Secretária

Todos nós temos coisas e objetos que já não utilizamos e que ficam parados a apanhar pó nas nossas casas. Prendas que nos ofereceram e às quais não sabemos o que fazer, roupa que já não nos serve, livros que não lemos, computadores avariados, produtos que compramos por impulso ou para aproveitar uma promoção, etc.

As coisas que vamos acumulando com o passar dos anos também afetam o nosso bem-estar, já que as tralhas podem causar stress e caos.

Quando temos a casa cheia de coisas, a ideia de começar a “destralhar” pode ser um pouco intimidante. Mas desistir não é a resposta. Podemos começar com pequenas ações: cinco minutos diários podem fazer uma grande diferença a longo prazo.

Uma casa organizada pode impulsionar a nossa produtividade. Por outro lado, destralhar também nos dá mais espaço para relaxar, trabalhar e dançar pela casa.

Além do mais, livrarmo-nos do que não nos dá alegria significa que ficamos apenas com as coisas de que gostamos mesmo.

Plantas

1 mês, uma coisa por dia

Chegamos assim ao nosso desafio: durante os próximos 30 dias, livre-se de pelo menos uma coisa por dia.
Sempre que encontrar um objeto “candidato”, pergunte-se se este lhe traz alegria ou se é verdadeiramente necessário. Se a resposta a uma destas perguntas for afirmativa, guarde-o. Se não, livre-se dele. Pode doá-lo, trocá-lo com um amigo, oferecê-lo, vendê-lo ou, em último caso, deitá-lo fora.

Ao destralhar todos os dias, esta prática acaba por se tornar parte da sua rotina e, a não ser que já seja um minimalista, encontrar um artigo será uma tarefa fácil que não consumirá muito tempo.

Quando descobrir um artigo do qual não está preparado para se separar, ponha-o de parte. “Ao arrumar os artigos sem valor sentimental primeiro, dar-se-á tempo para pôr em ordem os seus pensamentos e emoções antes de passar aos objetos com valor sentimental que colocou de parte”, explica Marie Kondo, autora do best-seller “Arrume a Sua Casa, Arrume a Sua Vida”.

Mesa com candeeiro

“Este mês, tive um momento ‘eureka’”, contou a autora do blog Waffles On Wednesday, que resolveu participar neste desafio. “Apercebi-me de que temos muitas coisas. E muitas coisas inúteis, pelo menos no nosso caso. E estas coisas inúteis ocupam mesmo assim espaço e desgastam-nos mentalmente, ao pensarmos que precisamos de fazer alguma coisa em relação a elas.”

“Ao me concentrar apenas num artigo por dia, a tarefa nunca me pareceu demasiado difícil. Com o passar do tempo, estas pequenas mudanças começaram a somar-se e a fazer uma verdadeira diferença.”

Quando estiver sem ideias, experimente inspecionar as suas gavetas. “É fácil passar revista ao que está à vista, mas para encontrarmos as coisas mais difíceis temos de procurar em todos os cantos e recantos da casa. Especialmente nas gavetas e nos armários, onde as coisas se podem esconder. Somos bons a esquecermo-nos das coisas que não conseguimos ver”, sugeriu o blogger J. Money, ou Jay.

“Não seja muito duro consigo mesmo se, aqui e ali, existirem alguns itens com os quais está a ter dificuldades – é normal!”, disse Jay. “Por vezes são precisas algumas tentativas – ou até mesmo anos – para que, finalmente, nos sintamos à vontade para decidir o que fazer a algo.”

Estante

Aprendendo sempre

O objetivo do desafio é aprendermos mais sobre nós, sobre os nossos hábitos diários de consumo e de acumulação de pertences, e, em última análise, encorajar a mudança dos mesmos. Afinal de contas, a produção das coisas que compramos e que acabam, muitas vezes, por ter vidas úteis curtas requer a extração e utilização de recursos naturais finitos e tem um impacto sério no ambiente. “A maioria dos problemas ambientais pode ser associada ao consumo”, disse Gary Gardner, investigador do Instituto Worldwatch.

Se se quiser juntar a nós e participar no desafio, gostaríamos muito de ouvir a sua experiência! Partilhe-a connosco nos comentários ou então publique-a no seu blog ou nas redes sociais, juntamente com uma lista dos objetos de que se livrou (opcional), e não se esqueça de identificar o UniPlanet na publicação.

Se tiver gostado da experiência, pode sempre tornar este desafio numa rotina diária, bem depois de os 30 dias terem passado.

“Encontrar apenas uma coisa por dia para nos livramos dela é muito exequível. E se conseguir fazê-lo ao longo de 30 dias, sou capaz de apostar que o consegue fazer durante um ano inteiro e talvez até torná-lo num hábito, o que é o objetivo final”, disse Jay.

Cartaz

A Novo Verde – Sociedade Gestora de Resíduos de Embalagens – está a desafiar as Universidades de todo o país a adotarem comportamentos ambientais e medidas sustentáveis no contexto dos estabelecimentos do ensino superior.
A Universidade dos Açores – Campus de Angra do Heroísmo, localizada na Ilha Terceira, foi palco do arranque deste projeto com uma sessão de formação sobre a importância das boas práticas numa ótica de economia circular.

No desafio lançado às universidades, os alunos têm de, após uma auditoria ao estabelecimento para a deteção de problemas ambientais, elaborar um plano de ação com soluções para essas mesmas questões, com foco na gestão de resíduos de embalagens.

Os melhores planos de ação apresentados pelos estabelecimentos candidatos ao ‘Novo Verde Packaging Universities Award’, recebem um incentivo no valor de 7500€ para a implementação das soluções propostas para resolver problemas detetados na auditoria ambiental.
Será apurado um projeto vencedor em cada região (Norte, Centro, Lisboa, Alentejo, Algarve, Açores e Madeira) e um vencedor absoluto.

“O principal objetivo do ‘Novo Verde Packaging Universities Award’ é sensibilizar os estudantes universitários para a importância da correta gestão de resíduos de embalagens através de um concurso e premiação de ideias para resolver problemas ambientais detetados nestes estabelecimentos de ensino. Deste modo, a Novo Verde visa despertar a consciência deste target, mobilizando-o para a adoção, gestão e reprodução de comportamentos sustentáveis. Simultaneamente, as sessões de formação nestes estabelecimentos, completam o desafio, convidando ao debate de problemáticas extensíveis a vários setores e que implicam um esforço conjunto da comunidade”, explicou Filipa Moita, responsável de comunicação da Novo Verde.

O ‘Novo Verde Packaging Universities Award’ conta com a parceria da ABAE/Programa Eco-Escolas, APA (Associação Portuguesa do Ambiente) e DGAE (Direção Geral da Administração Escolar).
Saco de batatas

Será que podemos colocar os sacos de rede de plástico das batatas e cebolas no ecoponto amarelo?

O UniPlanet perguntou à Sociedade Ponto Verde e a resposta foi a seguinte:
Os sacos de rede de plástico são embalagens, pelo que, devem ser colocados no ecoponto amarelo.
O único ecoponto onde é possível colocar artigos que não sejam embalagens é o azul, onde pode depositar revistas, jornais, papel de escrita, etc. Nos restantes, ecoponto amarelo e verde, só deverá colocar artigos que cumpram a função de embalagem. No caso do amarelo, poderá colocar por exemplo garrafas de água, latas de conservas ou bebidas, pacotes de leite ou sumos, entre outros. No caso do verde, deverá colocar garrafas de vidro, boiões, frascos.”

Alternativa:
Em vez de comprar batatas em sacos de rede de plástico, pode comprá-las a granel ou até mesmo produzir as suas próprias batatas. :)
Embalagem de detergente com 50 anos

Uma garrafa de plástico com pelo menos 47 anos foi encontrada numa praia do sul da Inglaterra pela guarda costeira.

A garrafa – uma embalagem de detergente da Fairy – é um testemunho da durabilidade dos resíduos plásticos. Embora sejam produzidas para serem usadas durante pouco tempo, as garrafas de plástico podem demorar 450 anos a decomporem-se.

“Esta garrafa esteve a flutuar nas nossas águas e parece quase nova”, escreveu a guarda costeira de Burnham no seu Facebook. “Ficámos espantados com a quantidade de detritos que deram à costa. É chocante que o lixo consiga resistir e prejudicar a natureza durante tanto tempo.”

A idade da embalagem foi inferida de um desconto legível na mesma (“4d”), que revelou que esta tinha sido vendida antes de o Reino Unido ter introduzido o sistema decimal da libra esterlina, em 1971.

A guarda costeira admitiu que não sabia quanto tempo a garrafa estivera a vagar pelos oceanos, mas salientou que a mesma era “um destaque dos resíduos de plástico que estão a prejudicar o nosso planeta”.

Todos os anos, pelo menos oito milhões de toneladas de plásticos vão parar aos oceanos. Esta poluição é um problema tão generalizado que já foram encontrados microplásticos e microfibras no peixe e no marisco, na água da torneira, mel, açúcar, sal e no ar que respiramos. Ainda pouco se conhece sobre o impacto destas partículas na saúde, após a sua ingestão.

A guarda costeira de Burnham aproveitou a descoberta da garrafa para incitar as pessoas a reduzirem o uso de plástico, a descartarem o lixo nos contentores apropriados e a terem cuidado com o que deitam na sanita, referindo particularmente as cotonetes. Também encorajou os cidadãos a participarem em limpezas de praia.

“Pequenas mudanças levadas a cabo por todos podem fazer uma grande diferença para o nosso belo planeta (...) Por isso façamos a diferença juntos”, convidou a organização.

The recent rough tides have swept in a huge volume of marine debris over the past few days.

Publicado por Burnham Coastguard Rescue Team em Quinta-feira, 4 de Outubro de 2018
Bebedouro

Para reduzir o consumo de plásticos descartáveis e o seu impacto no ambiente, foram instalados diversos bebedouros em alguns pontos da cidade de Londres, ao longo deste ano. Os dados mais recentes mostram que estes aparelhos já foram usados dezenas de milhares de vezes desde a sua instalação.

O sucesso desta iniciativa levou o presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, a anunciar planos para a instalação de mais 100 bebedouros, entre a primavera de 2019 e o final de 2020.

“Durante muitos anos, os nossos bebedouros públicos foram abandonados e negligenciados, ao mesmo tempo que a quantidade de resíduos de plástico de uso único disparava. Estamos determinados a reverter esta tendência e a ajudar a distribuir centenas de bebedouros públicos gratuitos pela capital para usufruto de todos”, disse o presidente.

“Vimos como [esta estratégia] é popular. Há crianças a escreveram constantemente a Sadiq Khan, dizendo: ‘Queremos mais bebedouros, de que estão à espera?’”, contou Shirley Rodrigues, vereadora do Ambiente da cidade de Londres.

Para a concretização do plano, Sadiq Khan formou uma parceria com a maior empresa de água e saneamento do Reino Unido, a Thames Water. Ambos contribuirão 2,5 milhões de libras esterlinas para o seu financiamento.

“Queremos ver candidaturas de bairros, empresas, museus, teatros – de todos os lugares onde haja muitas pessoas que possam preferir um bebedouro a uma garrafa descartável de plástico”, afirmou Shirley Rodrigues.

Segundo a vereadora, o objetivo é que os candidatos selecionados não tenham de investir fundos próprios para suportar os custos dos bebedouros e da sua instalação.

“A Thames Water vai cobrir as despesas de manutenção (…) o que significa que estarão sempre operacionais”, explicou, acrescentando que, desta forma, os bebedouros não deixarão de funcionar devido a cortes orçamentais.

Com esta medida, a Câmara de Londres espera encorajar os londrinos a repensarem a cultura do descartável. “Acho que as pessoas ficariam surpreendidas com o facto de estas pequenas mudanças fazerem realmente uma enorme diferença”, disse a vereadora.
Casaco de peles

A Assembleia Municipal de Los Angeles aprovou em setembro, por unanimidade (12-0), a proibição da venda e o fabrico de produtos feitos com peles de animais. Falta agora a Procuradoria passar a proposta a decreto e o presidente da Câmara, Eric Garcetti, homologar e assinar a mesma para se tornar lei.

"Los Angeles é, à escala planetária, uma das capitais da moda. Se isso acontecer em Los Angeles pode acontecer em qualquer cidade mundial. Esperamos ser um exemplo para o resto dos EUA e também para o mundo", afirmou o vereador Paul Koretz.

"Não estamos a fazer nada de novo, em Los Angeles. São Francisco tomou essa medida, West Hollywood também. Mas nunca uma cidade com a dimensão de Los Angeles. Esperamos que Nova Iorque, Chicago e Miami estejam atentos ao que se está a passar em Los Angeles", disse Paul Koretz.

A proibição não inclui a venda de artigos usados com peles.
São Francisco tornou-se em março na maior cidade americana a proibir a venda e o fabrico de peles. A proibição de São Francisco entra em vigor a 1 de janeiro de 2019.
Chiara Bordi

Chiara Bordi e Lauren Wasser são duas modelos que estão a redefinir os padrões de beleza.

Chiara Bordi

Chiara Bordi tinha 13 anos quando sofreu um acidente de mota e, desde então, usa uma prótese na perna esquerda. Hoje em dia, é conhecida como a “modelo biónica” e este ano decidiu concorrer ao concurso Miss Itália, no qual acabou em terceiro lugar. Para o concurso, levou uma prótese feita especialmente para a ocasião, com cristais e luzes led.
“Nunca houve uma jovem amputada num concurso de beleza como o Miss Itália. (…) Vou fazer 18 anos em setembro e achei que poderia quebrar esse tabu”, disse Chiara.

“Um corpo ferido e com cicatrizes também é bonito”, afirmou a modelo.
Chiara contou que não concorreu para ganhar, mas para marcar uma posição e provar que uma pessoa com deficiência também pode vingar num concurso de beleza. “Não estou interessada em ganhar, mas sim em mostrar ao mundo que a vida continua a ser bela, mesmo quando tens de renascer após um evento dramático.”

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Lauren Wasser

Lauren Wasser, uma modelo de 29 anos, teve de amputar a perna direita há cinco anos por causa da Síndrome do Choque Tóxico (SCT). Este ano, teve de amputar também a perna esquerda.
A Síndrome do Choque Tóxico está associada ao uso de tampões e é causada por toxinas produzidas pela bactéria Straphylococcus aureus, o que tem levado Wasser a dedicar os últimos anos a alertar para o risco do uso dos tampões principalmente por muitas horas seguidas. A modelo perdeu parte da perna direita devido a uma gangrena, um tipo de necrose causada pela morte de um tecido devido à falta de irrigação sanguínea e de oxigénio.
Em 2016, a modelo desfilou para a Chromat na New York Fashion Week com uma prótese dourada na perna esquerda.







Mergulhador com garrafa da Coca-Cola

A Coca-Cola, Pepsi e Nestlé são as marcas que mais contribuem para a poluição dos oceanos com plástico, de acordo com um estudo de um movimento ambientalista, que contou com mais de 10 000 voluntários que examinaram o lixo das costas de 42 países.

Em setembro de 2018, os voluntários fizeram mais de 200 ações de limpeza das costas de 42 países como as Filipinas, Tailândia, Vietname, Austrália, Chile, Estados Unidos, Portugal e Espanha. Foram recolhidos mais de 187 mil objetos de plástico, 65% eram embalagens de produtos de grandes corporações mundiais, sendo que a maioria era da Coca-Cola, Pepsi e Nestlé. Encontraram também embalagens da Danone e da Colgate-Palmolive.

As marcas “têm de escolher se são parte do problema ou da solução”, disse Von Hernandez, coordenador do movimento Break Free from Plastic. “Devemos exigir às empresas por trás destas marcas de consumo de massas que parem o mau hábito de sobre-embalar os seus produtos e que invertam a procura pelo plástico”, defendeu Von Hernandez.

Todos os anos são produzidas 320 milhões de toneladas de plástico e na próxima década a quantidade deverá aumentar 40%. Cerca de 80% das 8,3 mil milhões de toneladas de plástico produzidas desde 1950 ainda existe, principalmente nos oceanos.

Quando começarão estas marcas a responsabilizarem-se pelo facto das embalagens de plástico dos seus produtos estarem a poluir o ambiente?

Mapa

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1 de janeiro foi dia do UniPlanet limpar uma mata
O UniPlanet limpou uma praia
Jardim

Com a chegada do outono, talvez esteja a pensar em pôr ordem no jardim, removendo as flores murchas, limpando as folhas secas e lavrando a sua horta. Mas antes de deixar tudo no seu lugar, lembre-se de que um pouco de “confusão” no seu quintal poderá ajudar as populações de insetos polinizadores em declínio, como as abelhas e as borboletas.

“A moda de mantermos os nossos jardins meticulosamente limpos e arrumados deixa a nossa fauna selvagem sem lugares para se esconder”, defendeu Becky Thomas, cientista da Universidade de Londres, Royal Holloway.

“[Felizmente,] as pessoas estão a reconhecer cada vez mais a importância de se ter um bom habitat ao longo das estações”, afirmou Deborah Landau, ecóloga da organização Nature Conservancy. “Às vezes, não nos apercebemos da relação entre os insetos que vemos no jardim durante os meses quentes e as folhas e plantas secas que restam quando arrefece, mas é importante manter essa estrutura ao longo do inverno.”

Exemplos desta estrutura são os caules de plantas murchas, especialmente sob flores, onde as borboletas se abrigam, e a manta morta que se acumula e protege larvas, ovos, abelhas selvagens a hibernar e muitos outros insetos benéficos.

Borboleta

Também não se esqueça de não remexer o solo descoberto, onde muitas espécies de abelhas selvagens, incluindo os abelhões, passam o inverno em pequenos ninhos.

“O que eu digo às pessoas que se preocupam com a aparência das coisas é para limparem o quintal da frente e deixarem o resto ir para as traseiras”, explicou Deborah Landau. “Removam do jardim quaisquer camadas de material que possam ter fungos. Mas se algo está simplesmente morto ou murcho, deixem-no estar onde está.”

Mantenham pelo menos um pequeno canto do jardim intacto”, disse a ecóloga. “Qualquer bocadinho ajudará.”

As pilhas de ramos são um ótimo abrigo de inverno para uma variedade de animais, incluindo aves, anfíbios, pequenos mamíferos e insetos. Quanto mais intocadas as deixar, melhor, para não desenterrar ou esmagar acidentalmente os insetos e as suas larvas.

Tenha em atenção que, dependendo de onde vive, as pilhas também poderão atrair os predadores destes animais.

Pilha
Foto: Dean Fosdick/AP

Também poderá plantar uma cultura de cobertura e adicionar novas plantas perenes (incluindo bolbos, árvores e arbustos) numa altura em que a humidade do outono possa ajudar a estabelecer o seu sistema de raízes. Não se esqueça de remover as plantas doentes para ajudar no controlo de doenças durante a próxima estação de plantio.

Experimente ainda adiar o lavramento e deixar a natureza (minhocas) trabalhar ao longo do inverno. Da mesma forma, adie a remoção das plantas anuais até à primavera. Elas reterão as folhas sopradas pelo vento, criando a sua própria cobertura morta e protegendo os insetos.

Todos podemos fazer mais para ajudar [as abelhas] – como cultivar plantas de que elas gostem, evitar pesticidas e tornar os jardins e outros espaços em habitats que as respeitem”, disse Paul de Zylva, da organização Friends of the Earth.
Porto

Quando colocados estrategicamente os espaços verdes têm um enorme potencial para melhorar a qualidade do ar nas cidades. A conclusão é de uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) que na cidade do Porto estudou o potencial das zonas verdes para reduzir as concentrações de dois dos principais poluentes das cidades nacionais: o dióxido de azoto e as partículas em suspensão no ar. Só estes dois poluentes poderiam ser reduzidos em cerca de 20% com a ajuda da Natureza.

Publicado este mês na revista Atmospheric Environment, o estudo centrou-se no Porto, mais concretamente no bairro do Batalhão dos Sapadores na Rua da Constituição, onde os investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA, e através de modelos numéricos previamente desenvolvidos, simularam a substituição de um bloco de edifícios por um parque verde urbano de 570 metros quadrados.

O trabalho previu os efeitos que a zona verde teria sobre dois dos principais poluentes e ambos emitidos pelo sector dos transportes: as partículas em suspensão suficientemente pequenas para serem inaladas e o dióxido de azoto, poluentes que no Porto, e de uma forma geral nas cidades portuguesas, são os mais preocupantes para a saúde pública.

As conclusões não deixam dúvidas: a existência de uma área urbana junto à Constituição permitiria reduzir, em média, as concentrações de partículas em suspensão no ar em 16% e de dióxido de azoto em 19%, reduções essas que serão maiores ou menores dependendo das condições meteorológicas que se verificarem.

A mesma necessidade por espaços verdes estrategicamente posicionadas se aplicará não só a outras zonas da cidade do Porto como também a outras cidades nacionais. É que apesar das particularidades da morfologia urbana (edifícios, árvores e estradas) da zona portuense onde foi realizado o estudo, e que têm um papel preponderante no microclima urbano e, consequentemente, na qualidade do ar, os modelos numéricos e o método usado pelos investigadores da UA podem ser utilizados em qualquer área urbana.

Planear o território a pensar na qualidade do ar

“Estes resultados são explicados pela introdução de árvores que sendo elementos porosos, ao contrário do que acontece com os edifícios, promovem um aumento da velocidade do vento na região em estudo aumentando, consequentemente, a dispersão dos poluentes atmosféricos”, aponta Sandra Rafael, a investigadora que assina o trabalho do CESAM juntamente com Bruno Vicente, Vera Rodrigues, Ana Miranda, Carlos Borrego e Myriam Lopes.

Este estudo permitiu concluir, “através de uma análise quantitativa, o potencial das soluções baseadas na Natureza para a melhoria da qualidade do ar nas cidades, demonstrando que estas podem e devem ser consideradas como um instrumento de gestão da qualidade do ar pelos decisores políticos”, apela Sandra Rafael.

Para além disso, é evidenciado neste estudo que “os benefícios destas soluções estão diretamente dependentes de um adequado ordenamento do tecido urbano”. Isto significa que “o planeamento do território, como é exemplo a seleção do local e áreas a aplicar estas soluções, entre outros fatores, é imprescindível, requerendo que as medidas sejam avaliadas antes da sua implementação, o que só é possível através de modelos numéricos”.

Decisão política apoiada pelos cientistas

“A qualidade do ar à escala local depende fortemente das singularidades de cada área urbana, pelo que a morfologia do território, onde se enquadra a presença da vegetação, e as condições meteorológicas locais são fatores preponderantes. Estamos a falar de um escoamento atmosférico complexo cujo comportamento varia hora a hora”, aponta a investigadora. Apesar desta complexidade, Sandra Rafael garante que “temos hoje disponíveis um conjunto de ferramentas e de conhecimento que nos permitem apoiar a decisão política nesta temática”.

Assim, os resultados deste estudo reforçam a necessidade de integrar o conhecimento e as ferramentas científicas no planeamento urbano, para otimizar o papel das soluções baseadas na Natureza na melhoria da qualidade do ar e da qualidade de vida dos cidadãos. Sabendo que mais de 75% da população europeia vive e viverá em áreas urbanas e conhecendo hoje os efeitos da poluição atmosférica na saúde humana, “é imprescindível garantir um ar de qualidade nas nossas cidades”.

“Sabemos hoje que as designadas soluções baseadas na Natureza para a melhoria da qualidade do ar em ambientes urbanos permitem assegurar múltiplas funções e benefícios num mesmo espaço, podendo ser mais eficientes em termos de custo-benefício”, aponta Sandra Rafael.