Cartaz

No dia 27 de maio, vai decorrer a Run Algarve Coast Sem Lixo, uma iniciativa informal que unirá o Algarve de uma ponta a outra, por um oceano sem lixo.
Esta ação envolve grupos informais de cidadãos, associações, autarquias e Centros Ciência Viva com o propósito de limpar praias, rios e ribeiras e sensibilizar a população para a problemática do lixo marinho.

Durante todo o dia, algumas centenas de pessoas em diferentes praias farão caminhadas, recolhendo lixo e tirando fotografias que partilharão nas redes sociais. A organização geral está a cargo da Straw Patrol, Associação Lais de Guia e do grupo Run Eco Team Portugal, com a coordenação local entregue a vários cidadãos.

Algumas das praias onde o evento decorrerá:

Praia de Monte Gordo – 10h – Encontro atrás do Casino
Praia da Manta Rota e Cacela Velha - 9h30 – Encontro no largo da Manta Rota em frente ao Casino
Praia de Altura – 10h – Encontro no passadiço da Praia
Santa Luzia – 10h
Cabanas de Tavira – 9h30 – Encontro frente ao mercado de Cabanas de Tavira
Ludo (Aeroporto de Faro) – 9h30 – Encontro na entrada do Ludo, junto ao Aeroporto de Faro
Ribeira do Algibre – 10h – Encontro na ponte da Ribeira do Algibre
Praia de Vilamoura – 10h – Encontro atrás da Marina de Vilamoura
Praia de Ferragudo – 10h – Encontro Rua Infante D. Henrique, parque de estacionamento de terra
Praia do Tonel – 10h – Encontro na entrada da praia

Participe e a contribua para um #AlgarveSemLixo.

A lista das várias ações de limpeza pode ser consultada aqui.


Durante a última década, a escola secundária de Olney Friends, nos Estados Unidos, tem integrado a agricultura biológica e a produção alimentar nas aulas e na vida dos seus estudantes. Em 2015, tornou-se o primeiro campus do país com certificação biológica do Departamento de Agricultura dos EUA.

“Há 100 anos que Olney tem práticas de conservação em vigor para proteger o ambiente”, explica Don Guindon, funcionário da escola fundada em 1837. A rotação de culturas, as culturas de cobertura e em curvas de nível são algumas das práticas sustentáveis usadas, que ajudam a preservar a fertilidade e a saúde do solo e a combater a erosão. No processo, a escola também quer melhorar a saúde dos seus estudantes.

Os alunos cultivam uma grande variedade de frutas, vegetais e ervas aromáticas, cuidam de cabras, galinhas, porcos e vacas e produzem feno para o gado. Recentemente, também decidiram juntar a apicultura ao seu reportório. Os alimentos produzidos são depois transformados em refeições na cantina da escola.

O objetivo de Olney não é necessariamente formar futuros agricultores. De facto, os alunos seguem para a universidade e poucos – se é que alguns – se dedicam à agricultura mais tarde.

O nosso objetivo é formar cidadãos bem equilibrados que são consumidores inteligentes com consciência social. A quinta é um ótimo lugar para assimilar lições sobre a complexidade dos sistemas sustentáveis”, contou Don Guindon à YES! Magazine.


Fotos: Mark Hibbett

A cantina serve três refeições por dia, sete dias por semana, para os cerca de 50 alunos.

40% dos alimentos provêm da quinta da escola ou da zona local, mas a instituição de ensino quer que este número cresça e está a explorar técnicas para minimizar o desperdício. Algumas das possibilidades: fazer kimchi com as couves da quinta, utilizar os morangos para fazer compotas e os ovos para fazer massas. E quer que os alunos estejam envolvidos em todas as etapas.

A quinta produz e usa cerca de 40 toneladas de composto anualmente, utilizando estrume, resíduos da cantina e as folhas de outono recolhidas na vila vizinha.

A filosofia da escola também é incorporada nas aulas: numa aula de biologia os alunos podem visitar a estufa para ajudar a polinizar os limoeiros à mão, noutra aula de arte podem trabalhar em modelos para a remodelação de uma porção da estufa.


Fotos: Mark Hibbett

Olney ajusta o calendário de plantação para maximizar a participação dos alunos. Algumas culturas são plantadas tardiamente para que os adolescentes possam ajudar na colheita quando regressam das suas férias de Verão.

Um dos alunos, Izraa Rosa, que cresceu no seio de uma família vegan, conta que os seus pais dão valor ao facto de a comida na escola ser de produção local e livre de pesticidas. “Cresci na cidade, onde os meus amigos e eu tínhamos cuidado para não sujarmos os sapatos. Agora sujo as minhas mãos e adoro. Tenho a mente mais aberta e recetiva a novas experiências.”

“Sempre que os estudantes participam nas tarefas da manhã, apercebem-se de todo o trabalho por detrás das coisas. Esses ovos não aparecem nos nossos pratos ao pequeno-almoço. Alguém tem de ir recolhê-los às seis da manhã”, conta Adam Dyer, outro funcionário.

Antonia Sigmon, aluna do último ano do secundário, participou no maior número possível de atividades, desde a apanha da batata ao aleitamento artificial de cabritos recém-nascidos. “Estava entusiasmada com a ideia de trabalhar com os animais”, admite. “E gosto de estar em contacto com a terra e com tudo o que está a crescer.”
Cavalo-marinho

"Cavalos De Guerra" é um filme baseado nas expedições do fotógrafo subaquático, biólogo marinho e ambientalista, João Rodrigues, em luta pela conservação e preservação dos cavalos-marinhos da Ria Formosa.

Outrora considerada a maior comunidade do mundo, hoje estes animais estão em risco de desaparecimento.

Entre as inúmeras ameaças que já dizimaram grande parte da população, como a degradação ambiental e a pesca ilegal através de arrasto de vara para apanhar o caboz, choco e linguado, destaca-se a captura ilegal com destino ao mercado asiático, onde o cavalo-marinho é usado na medicina tradicional.

As espécies de cavalos-marinhos da ria estão protegidas pelo anexo B da convenção CITES, contudo isto não tem travado a sua captura.
No Sudeste Asiático, um só cavalo-marinho seco chega a valer mais do que vários quilogramas de peixe.

"Cavalos De Guerra" é um filme de união, força e esperança, que reúne cientistas, políticos, organizações ambientais, entidades privadas e toda a comunidade com um objetivo comum: salvar um dos tesouros mais valiosos de Portugal, o enigmático cavalo dos mares.

“Eu não quero que os cavalos-marinhos desapareçam da nossa ria”, diz um menino no filme.



Foto: João Rodrigues
Touro

Os estudantes da Universidade de Évora decidiram em referendo, no dia 22 de maio, acabar com a garraiada académica na Queima das Fitas.
Dos 1086 estudantes que participaram, 667 votaram pelo fim da garraiada e 405 a favor da sua continuidade, registando-se ainda 12 votos em branco e dois nulos.

A Queima das Fitas de Évora de 2018 começa no dia 25 de maio e vai decorrer até 2 de junho.

O movimento "Estudantes por Évora" em parceria com o Núcleo de Estudantes de Agronomia de Évora já anunciou que vai organizar uma garraiada no dia 25 de maio, às 16:30, no Parque do Centro de Desenvolvimento Agropecuário de Évora (antigo IROMA), independentemente do resultado do referendo.

Depois dos estudantes de Setúbal, do Porto, de Coimbra e de Tomar, foi agora a vez dos estudantes de Évora manifestarem a sua vontade de abolir a garraiada da Queima das Fitas.

Este resultado surge após a apresentação do projeto de lei do PAN para abolir touradas em Portugal.
"A vitória do "Não" vem reconfirmar que a esmagadora maioria dos portugueses rejeita a utilização violenta de animais para divertimento e pede o fim de todas estas atividades. Entendemos este resultado como mais um indício de que o fim das touradas em Portugal e na Europa está mais perto, com cada vez mais referendos e manifestações públicas que defendem a abolição da tauromaquia, sendo que aqueles que representam o futuro assumiram claramente que não se revêm nesta tradição bárbara”, defende André Silva, Deputado do PAN.



Sapatos vegans Hugo Boss

Sapatilhas 100% vegans, feitas com piñatex, a fibra das folhas de abacaxi. É a proposta da Hugo Boss, numa edição limitada para homem. Segundo a marca, esta inovação tem um “impacto mínimo a nível ambiental”.

A novidade é a introdução da fibra das folhas de abacaxi, mas todas as partes destas sapatilhas, produzidas em Itália, são vegetais. Para a sola é utilizado poliuretano termoplástico (mais conhecido como TPU). Acima da sola, o contorno – com 50% algodão e 50% de linho. Quanto à parte visível, trata-se do piñatex, o novo material à base de abacaxi. Finalmente, os cordões: feitos totalmente com algodão orgânico.

Também a caixa, onde são transportadas e vendidas as sapatilhas, é feita de papel reciclável e biodegradável. Segundo a marca, este produto foi totalmente desenhado tendo as palavras inovação e sustentabilidade em mente.

A coleção destina-se exclusivamente ao público masculino e tem quatro tons disponíveis: azul, amarelo, castanho e preto. À semelhança de todas as outras matérias-primas, as tintas são também produzidas a partir de plantas.

A marca justifica esta edição limitada com o compromisso crescente que quer ter com o planeta e o ambiente, nomeadamente no que respeita aos processos de produção.

Sapatos vegans Hugo Boss



Bárbara Baltarejo

Bárbara Baltarejo é uma jovem de 20 anos, que está a terminar a licenciatura em Ciências da Comunicação, na vertente de Jornalismo pela Universidade do Porto. Sempre foi apaixonada por animais, mas há cerca de quatro anos decidiu tornar-se vegetariana e a partir daí, começou a descobrir mais sobre o ambiente e o mundo em que vive. Juntar a paixão pela escrita e a vontade de fazer passar a palavra sobre estas questões foi o que a fez juntar-se ao UniPlanet.

Galinha

Um estudo pioneiro a nível mundial revelou que os microplásticos também já invadiram a cadeia alimentar terrestre.

Os microplásticos têm sido descobertos nos solos em várias partes do mundo. Como são tão pequenos (< 5 mm), são difíceis de detetar e os animais que se alimentam da vegetação, de sementes ou de microrganismos no solo ingerem-nos acidentalmente.

As partículas de plástico vão-se acumulando no seu corpo e entram na cadeia alimentar, passando de animal para animal até chegarem aos pratos dos seres humanos.

O estudo, realizado por cientistas mexicanos e holandeses no México, mostrou que os microplásticos no solo são consumidos por minhocas e pelos frangos e galinhas criados nas hortas domésticas para consumo humano.

Os investigadores encontraram dezenas de microplásticos no papo e nas moelas das galinhas e calcularam que isto se traduziria na ingestão anual de 840 partículas de plástico por pessoa. Segundo eles, limpar minuciosamente as moelas não garante a remoção de todos os resíduos químicos e plásticos, uma vez que estes últimos são tão pequenos que são difíceis de ver a olho nu.

Em entrevista à Agência Conacyt, a cientista Esperanza Huerta, autora do estudo, explicou como os microplásticos vão parar ao solo e aos nossos pratos.

“O plástico e os microplásticos chegam ao solo principalmente por três motivos: porque não há uma gestão adequada dos resíduos e as pessoas queimam o lixo; porque os sistemas agrícolas utilizam plásticos para cobertura (que são enormes mantas de plástico com as quais cobrem as culturas) e o plástico fica acumulado no solo; e quando se utilizam águas residuais para irrigação, pois os processos de filtração destas águas não conseguem remover os plásticos de tamanhos diminutos”, contou Esperanza Huerta.

Microplásticos
Microplásticos | Foto: Peter Kershaw/GESAMP

A presença de microplásticos nos terrenos leva à sua ingestão por parte dos macroinvertebrados do solo. “Em estudos realizados em conjunto com a Universidade de Wageningen descobrimos que os invertebrados do solo, como as minhocas, perdem peso depois de ingerirem o plástico e morrem se as concentrações são muito elevadas. Estes organismos são fundamentais para manter a fertilidade do solo e a sua morte afeta a saúde dos solos onde diversas plantas crescem”, explicou a cientista.

A microflora muda quando há plástico no solo, o que, por sua vez, também afeta os macroinvertebrados que se alimentam dela. “Além disso, os microplásticos têm aditivos e não sabemos ainda que efeitos têm estes aditivos nas minhocas. Nos sistemas aquáticos, já se observou que estes aditivos são nocivos para os organismos que habitam na água. São muitos os fenómenos que se originam com a presença de microplásticos no solo e, todavia, ainda há muito por investigar”, confessou.

Os investigadores encontraram um máximo de 130 partículas de plástico por grama de excremento de minhocas nas hortas familiares mexicanas.

“O facto de as pessoas queimarem o lixo faz com que elas mesmas contaminem os seus próprios solos e o ambiente, já que o plástico não desaparece, só se fragmenta em pequenos pedaços”, contou. “[O plástico] é então ingerido por minhocas e galinhas. Depois as galinhas são ingeridas pelos seres humanos e este é um problema sério, porque estamos a falar de uma alta probabilidade de contaminação com plástico no ser humano.”

Plástico para cobertura de solos
Plásticos para cobertura de solos

“Por outro lado, o plástico também é transportado no solo de maneira vertical, através dos túneis que as minhocas fazem. Isto gera o risco de que, com a chuva, este plástico seja arrastado para as camadas mais profundas do solo e para o aquífero”, alertou Esperanza.

“Há muito que não sabemos ainda; em diferentes espaços agrícolas do México usam-se os plásticos para cobertura de solos e cá, como na China, estes plásticos são abandonados e integram-se no solo.”

A cientista disse que o El Colegio de la Frontera Sur, a Universidade de Wageningen e o Instituto de Ecologia da Holanda estão a tentar encontrar soluções e técnicas para limpar o solo de microplásticos, tendo já publicado um estudo que mostra como bactérias isoladas de minhocas podem degradar o plástico.

“Estamos na etapa de encontrar financiamento para poder desenvolver a tecnologia. Mas não é só a tecnologia, uma vez que as pessoas estejam mais conscientes do problema da contaminação do plástico no solo, poderemos, em conjunto, investigadores e cidadãos, encontrar soluções", propôs.

“Por um lado, as pessoas que utilizam plástico podem reduzir o consumo deste material; os produtores de plástico podem procurar alternativas e começar a trabalhar com plástico biodegradável, mas realmente biodegradável; o governo pode promover centros de recolha dos resíduos e reciclar realmente os resíduos; o sector agrícola pode diminuir o uso de plástico ou procurar alternativas feitas de outros materiais não contaminantes; e, claro, as pessoas podem deixar de queimar o lixo. É um trabalho conjunto.”
Horta

Um novo paradigma socioambiental necessário
para a sobrevivência da espécie humana

Permacultura é uma revolução cujo problema é a solução

Por Vinícius Puhl e Barbara Lazzari


“O problema é a solução" nos fala Bill Mollison, considerado o Pai da Permacultura. A enciclopédia livre Wikipédia nos traz uma boa definição de Permacultura: um sistema de princípios agrícola e social de design centrado em simular ou utilizar diretamente os padrões e características observados em ecossistemas naturais. A Permacultura nasceu fruto do trabalho acadêmico de David Holmgren, então um estudante de pós-graduação, e seu professor, Bill Mollison, em 1978.

Na Universidade de São Paulo, a USP, uma Universidade Pública brasileira das mais conceituadas do mundo, o pesquisador Djalma Nery Ferreira Neto segue essa trajetória. É o design ecológico, a engenharia ecológica, o design ambiental, a construção e bioconstrução, o gerenciamento integrado de recursos hídricos, a arquitetura sustentável, os sistemas de habitat e agricultura regenerativos e autossustentáveis a partir de ecossistemas naturais. Neste artigo ficam claros alguns desafios e paradigmas da humanidade que, através da Permacultura, podem ser enfrentados e superados.

Djalma Nery: "A humanidade vive um momento em que precisa obrigatoriamente de 'mudar de rumos', diante da interface física e a finitude material da sua existência".

O pesquisador da USP Djalma Nery é um dos mais conceituados estudiosos e militantes da Permacultura no Brasil. Entre seus trabalhos estão dissertações que versam sobre o papel determinante da Permacultura, traçam mapeamentos dos grupos de Permacultura em atividade e revelam aspectos que podem e devem colocá-la como eixo central de um novo paradigma do atual momento planetário e civilizacional. Djalma Nery conheceu a Permacultura em Araraquara, em 2008, no curso de Ciências Sociais da UNESP. Por ser um curso bastante teórico, teve a oportunidade de participar de diversos debates literários que envolviam amplamente a temática da sustentabilidade. O contato direto com a Permacultura começou através de uma horta comunitária, criada por colegas universitários.

Djalma Nery
Djalma Nery

No mesmo ano em São Carlos - SP, sua cidade natal, seu pai também iniciava a implementação de uma horta caseira. Filho de pais ambientalistas, desde a infância foi incentivado a estar em contato com a natureza, entretanto ao longo do tempo percebeu a necessidade de ir mais longe. Sentia-se desconectado. Reconheceu que era muito ativo nos debates e nas manifestações teóricas, porém carecia da prática. A Permacultura surgiu como espaço de prática objetiva daquilo que buscava. Identificando seu espaço de atuação, observou que precisava ir além das discussões de sistemas alternativos, era necessário atuar diretamente no meio que pertencia. A partir dos seus estudos, entendeu que a Permacultura estava sendo debatida e aplicada em diversos lugares do mundo. Viajou em busca de conhecimento. Carona, hospedagem solidária e alimentação em troca de trabalho foi a realidade de Djalma durante quatro anos de estudos, dedicados exclusivamente à Permacultura.

Em uma breve entrevista, Djalma Nery destaca a Permacultura como necessária e sua compreensão de que 'a necessidade é o motor da história' e dá caminhos para a sua massificação e escala no Brasil e no mundo, baseadas nas mudanças profundas de paradigma que a sociedade vive e a ausência de opção alternativa. A humanidade vive um momento em que precisa obrigatoriamente de 'mudar de rumos, diante da interface física e a finitude material da sua existência'.

Sociólogo e graduado em Ciências Sociais, o acadêmico de pós-graduação do programa de Ecologia Aplicada da USP é educador ambiental, social e popular, exercendo a docência na disciplina de 'Sociologia e Permacultura'. É fundador da Veracidade – estação de permacultura urbana – entidade ambientalista que atua na região de São Carlos/SP, interior do Estado de São Paulo, Brasil. O pesquisador ressalta, entre outros comportamentos da sociedade moderna, o consumo exacerbado e o desperdício como fatores que colocam a civilização em risco e exigem a mudança de paradigma, para 'a prática da cultura da permanência, ao invés das práticas da impermanência, insustentável e irreprodutiva, que tenham a sua história finita demarcada no tempo'. A Permacultura é uma resposta à altura que questiona a estrutura da organização humana e se coloca com viabilidade e potencialidade transformadora.

Como a Permacultura vai se tornar algo massificado, alcançar a escala necessária para romper paradigmas? Para Djalma Nery essa é a questão além da necessidade, por que impõe um planejamento estratégico que faça acontecer, com atuação simultânea envolvendo os Governos, as Empresas e a Sociedade Civil. O diálogo constrói a realidade e os Poderes e Setores podem e devem oferecer respostas a esse momento único e perturbador para todos.

Gansos
Gansos e patos auxiliam na agricultura | Foto: EwigLernender

A Permacultura precisa ser uma diretriz central dos Governos, ser prioridade enquanto política pública fundamental de Estado, regulamentada em Lei a ser cumprida, fiscalizada... Entre as iniciativas estão a geração de energia limpa, a bioconstrução regulamentada incentivada, as hortas comunitárias e urbanas, a reciclagem em escala, o desenvolvimento sustentável em evidência no setor governamental.

As empresas, também por força da regulamentação das políticas públicas, voltadas a um tipo de produção mais sustentável, renováveis ao invés de não renováveis, pressionadas pelo Mercado e pelo Estado. A constituição de ambientes de mercado estimulados e pressionados, que migram o paradigma produtivo e dão espaço para as mudanças. E, principalmente, a participação ativa e consciente da sociedade civil, organizada através de grupos, cooperativas e associações com responsabilidade, demandas e voz na construção do sentido de futuro, do paradigma sustentável da articulação de um novo ambiente social. Uma plataforma colaborativa, a partir de uma visão sistêmica e o diálogo persistente e permanente entre poder público, sociedade e iniciativa privada de maneira inseparável num ambiente saudável.

Djalma Nery defende a Permacultura enquanto alternativa que se consolide nos espaços empresariais, de decisão do poder público e da sociedade. A Permacultura é um viés para a mudança do atual paradigma de produção e consumo. A mudança é fundamental e é preciso ser parte dessa mudança. A sociedade percebeu a finitude do planeta, a partir de então cultiva-se nas pessoas a consciência da sustentabilidade, preservação e cria-se uma perspectiva de ciclos. Contudo, é preciso compreender as macroestruturas do sistema, para não cair no senso comum.

Analisamos um simples comparativo: 10% da água utilizada no Brasil é para fins domésticos, 75% pelo agronegócio e 20% pela indústria. Portanto, não basta economizar água em casa, é preciso repensar o modelo de produção. Compreender a diferença entre as micro e macro estruturas. É fundamental a criação de políticas públicas que mudem o modelo de consumo e produção.

Bill Mollison
Bill Mollison, considerado o pai da permacultura | Foto: Nicolás Boullosa

Anos 70 - Fundamentos da Permacultura

Aos fundadores australianos se deve a criação da denominação “Permacultura”, mas a criação da cultura da Permacultura se dá àqueles que a puseram em prática, baseados na soma do conhecimento de diversas vertentes que discorrem sobre o tema. Os dois autores reuniram fontes que culminaram na coesão e concisão do termo Permacultura.

O caminho para a construção de uma nova realidade passa por vários aspectos: ação individual, percepção do impacto que as nossas escolhas têm sobre a sociedade, a partir disso, mudança de hábitos. Articulação de mudanças locais, grupos que repensem a forma de consumo. Posteriormente, conectar os pequenos grupos. Uma ação isolada não muda as coisas substancialmente. Mudar é apontar para uma construção coletiva. Equilibrar e conectar esses três links. O pessoal, o local e o macro.

A Permacultura permite vislumbrar algumas de suas características conceituais na vivência prática. É possível viver, através das escolhas, ex.: banheiro seco em casa, fazendo compostagem, horta, água de chuva, etc... (Em referência à obra “Ilusão Concreta - Utopia Possível – Contraculturas espaciais e Permacultura. Tese de doutorado de Luiz Fernando de Mateus e Silva – USP/2013). É possível melhorar as condições de vida sobre a égide do capitalismo, a partir de orientações da Permacultura, principalmente no âmbito técnico. É possível pensar num futuro onde as pessoas tenham energia solar em casa, composteira, horta, e ainda, sim, viver num sistema capitalista, mas é impossível unir a ética (ou a falta dela) do sistema capitalista com a ética da Permacultura.

Ética da Permacultura

Djalma Nery ainda destaca o cuidado com as pessoas, o cuidado com a terra e a partilha justa dos excedentes. E denuncia que o capitalismo viola sistematicamente cada uma delas, cada pilar: ao explorar a mão-de-obra do trabalhador para construir a riqueza dos donos dos meios de produção, não pode cuidar das pessoas. Não pode cuidar da terra, pois é a fonte dos recursos e matéria-prima para produções em larga escala. Não convive com a partilha justa, pois se baseia na competição, disputa. 'Permacultura e Capitalismo são incompatíveis', segundo o pesquisador que destaca que mesmo assim é possível avançar, pois a imprensa colabora na formação da consciência das pessoas em relação à Permacultura. É um desafio fazer um contraponto, pensando nos objetivos escusos que os veículos de comunicação têm. É preciso fazer a permacultura ocupar os espaços de divulgação.

Desenvolvendo sistemas alimentares locais

O repórter norte-americano Nelson Harvey realizou uma interessante conversa com Adam Brock, cofundador da fazenda urbana e centro de educação da GrowHaus, um mentor da Corporação de Permacultura de Denver/EUA sobre questões de segurança alimentar na capital e cidade mais populosa do estado norte-americano do Colorado, sob a perspectiva da permacultura.

“Precisamos ensinar as pessoas a realmente trabalhar com essa terra, como produzir calorias de uma forma que mantenha ou melhore o solo e a água...”

Brock destaca ainda que a maioria das pessoas pensa primeiro na perspectiva da permacultura no âmbito da produção de alimentos e agricultura. Isso é certamente uma grande parte disso, mas na verdade é uma estrutura de solução de problemas, uma estrutura de design. E revela que a preocupação com políticas públicas e engajamento da sociedade civil com a Permacultura, através de investimentos sociais de longo prazo, passa por uma linha de pensamento em que não se enquadram as 'métricas econômicas convencionais para expressar seu valor'. "Parece que esses investimentos fariam mais sentido se pudéssemos olhar para além do atual trimestre financeiro e colocar um prêmio maior em benefícios não-econômicos - como a resiliência que vem com a manufatura ou produção de alimentos".

As conclusões alcançadas até ao momento, considerando os históricos da permacultura no mundo e os estudos de mapeamento de grupos no Brasil, especialmente detectam o perfil das pessoas que constrõem a Permacultura, em debates díspares e com vazão filosófica e política. A Permacultura não se constitui enquanto movimento social. Não existe espaço organizativo concreto. Não existe corpo coeso de trabalho. Não existe um manifesto que unifique e defina o que os permacultores reivindicam.

Atualmente, a maioria dos permacultores no Brasil são pessoas brancas, socioeconomicamente favorecidos, universitários que possuem uma preocupação com o meio ambiente. Geograficamente, estão localizados no Sul e Sudeste do país. Há uma ausência de participação nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste e, lamentavelmente, não é considerada uma ferramenta de construção de políticas públicas, mantendo um 'status quo', onde o Estado serve ao poder econômico e aos interesses privados, cujo bem-estar das pessoas, da sociedade, parecem estar à margem.

Espiral de ervas
Espiral de ervas | Foto: jongela19

Os 12 princípios de design da Permacultura articulados por David Holmgren em seu livro Permacultura Princípios e caminhos além da sustentabilidade:

  1. Observe e interaja.
    Alocando tempo para engajar-nos com a natureza, podemos desenhar soluções adequadas à nossa situação particular.
  2. Capte e armazene energia.
    Desenvolvendo sistemas que coletem recursos que estejam no pico de abundância, podemos utilizá-los quando houver necessidade.
  3. Obtenha rendimento.
    Assegure-se de que esteja obtendo recompensas verdadeiramente úteis como parte do trabalho que você está fazendo.
  4. Pratique auto-regulação e aceite retornos.
    Precisamos desencorajar atividades inapropriadas para garantir que os sistemas continuem funcionando bem.
  5. Utilize e valorize recursos e serviços renováveis.
    Faça o melhor uso da abundância da natureza para reduzir nosso comportamento consumista e nossa dependência de recursos não renováveis.
  6. Evite o desperdício.
    Valorizando e fazendo uso de todos os recursos que estão disponíveis para nós, nada será desperdiçado.
  7. Projete dos padrões aos detalhes.
    Dando um passo atrás, podemos observar padrões na natureza e na sociedade. Estes padrões podem formar a espinha dorsal de nossos projetos, com os detalhes sendo preenchidos conforme avançamos.
  8. Integrar ao invés de segregar.
    Colocando as coisas certas no local certo, fazemos com que as relações entre uma e outra se desenvolvam e elas passam a trabalhar juntas para ajudar uma à outra.
  9. Utilize soluções pequenas e lentas.
    Sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que sistemas grandes, fazendo uso mais adequado de recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.
  10. Utilize e valorize a diversidade.
    A diversidade reduz a vulnerabilidade a uma variedade de ameaças e tira vantagem da natureza única do ambiente na qual reside.
  11. Utilize bordas e valorize elementos marginais.
    A interface entre as coisas é onde os eventos mais interessantes ocorrem. É onde frequentemente estão os elementos mais valiosos, diversificados e produtivos de um sistema.
  12. Utilize e responda criativamente às mudanças.
    Podemos ter um impacto positivo nas mudanças inevitáveis se as observarmos com atenção e intervirmos no momento certo.

Permacultura e Empreendedorismo

Para o paisagista Márcio Modelski da Empresa Cantinho Verde Ecologia, que atua no interior do Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil a Permacultura é um dos conceitos mais modernos para definir a sustentabilidade. 'Sempre tive meu olhar voltado para o campo, para a natureza. Meu primeiro contato de estudos foi para o curso de Agronomia. Posteriormente, fui apresentado à beleza das plantas, flores e suas cores, através de minha esposa e a partir daí não parei mais e me encontrei, sendo o que mais gosto de fazer, tornando-me respeitador da natureza e criador de paisagens naturais', destaca.

'A minha missão é mostrar à população um elo de convivência entre o ser humano e a natureza em um mesmo ambiente. É preciso passar a informação de que as plantas nos dão conforto térmico, que os jardins curam e que existe uma conexão muito forte entre o humano e o natural', revela o paisagista que é um entusiasta da Permacultura.

Márcio Modelski
Márcio Modelski

Educação

Já o Instituto ÇaraKura, sediado em Florianópolis, no Estado de Santa Catarina – uma ONG ambientalista que desenvolve projetos e ações ligados à educação e à pesquisa de tecnologias sustentáveis – organiza cursos, vivências e oficinas de Permacultura desde 2005, tendo por objetivo contribuir para a formação de novos padrões na relação homem/natureza. O Curso de Permacultura ÇaraKura, PDÇara, tem a peculiaridade de desenvolver sua metodologia baseada em atividades práticas, com ênfase nos diversos sistemas permaculturais desenvolvidos na propriedade já há cerca de 30 anos. Trabalha com base no zoneamento Permacultural, ou seja, divisão de áreas por aspectos que dizem respeito ao planejamento das energias internas do sistema.

A Revolução necessária

As mudanças em curso no Planeta são bastante profundas em sua perspectiva histórica, ocasionando um limite literal para a própria existência da humanidade. Esse limite é caracterizado por um momento extraordinário de potencial igualmente promissor ou perigoso. O advento das mudanças climáticas, a partir do fenômeno denominado aquecimento global, é um dos fatores que determinam novas relações e categorias para a existência do Ser Humano no planeta, mas não é o único e tão pouco o mais significativo. A raiz dos principais dilemas da humanidade está relacionada diretamente com o papel do indivíduo na sociedade e sua organização. A chamada 4ª Revolução Industrial, baseada em inovações tecnológicas significativas, como a inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, biotecnologia e computação quântica é um dos aspectos deste novo e determinante momento da história da humanidade em que, em termos demográficos, alcançamos em outubro de 2017 mais de 7,6 bilhões de humanos vivendo no planeta Terra. A ONU, a Organização das Nações Unidas estima que a população global população humana chegará até 11,2 bilhões em 2100.

Uma superpopulação que se concentra em grandes centros urbanos em todos os continentes, mesmo nos mais vastos em território, com baixa demografia, o fenômeno da concentração de pessoas é real. Em linhas gerais, esses centros urbanos enfrentam diferentes e alarmantes níveis de problemas, sobretudo socioambientais. 'Uma das matrizes da virtude da Permacultura é que incorpora a responsabilidade socioambiental numa estratégia de desenvolvimento e pode-se medir seus resultados'. Uma 'pegada' positiva para o desenvolvimento comunitário sustentável, entendendo a Comunidade em seu sentido literal, alinhado com seus objetivos econômicos, sociais e culturais.

A Permacultura coloca no centro o meio ambiente e sua relação a partir de um visão sistêmica, numa plataforma colaborativa que permite ao ser humano se realizar e ressignificar sua existência, contribuindo para sua sobrevivência. Oferece essa condição desde as pessoas simples até às grandes corporações. Aqueles que desenvolvem a Permacultura normalmente não criam expectativas irreais e anunciam seus resultados, seja em família, comunidade ou para o mundo, através da Internet, de suas páginas em redes sociais, como o Facebook. É comum encontrar postagens de pessoas que aderiram à Permacultura que nem sequer conhecem seus conceitos, mas a cultuam na prática de sua relação com a pequena horta, seu viveiro de plantas ou jardim de chás. O seu dia-a-dia sustentável é construído a partir dos conceitos da Permacultura e contribui significativamente para a qualidade de vida e a saúde, especialmente a saúde mental. Problemas psicossociais, stress, ansiedade e depressão podem ser superados através de hábitos saudáveis em que a Permacultura tem um papel sensacional.


Leia também:
Pai da Permacultura: “Soluções para os problemas mundiais são embaraçosamente simples”

Vinícius Puhl

Vinícius Puhl (40) é jornalista, gaúcho da cidade de Santa Rosa no Estado brasileiro do Rio Grande do Sul. É comunista e industrial, atualmente trabalha no Poder Legislativo.

Bárbara Lazzari

Bárbara Lazzari (27) é jornalista, gaúcha e Assessora de Comunicação da Secretaria de Cultura e Turismo de Cruz Alta no Estado brasileiro do Rio Grande do Sul.

Elefante

É a rede social mais popular do mundo, com mais de dois mil milhões de utilizadores mensais. Bem-vindos ao Facebook, a casa de um dos maiores mercados negros para a compra e venda de partes corporais de animais ameaçados.

A quantidade de vida selvagem a ser comercializada em grupos fechados e secretos no Facebook é arrepiante”, disse um representante da sociedade de advogados Kohn, Kohn & Colapinto, que apresentou uma queixa contra a rede social no mês passado.

“Vimos diversos produtos: chifres de rinoceronte, patas de urso, peles de tigre, répteis e toneladas e toneladas de marfim. Numa altura em que o mundo está a perder 30 mil elefantes por ano, graças aos caçadores furtivos, a quantidade de marfim vendida no Facebook é particularmente chocante.”

Segundo estimativas das Nações Unidas e da Interpol, o tráfico de produtos de espécies selvagens vale entre 6 e 20 mil milhões de euros por ano.

“O que está a acontecer é um fenómeno muito assustador e preocupante”, afirmou Iris Ho, da organização Humane Society, citada pelo New York Post. “Os chifres de rinoceronte valem mais do que o ouro”, contou. “Se os comprarmos na Ásia, após camadas de intermediários, o preço final pode chegar aos 60 mil dólares por quilo, ou mais.”

Partes de animais selvagens
Operação da Wildlife Rapid Rescue Team resulta na detenção de dois traficantes de vida selvagem, no Camboja, que vendiam partes de animais no Facebook | Foto: Wildlife Alliance

No mês passado a Kohn, Kohn & Colapinto apresentou uma denúncia à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, na qual acusou a rede social de Mark Zuckerberg de lucrar conscientemente com este tráfico, através da colocação de anúncios nas páginas geridas por traficantes.

“O Facebook não é um espetador inocente destes crimes”, declarou Stephen Kohn. “Vendeu anúncios nas páginas em que o marfim ilegal estava a ser comercializado.”

Entre os artigos à venda nos grupos públicos e privados, também se encontravam dentes de tigre (uma espécie em perigo de extinção, com apenas cerca de 2500 espécimes na natureza), peles de leopardo-nebuloso (espécie vulnerável) e chifres de rinoceronte-negro (espécie criticamente em perigo de extinção), entre outros produtos. Muitos dos grupos são de países do sudeste asiático, como o Vietname e o Laos.

A quantidade de marfim comercializada no Facebook é assombrosa”, disse Gretchen Peters, diretora executiva do Observatório das Redes Ilícitas e do Crime Transnacional Organizado. “Vi milhares de posts que continham marfim e estou convencida de que o Facebook está literalmente a ajudar a levar os elefantes à extinção.”

Em resposta a estas acusações, o Facebook disse que estava a trabalhar no problema. “As nossas normas comunitárias não permitem a caça furtiva, a venda de vida selvagem, de espécies ameaçadas ou das suas partes, e removemos imediatamente este conteúdo assim que nos apercebemos dele”, respondeu a rede social num comunicado oficial.
Produtos com selo livre de plástico

O novo selo “livre de plástico” vai permitir aos consumidores saberem, à primeira vista, se os produtos que querem comprar contêm plástico nas suas embalagens. O selo será exibido nos alimentos e bebidas, tornando a escolha de alternativas ao plástico mais fácil.

O supermercado britânico Iceland vai começar a utilizar esta rotulagem nos produtos da sua marca ainda este mês, como parte do seu compromisso para eliminar as embalagens descartáveis de plástico dos seus produtos até 2023.

A cadeia holandesa de retalho Ekoplaza – a primeira do mundo a inaugurar um corredor de supermercado sem embalagens de plástico – também irá utilizar o selo nas suas 74 lojas até ao final do ano.

O grupo A Plastic Planet, que desenvolveu o selo, espera que outras empresas se juntem à causa.

“Agora que todos sabemos os danos que a nossa dependência do plástico causou, queremos fazer a coisa certa e comprar produtos sem plástico. Mas é mais difícil do que se pensa e um selo claro e direto é muito necessário”, disse Sian Sutherland, cofundadora do A Plastic Ocean.

Selo Plastic Free

“O nosso selo de confiança resolve a confusão dos símbolos e rótulos e diz-nos uma coisa – esta embalagem não tem plástico”, explicou a ativista. “Os consumidores podem finalmente ser parte da solução e não do problema.”

Para além dos artigos claramente embalados em plástico, muitos outros produtos comuns utilizam algum tipo de plástico nas suas embalagens.

Recentemente, os consumidores de chá e infusões ficaram surpreendidos ao descobrir que as saquetas destes produtos contêm muitas vezes polipropileno, um plástico que é usado para ajudar a preservar a forma das saquetas quando estas são imergidas em água a ferver.

Para mostrar que os seus produtos não utilizam este material, a marca de chá Teapigs também decidiu ostentar o novo selo nas suas embalagens. “O nosso chá nunca utilizou plástico e as nossas saquetas (que conservam o chá) são feitas de NatureFlex que parece plástico mas é feito de pasta de madeira”, contou Louise Cheadle, cofundadora da Teapigs.

Selo Plastic Free
Selo "Plastic Free"

Com o novo selo, os organizadores esperam revolucionar a forma como as pessoas fazem compras e combater a poluição por plástico no mar.

Todos os anos, pelo menos oito milhões de toneladas de plástico acabam no oceano. Se não forem tomadas medidas preventivas, estima-se que haverá mais plástico do que peixes (por peso) no oceano em 2050.

Os animais marinhos que ingerem estes resíduos não os conseguem digerir, o que lhes causa vários problemas de saúde, e mesmo os seres humanos que comem peixe e marisco podem chegar a ingerir 11 mil microplásticos por ano.
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