Agricultor

O UniPlanet vai promover uma formação gratuita em agricultura biológica em Coimbra.
A formação de carácter essencialmente prático vai ser dada aos sábados, num terreno onde estamos a criar uma horta coletiva. A responsável pela formação será Rosa Rodrigues, criadora do projeto Dona Rosa.

Nota: Necessitamos de 15 pessoas para abrir esta formação, por isso convidem os vossos amigos e familiares a participarem também!

Para se inscrever preencha este formulário aqui.
ursa com crias

O novo ministro francês da Transição Ecológica, François de Rugy, confirmou a reintrodução de mais dois ursos nas montanhas dos Pirenéus.

“Decidi dar luz verde à reintrodução de duas fêmeas de urso-pardo nos Pirenéus Atlânticos”, declarou o ministro à imprensa, após uma reunião com agricultores e autoridades locais. “[A reintrodução] será realizada durante o período previsto, até ao início do mês de outubro (…) com a Eslovénia, a nossa parceira.”

A França começou a reintroduzir ursos de origem eslovena no seu território em 1996, após a população nativa destes predadores ter sido caçada quase até à extinção.

O anúncio de François de Rugy não agradou a muitos dos presentes na reunião, que manifestaram a sua oposição e deixaram abruptamente o encontro. A decisão também esteve na origem de protestos por parte de criadores de gado e pastores, os quais não hesitaram em afirmar que atacariam os ursos, caso estes fossem reintroduzidos.

“Muitos legisladores opõem-se, mas, a dada altura, temos de decidir e foi isso que fiz”, reconheceu o ministro. “Vou encontrar-me com os criadores de gado, apesar da pressão ou da recusa de contacto. Acredito no diálogo.”

urso-pardo

François de Rugy herdou esta questão controversa do seu antecessor, Nicolas Hulot, que apresentou, em maio, um plano de 10 anos para aumentar o número destes animais na região. Atualmente, só existem dois machos na zona.

A decisão do ministro foi saudada por diversas organizações conservacionistas, incluindo a WWF, que a viu como “um forte sinal da determinação do governo em impedir o desaparecimento de espécies no território francês”.

O governo francês indemniza os criadores de gado pelos prejuízos causados pelos ataques de ursos a animais associados à atividade pecuária, mas isso não tem sido suficiente para aplacar a ira dos mesmos, que apontam para um incidente decorrido em julho de 2017, que viu mais de 200 ovelhas caírem de um penhasco para a sua morte enquanto eram perseguidas por um urso.

Jean-David Abel, da France Nature Environment, defendeu que a reintrodução deveria incluir medidas para ajudar os produtores de gado, como a formação sobre o uso de cães de guarda.
1ª foto: Arend Vermazeren
Palhinhas

A Califórnia proibiu os restaurantes de oferecerem palhinhas de plástico, a não ser que estas sejam requisitadas pelos seus clientes.

“O plástico ajudou a promover a inovação na nossa sociedade, mas o nosso fascínio pela conveniência dos artigos de uso único levou a consequências desastrosas”, escreveu Jerry Brown, governador da Califórnia, num comunicado.

“Os plásticos em todas as suas formas – palhinhas, garrafas, embalagens, sacos, etc. – estão a asfixiar o nosso planeta. Fazermos com que os clientes que querem usar uma palhinha a tenham de requisitar é um passo muito pequeno. Mas poderá fazê-los parar e pensar numa alternativa.”

A nova lei, que entrará em vigor no dia 1 de janeiro de 2019, não se aplica, contudo, aos restaurantes de fast food e às lojas de conveniência.

Os restaurantes poderão oferecer palhinhas de papel ou metal sem que estas sejam requisitadas. Após dois avisos, os infratores arriscar-se-ão ao pagamento de uma multa de 21€ por dia.

Palhinha de plástico presa na narina de uma tartaruga marinha
Palhinha de plástico presa na narina de uma tartaruga marinha

Segundo um relatório publicado no ano passado na revista científica Science Advances, apenas 9% dos resíduos plásticos produzidos até 2015 foram reciclados, 12% foram incinerados e 79% acumulados em aterros ou no meio natural.

São várias as cidades e países que têm aderido ao movimento anti-palhinhas. A Escócia anunciou que planeia proibi-las até ao final de 2019. Vancouver comprometeu-se a fazê-lo também no próximo ano e Taiwan quer proibir uma série de artigos descartáveis de plástico até 2030.

As palhinhas costumam estar no top 10 dos detritos recolhidos durante as limpezas de praias. Por causa do seu tamanho e composição, normalmente não podem ser recicladas.

De acordo com as Nações Unidas, “os resíduos plásticos matam até um milhão de aves marinhas, 100 mil tartarugas e mamíferos marinhos e inúmeros peixes todos os anos”.
Ecoponto

“Eu gostava que na zona onde vivo houvesse mais ecopontos, uma vez que, apesar de existir um no meu bairro, este fica longe da minha casa. Tenho alguma forma de pedir a colocação de um ecoponto na minha rua? E se sim, como posso fazê-lo?”

Uma leitora fez-nos esta questão e nós perguntamos à Sociedade Ponto Verde, que nos respondeu o seguinte:

“Em resposta ao solicitado informamos que as entidades responsáveis pela gestão, colocação, manutenção e recolha dos ecopontos são as Câmaras Municipais ou os Sistemas Municipais, pelo que deverão contactar o Sistema Municipal da área geográfica em questão. Podem verificar qual o Sistema no seguinte link.”
Algarve

A Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP) tem lutado por uma região livre de exploração de hidrocarbonetos. Lançou uma primeira ação de crowdfunding que foi bem-sucedida e que permitiu custear os honorários de um escritório de advogados para interpor uma providência cautelar que adiasse o início dos trabalhos de prospeção. Está agora a lançar uma segunda campanha de crowdfunding.

O UniPlanet falou com a PALP, que nos deu a conhecer esta campanha de crowdfunding.


UniPlanet (UP): Lançaram recentemente uma campanha de crowdfunding. Qual é o objetivo desta campanha?

Para contestar o início de prospeção ao largo do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina – o “furo de Aljezur” – , a 27 de Abril de 2017 a PALP interpôs, através das associações Almargem, Quercus e SCIAENA, uma providência cautelar contra o Ministério do Mar e a Direção Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM) de forma a impugnar o ato administrativo (TUPEM - Títulos de utilização privativa do espaço marítimo) que permite ao consórcio ENI/Galp avançar com a perfuração.

A providência cautelar foi, entretanto, resolvida a nosso favor. O ministério do mar e as concessionárias recorreram da sentença, mas a licença que permite o furo encontra-se suspensa e as concessionárias não podem avançar com quaisquer trabalhos até haver uma nova sentença relativa a esse recurso. No entanto, a decisão definitiva acontecerá numa ação principal, cujo julgamento decidirá se aquela licença deve ser terminantemente anulada e, por consequência, impedida esta tentativa de furar a nossa costa.

Além disso, também impugnamos, em tribunal, o parecer que a Agência Portuguesa do Ambiente emitiu contra uma Avaliação de Impacto Ambiental deste furo.

Tudo continuaremos a fazer para impedir este atentado. Mas voltamos a precisar de ajuda. Os custos dos tribunais e advogados já ascenderam a vários milhares de euros, sendo muito difíceis de suportar pelas entidades sem fins lucrativos que compõem a PALP, e, por esse motivo, lançamos esta campanha de angariação de fundos. Toda e qualquer contribuição é útil e valiosa!



Campanha de crowdfunding


UP: Porque defendem que Portugal deveria cancelar todos os contratos vigentes de exploração de petróleo?

Esta plataforma vê com muita apreensão o futuro tendo em conta os impactos desta atividade numa região com tamanha dependência do turismo e do mar e com uma elevada biodiversidade e beleza natural única. Os seus impactos sentir-se-ão na saúde, na economia, no ambiente e na qualidade de vida das populações. Por isso mesmo, temos trabalhado no sentido de cancelar todos os contratos vigentes de exploração de petróleo.

Estes contratos foram criados sob o Decreto-Lei nº109/94, onde o Governo pretendia, em 1994, "dar um novo impulso às atividades de prospeção e pesquisa de petróleo e, consequentemente, de desenvolvimento e produção, criando-se condições de acesso mais favoráveis, simplificando procedimentos administrativos e estabelecendo regras claras ao seu exercício de modo ajustado à realidade e à prática da indústria"; isto é numa altura em que as consequências do uso e da extração de combustíveis fosseis ainda se não conheciam da forma que hoje a comunidade cientifica esclarece.

Foram já cancelados dois em terra e rescindidos outros oito, no mar.



Imagem do programa Pós e Contras


UP: Como nasceu a Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP)?

A Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP) é um movimento criado no mês de março de 2015 na sequência da iniciativa de um conjunto de cidadãos e entidades. A PALP tem incorporado várias entidades ao longo do tempo e está aberta a colaboração e ao envolvimento de todos os cidadãos e entidades que queiram juntar-se na defesa de um Algarve Sustentável e contra a exploração de petróleo na região.

Esta plataforma iniciou os seus trabalhos para alertar a população para os riscos inerentes à exploração de hidrocarbonetos no algarve, incentivar um debate público sobre as consequências para a região de uma tomada de decisão desta natureza, exigir um estudo de impacto social, económico e ambiental, e, ainda, pressionar o estado para publicar toda a informação inerente à prospeção, pesquisa, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural em Portugal.






UP: Onde podemos encontrar mais informação sobre a PALP?

No nosso site, na nossa campanha de crowdfunding e também nos podem seguir no Facebook.


Abelhão

Os insetos polinizadores têm vindo a sofrer declínios particularmente acentuados nos últimos 40 anos. Este fenómeno tem-se verificado um pouco por todo o mundo.

Segundo um novo estudo, realizado ao longo de três anos por investigadores da Universidade de Lund, na Suécia, os métodos de agricultura biológica podem contribuir para travar o declínio dos polinizadores. Este efeito positivo deve-se tanto à ausência de pesticidas como à disponibilização de um maior número de flores.

“Este é o primeiro estudo em grande escala ao longo de vários anos a mostrar que a agricultura biológica tem um efeito consistente e estabilizador na diversidade de polinizadores”, disse Romain Carrié, do Centro para Investigação Ambiental e Climática da Universidade de Lund.

Juntamente com os seus colegas, Romain analisou os abelhões, borboletas e flores em dez explorações agrícolas biológicas e nove convencionais, em Scania, na Suécia, e descobriu que o número de espécies de abelhões nas quintas biológicas era maior e mais estável do que nas convencionais.

“Uma descoberta interessante do nosso estudo é a de que uma provisão estável e abundante de flores estabiliza as comunidades de polinizadores, mesmo nas explorações agrícolas convencionais, onde os inseticidas são usados”, explicou Romain Carrié.

“O aumento do número de flores beneficia os abelhões e as borboletas independentemente do sistema agrícola. A agricultura biológica e uma maior disponibilidade de flores contribuem assim para manter a estabilidade (…) de abelhões e borboletas nas paisagens agrícolas”, concluíram os autores do estudo.
Projeto Cenas Desiguais

O projeto fotográfico de Johnny Miller, “Cenas Desiguais”, retrata a desigualdade na distribuição de riqueza ao redor do mundo.

Quando estava a tirar um mestrado em Antropologia na Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, o fotógrafo americano ficou desconcertado com a desigualdade com que aí se deparou.

Projeto Cenas Desiguais
A urbanização informal de Kya Sands (direita), em Joanesburgo, África do Sul, faz fronteira com o zona residencial de classe média de Bloubosrand | Foto: Johnny Miller/Unequal Scenes

“A partir do minuto em que pomos os pés na Cidade do Cabo, ficamos rodeados de barracas”, contou ao site Mother Nature Network. “As barracas de lata rodeiam o aeroporto e são precisos 10 minutos para as deixarmos para trás e chegarmos aos bairros mais prósperos, onde as pessoas mais privilegiadas (incluindo eu) vivem. Este é o statu quo na Cidade do Cabo, na África do Sul, e em muitas partes do mundo – mas esse é um statu quo com o qual não concordo.”

Projeto Cenas Desiguais
Dois lados de um bairro em Santa Fé, na Cidade do México | Foto: Johnny Miller/Unequal Scenes

Com a ajuda de um drone, Johnny Miller decidiu mostrar esta realidade ao mundo e foi assim que nasceu o projeto “Unequal Scenes” (Cenas Desiguais). Depois da África do Sul, o fotógrafo continuou a explorar os contrastes e as linhas que separam os ricos dos pobres em muitos outros países, incluindo o México, a Tanzânia, a Índia e o Quénia.

Projeto Cenas Desiguais
O verde do Clube de Golfe de Papwa Sewgolum, na África do Sul, contrasta marcadamente com o bairro de lata ao seu lado | Foto: Johnny Miller/Unequal Scenes

“As imagens que eu considero as mais poderosas são as tiradas quando a câmara está a apontar diretamente para baixo, olhando para as fronteiras entre os ricos e os pobres”, explicou.

“Às vezes, [esta fronteira] é uma vedação, por vezes é uma estrada ou até um pântano, sendo que de um lado há pequenas barracas ou habitações pobres e do outro casas maiores ou mansões. Há qualquer coisa na composição destas fotografias que as torna extremamente intensas para as pessoas. Acho que tornam a desigualdade relevante – as pessoas podem ver-se refletidas nas imagens e é profundamente inquietante.”

Projeto Cenas Desiguais
Os arranha-céus de Bombaim, na Índia, contrastam com os bairros degradados ao seu lado | Foto: Johnny Miller/Unequal Scenes

A escolha das cenas envolve a investigação e identificação dos potenciais locais com base em dados de censos, mapas, reportagens e até conversas, conta Miller. O fotógrafo espera que o seu projeto desperte reações e promova debates sobre a desigualdade.

“Vi este trabalho dar início a diálogos entre todo o tipo de pessoas – com ou sem estudos, ricos ou pobres, de todas as cores e géneros. Era isto mesmo que eu queria e desejava que acontecesse – que as fotos fossem discutidas e que através dessas conversas pudéssemos começar a compreender a dimensão do problema, e que através desse entendimento pudéssemos desenvolver soluções.”

Projeto Cenas Desiguais
Um pântano separa um bairro de lata de um bairro próspero na Cidade do Cabo, na África do Sul | Foto: Johnny Miller/Unequal Scenes

Projeto Cenas Desiguais
Este bairro residencial em Nairobi, no Quénia, faz fronteira com um bairro de lata | Foto: Johnny Miller/Unequal Scenes

Bebida com palhinha de plástico

As autoridades do Rio de Janeiro começaram, no dia 18 de setembro, a multar restaurantes, cafés, bares e vendedores ambulantes que ofereçam palhinhas/canudinhos de plástico.

Os estabelecimentos que desobedecerem a esta lei estão sujeitos a uma multa que pode variar de 650 reais (cerca de 133€), para os vendedores ambulantes, a 1650 reais (cerca de 340€) para os restantes casos. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a 6000 reais (cerca de 1235€).

Durante os últimos dois meses, funcionários do organismo de vigilância sanitária do Rio inspecionaram 5121 locais e alertaram os seus proprietários para a necessidade de substituírem as palhinhas de plástico por papel (com embalagem também deste material), bambu, vidro ou inox.

As instalações que ainda não foram examinadas têm 60 dias para fazer a transição.
"O Rio de Janeiro tornou-se na primeira capital no Brasil a proibir canudos de plástico descartáveis. Estamos na vanguarda de uma grande luta em defesa do meio ambiente", disse Marcelo Crivella, o prefeito do Rio.

A “Lei dos Canudinhos” foi aprovada em julho deste ano.

Todos os anos, cerca de 8 milhões de toneladas de plástico vão parar ao mar e estima-se que poderão existir 110 mil milhões de toneladas deste material no oceano. O plástico no mar é responsável por ferir e matar inúmeras espécies da fauna marinha e de estar a fazer o seu caminho, através da cadeia alimentar, até aos nossos pratos.

Ana Fernandes

O Fhair – Organic Hair Studio é um novo espaço criativo para cuidar do seu cabelo de uma forma ética e sustentável. Ficaram curiosos?

O UniPlanet falou com Ana Fernandes, criadora do Fhair, que nos apresentou este projeto.


UniPlanet (UP): Como nasceu o Fhair – Organic Hair Studio?

O Fhair nasceu no momento em que fiquei grávida pela primeira vez, e que realmente comecei a pensar sobre a quantidade de químicos a que estava exposta todos os dias... Pensei que teria de encontrar uma solução mais verde.
Neste espaço para além de sermos 100% orgânicos, somos também um salão sustentável.



Fhair – Organic Hair Studio


UP: A preocupação ambiental está presente não só nos produtos que usam, não é verdade?

Certo, temos em conta a reciclagem de todos os materiais, temos redutores de caudal, temos iluminação LED, reutilizamos as luvas, temos plantas vivas para a renovação do ar, só usamos detergentes BIO, o café e o chá que servimos são biológicos e reutilizamos diversos materiais para fazermos móveis.


Fhair – Organic Hair Studio


UP: Porque devemos ter em atenção a composição dos produtos de beleza que usamos?

Por diversos motivos, se não pensarem no excedente de produto que vai para o cano e consequentemente para o mar cheio de micropartículas de plástico, podem sempre pensar que diariamente estamos expostos a milhares de químicos, e se pelo menos se protegerem de alguns produtos, o dano não será tão mau.


Fhair – Organic Hair Studio


UP: Onde podemos encontrar mais informação sobre o Fhair – Organic Hair Studio?

Podem visitar o nosso site e o nosso Facebook.


Champôs


Fhair – Organic Hair Studio
Rua da Moeda, 12, Lisboa
Telefone: 937 887 848 | 218 031 400

Flores

Fotos: © Anna Balecho
Águia-das-estepes

São más notícias para as emblemáticas aves de rapina. Um novo estudo, que analisou o estatuto de conservação das 557 espécies de aves de rapina, descobriu que 18% delas estão ameaçadas de extinção e que as populações globais de 52% estão em declínio.

“Por estarem no topo da cadeia alimentar e apresentarem uma reprodução mais lenta do que muitas outras aves, as rapinas são muito sensíveis a ameaças causadas pelos humanos e têm mais probabilidade de ficarem extintas”, explicou Sarah Schulwitz, coautora do estudo e bióloga da organização The Peregrine Fund.

Entre as ameaças enfrentadas por estas aves estão a destruição e a alteração do habitat, o abate intencional e o envenenamento deliberado ou acidental.

“Os abutres no sul da Ásia sofreram declínios populacionais catastróficos devido aos efeitos tóxicos do medicamento veterinário diclofenac. Na África, os abutres e as corujas são mortos para que as suas partes corporais sejam usadas para supostos benefícios medicinais. Muitas outras aves de rapina são vulneráveis à eletrocussão ou à colisão com linhas elétricas. Mas, como com a maioria das espécies de aves, a agricultura insustentável e o abate de árvores são as principais ameaças”, disse Stuart Butchart, cientista-chefe da BirdLife International e um dos coautores do estudo.

Serpentário
O serpentário ou secretário (Sagittarius serpentarius), uma ave de rapina do continente africano, classificada como "Vulnerável" pela UICN | Foto: Mathias Appel/Flickr

As atividades humanas têm vindo a acelerar o ritmo da perda de biodiversidade no mundo. O desaparecimento de espécies pode ter impactos inesperados e negativos também para o bem-estar humano.

“As aves de rapina desempenham papéis críticos nos ecossistemas”, sublinhou Chris McClure, da The Peregrine Fund.

Nos anos 90, as populações de três espécies de abutres no subcontinente indiano sofreram um declínio de 97-99% devido ao uso veterinário do medicamento diclofenac. Esse declínio também teve impactos inesperados na saúde humana.

Quando os abutres se alimentavam de animais mortos tratados com diclofenac, as quantidades residuais do fármaco nos tecidos dos animais provocavam insuficiência renal e a morte destas aves necrófagas.

“O desaparecimento dos abutres causou o aumento do número de cães vadios e das mortes de pessoas associadas a raiva. No total, a quase extinção de três espécies de abutres resultou no dispêndio de mais de 34 mil milhões de dólares em despesas médicas em toda a região”, conta o The Peregrine Fund.

abutre-de-bico-longo
O abutre-de-bico-longo (Gyps indicus), uma das espécies de abutre que sofreram declínios dramáticos devido ao envenenamento por diclofenac | Foto: Deepak Sankat

O estudo também revelou que a Indonésia apresenta a maior variedade de espécies de aves de rapina e o maior número de espécies em declínio, e que as rapinas que dependem de habitats florestais têm maior probabilidade de estarem ameaçadas e em declínio.

“As aves de rapina estão entre as aves mais emblemáticas, mas também estão altamente ameaçadas, sendo que muitas das espécies de maior dimensão necessitam de vastas extensões florestais intactas e outras são perseguidas devido aos seus supostos impactos na pecuária e na caça”, destacou Stuart Butchart.

Coruja-das-neves
A coruja-das-neves (Bubo scandiacus), uma espécie classificada pela UICN como "Vulnerável" | Foto: David Hemmings Quebec

Os investigadores ofereceram algumas recomendações para travar estes declínios.

“Para além da proteção dos habitats, precisamos de reforçar e fazer cumprir as leis que previnem o abate ilegal e a caça insustentável”, aconselhou o cientista-chefe da BirdLife International. “Outras prioridades incluem a educação e a sensibilização, mudanças políticas – como uma melhor regulamentação da utilização de venenos – e medidas de segurança para as linhas elétricas perigosas. Para as espécies migradoras, a cooperação internacional reveste-se de especial importância.”

1ª foto: Águia-das-estepes, Aquila nipalensis (Sumeet Moghe)