"É p’ra amanhã – Viagem a um futuro sustentável" é uma série-documental sobre a sustentabilidade em Portugal, que vai juntar soluções e nos vai mostrar como pode ser o nosso mundo de amanhã.

O UniPlanet falou com Pedro Serra, o realizador do "É p’ra amanhã", que nos deu a conhecer este belo projeto.


UniPlanet (UP): Como surgiu a ideia para a criação da série-documental “É p’ra amanhã”?

A ideia nasceu no final de 2017, a partir de uma conversa de 5 minutos quando conheci o Luís Costa (hoje produtor e coordenador deste projeto) após a estreia do meu último documentário - Wasted Waste.
O Luís perguntou-me se eu já tinha visto o documentário francês Demain, que já conhecia e gosto imenso, por apresentar soluções locais em resposta a problemas ambientais à escala global. E perguntou se estava interessado em produzir algo com a mesma premissa, com foco em Portugal. Esta abordagem tem sido uma constante nos diferentes documentários que fiz, mostrar alternativas positivas, mostrar que é possível fazer a diferença e que está ao alcance de cada um de nós. Por isso, aceitei! Dei-lhe o meu contacto, falámos semanas mais tarde e de entre amigos com os mesmos propósitos ou ideais em comum, reunimos a equipa hoje formada!






UP: Quais serão os temas que irão abordar? São vocês que decidem os projetos que vão ser apresentados na série documental ou as pessoas podem sugerir projetos? Se sim, de que forma o podem fazer?

Queremos dividir esta série por episódios, em que cada um representa uma diferente temática, que consideramos inerente a qualquer sociedade: Alimentação, Energia, Educação, Floresta, Moda e Economia. Já mapeamos mais de 200 projetos em todo o país (Portugal Continental) e vamos lançar no nosso website e redes sociais uma campanha de crowdsourcing, no dia 24 de janeiro, onde qualquer pessoa pode sugerir projetos e pessoas que de alguma forma, estão a desenvolver algo em prol da comunidade. Soluções locais ao declínio ambiental e social que observamos hoje em dia. Por uma vida mais próspera para todos os habitantes deste Planeta.

Queremos que o tema comece a ganhar a devida importância na nossa sociedade e que as pessoas conheçam soluções viáveis por um estilo de vida mais sustentável. A partir daqui, vamos escolher os projetos que, dentro destas linhas, marquem a diferença pela positiva e que sejam exemplos para um futuro próximo. E queremos chegar até elas da forma mais sustentável e integrada possível (bicicleta, transportes públicos, meios elétricos) para sensibilizar para a importância de repensar os transportes e o sistema energético atual.

A nossa ideia é que todas as pessoas possam sugerir projetos que de alguma forma se destacam nesta área. A decisão final dos projetos a incluir na série será depois tomada pela nossa equipa, sendo que vamos procurar ter a opinião de especialistas de cada umas das áreas para nos apoiarem na decisão. Ainda não temos os critérios de escolha totalmente fechados. Mas alguns dos fatores de decisão, serão:

  1. A finalidade do projeto contribuir para a transição para uma economia sustentável, através de impactos ambientais, sociais ou económicos positivos.
  2. A natureza e os responsáveis pelo projeto são inspiradores/ motivadores para os espectadores do filme, em particular para as novas gerações
  3. O projeto é viável, ou parece viável, tendo já um impacto elevado, um potencial de expansão e/ou replicabilidade





UP: Têm uma campanha de crowdfunding a decorrer e já atingiram a vossa meta. Ainda podemos apoiar o vosso projeto?

Sim. Para grande surpresa nossa, atingimos os 100% da nossa campanha, 20 dias após a termos iniciado. Esse total era de 3500€, porque nos aconselharam a ter os pés na terra e pedirmos por baixo. Honestamente, eu era o mais cético. Achava mesmo muito difícil atingir este objetivo nas 5 semanas que tínhamos projetado para a campanha. Conseguimos em metade do tempo e tem sido incrível todo o apoio que temos recebido! Estamos mesmo muito contentes com todo o carinho que tem chegado até nós e vermos que há tanta gente interessada em ver isto andar para a frente!

A campanha continua até dia 23 de janeiro, pois precisamos de um total de 6000€ de financiamento para realizar a série. Contávamos conseguir o restante dinheiro, através de outras ações, mas como ainda faltam alguns dias para terminar a campanha, estamos a dizer às pessoas que podem continuar a contribuir e temos ainda várias recompensas disponíveis!



UP: Como tem sido o feedback das pessoas em relação ao vosso projeto?

Tem sido uma viagem espetacular e ainda nem estamos na estrada! Temos tido o interesse de tanta gente, tantas pessoas a oferecer-se para ajudar ou simplesmente a enviarem-nos mensagens de apoio... Tem sido lindo!

Nunca esperámos ter a projeção que estamos a ter em tão pouco tempo. A campanha de Crowdfunding está a ser um verdadeiro sucesso, com o contributo de mais de 200 pessoas até agora. A apresentação pública do projeto, no dia 16 de Janeiro, no Impact Hub em Lisboa, excedeu todas as expectativas! Tivemos a sala a abarrotar de gente feliz por ver isto acontecer! E tudo isto tem-nos entusiasmado muito e dado muito alento.






UP: Quando vão iniciar as filmagens e quando sairá o primeiro episódio?

As filmagens serão durante abril e maio. Depois vem toda a fase de pós-produção. Contamos ter a nossa antestreia no outono deste ano.


UP: Querem apresentar-nos a vossa equipa?

Eu já conhecia a Teresa Carvalheira da Fashion Revolution Portugal e ela é hoje a responsável de gestão do projeto e comunicação. O Luís Costa é amigo do Francesco Rocca, que se tornou assistente à produção e coordenação do projeto, bem como o Edgar Rodrigues, que é o nosso designer e assistente de comunicação; e mais tarde eu trouxe a Verónica Silva, para ser a nossa consultora de comunicação e produção, pela vasta experiência que tem em produção de conteúdos em Televisão.


UP: Para terminar, onde podemos encontrar mais informação sobre o “É p’ra amanhã”?

Estamos no Facebook com o nome "É P'ra Amanhã" e no Instagram (@epraamanha). É lá que postamos as novidades fresquinhas. E temos também o nosso site oficial, www.epraamanha.pt, onde vão poder contribuir com sugestões de iniciativas que seriam interessantes para o nosso mapeamento!




Logo
Jornal Guardian

As edições impressas e os suplementos do jornal britânico The Guardian vão deixar de ser vendidos em embalagens de plástico. A medida faz parte de um plano para reduzir os resíduos plásticos e o seu impacto no ambiente.

O jornal passa agora a usar embalagens feitas à base de fécula de batata, “que os leitores são encorajados a compostar ou a colocar no contentor de reciclagem de resíduos alimentares”, explica o The Guardian, acrescentando que “as embalagens não contêm quaisquer materiais geneticamente modificados”.

Esta mudança, que segundo o jornal aumentará os custos de produção, já foi introduzida em Londres, Kent, Essex, Hertfordshire, Norfolk e Suffolk e será levada ao resto do Reino Unido durante os próximos meses.

Há cada vez mais jornais e revistas a abandonar as embalagens de plástico. Em Portugal, o jornal Expresso substituiu o saco de plástico por um de papel no início de 2019. A National Geographic também anunciou, em 2018, que iria deixar de usar plástico para revestir as suas revistas nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Índia.

A medida do The Guardian coincidiu com um aumento de 0,30£ (0,34€) no preço da sua edição de sábado e um aumento de 0,20£ (0,23€) no preço do jornal The Observer e da sua edição diária.
Foto: David Levene/The Guardian
Lua

Na madrugada de domingo e segunda-feira, 21 de janeiro, vai ocorrer um eclipse total da Lua, que se encontra em Super Lua. Será o único do ano e o próximo só ocorrerá a 26 de maio de 2021.

A Lua entra na penumbra da Terra às 2:35, começando a ganhar tons acinzentados. Às 3:34 a Lua esconde-se na sombra da Terra e começa a ficar com tons avermelhados e acastanhados, criando uma Lua de Sangue, de acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa.

O eclipse total está previsto para as 4:41, ficando a Lua totalmente “escondida” na penumbra durante uma hora. O máximo do eclipse ocorre às 5:12, e passados quatro minutos, pelas 5:16, ocorre o instante da fase de Lua Cheia, marcando o Eclipse Total da Super Lua. Às 5:44 termina o eclipse total, perdendo a lua o tom avermelhado e voltando ao acinzentado. Às 7:50 a Lua sai totalmente da penumbra e volta à sua tonalidade normal.

O eclipse vai ser visível em Portugal e na Europa, América e noroeste de África e poderá ser assistido sem a utilização de óculos especiais.

O Centro Ciência Viva de Constância - Parque de Astronomia vai abrir as portas ao público durante a noite do dia 20 para o dia 21 de janeiro, entre as 3 as 7 da manhã.
Em Coimbra, o Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra vai estar aberto ao público das 4 às 6 da manhã.

Às 5 da manhã será possível observar Vénus e Júpiter – incluindo as suas quatro luas principais: Io, Europa, Ganimedes e Calisto.

As visitas são gratuitas e não precisam de inscrição, e ainda oferecem chá e bolos aos participantes.
Sacos de rede

Já recebemos os sacos de rede que encomendamos à Vera Martins do projeto Panos da Vera.

Vêm num pack de 7 sacos com 3 tamanhos diferentes:
2 pequenos – 18 x 30 cm
3 médios – 21 x 34 cm
2 grandes – 25 x 39 cm

O melhor:
  • São reutilizáveis ao contrário dos de plástico que são dados nos supermercados para a fruta e legumes
  • Vêm em três tamanhos diferentes
  • São extremamente leves
  • Muito práticos
  • Vieram numa embalagem que a Vera reutilizou com duas cartolinas e um pouco de linha (original e uma ótima ideia!)
O pior:
  • Nada a apontar

Preço: 9€ (Panos da Vera)

Sacos de rede
Pessoas

O Conselho de Ministros aprovou hoje, 17 de janeiro, uma proposta de lei que substitui o uso da expressão “direitos do Homem” por “direitos humanos”, explicando que a medida é "um passo no combate à desigualdade entre homens e mulheres, reconhecendo o progresso dos direitos fundamentais nos últimos 70 anos”.

“Nesse sentido, e considerando a prioridade dada ao combate contra a discriminação e à promoção de políticas de igualdade e inclusão, deve optar-se por uma linguagem neutra e inclusiva que abranja todas as pessoas (homens, mulheres, crianças, minorias, grupos indígenas, pessoas com deficiência, migrantes).”

A expressão universalista “direitos humanos” passará a ser utilizada nas convenções internacionais relacionadas com direitos humanos, e também por parte do Governo e de todos os seus serviços.

A proposta vai ser agora apresentada à Assembleia da República.
Garrafa de plástico na praia

O Ministério do Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra, na sigla em inglês) apresentou, no final de 2018, uma nova estratégia relativa aos resíduos, que quer pôr os fabricantes de embalagens do país a pagar a totalidade dos custos da recolha e reciclagem dos resíduos gerados pelos seus produtos. Atualmente, as empresas pagam apenas 10% das despesas da reciclagem.

Segundo estes planos, os supermercados e as outras lojas poderiam ficar sujeitos a multas por colocarem no mercado embalagens difíceis de reciclar, e os produtores e vendedores poderiam ser forçados a pagar os custos da limpeza do seu lixo.

Estas medidas destinam-se a fazer o “poluidor pagar” e a superar as metas estabelecidas pela União Europeia.

“A nova estratégia é ambiciosa”, disse Dustin Benton, do grupo de investigação Green Alliance. “Se for implementada, acabará com o escândalo de os produtores pagarem apenas 10% dos custos dos resíduos que colocam no mercado [e] proporcionará às famílias uma recolha eficaz da reciclagem e dos resíduos alimentares.”

Entre os objetivos apresentados na estratégia também se encontram a introdução de um imposto sobre o plástico de uso único com menos de 30% de conteúdo reciclado, a criação de um sistema de incentivo à devolução e depósito de garrafas e latas e a recolha semanal dos resíduos alimentares em todas as casas.

“A ‘Responsabilidade Alargada do Produtor’ é uma abordagem política ambiental poderosa através da qual a responsabilidade de um produtor por um produto é estendida até à fase pós-uso. Isto incentiva os produtores a desenvolverem os seus produtos por forma a que sejam mais fáceis de reutilizar, desmontar e/ou reciclar no final da vida útil”, lê-se no texto da estratégia do Defra.

“[Esta abordagem] foi adotada em muitos países um pouco por todo o mundo, numa ampla gama de produtos, para alcançar taxas mais elevadas de recolha, reciclagem e recuperação.”

Os planos apresentados em dezembro pelo ministério serão, brevemente, objeto de consulta. O Defra afirmou que pretende ter novas leis em vigor até 2023.

Juntos podemos deixar de ser uma sociedade do descartável e passar a ser uma que encara os resíduos como um recurso de valor”, disse o ministro britânico do Ambiente, Michael Gove.

“Cortaremos a nossa dependência dos plásticos de uso único, acabaremos com a confusão quanto à reciclagem doméstica, lidaremos com o problema das embalagens ao fazer os poluidores pagar e acabaremos com o escândalo económico, ambiental e moral que é o desperdício alimentar.”
Cartaz

O plástico de utilização única ou descartável foi proibido, a partir de 1 de janeiro de 2019, nas infraestruturas e eventos sob responsabilidade do Município de Fornos de Algodres.

Ficou assim proibida a aquisição ou utilização de copos descartáveis de plástico para consumo de café, de água ou de outras bebidas, bem como de talheres e garrafas descartáveis nas infraestruturas e eventos de responsabilidade do Município de Fornos de Algodres.

Esta medida segue a resolução do Conselho de Ministros n.º 141/2018, publicada em Diário da República n.º 207/2018, Série I de 26 de outubro de 2018.
O Executivo Camarário, para além da proibição de plástico descartável, irá também promover a redução do consumo de papel e consumíveis de impressão.

“Com estas medidas adotadas, o Município de Fornos de Algodres segue localmente as políticas de âmbito Nacional, contribuindo desta forma para uma transição da atual economia linear para uma economia circular”, pode ler-se num comunicado do Município. “Esta transição exige a promoção do uso eficiente de recursos, através de procedimentos e comportamentos assentes na desmaterialização, na reciclagem, na reutilização e na valorização de materiais, de forma a extrair o máximo de utilidade dos bens e equipamentos, prolongando o seu ciclo de vida e contribuindo, assim, decisivamente, para uma eficaz redução na produção de resíduos.”

“STOP ao Uso do Plástico” é o nome da nova campanha de sensibilização do Município de Fornos de Algodres.
Cão vadio

A Rússia proibiu as lutas de animais, o envenenamento ou abate a tiro de cães e gatos vadios e outras formas de crueldade contra os animais.

A nova lei proíbe a abertura dos chamados “zoos de contacto” em centros comerciais – algo que é comum no país – e determina que os animais de companhia devem ser mantidos em condições adequadas pelos seus donos.

A legislação foi promulgada pelo presidente Vladimir Putin no final de dezembro de 2018, oito anos depois de ter sido inicialmente apresentada. Segundo o Kremlin, a lei guia-se pelos “princípios da humanidade”.

Os bares e restaurantes com animais também deixam de ser permitidos, conta o canal de televisão russo RT. Em abril, dois ursos fugiram de um café na região de Yaroslavl. Um deles acabou por ser abatido.

Os animais selvagens mantidos em violação da lei e sem as devidas licenças serão apreendidos pelo estado. Da mesma forma, passa a ser proibida a sua acomodação em apartamentos e casas privadas.

Os circos semilegais também terão a sua vida complicada. Em outubro, uma leoa atacou e feriu uma criança de quatro anos durante o espetáculo de um circo itinerante na região de Krasnodar.

A nova lei também determina que os animais vadios devem ser capturados, esterilizados, vacinados e libertados com um microchip especial, e que o abandono não é uma opção, devendo os animais “ser encaminhados para uma nova casa ou abrigo”. Recentemente, encontraram-se camelos, avestruzes e outros animais exóticos em liberdade no país, depois de os mesmos terem sido abandonados pelos seus donos.

Quem tem cães passa apenas a poder passeá-los em zonas especialmente designadas para esse fim e poderá ser multado se não apanhar as fezes do animal. Para as raças “potencialmente perigosas”, o uso de açaime e trela torna-se obrigatório – uma medida criticada pelos ativistas defensores dos direitos dos animais.
Cientista

A investigadora Verónica Ferreira, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) de Coimbra, liderou um estudo internacional pioneiro sobre o impacto da plantação de eucaliptos no funcionamento de ribeiros em diferentes regiões do mundo. A investigação envolveu 18 cientistas de várias instituições ibéricas, sul-americanas e africanas.

As plantações de eucaliptos ocupam uma “área total de mais de 20 milhões de hectares em todo o mundo”, mas os seus efeitos no “funcionamento dos ribeiros têm sido estudados essencialmente na Península Ibérica”.

Os investigadores avaliaram “o funcionamento de ribeiros em plantações de eucaliptos por comparação com ribeiros semelhantes, mas que atravessavam florestas de espécies nativas, em diferentes regiões na área de distribuição das plantações de eucaliptos”, contou Verónica Ferreira.

Para a realização da investigação, os cientistas utilizaram a decomposição das folhas como indicador do funcionamento do riacho.

“Os ribeiros que atravessam as florestas são ensombrados pela copa das árvores e é por isso que os organismos aquáticos dependem fortemente das folhas da vegetação ribeirinha”, explicou Verónica Ferreira, destacando que, “na água, essas folhas libertam nutrientes que estão disponíveis para outros organismos, como algas, bactérias, fungos e invertebrados”.

Estudar o impacto dos eucaliptos nos ribeiros é relevante uma vez que as “mudanças na floresta podem levar a mudanças na quantidade de folhas e nas suas características, o que pode criar desequilíbrios nas comunidades aquáticas e comprometer a capacidade dos rios de fornecer serviços para as populações humanas, como água de boa qualidade ou peixe”.

As experiências, realizadas em sete regiões da Península Ibérica, da África Central e da América do Sul, permitiram aos investigadores concluir que “o efeito das plantações de eucaliptos varia entre regiões e depende do tipo de organismos decompositores”.

Foi verificada uma inibição da decomposição total das folhas nas regiões temperadas (Portugal, Espanha, Sul do Brasil e Uruguai), já que nestas regiões os invertebrados trituradores são naturalmente importantes e são afetados negativamente pelas plantações.

As conclusões deste estudo, publicado na revista Ecosystems, “realçam a necessidade de se avaliar os efeitos das plantações dos eucaliptos nos ribeiros tendo em conta as características locais”, devendo “ser feito um esforço para conservar a vegetação ribeirinha nativa junto aos ribeiros para mitigar os efeitos das plantações”.

Além da Universidade de Coimbra, o estudo teve a participação das universidades do País Basco (Espanha), de Brasília (Brasil), Regional Integrada do Alto Uruguai e da República (Uruguai), de Temuco e de Concepción (Chile) e de Egerton (Quénia) e das Missões e Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Brasil).
Coruja presa numa rede de uma baliza

Para os animais selvagens, as zonas urbanas e suburbanas estão repletas de obstáculos e perigos. As vedações e as cercas, em especial as de arame farpado, são um deles.

O que muitos desconhecem, conta Chantal Theijn, da organização de reabilitação animal Hobbitstee Wildlife Refuge, é que as redes das balizas de futebol também são uma ameaça para a vida selvagem.

No ano passado, a sua equipa deparou-se com 5 ou 6 casos de veados presos nestas redes e cerca de 15 em que os animais afetados foram aves de rapina, particularmente corujas, que não detetam a rede enquanto caçam à noite.

Nos casos de enredamento, a deteção e intervenção precoces podem ser decisivas para a sobrevivência do animal.

Um dos incidentes mais recentes que Chantal Theijn testemunhou foi o de um veado num parque da cidade de Hamilton, na província de Ontário, no Canadá. Quando chegou ao local, o animal debatia-se, preso na rede da baliza, e estava “extraordinariamente stressado”, o que fez com que o sedativo que lhe administraram não tivesse surtido qualquer efeito.

“Quando os veados estão mesmo, mesmo stressados, a sua adrenalina anula qualquer fármaco que se administre”, explicou.

O instinto de fuga de um veado é tão forte, que o animal também se pode ferir – por vezes fatalmente – só para se afastar daquilo que encara como um perigo, mesmo que este perigo sejam as pessoas que o estão a tentar ajudar.

Veado preso numa rede de uma baliza
O veado que ficou preso à rede de uma baliza em Hamilton | Fotos: Hobbitstee Wildlife Refuge

O animal acabou por ser libertado, mas a história não tem um final feliz. O veado, que se afastara do campo e acabara por cair, mostrava sinais de miopatia de captura – uma síndrome associada à captura e manuseamento de animais selvagens, causada por stress ou esforço extremos, que termina quase sempre na morte do animal.

O veado não sobreviveu ao seu encontro com a rede de futebol.

Ao contrário do que vemos nos vídeos de resgates de animais publicados no YouTube, os finais felizes são bem mais raros, conta Chantal.

Existe uma infinidade de vídeos no YouTube, nos quais os veados são libertados e depois fogem”, explicou ao site Mother Nature Network. “Mas eu gostava que prolongassem esses vídeos até dois dias depois de o veado ter fugido e me dissessem se ele ainda está vivo. Porque muitos deles não estarão.”

Candice Haskin, bióloga do Departamento de Recursos Naturais do estado norte-americano de Maryland, também se lembra de um dos seus encontros com uma situação destas. “Quando cheguei, o veado tinha envolvido [a rede de futebol] à volta do seu nariz e asfixiado.”

Uma solução simples

A solução para este problema é “estupidamente simples”, defende Chantal. Afinal, não há necessidade alguma de as redes permanecerem nas balizas depois de acabados os jogos.

“Pode-se, simplesmente, enrolar as redes até ao topo e prendê-las com alguns atilhos. Nem é preciso removê-las. Pode-se só enrolá-las”, disse. “Como seres humanos, temos mesmo de fazer isto. É algo que não custa nada.”

Chantal Theijn gostaria que esta prática se tornasse uma rotina nos campos de futebol, encorajada pelos treinadores.


Vídeo: Um dos resgates publicados no YouTube. As imagens deste vídeo podem chocar os leitores mais sensíveis.

Boas notícias

Após a morte do veado no campo de Hamilton, o Departamento de Parques da cidade decidiu tomar medidas.

“Perante este evento trágico, a Cidade de Hamilton garantirá que as redes serão removidas no outono e perguntará aos grupos que utilizam os campos se elas são mesmo necessárias”, disse Kara Bunn, gerente dos Parques e Cemitérios de Hamilton.

Chantal considerou “fantástico” este compromisso. “Esperemos, agora, que outras cidades tomem nota e sigam o exemplo [de Hamilton].”

O que fazer se encontrar um animal preso numa rede ou vedação

  • Contacte a linha SOS AMBIENTE 808 200 520 ou a GNR/SEPNA local.
  • Não se aproxime do animal, já que ele se poderá debater e agravar os seus ferimentos.
  • Mantenha as pessoas (especialmente as crianças) e os outros animais à distância.
  • Sempre que possível, deixe o resgate a cargo de um profissional especializado, que saberá a melhor forma de proceder ao mesmo.