compostagem e os microrganismos os consumirem.”

“Se conseguirmos fazer estes produtos sustentáveis e biodegradáveis, podemos ter impacto não só em San Diego, mas em todas as comunidades com praias de todo o planeta”, conta o professor, que também é surfista. “Em San Diego, temos esta fantástica cultura de surf; muito do nosso corpo docente e muitos dos nossos estudantes são surfistas e eu acho que todos nós compreendemos, por causa da nossa ligação ao oceano, quão importante o ambiente é.”


Foto: Erik Jepsen/UC San Diego Publications

Antes de os chinelos serem produzidos para comercialização, em que contarão com a ajuda de uma fábrica de calçado em León, México, serão fabricados alguns milhares de pares como teste, que serão disponibilizados aos antigos estudantes da Universidade de Califórnia em San Diego e distribuídos em eventos especiais.

“Vai passar algum tempo antes de se poder comprar um par destes chinelos na loja, mas não demasiado”, disse Mayfield. “O nosso plano é que, no próximo ano, se possa ir à loja comprar uns chinelos Algenesis que são sustentáveis, biodegradáveis e que foram inventados pelos alunos da Universidade da Califórnia em San Diego.”


A agricultura e a pecuária intensivas estão a impulsionar a sexta extinção em massa de vida na Terra, argumentou Raj Patel, académico e autor do best-seller “O Valor do Nada”.

“A pegada da agricultura mundial é enorme. A agricultura industrial é absolutamente responsável por provocar a desflorestação e por impulsionar as monoculturas industriais e isso significa que é responsável pela perda de espécies”, disse o académico.

Em conversa com o The Independent, o escritor apontou vários exemplos da pegada destrutiva da agricultura intensiva. Um deles foi a “zona morta” – uma zona num ambiente aquático onde o nível de oxigénio é demasiado baixo para a maioria dos organismos aquáticos – no Golfo do México, que já atingiu o tamanho do País de Gales, devido às enormes quantidades de fertilizantes que são levadas, pelo rio Mississípi, das explorações agrícolas norte-americanas até ao oceano.

“Essa zona morta não é um acidente. Livrar-se do lixo e poluição noutro lugar é um requisito da agricultura industrial, já que este tipo de agricultura não é viável sem se atirarem os custos para outro lugar qualquer”, defendeu o professor da Universidade de Texas em Austin.

“A história da agricultura intensiva tem tudo a ver com a externalização dos custos e a exploração da natureza.”


A desflorestação na Costa do Marfim para a conversão das florestas em plantações de cacau | 1ª e 2ª foto: Mighty Earth

Em países da América do Sul, como o Brasil, a Bolívia e o Peru, é comum a desflorestação de áreas de floresta, mesmo em plena Amazónia, para a sua conversão em pastagens ou em plantações de soja, que se destinam a produzir alimento para o gado.

“A extinção diz respeito à eliminação da diversidade. O que acontece no Brasil e em outros lugares é que se fica com desertos verdes – monoculturas de soja e nada mais”, explicou Raj Patel. “Se alguma vez forem a uma plantação de soja, [vão notar que] a vida animal é extremamente rara lá. É só soja.”

A agricultura industrializada também é responsável por ameaçar alguns dos animais mais carismáticos do mundo, como os elefantes, os jaguares e os pinguins-africanos. Nas ilhas de Samatra e do Bornéu, as florestas que são casa de espécies criticamente em perigo, como os elefantes e os orangotangos, estão a ser destruídas e convertidas em plantações de palmeiras para a produção de óleo de palma e derivados, como a farinha de palma, que também é usada na alimentação do gado.


Criação de gado na Amazónia | Foto: Daniel Beltra/Greenpeace

Nem o mar escapa. Pequenos peixes, como as anchovas e as sardinhas, estão a ser pescados em grande escala para serem transformados em farinha de peixe, utilizada para alimentar o salmão de viveiro, os porcos e as galinhas. Isto está a colocar em risco os animais que habitualmente se alimentam destes peixes, como os pinguins-africanos.

“Estamos a perder espécies de que nunca ouvimos falar, aquelas às quais ainda nem demos nomes e a agricultura intensiva é claramente uma das responsáveis.”


Pinguins-africanos

Quando questionado sobre a forma como os consumidores podem evitar contribuir para estes problemas, Raj Patel defendeu que devemos olhar para além do nosso papel como consumidores e pensar como cidadãos responsáveis.

“‘Como consumidores’ podemos comprar algo que é de produção local e sustentável, rotulado como biológico ou de comércio justo, respondeu. “Mas ‘como consumidores’ não conseguimos fazer muito. Como cidadãos, como pessoas decentes, podemos exigir mais do nosso governo, dos nossos empregadores, de nós próprios. Podemos estar mais conscientes do nosso poder como parte de uma sociedade onde podemos mudar as coisas. Temos este poder de mudar as coisas no futuro. O que precisamos de fazer é efetuar essa mudança.”

O professor defendeu ainda a necessidade de se começar a partilhar e proteger os recursos e de se aprender a viver com menos coisas, afirmando que as atuais ambições das pessoas se baseiam em “imagens de consumo totalmente insustentáveis”.

Reimaginar-se um mundo com menos coisas mas com mais alegria é provavelmente o caminho a seguir”, disse. “Existem razões fortes para se dizer que há espaço para (…) menos consumo individual e isolamento e mais partilha, sentarmo-nos juntos a uma mesa, em vez de nos sentarmos sozinhos em frente à TV.”


A remoção das plantas invasoras pode ter um impacto positivo nas espécies nativas e, segundo um novo estudo, os benefícios não se ficam por aqui: quando se removem as espécies invasoras que crescem junto a um ribeiro ou rio, também se promove a biodiversidade dos organismos aquáticos.

Os autores do estudo quiseram saber se a remoção do arbusto invasor Lonicera maackii (madressilva de Maack), que crescia junto de um ribeiro numa floresta de Ohio, influenciaria a diversidade dos insetos, caracóis, vermes e outros macroinvertebrados aquáticos que viviam no curso de água. Para tal, removeram 160 metros da madressilva, uma operação que melhorou a disponibilidade de luz ao longo do ribeiro, assim como a qualidade da matéria orgânica.

Posteriormente, os cientistas recolheram amostras do ribeiro todos os meses, durante mais de três anos. Descobriram que a remoção da madressilva de Maack teve um impacto positivo considerável na densidade, riqueza e diversidade dos macroinvertebrados no ribeiro. Estes animais invertebrados habitam principalmente sistemas de água doce e são indicadores da qualidade da água, para além de serem fundamentais para toda a cadeia trófica dos ecossistemas fluviais.

“Fica claro que remover as plantas invasoras pode ter um impacto ascendente nos ecossistemas aquáticos adjacentes, mesmo quando se restaura apenas uma pequena secção do ribeiro”, disse Rachel McNeish, autora do estudo publicado na revista Invasive Plant Science and Management. “Os gestores do espaço rural têm agora um importante novo impulso para a gestão das espécies invasoras.”

No princípio deste ano, um estudo da Universidade de Vigo, em Espanha, revelou que as plantações de eucaliptos – uma espécie exótica – reduzem a diversidade de macroinvertebrados em pequenos ribeiros florestais, deixando-os ainda mais propensos a secarem completamente no Verão.


Tudo começou com uma ida, mais propriamente uma tentativa de ida, ao CineEco em Seia, onde queríamos assistir a um documentário no dia 15 de outubro.

Durante a viagem, fomos vendo vários incêndios ao longo do IC6 e posteriormente na N17. Quando estávamos a 20 minutos de Seia encontramos a GNR a barrar a estrada. Tentamos um novo percurso, mas mais uma vez encontramos a estrada cortada.
Partimos depois em direção a Oliveira do Hospital, pois pensamos que o mais correto seria despacharmo-nos, antes que fossemos impedidos de regressar a casa.



Quando já estávamos de volta ao IC6, encontramos alguns carros e um grupo de motards parados. Os GNR tinham fechado esta estrada, na qual tinha explodido uma bomba de gasolina. Informaram-nos que os acessos a Coimbra estavam todos cortados e que poderíamos tentar por Arganil. Em conversa com os motards, ficamos a saber que iam em direção a Coimbra e que tinham estado em Seia, onde o Museu do Pão tinha sido evacuado, antes de terem tempo de pagar o almoço. Esperamos um pouco sem saber o que fazer. Por cima do IC6, numa ponte, havia alguém que gritava e pedia ajuda para as pessoas, em casa, que precisavam de ser socorridas do fogo que se aproximava. Viemos depois a saber que era um lar de idosos.

Um dos GNR aproximou-se de nós a gritar, dizendo que tínhamos de ir embora e que não era seguro.
Os motards inverteram o sentido da marcha e nós seguimo-los. Paramos numa terra que nos disseram que se chamava “Catraia dos Poços”. Na rotunda, estavam várias viaturas estacionadas e pessoas fora dos carros que contemplavam os fogos que lá longe se iam aproximando, vindos do sul e oeste. Estacionamos e saímos também. Os moradores ofereceram-nos água, sumos e bolos e deixaram-nos carregar o telemóvel.

Todos os que se tinham juntado (residentes que fugiram de aldeias que já tinham sido apanhadas pelo fogo e pessoas que tentavam ir para Coimbra, Aveiro, etc.) assistiam ao espetáculo assustador dos incêndios vistos à noite. Debatia-se se o fogo chegaria àquela aldeia. A maioria achava que não.
O céu estava estrelado e, ao contrário do que acontece nas cidades, viam-se inúmeras constelações.

Começamos a ouvir o “rugir” do fogo que se aproximava cada vez mais. Fagulhas saltavam, lá longe, e, em 5 minutos, criavam novos focos devido ao vento forte que se fazia sentir (e ao facto de os eucaliptos serem altamente inflamáveis).

Decidimos ir jantar a um restaurante ali perto. O marido da proprietária e os empregados tinham ido entregar comida aos bombeiros que estavam a combater as chamas. Enquanto jantávamos, chegavam pessoas a pedir comida, cigarros e a perguntar se podiam usar o telefone fixo, ao que a proprietária respondia que, como era por fibra, não tinha telefone, nem televisão, nem nada.

Lá fora, no largo do estacionamento, as pessoas tentavam telefonar, mas ninguém tinha rede. Havia quem se empoleirasse em cima dos Ecopontos à procura de sinal. Alguém teve a ideia de subir alguns degraus num poste de eletricidade e de lá conseguiu ter rede. Aproveitamos todos para telefonar, utilizando o seu telemóvel, para “tranquilizar” os familiares em casa. Às horas certas (21h, 22h) aproveitávamos para ouvir as notícias no rádio do carro, o único meio de comunicação que tínhamos com o mundo exterior, e que acabava por não ser muito útil, pois os jornalistas apenas diziam o que já sabíamos: que o IP3 e a A1 estavam fechados, juntamente com outras 20 estradas, mas não discriminavam quais eram. Também não diziam o que as populações deviam fazer, nem as aldeias que deviam ser ou já tinham sido evacuadas.

Regressamos à aldeia Catraia dos Poços.
Não chegamos a ver um único bombeiro. As pessoas ficaram totalmente entregues a si, sem telefone, internet, sem saber o que fazer, que estradas estavam cortadas, etc. Uma sensação verdadeiramente assustadora...

De vez em quando a luz ia abaixo
, mas acabava por regressar. Os carros passavam a grande velocidade e por pouco não atropelavam quem se juntava nas estradas para ver os incêndios a aproximarem-se. Vimos os fogos a engolir aldeias lá longe e a luz nessas aldeias a apagar. Chegaram, entretanto, pessoas a chorar e a gritar: “A minha casa!” ou “O meu irmão ficou na sua casa!” ou “Estamos todos f*!”. Uma mulher contou que telefonou para o número de emergência e que alguém a atendeu a chorar dizendo que já não tinham mais meios disponíveis e que deveria fugir para um sítio seguro. O vento estava muito forte e a chuva que tinha sido anunciada, nem vê-la… Os fogos viam-se em todas as direções para as quais olhássemos. Estávamos rodeados!

A certa altura, chegou um carro da GNR que avisou que tirássemos os automóveis da rotunda pois ia ficar um caos com as pessoas que vinham a fugir de S. Martinho da Cortiça, que tinha sido engolida pelo fogo. A GNR ficou no carro estacionado sem comunicar com a população sobre o que devia fazer quando o fogo chegasse.

Fomos convidados, assim como os motards, a passar a noite numa das casas da aldeia, que iria abrigar dezenas de pessoas.
Entretanto, começaram a cair fagulhas nas habitações pois os incêndios estavam já muito próximos.



O fogo chegou à aldeia e rodeou a primeira casa. De dentro as pessoas tentavam apagá-lo a partir das varandas. O som do incêndio que vinha da “floresta” e por trás das casas era ensurdecedor. De repente, o asfalto ficou quente (conseguíamos sentir o calor através do calçado) e uma quantidade enorme de fagulhas caía agora nas casas, carros e pessoas. “O que devíamos fazer? Ficar ou seguir caminho?” A tragédia de Pedrógão Grande, estava bem presente nas mentes de todos nós.

Os GNR ligaram o motor do carro e prepararam-se para abandonar a aldeia.
As pessoas, em pânico dentro das suas casas, ficaram entregues à sua sorte uma vez que não tinham um único bombeiro para as ajudar. Era por volta da uma da manhã.

Acenamos para parar o carro da GNR e perguntamos aos agentes, que tinham máscaras por causa do fumo, o que devíamos fazer, ao que responderam que fôssemos para Arganil pois já não era seguro ficarmos ali. Como o fumo ficava cada vez mais intenso, pedimos-lhes máscaras, mas só tinham para eles. Um rapaz num carro, no meio da chuva de fagulhas, contou-nos que tinha vindo de Arganil e que a estrada estava livre e deu-nos indicações de como chegar lá.

As fagulhas caíam sem parar. Perguntamos a uma família, que assistia àquele espetáculo assustador encostada ao carro, se ia seguir o conselho da GNR. Acabaram por dizer que sim e nós juntámo-nos a eles. Metemo-nos no carro, provavelmente no último minuto de fuga, e, sem conseguirmos apertar bem o cinto, começamos a fugir daquele incêndio que rugia, deixando os motards para trás na casa a esperarem o melhor e o pior…

Conduzimos cerca de meia hora na total escuridão, sem sabermos se teria sido a decisão certa, até chegarmos a Arganil e pararmos em frente ao quartel dos bombeiros.
Em Arganil, sentimo-nos finalmente em segurança. Dentro do carro, tentamos descansar um pouco de todo o pânico anterior. As pessoas e os automóveis concentravam-se à volta do quartel dos bombeiros.

Nunca chegamos a ter rede de telemóvel em Arganil. Tínhamos fome, mas à uma e meia da manhã não havia onde comprar nada. Fomos ao quartel dos bombeiros, onde, no interior, bombeiros e voluntários dividiam sandes, bolos, bolachas, garrafas de água e fruta que iriam entregar numa escola, que estava preparada para receber e albergar, durante a noite, quem fugia dos incêndios. Deram-nos sandes, água e fruta.
Por volta das das duas da manhã, uma mulher apareceu, desesperada, a pedir ajuda para um familiar seu que ficara para trás, numa das aldeias.

Partimos depois para a escola, onde passamos a noite. As pessoas dormiam em colchões de ginástica ou de yoga. Alguns com cobertor, outros sem, como nós, pois já não havia mais. A imagem das labaredas permanecia viva nas nossas mentes, mesmo quando fechávamos os olhos. Chegavam pessoas com cães que tinham trazido das suas casas para os salvarem do fogo. Lá fora, um casal, já com bastante idade, sentado e tapado com um cobertor, segurava num pastor alemão e num cãozinho mais pequeno. Chegou um homem com um penso na cara e uma t-shirt cheia de sangue. Contou que se tinha visto aflito para lá chegar (eram cerca das três da manhã) e que tinha visto um carro explodir e ser catapultado para o ar. Reencontramos uma mãe e o filho, que nos tinham oferecido água em Catraia dos Poços, que nos contaram que apenas uma casa tinha ardido totalmente (uma que estava devoluta) e que as pessoas estavam bem e ainda que o estacionamento do restaurante onde tínhamos jantado tinha ardido. Segundo nos disse o filho, a sua mãe tivera de ser forçada a abandonar a casa pela GNR.

No dia seguinte, 16 de outubro, os escuteiros ofereceram-nos um saco com o pequeno-almoço.
Lá fora, o ambiente estava tenso, já que havia vários incêndios à volta de Arganil que se estavam a aproximar da escola. Uma vez mais, o fogo estava a cercar-nos… Na vila, já estavam a pedir às pessoas para se juntarem no centro de Arganil para ficarem em segurança. Contaram-nos que o Mosteiro de Arganil e os seus terrenos tinham ardido. Disseram-nos também que as estradas à volta de Arganil estavam todas cortadas. Perguntamos se o IC6 e o IP3 estavam abertos e disseram-nos que sim. Uma menina da Cruz Vermelha, que ia para o IC6, convidou-nos a seguir caminho com ela.

Partimos e, quando estávamos mesmo a chegar ao IC6, os bombeiros não nos deixaram seguir pois estava tudo a arder. Um dos habitantes daquela zona contou-nos que havia uma outra estrada que estava aberta porque já tinha estado a arder. A viagem foi desoladora: árvores caídas, tudo queimado e negro, várias pedras na estrada e fumo de zonas que ainda ardiam, mas finalmente entramos no IC6, para depois apanharmos o IP3 e seguirmos viagem.



Algumas considerações do que devemos ter no carro para situações de emergência como esta:

  • Carregador do telemóvel que carregue no isqueiro do automóvel;
  • Bracelete ou outros objetos refletores, para a noite;
  • Máscara para proteção contra o fumo de incêndios;
  • Gotas para lavagem dos olhos;
  • Um cobertor;
  • Um pacote de bolachas;
  • Uma garrafa de água de 1,5Lt.

Algumas ideias do que se pode fazer diferente em Portugal:

  • Devem-se remover os eucaliptos à beira das estradas e das casas.
  • Deveria ser criado uma estação de rádio com atualizações ao minuto sobre os fogos, as estradas cortadas, aldeias evacuadas, informação sobre o que as populações deviam fazer.
  • Deveria haver mais comunicação entre a GNR e as populações locais.
  • Devia ser criado um plano de emergência para cada aldeia e vila e explicado às pessoas o que deviam fazer em caso de incêndio.


Em todo o mundo, 151,6 milhões de crianças, ou quase uma em cada dez, são vítimas de trabalho infantil. Cerca de metade destas crianças – 72,5 milhões – realizam trabalhos perigosos, que colocam a sua saúde e segurança em risco, revelou um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Embora se tenha assistido a uma diminuição no número de crianças submetidas a trabalho infantil desde o início do milénio, o declínio abrandou entre 2012 e 2016, um desenvolvimento que pode comprometer os esforços para erradicar o trabalho infantil até 2025, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) fixados pelas Nações Unidas.

Segundo Houtan Homayounpour, da OIT, o mundo não está a caminho de alcançar este ODS em oito anos e as estimativas predizem que, a este ritmo, ainda existirão 121 milhões de crianças vítimas de trabalho infantil em 2025. “Temos de estugar o passo”, disse o investigador à Reuters.

O relatório revela que há mais rapazes a trabalhar (88 milhões) do que raparigas (64 milhões), embora as estimativas não incluam as tarefas domésticas, ocupadas, na sua maioria, por meninas.
Sete em cada dez crianças afetadas trabalham no setor da agricultura, um trabalho que é, frequentemente, perigoso. Algumas crianças têm mais de 43 horas semanais de trabalho.


Meninas trabalham numa fábrica de tijolos do Nepal | Foto: Krish Dulal

Um terço dos menores com idades compreendidas entre os 5 e os 14 anos envolvidos em trabalho infantil, ou 36 milhões de crianças, não frequentam a escola. Os que a frequentam costumam ter um desempenho mais fraco do que as crianças que não trabalham.

“O tempo e a energia que gastam a trabalhar interfere com a sua capacidade de usufruir em pleno das horas de ensino na sala de aulas e de estudar fora da escola”, escreveram os investigadores da OIT.

Ao mesmo tempo, um segundo relatório da OIT e da Fundação Walk Free revelou que existem, globalmente, 10 milhões de crianças submetidas a trabalho escravo.

Nove em cada dez crianças “trabalhadoras” vivem em África e na região da Ásia-Pacifico; a África subsaariana viu ainda um aumento no número de crianças submetidas a trabalho infantil entre 2012 e 2016. “África, onde os números de trabalho infantil são os mais elevados tanto em termos proporcionais como absolutos, e onde os progressos estagnaram, continua a constituir uma prioridade”, apontaram os investigadores. Contudo “o trabalho infantil não se limita a países de baixo rendimento. Mais de metade das crianças afetadas vive, de facto, em países com rendimento médio-baixo e médio-alto.”

O relatório também encontrou uma forte relação entre o trabalho infantil, o conflito e os desastres, os quais causam desemprego, deslocação e a interrupção das redes de apoio, deixando as crianças mais vulneráveis.

1ª foto: Criança indiana vende comida na rua (© Jorge Royan)


Embora os pardais-comuns estejam bem adaptados à vida urbana, os seus números estão a cair na Europa. Ao contrário das aves que vivem nos meios rurais, os pardais urbanos mostram sinais de stress ligados aos efeitos nocivos da poluição atmosférica e de uma dieta desequilibrada, concluiu uma equipa de investigadores, num estudo publicado na revista Frontiers in Ecology and Evolution. Os investigadores sugerem que isto também poderá ter implicações para a saúde de quem vive nas cidades.

“Verificamos que os pardais-comuns que vivem na cidade estão a sofrer de mais stress do que os que vivem no campo e associamos isso às diferenças na qualidade do ar e da dieta”, disse Amparo Herrera-Dueñas, autora do estudo. “É particularmente mau para as aves urbanas durante a época de nidificação, quando estão divididas entre a atribuição de recursos para a luta contra os efeitos tóxicos da poluição ou para a postura de ovos saudáveis, e a dieta deficiente não é uma ajuda para nenhuma destas situações.”

“Se as nossas cidades não são saudáveis para os pássaros, como o nosso estudo sugere, então, como vizinhos deles, devíamos estar preocupados porque estamos expostos aos mesmos fatores ambientais de stress que os pardais-comuns”, disse a investigadora.

A equipa de investigação da Universidade Complutense de Madrid analisou amostras de sangue de centenas de pardais de zonas rurais, suburbanas e urbanas na Península Ibérica, em Espanha, recolhidas de forma não invasiva. Os investigadores procuraram sinais de stress oxidativo – que pode ser usado para medir até que ponto um fator de stress ambiental, como a poluição, está a enfraquecer as defesas naturais da ave – nessas amostras.

“Os poluentes atmosféricos ou uma dieta desequilibrada podem promover a formação de radicais livres. Estas moléculas são produtos secundários de processos celulares normais, por isso as nossas células desenvolveram um mecanismo para as neutralizar. Contudo, sob condições exigentes, a produção de radicais livres pode esgotar estas defesas antioxidantes, causando stress oxidativo. Quando isto acontece, os radicais livres podem acelerar o envelhecimento das células. Nos seres humanos, isto tem sido associado a doenças respiratórias, como a asma, a problemas cardiovasculares e ao cancro”, explicou Amparo Herrera-Dueñas.

Os investigadores descobriram que os pardais urbanos estão sujeitos a níveis mais elevados de danos provocados pelos radicais livres do que os rurais. As amostras de sangue também revelaram que os pardais da cidade estavam a tentar combater estas moléculas prejudiciais, mas que, em comparação com os seus congéneres rurais, as suas defesas naturais tinham uma menor capacidade para o fazer.

“Precisamos de nos esforçar para melhorar a qualidade do ambiente urbano, como por exemplo a qualidade do ar e o design das zonas verdes. Até os restos de comida que deitamos no caixote do lixo no parque deveriam encorajar-nos a refletir: mais frutos secos e frutas e menos batatas fritas e bolachas seriam melhores tanto para as pessoas como para os pássaros”, aconselha a investigadora espanhola.
Cachorro

A Califórnia tornou-se no primeiro estado dos EUA a proibir a venda de cães, gatos e coelhos em lojas de animais. A lei foi assinada pelo governador da Califórnia no dia 13 de outubro e entrará em vigor em 2019.

As lojas ficam agora proibidas de vender cães, gatos, coelhos e outros animais, expostos em jaulas ou montras de vidro, passando a funcionar como espaços de adoção de animais.

Esta medida foi aplaudida pelas organizações de defesa dos animais. "Quando os consumidores compram cachorros e gatinhos nas lojas de animais, desconhecem, muitas vezes, a origem dos animais e contribuem para uma indústria triste e de sofrimento", disse Deborah Howard, presidente da Companion Animal Protection Society (CAPS).

A Califórnia junta-se à lista das cidades dos EUA que já tinham proibido a venda de cães e gatos em lojas de animais, como Los Angeles, São Francisco, Sacramento, Chicago, Filadélfia, Austin e Otava e Vancouver, no Canadá.
Reunião de trabalho

O dia 13 de outubro foi o último dia do ano com igualdade nos ganhos médios mensais entre homens e mulheres, o que significa que, a partir deste dia, as mulheres portuguesas não recebem qualquer remuneração, de acordo com dados da CGTP.

A CGTP citou os últimos dados oficiais divulgados pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho e Solidariedade Social (GEP/ MTSSS) referentes a outubro de 2016. Existe uma diferença de 21,8% no ganho médio mensal entre homens e mulheres que, ao ser traduzida em dias, perfaz 79 dias de trabalho das mulheres sem remuneração.

“Assim, o dia 13 de outubro é o último dia do ano com igualdade nos ganhos médios mensais entre homens e mulheres, não existindo qualquer remuneração para as mulheres nos restantes 79 dias do ano”, referiu a CGTP.

Para além de terem salários, em média, mais baixos, as mulheres ocupam, em maior número, postos em que recebem o salário mínimo nacional. Em outubro de 2016, 28,9% das mulheres receberam o salário mínimo, em comparação com 18,5% dos homens, de acordo com o estudo do GEP.

“Muitas empresas excluem ou penalizam as mulheres na atribuição de prémios de assiduidade, de antiguidade e de produtividade, por terem estado em consultas pré-natais, em gozo de licença de maternidade ou redução de horário para amamentação”, informa a CGTP.


A baleia-de-bossa de 18 toneladas e 12 metros que deu à costa e morreu numa praia de Nova Gales do Sul, na Austrália, tinha arrastado consigo cordas e uma armadilha de pesca ao longo de mais de 1700 km.

Segundo o comandante da unidade de resgate marítimo do Porto de Macquarie, Neil Yates, a armadilha, na qual o cetáceo ficara preso, provinha da Tasmânia.

“Parece que se enredou há possivelmente um ano”, disse o comandante, acrescentando que “como tal, o animal estava em fracas condições”.

Todos os anos, 640 mil toneladas de redes, cordas e outras artes de pesca são descartadas ou perdidas no mar, com impactos devastadores para a vida marinha. Estas “redes fantasma” capturam e matam milhares de focas, leões-marinhos, baleias, tubarões, golfinhos, tartarugas e outros animais marinhos.

Durante a época de migração anual das baleias-de-bossa, a organização de resgate e investigação ORRCA costuma atender a vários casos de baleias presas em detritos marinhos, incluindo boias de marcação e cordas de pesca.

“Esta é uma enorme viagem que as baleias estão a empreender, da Antártida para Queensland e de volta”, contou a vice-presidente da ORRCA, Shona Lorigan, explicando que os enredamentos são muitas vezes fatais. “Elas estão a gastar uma imensa quantidade de energia para a viagem. Portanto, se tiverem algum equipamento a arrastar-se atrás delas, quer seja uma armadilha ou uma série de boias de marcação e flutuadores, isso torna a viagem muito mais difícil.”