Limpeza de praia

No dia 16 de setembro comemora-se o Dia Internacional das Limpezas de Praia, e por isso os caloiros de Biologia Marinha e Biologia da Universidade do Algarve passaram a tarde deste dia a limpar a Ria Formosa (na zona do Ludo perto da Praia de Faro), uma atividade inserida na praxe académica.

A ação foi organizada pela Straw Patrol em colaboração com os alunos de 3º ano, responsáveis por acolher os alunos recém-chegados.

Durante cerca de uma hora, aproveitando a maré baixa, cerca de 40 alunos percorreram 350 metros, recolhendo diversos tipos de lixo, como cordas e embalagens de sal, que são usadas para apanhar lingueirão, garrafas de água e tampas, palhinhas, ténis de corrida, muitas beatas de cigarro e madeiras.

Feitas as contas, os alunos conseguiram evitar que 114 kg de lixo entrassem nos oceanos e colocassem em risco a vida de organismos marinhos e a saúde e segurança humanas.

Limpeza de praia
Pizza Hut

A Pizza Hut anunciou que vai adicionar uma pizza vegan ao seu menu, no Reino Unido.
A empresa juntou-se à marca grega de queijo vegan Violife e as pizzas estarão disponíveis de 11 de outubro a 26 de novembro em cinco localidades do Reino Unido (Cantuária, Chatham, Thanet, Bluewater e Crawley).

borboleta-monarca

Um novo estudo revelou que as populações de borboletas-monarca do oeste da América do Norte sofreram um declínio muito mais dramático do que se pensava e que enfrentam um risco mais elevado de extinção do que as populações do este.

Se não forem tomadas medidas para ajudar a população a recuperar, as borboletas migratórias do oeste poderão desaparecer nas próximas décadas, avisa Cheryl Schultz, autora do estudo.

“Este estudo não mostra apenas que há menos borboletas-monarca agora do que havia há 35 anos. Também nos diz que, se as coisas ficarem como estão, as borboletas-monarca do oeste não estarão cá daqui a 35 anos”, contou a investigadora.

Ao contrário das borboletas-monarca do este que migram para o México para lá passarem o Inverno, a população do oeste passa esta estação no litoral da Califórnia. Na Primavera, espalham-se pelos estados do Arizona, Nevada, Califórnia, Oregon, Washington, Idaho e Utah, e põem os seus ovos em asclépias, as plantas que estas borboletas utilizam como fonte de alimento, abrigo e das quais as suas lagartas se alimentam exclusivamente.

Mapa da migração das borboletas-monarca nos EUA
A Migração das borboletas-monarca (Danaus plexippus) nos Estados Unidos | Mapa: Xerces Society

“Nos anos 80 havia 10 milhões de borboletas-monarca a passar o Inverno no litoral da Califórnia. Hoje em dia, quase nem chegam às 300 mil”, disse Cheryl Schultz.

Embora ainda não se conheçam as causas exatas deste declínio, a perda e a modificação do habitat, assim como o uso de pesticidas são fatores importantes que têm influenciado a queda dos seus números.

“Os cientistas, os decisores políticos e o público têm-se concentrado nos declínios dramáticos da bem conhecida população oriental; contudo, este estudo revela que as borboletas do oeste ainda correm mais risco de extinção”, disse Emma Pelton, bióloga da Sociedade Xerces e coautora do estudo. “Vamos precisar de medidas significativas de conservação para salvar as borboletas-monarca do oeste.”

O estudo foi financiado pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, que está, atualmente, a considerar se deve classificar a borboleta-monarca como uma espécie ameaçada.

“A parte difícil de se ser uma bióloga de conservação é documentar os declínios das espécies. A parte entusiasmante é descobrir como ajudar a recuperar as espécies em declínio”, disse Elizabeth Crone, professora da Universidade de Tufts e coautora do estudo. “No séc. XX, tiramos as águias-de-cabeça-branca do limiar da extinção, ao limitar o uso de DDT. Se começarmos agora, podemos fazer do séc. XXI a era em que as borboletas-monarca regressam às nossas paisagens.”





Na América Latina, Meio Ambiente é uma questão de Vida ou Morte e em Tribunais cruéis, onde a Lei é o arbítrio, pessoas são condenadas e executadas.
Por Vinícius Puhl

O escritor argentino Jorge Luis Borges em seu livro 'La Rosa Profunda', dedica um Poema 'Em Memória de Angélica', onde questiona 'Quantas vidas possíveis já descansam Nesta bem pobre e diminuta morte, Quantas vidas possíveis que outra sorte Daria ao esquecimento ou à lembrança! Quando eu morrer, morrerá um passado; Com esta flor, morreu só um futuro Nas águas que o ignoram, o mais puro Porvir hoje pios astros arrasado. Eu, como ela, morro em infinitos Destinos que já não me oferece o acaso; Procura a minha sombra os gastos mitos De uma pátria que sempre deu a face. Um breve mármore diz a sua memória; Sobre nós todos cresce, atroz, a história'.

O cenário de mortes de ambientalistas na América Latina revela um massacre, um genocídio social, étnico, cultural, político e ideológico através de um sistemático extermínio patrocinado por capitalistas, proprietários de terra, pelo próprio Estado, sob o manto da impunidade, do esquecimento e de conluio. Apesar de ainda haver discussão caso a caso de episódios de morte trágica de pessoas, em sua maioria ambientalistas com grande liderança comunitária, o genocídio é evidente e parte de um conjunto mais amplo de atos de opressão e de assassinatos, cujas principais vítimas que não exercem liderança na comunidade ou não são declaradamente ambientalistas, são filhos, pais, maridos, esposas e amigos. Muitos vizinhos, testemunhas oculares também são alvos da violência, fato que amplia ainda mais a contagem de uma rede de mais de 2 mil assassinatos, um número que aumenta dia a dia com a intensidade dos conflitos ambientais em curso motivados por água, por terra, por poluição, por despejos, pela mineração e por um capitalismo selvagem.

A perseguição e o massacre são realizados em etapas. Várias Leis são desobedecidas – com maior destaque para as Leis que protegem Reservas Ambientais, Indígenas e de proteção permanente. Grupos paramilitares, por vezes compostos por policiais corruptos, realizam as execuções. São operações planejadas, baseadas em investigações, inteligência e até interceptações telemáticas – grampos em telefones e espionagem de correspondências eletrônicas. Envolvidos diretamente em episódios, vários Governos da América Latina, colaboram com esses crimes. Autoridades acobertam os responsáveis pelos crimes e em sua maioria os inquéritos jamais são concluídos e os responsáveis identificados, julgados e condenados. Muitos adversários políticos também estão na lista de mortos, numa guerra declarada e silenciosa que se realiza em regiões distantes de centros urbanos. Por meio de fuzilamentos, chacinas são executadas que ceifam a vida de Tribos indígenas e famílias inteiras.

Equipa de segurança privada guarda o projeto hidroelétrico de Água Zarca. O antigo dirigente desta equipa foi uma das sete pessoas presas pelo assassinato da ativista Berta Cárceres, que durante 10 anos protestou contra a construção da barragem. | Foto: Giles Clarke

Os algozes desses homicídios confinam suas vítimas, subjugam-nas e as executam, transportam seus cadáveres, montam cenas de seus crimes horrendos e criam farsas, ficções e histórias para criminalizá-las, incriminando as próprias vítimas. Muitos simplesmente desaparecem, em sua maioria mortos, esquartejados e enterrados em valas, jogados em rios e lagos ou tendo seus restos mortais entregues de comida aos cães. Um pequeno grupo, sobrevivente, foge e jamais é visto em suas comunidades, numa clandestinidade que lhe impõe o medo da perseguição e o sofrimento do exílio. Em sua imensa maioria compostos de pobres, pessoas umildes e sem recursos materiais e financeiros, ganham a vida pelas cidades, muitos mendigos vendendo cestos, outros trabalhadores assalariados que, oprimidos e marginalizados, vivem sob a memória ambígua de tempos felizes nos campos e florestas e o trauma da impiedosa violência, da triste solidão e da saudade.

Onde está Santiago Maldonado?

O jovem Santiago Maldonado é um símbolo recente dessa realidade. Desapareceu na Patagônia argentina em 1 de agosto de 2017 durante um protesto de uma comunidade indígena de Mapuches que haviam ocupado terras do Grupo Benetton. A principal suspeita é que Maldonado tenha sido assassinado. Seu desaparecimento gerou uma comoção na Argentina – país traumatizado pelos mais de 30 mil desaparecidos no período em que sofreu uma sanguinária Ditadura (1966-1973) – e o caso já é um dos maiores escândalos do país e repercute na América Latina. A lógica é a mesma das mais de 300 vítimas de assassinatos identificadas no continente: a impunidade! Ninguém sabe, ninguém viu... O conflito entre a Benetton e os Mapuches na Patagônia argentina, que mobilizou o jovem artesão Santiago Maldonado, diz respeito a ocupação de uma área de 10 milhões de hectares. Os direitos à terra constituem o cenário da maior parte das mortes de que se tem conhecimento de líderes ambientalistas. O capital privado em conluio com Governos realizam transações secretas para destinar grandes áreas de terra e florestas ao Mercado, para a exploração comercial dos recursos naturais, sendo que a maioria das mortes ocorre em conflitos agrários e rurais.

Burocracia e Injustiça

Os Estados descumprem suas próprias Leis, atacam, assassinam e criminalizam as pessoas que defendem o Meio Ambiente, ambientalistas e líderes comunitários. Destas vítimas em todo o mundo, 40% são indígenas e 60% são da América Latina. A burocracia estatal nos países latino-americanos é um complexo sistema logístico de papel e dados onde o extermínio de ambientalistas e líderes de comunidades são números, dígitos frios em gavetas de gabinetes que ostentam bons salários, perfumes, bebidas alcoólicas, drogas e prostituição. O judiciário, em muitos países, é o Poder mais corrupto de todos e faz jus à sua fama ao mandar prender a vítima e soltar o criminoso; faz vistas grossas às denúncias, indica paradeiros e colabora com as mortes. Entre os exemplos de maior repercussão desta realidade está o Brasil, maior país do continente, cujos Ministros de seu Supremo Tribunal frequentemente legislam em favor do latifúndio, subvertem Leis e protegem-se uns aos outros, no devido processo legal, sob os auspícios de palavras em latim, como a 'data venia' – expressão respeitosa com a qual se inicia uma argumentação, contrariando a opinião de outrem – e o 'in dubio pro reo' – que significa literalmente na dúvida, a favor do réu. A corrupção é um dos instrumentos que transforma o Estado deste país num cúmplice de bárbaros crimes, que coloca a arma na cabeça do ambientalista, do índio, da mulher e da criança, que limpa a arma após o pistoleiro apertar o gatilho.

'Os direitos humanos estão sendo descartados, uma vez que a cultura da impunidade está se desenvolvendo' é o que revela John Knox, relator especial da ONU sobre direitos humanos e meio ambiente. O incentivo público e privado (Mercado) para destruir o meio ambiente por razões econômicas é brutal. 'As pessoas em maior risco são pessoas que já são marginalizadas e excluídas da política e da justiça e são dependentes do meio ambiente, do extrativismo para sobreviver. Os países não respeitam o estado de direito. Em todo o mundo, os defensores ambientais enfrentam ameaças', destaca Knox. No caminho desta barbárie estão, entre outros, empreendimentos dos setores da Mineração, do Agronegócio, da exploração da Madeira, da exploração ilegal da biodiversidade e da construção de barragens.


José Claudio Ribeiro da Silva e Maria de Espirito | Fonte: Revista Trip

Uma guerra em curso, organizada para o extermínio, para calar, oprimir no cerco e na perseguição a pequenos agricultores, indígenas, trabalhadores, extrativistas. Os conflitos já deixaram milhares de vítimas em assassinatos registrados em aldeias remotas e florestas tropicais, com as comunidades indígenas mais atingidas. José Claudio Ribeiro da Silva e sua esposa Maria do Espírito Santo, ativistas da Amazônia que fizeram campanha contra o desmatamento ilegal, foram mortos em uma emboscada em maio de 2011. Essa violência é produto de uma Indústria mortal: a mineração. Raimundo dos Santos Rodrigues, morto no dia 25 de agosto de 2016 em Bom Jardim, no Maranhão/Brasil foi atacado quando voltava para casa com sua esposa, cruelmente assassinados. Rodrigues integrava o Conselho Consultivo da Reserva Biológica do Gurupi e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O ativista denunciou crimes ambientais cometidos por fazendeiros e madeireiras da região. Depois de seu assassinato, vários integrantes de comunidades locais abandonaram a região.

Um outro Mundo é possível

Mas os defensores ambientais e as comunidades que vivem em florestas remotas ou aldeias afetadas pela mineração, barragens, exploração madeireira ilegal, biopirataria e agronegócios não estão sozinhos. Em sua defesa, organizações internacionais se articulam. Um Projeto lançado pelo The Guardian em colaboração com a Global Witness se levanta e diz: basta! Além do registro das mortes de todos em defesa do meio ambiente, pretendem produzir, repercutir e informar sobre acontecimentos nas últimas regiões selvagens do mundo, bem como dos países mais industrializados do planeta, sobre o trabalho dos defensores ambientais e as ameaças contra eles. A Global Witness é uma ONG internacional criada em 1993 para averiguar vínculos entre a exploração de recursos naturais e conflitos, pobreza, corrupção e abusos de direitos humanos a nível mundial.

Um dos lideres na Global Witness, Billy Kyte, nos passou uma relação de contatos de pessoas de diversos países que estão em luta, inclusive no Brasil, país que contabilizou 49 defensores mortos em 2016 – número que pode ser surpreendentemente muito maior. Billy é um dos maiores defensores de ativistas que lutam para proteger suas terras, florestas e cursos de água contra a expansão da agricultura em grande escala, barragens, mineração, exploração madeireira e outras ameaças. A equipe de Billy monitora mortes e defende reformas destinadas a evitar que a competição por recursos gere conflitos. Eles também investigam as causas profundas da violência em países, pressionam Governos para monitorar os abusos e trazer criminosos à justiça.

Billy se juntou a Global Witness em 2009, inicialmente trabalhando em uma campanha para evitar a exploração não sustentável em florestas tropicais. Ele viveu por um tempo substancial na América Latina, trabalhando como jornalista e para a organização de direitos humanos 'Peace Brigades International'. Ele também viveu e trabalhou em Mianmar com foco em questões de governança dos recursos naturais. Billy tem desempenhado um papel forte na promoção do vínculo entre os direitos humanos e o meio ambiente, evidenciado pela campanha carro-chefe da Global Witness sobre os defensores ambientais e das terras. Ele é autor de uma série de relatórios sobre abusos dos direitos humanos e ataques contra ativistas na América Latina. Billy tem uma licenciatura em línguas modernas na Universidade de Bristol e um MSC da LSE em direitos humanos. "Ano após ano, o Brasil é o país mais perigoso em termos de números. A indústria madeireira estava ligada a dezenas de assassinatos, enquanto os proprietários de terras eram os perpetradores suspeitos de muitos assassinatos na Amazônia. O Governo reduziu a legislação ambiental e debilitou as instituições de direitos humanos. Apesar do número chocante e crescente de assassinatos, o governo brasileiro, presidido por Michel Temer desmantelou o Ministério dos Direitos Humanos. Um programa nacional para a proteção dos defensores dos direitos humanos tem recursos insuficientes e ineficazes', conclui sua análise sobre o que ocorre no Brasil e oferece uma análise sobre a realidade mundial.



A realidade é que a questão ambiental é uma questão de vida ou morte, não apenas de animais e plantas, mas do próprio homem, e do Planeta que o abriga. Em 1972, 1992, 2012 e 2015 as Nações Unidas (ONU) avaliaram a degradação ambiental causada pelo processo de crescimento econômico e progressiva escassez de recursos naturais. Na recente COP21 de Paris, 197 países firmaram acordos, sobretudo voltados á questão do Clima e os países do G20 (mais ricos do mundo) se comprometeram a ajudar financeiramente as nações em desenvolvimento com US$ 100 bilhões por ano, a partir de 2020, para que estas possam desenvolver sistemas e projetos para redução da emissão de gases de efeito estufa. Muitos alertas estão aí, os mais perigosos são o 'aquecimento global' e o advento das 'mudanças climáticas', realidades objetivas expressas pelos severos fenômenos climáticos extremos, como o Furação Patrícia (2015) com ventos de 366 Km/h e os Furacões Irma e José (2017), que se formaram na Bacia do Atlântico com poder destrutivo inédito. Neste contexto, na América Latina, até quando as pessoas que lutam, se manifestam, se revoltam e se mobilizam serão condenadas à morte? Até quando...

Nas palavras do Poeta brasileiro, Carlos Drummond de Andrade, na 'A Falta que Ama', quem morre, 'Não morres satisfeito. A vida te viveu sem que vivesses nela. E não te convenceu nem deu qualquer motivo para haver o ser vivo. A vida te venceu em luta desigual. Era todo o passado presente presidente na polpa do futuro acuando-te no beco. Se morres derrotado, não morres conformado. Nem morres informado dos termos da sentença de tua morte, lida antes de redigida. Deram-te um defensor cego surdo estrangeiro que ora metia medo ora extorquia amor. Nem sabes se és culpado de não ter culpa. Sabes que morres todo o tempo no ensaiar errado que vai a cada instante desensinando a morte quanto mais a soletras, sem que, nascido, more onde, vivendo, morres" (...). Assim, solidários vivemos, assim solidários lutemos...


Este artigo foi escrito por um convidado. Quer ver a sua história publicada no UniPlanet? Saiba mais.

Vinícius Puhl

Vinícius Puhl (40) é Jornalista, gaúcho da cidade de Santa Rosa no Estado brasileiro do Rio Grande do Sul. É Comunista e Industrial, atualmente trabalha no Poder Legislativo.

Plantas

No dia 20 de setembro, a Universidade de Coimbra vai dar as boas-vindas aos novos estudantes, no Jardim Botânico, com a iniciativa UC.Plantas, ou seja, vai convidar os novos alunos a adotar e cuidar de uma planta durante o ano letivo.

Ao todo vão ser distribuídas oito espécies de plantas da flora portuguesa – carrasco, carvalho negral, medronheiro, pilriteiro, pinheiro manso, sobreiro, tramazeira e zêlha. Cada planta vem acompanhada de um guia com informação sobre a espécie.

Ao fim de um ano, a árvore vai ser plantada, em colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, num espaço verde da região.

De acordo com o Diretor do Jardim Botânico, António Gouveia, o objetivo da iniciativa, com o lema “Saber plantar o futuro”, “é promover a criação de fortes laços de inclusão dos novos estudantes com os seus colegas, através de uma maior consciência e responsabilidade ambiental”.

UC.Plantas
20 de setembro
17 horas

Tigre num circo

A câmara municipal da cidade de Santa Fé, no estado norte-americano de Novo México, aprovou, com oito votos a favor e um contra, a proibição dos espetáculos com animais selvagens e exóticos dentro dos limites da cidade.

A vereadora Signe Lindell, que apresentou a proposta, afirmou que é um facto bem documentado que os animais forçados a realizar truques são, frequentemente, vítimas de maus-tratos durante os treinos e transporte. “O entretenimento não é uma desculpa para os maus-tratos e crueldade para com os animais”, disse.

São feitas exceções para as exibições de animais para “fins exclusivamente educativos” e para a participação de animais domésticos – como os gatos, cães, vacas, ovelhas, cabras, porcos e cavalos – em espetáculos. Os rodeos continuam a ser permitidos.

“Estamos prontos a dizer, hoje, que Santa Fé não tolerará a conhecida crueldade a que são submetidos os animais exóticos usados em espetáculos”, disse a vereadora.

“Por motivos de decência e senso comum, estes espetáculos não têm lugar em Santa Fé”, defendeu um habitante local.

Também houve vozes a erguerem-se contra a medida, apelidando-a de “hipócrita”, visto não proibir a realização de rodeos. A estas acusações, Renee Villarreal, vereadora, responde: “Acho que temos de começar por algum lado”.

Rachel Mathews, da organização de defesa dos direitos dos animais PETA, saudou a medida. “Santa Fé junta-se agora à cidade de Nova Iorque, São Francisco e a outras cidades, proibindo os negócios que lucram com o sofrimento dos animais e a PETA espera pelo dia em que os circos e outras empresas que espancam, chicoteiam e dão choques elétricos aos animais sejam rejeitados em todos os cantos do país.”

Foto: Pawsitive Candie N
Caribu

Num estudo que analisou 903 espécies de mamíferos, peixes, aves, anfíbios e répteis do Canadá, os cientistas descobriram que metade delas (451) estão a sofrer um declínio alarmante, incluindo diversas já classificadas como ameaçadas ou em perigo.

Para estas espécies, o relatório Planeta Vivo da WWF revelou, em média, um declínio de 83%, entre 1970 e 2014, um “número marcante”, segundo os cientistas.

“É fácil assumir-se que valores chocantes de declínio da vida selvagem não se aplicam aqui, no Canadá”, disse o presidente da WWF-Canadá, David Miller. “Afinal de contas, vivemos num país de vastas áreas verdes com muito espaço para os ursos-pardos e os alcatrazes, belugas e percas, salamandras e raposas-velozes – não é mesmo assim?”



No entanto, a realidade com que os investigadores se depararam, na sua análise de mais de 400 fontes de dados, não foi esta. Entre os animais com populações em declínio, os autores destacaram a subespécie de rena Rangifer tarandus caribou, retratada na moeda de 25¢ do Canadá, e a população de baleias-brancas do estuário de St. Lawrence.

As maiores ameaças à vida selvagem do Canadá, de acordo com o relatório, são a urbanização, a agricultura, a silvicultura e o desenvolvimento industrial. Outros fatores citados pela WWF incluem a poluição, a sobrepesca e as espécies invasoras.

Têm sido apontadas falhas nos esforços do governo federal para refrear a perda de vida selvagem, nomeadamente atrasos no reconhecimento de habitats críticos e na criação de estratégias de recuperação.

Um exemplo destas falhas é o caso da população de baleias-brancas, ou belugas, do estuário de St. Lawrence, cuja população foi classificada como ameaçada em 2005. Só em 2016 é que o habitat destes cetáceos foi protegido legalmente. Estes atrasos tiveram as suas consequências: atualmente já só existem menos de 900 belugas de St. Lawrence e a população foi reclassificada como “em perigo”.


Baleia-branca | Foto: Steve Snodgrass

Os números da subespécie de rena Rangifer tarandus groenlandicus também caíram: se em 1990 existiam mais de dois milhões, atualmente existem cerca de 800 mil.

“Esta é uma mensagem clara de que precisamos de ser mais ativos para evitar o declínio da vida selvagem, disse James Snider, autor do relatório. “Se o ritmo de declínio da vida selvagem continuar como atualmente, acho mesmo que enfrentamos o risco de começar a perder espécies do Canadá.”

Nem tudo são más notícias. Das 903 espécies analisadas – que representam cerca de metade dos vertebrados conhecidos do Canadá –, 407 viram um aumento nas suas populações e 45 mantiveram-se estáveis.

Também existem histórias de sucesso, como o caso das aves de rapina, cujas espécies – entre as quais o falcão-peregrino – viram os seus números aumentar em média 88% nas últimas décadas, como resultado da redução e da proibição do uso de pesticidas como o DDT.

“Por isso, quando nós, como sociedade, decidimos tomar medidas e promover o interesse pela vida selvagem, conseguimos criar mudanças reais”, defendeu Snider.

Planta

O Parlamento Europeu vai votar em outubro uma nova proposta legislativa sobre a utilização na agricultura de fertilizantes fosfatados com elevado teor de cádmio – um metal pesado considerado perigoso para a saúde pública.

Os objetivos principais desta proposta são encorajar a produção na UE de fertilizantes feitos a partir de matérias orgânicas e matérias-primas secundárias, com aproveitamento de resíduos, e diminuir a contaminação por cádmio nos solos.
Estas medidas vão levar a uma redução das fontes de poluição dos solos e das águas e da dependência da importação de matérias-primas, assim como estimular a inovação no sector.

O governo português tem-se manifestado contra esta proposta legislativa alegando que os níveis de cádmio existentes nos solos portugueses são muito baixos, cerca 0,11 mg Cd/kg e que uma alteração na compra de fosfato com níveis reduzidos de cádmio poderia causar um impacto socioeconómico negativo no norte de África, uma vez que Portugal compra o fosfato a Marrocos.

Os fertilizantes utilizados em Portugal contêm fosfato extraído de rochas, oriundo do Norte de África, com níveis de cádmio de cerca de 75 mg Cd/kg; no entanto, outras fontes de fosfato com níveis reduzidos ou mesmo isentos de cádmio existem na Jordânia, Rússia, Israel, África do Sul e potencialmente em outros mercados a explorar como os EUA, Chile e Peru.

Segundo a Quercus, a posição do governo português é "infundamentada". A associação ambientalista explica que a alteração legislativa visa desenvolver cada vez mais na Europa uma agricultura com melhores condições para o ambiente e para a saúde dos cidadãos. Desta forma, a Quercus pede que Portugal se posicione favoravelmente à adoção desta legislação ao lado da maioria dos outros países da UE.

O cádmio e a saúde

O cádmio é um metal pesado e vários estudos demonstram a potencial perigosidade para a saúde humana deste elemento, que está associado a várias doenças, tais como a disfunção renal e a descalcificação óssea, para além de estar classificado como cancerígeno.

A Autoridade Europeia para Segurança Alimentar considerou que o nível de exposição dos seres humanos na UE ao cádmio deveria ser diminuído visto que neste momento os níveis são superiores aos tolerados pelo corpo humano (2,5 μg/kg do peso corporal por semana).

Uma vez que 90% da contaminação humana deste metal é feita através dos alimentos ingeridos, a UE pretende reduzir os níveis deste metal existentes nos fertilizantes fosfatados utilizados na agricultura.

A proposta da UE pretende reduzir gradualmente os níveis de cádmio nos fosfatos utilizados nos adubos e fertilizantes, começando por uma redução para níveis máximos de 60 mg Cd/kg até chegar a 20mg Cd/kg em nove anos.
Leopardo-das-neves

O leopardo-das-neves, uma espécie considerada “em perigo” desde 1972, foi reclassificado como “vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). A reclassificação foi anunciada no dia 14 de setembro e surge no seguimento de uma avaliação de três anos que determinou que já não existem menos de 2500 destes animais na natureza e que os seus números já não estão a sofrer um declínio acentuado – os dois critérios para serem considerados “em perigo”.

As estimativas dos especialistas apontam agora para a existência de cerca de 4000 leopardos-das-neves em estado selvagem, podendo os seus números chegar aos 10 000 animais.

No entanto, isto não significa que já estejam livres de perigo. A caça furtiva para a obtenção da sua pele e ossos e a perda de presas continuam a ameaçar a sobrevivência destes elusivos grandes felinos. “A espécie ainda enfrenta ‘um elevado risco de extinção na natureza’ e é provável que ainda esteja em declínio – só não ao ritmo que pensávamos”, explicou Tom McCarthy, do grupo de conservação Panthera.

A tarefa de avaliar o estado das populações destes grandes felinos, que vivem, principalmente, em montanhas, a mais de 3000 metros de altitude, não é fácil. “Envolve uma enorme quantidade de trabalho em algumas das regiões mais remotas e inóspitas do mundo”, disse Peter Zahler, da Wildlife Conservation Society.

As novas tecnologias, como as armadilhas fotográficas e as coleiras transmissoras, são uma grande ajuda neste trabalho e estão a “dar-nos melhores informações sobre onde os leopardos-das-neves estão e até onde vai a sua área de distribuição”, explicou o investigador.

Entre os desenvolvimentos positivos que têm ajudado na recuperação das populações destes animais, contam-se o aumento do número de áreas protegidas, os esforços das comunidades locais para proteger os animais dos caçadores furtivos e a construção de currais para o gado à prova de predadores. Mas ainda há muito trabalho a fazer.

“Dizer-se que os leopardos-das-neves estão agora ‘vulneráveis’ em vez de ‘em perigo’ não significa que estão fora de perigo”, afirmou Peter Zahler. “Não é preciso muito para fazer com que os grandes predadores desapareçam das paisagens. Vimo-lo acontecer vezes sem conta em todo o mundo.”

relatório da EFSA

A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) fez “copy paste” de parágrafos inteiros de páginas de um estudo da Monsanto sobre o glifosato (principal ingrediente do RoundUp) para o seu relatório que será analisado para a futura renovação da licença deste herbicida na Europa.

A EFSA tinha ficado de elaborar um relatório científico independente sobre os efeitos deste herbicida na saúde humana. Em 2015, um estudo da Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC) da Organização Mundial de Saúde (OMS) tinha considerado o glifosato como um “carcinogénio provável”, enquanto que a EFSA considerou que não existiam tais indícios.

Os parágrafos copiados do relatório da Monsanto incluem informação sobre a relação entre o glifosato e a mutação de células associadas a doenças cancerígenas ou reprodutivas.

Em resposta a estas alegações, a EFSA argumentou que o relatório elaborado pela entidade alemã BfR se baseou nos “estudos e literatura científica disponíveis”.

“Quer isto seja uma questão de negligência ou seja propositado, é completamente inaceitável, afirmou Franziska Achterberg responsável pela política alimentar da Greenpeace na Europa.

A Comissão Europeia decidiu, no dia 28 de junho de 2016, prolongar por 18 meses (até 31 de dezembro de 2017) a licença do glifosato. A França votou contra; Portugal, Alemanha, Itália e Áustria abstiveram-se.


Veja também:
Glifosato: Carta aberta de médico alerta para falhas das agências europeias
Ordem dos Médicos Contra a Utilização do Glifosato da Monsanto