Campanha nas redes sociais

Dezenas de mulheres afegãs lançaram nas redes sociais a campanha #WhereisMyName (Onde está meu nome?) que exige que sejam chamadas pelos seus nomes. No país, existe a tradição de não se pronunciar o nome de uma mulher em público, o que significa que fora de casa são tratadas como a esposa de x ou a mãe de x. O nome de uma mulher não aparece nos túmulos, nos convites de casamento e os nome das mães não aparecem nas certidões de nascimento.

Foi Laleh Osmany, uma jovem de Hérat, uma cidade no oeste do Afeganistão, que iniciou a campanha que exige que seja chamada pelo seu nome.

Tahmina Arian, uma jovem estudante de ciências políticas de 26 anos, explicou que a sua mãe nunca foi chamada pelo seu nome, mas sim como "tia", "irmã", "mãe" ou "esposa".

"Quero que as coisas mudem. Estou cansada de ver que no século XXI as pessoas vivem como se estivessem na Idade Média. É difícil, é doloroso. Se eu não agir, quem o fará? Tem de se começar por algum lado", afirmou.

“A nossa sociedade está cheia de injustiça em relação às mulheres, basicamente tudo é tabu para as mulheres”, disse a ativista Bahar Sohaili.



Já ouviu falar em “banhos de floresta”? O termo surgiu no Japão, onde é conhecido como “shinrin-yoku”, e são muitos os estudos que atribuem à sua prática um conjunto surpreendente de benefícios para a saúde física e mental.

Para além de baixarem o ritmo cardíaco, a pressão arterial e reduzirem a produção de hormonas de stress, também reforçam o sistema imunitário e aumentam a sensação geral de bem-estar.

Tomar “banhos de floresta” envolve estar-se na presença de árvores. Pode-se optar por ficar sentado ou andar, mas o objetivo é relaxar e não concretizar algo. Ou seja, nada de correr uma maratona ou de praticar outro desporto. Esteja, simples e conscientemente, em contacto com as árvores.

Para comprovar os efeitos fisiológicos e psicológicos dos “banhos de floresta”, as autoridades japonesas investiram, entre 2004 e 2012, três milhões de euros no estudo desta prática. Com base nos resultados, traçaram 48 trilhos terapêuticos.

Respirar o ar da floresta

Num estudo de 2009, os investigadores mediram a atividade das células exterminadoras naturais ou células NK (do inglês “natural killer”) no sistema imunitário antes e após a exposição à floresta. Estas células têm um papel importante no combate a infeções virais e células cancerígenas.

Os participantes mostraram aumentos significativos na atividade das células NK na semana que sucedeu a visita à floresta e os efeitos positivos duraram um mês após cada fim-de-semana na floresta.

Estes efeitos devem-se a vários óleos essenciais – conhecidos como phytoncides – que as árvores, plantas e algumas frutas e vegetais libertam para se protegerem de germes e insetos. A inalação destes compostos parece melhorar o funcionamento do sistema imunitário.



Benefícios de uma visita de 30 minutos à floresta

Outros estudos realizados pela Universidade de Chiba, no Japão, mediram os efeitos fisiológicos dos “banhos de floresta” em 280 participantes na casa dos 20. Os investigadores mediram e compararam o cortisol (uma hormona que funciona como um indicador do stress) na saliva dos participantes, a sua pressão arterial e ritmo cardíaco durante um dia na cidade e durante um dia com uma visita de 30 minutos à floresta.

“Os ambientes florestais favorecem concentrações mais baixas de cortisol, pulsação e pressão arterial mais baixas, uma maior atividade nervosa parassimpática e menor atividade nervosa simpática do que os ambientes urbanos”, concluíram os investigadores.

O sistema nervoso parassimpático é responsável por estimular ações que permitem ao organismo responder a situações de calma, ao passo que o simpático prepara o organismo para reagir em situações de medo, stress e excitação, controlando as reações de “luta ou fuga”. Isto significa que os participantes estavam mais descansados e menos propensos ao stress depois de um mergulho na floresta.



As florestas são ambientes terapêuticos

Um outro estudo, desta vez sobre os seus efeitos psicológicos, testou 498 voluntários saudáveis. Os participantes exibiram níveis de hostilidade e depressão significativamente inferiores, aliados a uma maior vivacidade, após a exposição às árvores. “Por conseguinte”, escreveram os investigadores, “os ambientes florestais podem ser vistos como paisagens terapêuticas”.

Vários outros estudos têm sustentado os benefícios do contacto com a natureza. A exposição de curta duração à vegetação em ambientes urbanos pode reduzir os níveis de stress e há especialistas que recomendam “doses de natureza” como parte do tratamento para crianças com défice de atenção.

Segundo um relatório do Instituto para a Política Ambiental Europeia, quem vive perto de árvores e espaços verdes também tem menos probabilidade de ser obeso, inativo ou de estar dependente de antidepressivos.

Tudo isto parece confirmar algo que todos sabemos: o contacto com a natureza faz-nos bem. E nem precisamos de passar muito tempo na natureza para daí retirarmos benefícios, mas o contacto regular parece melhorar o funcionamento do nosso sistema imunitário e o nosso bem-estar.


Como saber se um alimento tem ingredientes transgénicos?


Em Portugal, ao contrário do que acontece no Brasil, onde os alimentos com ingredientes transgénicos têm um símbolo próprio, apenas podemos ficar a conhecer a sua presença num produto, lendo atentamente a lista dos ingredientes. Nela constará: produzido a partir de soja ou milho geneticamente modificada/o.

Lista de alguns alimentos que têm ingredientes transgénicos à venda nos supermercados portugueses:













Produtos transgénicos para animais:








Conhece algum alimento que não esteja nesta lista? Entre em contacto connosco.


O Instituto Rodale está a desenvolver, juntamente com uma coligação de agricultores, cientistas, organizações sem fins lucrativos e marcas, um novo tipo de certificação: o rótulo de produção biológica regenerativa.

Quando estiver finalizada, esta certificação irá além da biológica, ao estabelecer padrões mais rigorosos relativamente à saúde do solo, bem-estar dos animais e equidade social para os agricultores e trabalhadores.

“O termo ‘agricultura biológica regenerativa’ distingue um tipo de agricultura que vai além da palavra ‘sustentável’. Para nós, isto sempre significou uma agricultura que reforça os recursos que utiliza, em vez de os destruir e esgotar", explica o instituto. "[É] uma abordagem que encoraja a inovação contínua para o bem-estar social, ambiental e económico.”

“Os objetivos da Certificação Biológica Regenerativa são aumentar a matéria orgânica do solo com o passar do tempo, melhorar o bem-estar dos animais, proporcionar estabilidade económica aos agricultores, fazendeiros e trabalhadores e criar ecossistemas e comunidades regionais resilientes”, diz o Instituto Rodale.

São estes os três pilares da certificação: a saúde do solo, a equidade social e o bem-estar dos animais.



1º Pilar: Saúde do Solo

Este é um dos princípios fundamentais do Instituto Rodale, que tem servido de base para muitos trabalhos de investigação desenvolvidos pela organização nos últimos 70 anos. O Instituto Rodale acredita que, mais do que apenas mitigar os danos ao solo, a agricultura biológica deve melhorar a qualidade do solo com o passar do tempo, adicionando nutrientes e acumulando matéria orgânica. Para tal, a organização promove, por exemplo, o uso de culturas de cobertura, rotações de culturas e técnicas que não exijam que o solo seja lavrado.

O impacto de uma mudança sistemática para as práticas de agricultura biológica regenerativa poderia ser “profundo”. “Em 2014, um estudo do Instituto Rodale estimou que, se as atuais terras de cultivo e pastagens passassem a utilizar práticas de produção biológica regenerativa, 100% das emissões anuais mundiais de CO2 poderiam ser absorvidas pelo solo”, escreveu o instituto.

2º Pilar: Equidade Social

Valendo-se dos modelos do Comércio Justo e da Fair for Life, a Certificação de Produção Biológica Regenerativa exige que sejam pagos salários dignos a todos os trabalhadores das exploração agrícolas e estabelece normas justas para a formação de preços, não tolerando trabalho infantil ou forçado.

3º Pilar: Bem-estar dos Animais

A nova certificação aposta em animais alimentados em regime de pastoreio e vai além das normas de produção biológica do Departamento de Agricultura dos EUA, que estabelecem que os animais têm de ter acesso ao ar livre e que os ruminantes, como as vacas e as ovelhas, têm de ter acesso a pastagens durante a estação de pasto, num mínimo de 120 dias por ano. O novo rótulo também proíbe os sistemas de produção de animais confinados, adere às cinco liberdades do bem-estar animal e defende a minimização das distâncias de transporte de animais.

A certificação vai ser administrada pela NSF International, uma organização com sede em Michigan, que testa, inspeciona e certifica produtos, e está aberta a diversos parceiros de certificação, de acordo com o instituto.
Limpeza de praia

No dia 16 de setembro comemora-se o Dia Internacional das Limpezas de Praia, e por isso os caloiros de Biologia Marinha e Biologia da Universidade do Algarve passaram a tarde deste dia a limpar a Ria Formosa (na zona do Ludo perto da Praia de Faro), uma atividade inserida na praxe académica.

A ação foi organizada pela Straw Patrol em colaboração com os alunos de 3º ano, responsáveis por acolher os alunos recém-chegados.

Durante cerca de uma hora, aproveitando a maré baixa, cerca de 40 alunos percorreram 350 metros, recolhendo diversos tipos de lixo, como cordas e embalagens de sal, que são usadas para apanhar lingueirão, garrafas de água e tampas, palhinhas, ténis de corrida, muitas beatas de cigarro e madeiras.

Feitas as contas, os alunos conseguiram evitar que 114 kg de lixo entrassem nos oceanos e colocassem em risco a vida de organismos marinhos e a saúde e segurança humanas.

Limpeza de praia
Pizza Hut

A Pizza Hut anunciou que vai adicionar uma pizza vegan ao seu menu, no Reino Unido.
A empresa juntou-se à marca grega de queijo vegan Violife e as pizzas estarão disponíveis de 11 de outubro a 26 de novembro em cinco localidades do Reino Unido (Cantuária, Chatham, Thanet, Bluewater e Crawley).

borboleta-monarca

Um novo estudo revelou que as populações de borboletas-monarca do oeste da América do Norte sofreram um declínio muito mais dramático do que se pensava e que enfrentam um risco mais elevado de extinção do que as populações do este.

Se não forem tomadas medidas para ajudar a população a recuperar, as borboletas migratórias do oeste poderão desaparecer nas próximas décadas, avisa Cheryl Schultz, autora do estudo.

“Este estudo não mostra apenas que há menos borboletas-monarca agora do que havia há 35 anos. Também nos diz que, se as coisas ficarem como estão, as borboletas-monarca do oeste não estarão cá daqui a 35 anos”, contou a investigadora.

Ao contrário das borboletas-monarca do este que migram para o México para lá passarem o Inverno, a população do oeste passa esta estação no litoral da Califórnia. Na Primavera, espalham-se pelos estados do Arizona, Nevada, Califórnia, Oregon, Washington, Idaho e Utah, e põem os seus ovos em asclépias, as plantas que estas borboletas utilizam como fonte de alimento, abrigo e das quais as suas lagartas se alimentam exclusivamente.

Mapa da migração das borboletas-monarca nos EUA
A Migração das borboletas-monarca (Danaus plexippus) nos Estados Unidos | Mapa: Xerces Society

“Nos anos 80 havia 10 milhões de borboletas-monarca a passar o Inverno no litoral da Califórnia. Hoje em dia, quase nem chegam às 300 mil”, disse Cheryl Schultz.

Embora ainda não se conheçam as causas exatas deste declínio, a perda e a modificação do habitat, assim como o uso de pesticidas são fatores importantes que têm influenciado a queda dos seus números.

“Os cientistas, os decisores políticos e o público têm-se concentrado nos declínios dramáticos da bem conhecida população oriental; contudo, este estudo revela que as borboletas do oeste ainda correm mais risco de extinção”, disse Emma Pelton, bióloga da Sociedade Xerces e coautora do estudo. “Vamos precisar de medidas significativas de conservação para salvar as borboletas-monarca do oeste.”

O estudo foi financiado pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, que está, atualmente, a considerar se deve classificar a borboleta-monarca como uma espécie ameaçada.

“A parte difícil de se ser uma bióloga de conservação é documentar os declínios das espécies. A parte entusiasmante é descobrir como ajudar a recuperar as espécies em declínio”, disse Elizabeth Crone, professora da Universidade de Tufts e coautora do estudo. “No séc. XX, tiramos as águias-de-cabeça-branca do limiar da extinção, ao limitar o uso de DDT. Se começarmos agora, podemos fazer do séc. XXI a era em que as borboletas-monarca regressam às nossas paisagens.”





Na América Latina, Meio Ambiente é uma questão de Vida ou Morte e em Tribunais cruéis, onde a Lei é o arbítrio, pessoas são condenadas e executadas.
Por Vinícius Puhl

O escritor argentino Jorge Luis Borges em seu livro 'La Rosa Profunda', dedica um Poema 'Em Memória de Angélica', onde questiona 'Quantas vidas possíveis já descansam Nesta bem pobre e diminuta morte, Quantas vidas possíveis que outra sorte Daria ao esquecimento ou à lembrança! Quando eu morrer, morrerá um passado; Com esta flor, morreu só um futuro Nas águas que o ignoram, o mais puro Porvir hoje pios astros arrasado. Eu, como ela, morro em infinitos Destinos que já não me oferece o acaso; Procura a minha sombra os gastos mitos De uma pátria que sempre deu a face. Um breve mármore diz a sua memória; Sobre nós todos cresce, atroz, a história'.

O cenário de mortes de ambientalistas na América Latina revela um massacre, um genocídio social, étnico, cultural, político e ideológico através de um sistemático extermínio patrocinado por capitalistas, proprietários de terra, pelo próprio Estado, sob o manto da impunidade, do esquecimento e de conluio. Apesar de ainda haver discussão caso a caso de episódios de morte trágica de pessoas, em sua maioria ambientalistas com grande liderança comunitária, o genocídio é evidente e parte de um conjunto mais amplo de atos de opressão e de assassinatos, cujas principais vítimas que não exercem liderança na comunidade ou não são declaradamente ambientalistas, são filhos, pais, maridos, esposas e amigos. Muitos vizinhos, testemunhas oculares também são alvos da violência, fato que amplia ainda mais a contagem de uma rede de mais de 2 mil assassinatos, um número que aumenta dia a dia com a intensidade dos conflitos ambientais em curso motivados por água, por terra, por poluição, por despejos, pela mineração e por um capitalismo selvagem.

A perseguição e o massacre são realizados em etapas. Várias Leis são desobedecidas – com maior destaque para as Leis que protegem Reservas Ambientais, Indígenas e de proteção permanente. Grupos paramilitares, por vezes compostos por policiais corruptos, realizam as execuções. São operações planejadas, baseadas em investigações, inteligência e até interceptações telemáticas – grampos em telefones e espionagem de correspondências eletrônicas. Envolvidos diretamente em episódios, vários Governos da América Latina, colaboram com esses crimes. Autoridades acobertam os responsáveis pelos crimes e em sua maioria os inquéritos jamais são concluídos e os responsáveis identificados, julgados e condenados. Muitos adversários políticos também estão na lista de mortos, numa guerra declarada e silenciosa que se realiza em regiões distantes de centros urbanos. Por meio de fuzilamentos, chacinas são executadas que ceifam a vida de Tribos indígenas e famílias inteiras.

Equipa de segurança privada guarda o projeto hidroelétrico de Água Zarca. O antigo dirigente desta equipa foi uma das sete pessoas presas pelo assassinato da ativista Berta Cárceres, que durante 10 anos protestou contra a construção da barragem. | Foto: Giles Clarke

Os algozes desses homicídios confinam suas vítimas, subjugam-nas e as executam, transportam seus cadáveres, montam cenas de seus crimes horrendos e criam farsas, ficções e histórias para criminalizá-las, incriminando as próprias vítimas. Muitos simplesmente desaparecem, em sua maioria mortos, esquartejados e enterrados em valas, jogados em rios e lagos ou tendo seus restos mortais entregues de comida aos cães. Um pequeno grupo, sobrevivente, foge e jamais é visto em suas comunidades, numa clandestinidade que lhe impõe o medo da perseguição e o sofrimento do exílio. Em sua imensa maioria compostos de pobres, pessoas umildes e sem recursos materiais e financeiros, ganham a vida pelas cidades, muitos mendigos vendendo cestos, outros trabalhadores assalariados que, oprimidos e marginalizados, vivem sob a memória ambígua de tempos felizes nos campos e florestas e o trauma da impiedosa violência, da triste solidão e da saudade.

Onde está Santiago Maldonado?

O jovem Santiago Maldonado é um símbolo recente dessa realidade. Desapareceu na Patagônia argentina em 1 de agosto de 2017 durante um protesto de uma comunidade indígena de Mapuches que haviam ocupado terras do Grupo Benetton. A principal suspeita é que Maldonado tenha sido assassinado. Seu desaparecimento gerou uma comoção na Argentina – país traumatizado pelos mais de 30 mil desaparecidos no período em que sofreu uma sanguinária Ditadura (1966-1973) – e o caso já é um dos maiores escândalos do país e repercute na América Latina. A lógica é a mesma das mais de 300 vítimas de assassinatos identificadas no continente: a impunidade! Ninguém sabe, ninguém viu... O conflito entre a Benetton e os Mapuches na Patagônia argentina, que mobilizou o jovem artesão Santiago Maldonado, diz respeito a ocupação de uma área de 10 milhões de hectares. Os direitos à terra constituem o cenário da maior parte das mortes de que se tem conhecimento de líderes ambientalistas. O capital privado em conluio com Governos realizam transações secretas para destinar grandes áreas de terra e florestas ao Mercado, para a exploração comercial dos recursos naturais, sendo que a maioria das mortes ocorre em conflitos agrários e rurais.

Burocracia e Injustiça

Os Estados descumprem suas próprias Leis, atacam, assassinam e criminalizam as pessoas que defendem o Meio Ambiente, ambientalistas e líderes comunitários. Destas vítimas em todo o mundo, 40% são indígenas e 60% são da América Latina. A burocracia estatal nos países latino-americanos é um complexo sistema logístico de papel e dados onde o extermínio de ambientalistas e líderes de comunidades são números, dígitos frios em gavetas de gabinetes que ostentam bons salários, perfumes, bebidas alcoólicas, drogas e prostituição. O judiciário, em muitos países, é o Poder mais corrupto de todos e faz jus à sua fama ao mandar prender a vítima e soltar o criminoso; faz vistas grossas às denúncias, indica paradeiros e colabora com as mortes. Entre os exemplos de maior repercussão desta realidade está o Brasil, maior país do continente, cujos Ministros de seu Supremo Tribunal frequentemente legislam em favor do latifúndio, subvertem Leis e protegem-se uns aos outros, no devido processo legal, sob os auspícios de palavras em latim, como a 'data venia' – expressão respeitosa com a qual se inicia uma argumentação, contrariando a opinião de outrem – e o 'in dubio pro reo' – que significa literalmente na dúvida, a favor do réu. A corrupção é um dos instrumentos que transforma o Estado deste país num cúmplice de bárbaros crimes, que coloca a arma na cabeça do ambientalista, do índio, da mulher e da criança, que limpa a arma após o pistoleiro apertar o gatilho.

'Os direitos humanos estão sendo descartados, uma vez que a cultura da impunidade está se desenvolvendo' é o que revela John Knox, relator especial da ONU sobre direitos humanos e meio ambiente. O incentivo público e privado (Mercado) para destruir o meio ambiente por razões econômicas é brutal. 'As pessoas em maior risco são pessoas que já são marginalizadas e excluídas da política e da justiça e são dependentes do meio ambiente, do extrativismo para sobreviver. Os países não respeitam o estado de direito. Em todo o mundo, os defensores ambientais enfrentam ameaças', destaca Knox. No caminho desta barbárie estão, entre outros, empreendimentos dos setores da Mineração, do Agronegócio, da exploração da Madeira, da exploração ilegal da biodiversidade e da construção de barragens.


José Claudio Ribeiro da Silva e Maria de Espirito | Fonte: Revista Trip

Uma guerra em curso, organizada para o extermínio, para calar, oprimir no cerco e na perseguição a pequenos agricultores, indígenas, trabalhadores, extrativistas. Os conflitos já deixaram milhares de vítimas em assassinatos registrados em aldeias remotas e florestas tropicais, com as comunidades indígenas mais atingidas. José Claudio Ribeiro da Silva e sua esposa Maria do Espírito Santo, ativistas da Amazônia que fizeram campanha contra o desmatamento ilegal, foram mortos em uma emboscada em maio de 2011. Essa violência é produto de uma Indústria mortal: a mineração. Raimundo dos Santos Rodrigues, morto no dia 25 de agosto de 2016 em Bom Jardim, no Maranhão/Brasil foi atacado quando voltava para casa com sua esposa, cruelmente assassinados. Rodrigues integrava o Conselho Consultivo da Reserva Biológica do Gurupi e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O ativista denunciou crimes ambientais cometidos por fazendeiros e madeireiras da região. Depois de seu assassinato, vários integrantes de comunidades locais abandonaram a região.

Um outro Mundo é possível

Mas os defensores ambientais e as comunidades que vivem em florestas remotas ou aldeias afetadas pela mineração, barragens, exploração madeireira ilegal, biopirataria e agronegócios não estão sozinhos. Em sua defesa, organizações internacionais se articulam. Um Projeto lançado pelo The Guardian em colaboração com a Global Witness se levanta e diz: basta! Além do registro das mortes de todos em defesa do meio ambiente, pretendem produzir, repercutir e informar sobre acontecimentos nas últimas regiões selvagens do mundo, bem como dos países mais industrializados do planeta, sobre o trabalho dos defensores ambientais e as ameaças contra eles. A Global Witness é uma ONG internacional criada em 1993 para averiguar vínculos entre a exploração de recursos naturais e conflitos, pobreza, corrupção e abusos de direitos humanos a nível mundial.

Um dos lideres na Global Witness, Billy Kyte, nos passou uma relação de contatos de pessoas de diversos países que estão em luta, inclusive no Brasil, país que contabilizou 49 defensores mortos em 2016 – número que pode ser surpreendentemente muito maior. Billy é um dos maiores defensores de ativistas que lutam para proteger suas terras, florestas e cursos de água contra a expansão da agricultura em grande escala, barragens, mineração, exploração madeireira e outras ameaças. A equipe de Billy monitora mortes e defende reformas destinadas a evitar que a competição por recursos gere conflitos. Eles também investigam as causas profundas da violência em países, pressionam Governos para monitorar os abusos e trazer criminosos à justiça.

Billy se juntou a Global Witness em 2009, inicialmente trabalhando em uma campanha para evitar a exploração não sustentável em florestas tropicais. Ele viveu por um tempo substancial na América Latina, trabalhando como jornalista e para a organização de direitos humanos 'Peace Brigades International'. Ele também viveu e trabalhou em Mianmar com foco em questões de governança dos recursos naturais. Billy tem desempenhado um papel forte na promoção do vínculo entre os direitos humanos e o meio ambiente, evidenciado pela campanha carro-chefe da Global Witness sobre os defensores ambientais e das terras. Ele é autor de uma série de relatórios sobre abusos dos direitos humanos e ataques contra ativistas na América Latina. Billy tem uma licenciatura em línguas modernas na Universidade de Bristol e um MSC da LSE em direitos humanos. "Ano após ano, o Brasil é o país mais perigoso em termos de números. A indústria madeireira estava ligada a dezenas de assassinatos, enquanto os proprietários de terras eram os perpetradores suspeitos de muitos assassinatos na Amazônia. O Governo reduziu a legislação ambiental e debilitou as instituições de direitos humanos. Apesar do número chocante e crescente de assassinatos, o governo brasileiro, presidido por Michel Temer desmantelou o Ministério dos Direitos Humanos. Um programa nacional para a proteção dos defensores dos direitos humanos tem recursos insuficientes e ineficazes', conclui sua análise sobre o que ocorre no Brasil e oferece uma análise sobre a realidade mundial.



A realidade é que a questão ambiental é uma questão de vida ou morte, não apenas de animais e plantas, mas do próprio homem, e do Planeta que o abriga. Em 1972, 1992, 2012 e 2015 as Nações Unidas (ONU) avaliaram a degradação ambiental causada pelo processo de crescimento econômico e progressiva escassez de recursos naturais. Na recente COP21 de Paris, 197 países firmaram acordos, sobretudo voltados á questão do Clima e os países do G20 (mais ricos do mundo) se comprometeram a ajudar financeiramente as nações em desenvolvimento com US$ 100 bilhões por ano, a partir de 2020, para que estas possam desenvolver sistemas e projetos para redução da emissão de gases de efeito estufa. Muitos alertas estão aí, os mais perigosos são o 'aquecimento global' e o advento das 'mudanças climáticas', realidades objetivas expressas pelos severos fenômenos climáticos extremos, como o Furação Patrícia (2015) com ventos de 366 Km/h e os Furacões Irma e José (2017), que se formaram na Bacia do Atlântico com poder destrutivo inédito. Neste contexto, na América Latina, até quando as pessoas que lutam, se manifestam, se revoltam e se mobilizam serão condenadas à morte? Até quando...

Nas palavras do Poeta brasileiro, Carlos Drummond de Andrade, na 'A Falta que Ama', quem morre, 'Não morres satisfeito. A vida te viveu sem que vivesses nela. E não te convenceu nem deu qualquer motivo para haver o ser vivo. A vida te venceu em luta desigual. Era todo o passado presente presidente na polpa do futuro acuando-te no beco. Se morres derrotado, não morres conformado. Nem morres informado dos termos da sentença de tua morte, lida antes de redigida. Deram-te um defensor cego surdo estrangeiro que ora metia medo ora extorquia amor. Nem sabes se és culpado de não ter culpa. Sabes que morres todo o tempo no ensaiar errado que vai a cada instante desensinando a morte quanto mais a soletras, sem que, nascido, more onde, vivendo, morres" (...). Assim, solidários vivemos, assim solidários lutemos...


Este artigo foi escrito por um convidado. Quer ver a sua história publicada no UniPlanet? Saiba mais.

Vinícius Puhl

Vinícius Puhl (40) é Jornalista, gaúcho da cidade de Santa Rosa no Estado brasileiro do Rio Grande do Sul. É Comunista e Industrial, atualmente trabalha no Poder Legislativo.

Plantas

No dia 20 de setembro, a Universidade de Coimbra vai dar as boas-vindas aos novos estudantes, no Jardim Botânico, com a iniciativa UC.Plantas, ou seja, vai convidar os novos alunos a adotar e cuidar de uma planta durante o ano letivo.

Ao todo vão ser distribuídas oito espécies de plantas da flora portuguesa – carrasco, carvalho negral, medronheiro, pilriteiro, pinheiro manso, sobreiro, tramazeira e zêlha. Cada planta vem acompanhada de um guia com informação sobre a espécie.

Ao fim de um ano, a árvore vai ser plantada, em colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, num espaço verde da região.

De acordo com o Diretor do Jardim Botânico, António Gouveia, o objetivo da iniciativa, com o lema “Saber plantar o futuro”, “é promover a criação de fortes laços de inclusão dos novos estudantes com os seus colegas, através de uma maior consciência e responsabilidade ambiental”.

UC.Plantas
20 de setembro
17 horas

Tigre num circo

A câmara municipal da cidade de Santa Fé, no estado norte-americano de Novo México, aprovou, com oito votos a favor e um contra, a proibição dos espetáculos com animais selvagens e exóticos dentro dos limites da cidade.

A vereadora Signe Lindell, que apresentou a proposta, afirmou que é um facto bem documentado que os animais forçados a realizar truques são, frequentemente, vítimas de maus-tratos durante os treinos e transporte. “O entretenimento não é uma desculpa para os maus-tratos e crueldade para com os animais”, disse.

São feitas exceções para as exibições de animais para “fins exclusivamente educativos” e para a participação de animais domésticos – como os gatos, cães, vacas, ovelhas, cabras, porcos e cavalos – em espetáculos. Os rodeos continuam a ser permitidos.

“Estamos prontos a dizer, hoje, que Santa Fé não tolerará a conhecida crueldade a que são submetidos os animais exóticos usados em espetáculos”, disse a vereadora.

“Por motivos de decência e senso comum, estes espetáculos não têm lugar em Santa Fé”, defendeu um habitante local.

Também houve vozes a erguerem-se contra a medida, apelidando-a de “hipócrita”, visto não proibir a realização de rodeos. A estas acusações, Renee Villarreal, vereadora, responde: “Acho que temos de começar por algum lado”.

Rachel Mathews, da organização de defesa dos direitos dos animais PETA, saudou a medida. “Santa Fé junta-se agora à cidade de Nova Iorque, São Francisco e a outras cidades, proibindo os negócios que lucram com o sofrimento dos animais e a PETA espera pelo dia em que os circos e outras empresas que espancam, chicoteiam e dão choques elétricos aos animais sejam rejeitados em todos os cantos do país.”

Foto: Pawsitive Candie N