Máquina de reciclagem

O Mercado Municipal de Póvoa de Varzim dispõe, desde o dia 8 de dezembro, de uma máquina que recolhe resíduos recicláveis e atribui descontos.

A cada entrega de resíduos a máquina devolve um talão de desconto com pontos, sendo que as valorizações são diferentes em função dos resíduos em causa colocados na máquina: PET (garrafas de água ou refrigerantes) – 5 pontos; PEAD (iogurtes líquidos) – 3 pontos; ECAL (pacotes de sumo ou de leite) – 3 pontos; Aço e alumínio (latas refrigerantes) – 3 pontos e Embalagens de vidro (água, sumos, vinho) – 2 pontos.

Posteriormente, os pontos podem ser trocados na receção do mercado por vales de desconto em compras no próprio mercado, em bilhetes de cinema no Garrett e em entradas na Varzim Lazer. Os pontos funcionam da seguinte forma: 100 pontos – 1€ de desconto em compras no Mercado Municipal, nos estabelecimentos aderentes, numa compra com valor mínimo de 5€); 200 pontos – 1 bilhete de cinema no Cine-Teatro Garrett e 300 pontos – 1 entrada na Varzim Lazer.

“Reciclar para ganhar” é o mote deste projeto inovador desenvolvido pela Lipor e testado na Póvoa de Varzim, que visa potenciar a separação de resíduos por parte dos cidadãos, aumentado de forma significativa os níveis da recolha seletiva e reciclagem dos resíduos de embalagens.
Menina num parque

A cidade de Milão, na Itália, quer plantar três milhões de árvores até 2030 para melhorar a qualidade do ar e de vida dos seus habitantes.

As autoridades milanesas acreditam que o programa para aumentar a área arborizada da cidade reduzirá as concentrações de partículas atmosféricas PM10 e fará com que mais cinco milhões de toneladas de CO2 sejam absorvidas por ano – 80% do total produzido pela cidade.

Na opinião de Damiano Di Simine, coordenador científico do grupo ambientalista Legambiente, outro grande impacto será a redução das temperaturas. Na cidade italiana, a temperatura noturna pode ser 6°C mais elevada do que nos arredores.

Com um coberto arbóreo de apenas 7%, Milão encontra-se próximo dos valores de Paris (9%), mas muito abaixo dos de outras cidades europeias, como Frankfurt (21,5%) e Amesterdão (quase 21%).

O projeto que quer ver Milão mais verde inclui um plano para transformar uma antiga rede ferroviária para transporte de mercadorias num conjunto de sete parques. Também está prevista a plantação de vegetação nos telhados de vários edifícios e de árvores em 2300 pátios escolares.

Floresta vertical
A "Floresta Vertical" de Boeri | Foto: Fred Romero/Flickr

A cidade italiana inaugurou recentemente outros espaços verdes, dos quais se destaca a “Biblioteca de Árvores”, um projeto que inclui 450 árvores e 90 mil plantas, distribuídas por quase 10 hectares.

Este parque está localizado perto de um projeto do arquiteto Stefano Boeri, a “Floresta Vertical”, dois prédios com árvores e arbustos plantados nas inúmeras varandas que adornam os edifícios. A sombra fornecida pelas 800 árvores, 4500 arbustos e 15 mil plantas faz com que os moradores utilizem o ar condicionado com muito menos frequência.

“Acredito que a presença de vegetação e árvores tem um efeito muito importante na saúde e no estado psicológico, como tem sido provado”, disse o arquiteto.
Foto: Parque Sempione, em Milão (Dimitris Vetsikas)
Vale

A Raízes Mag é uma revista online bimestral dedicada ao ambiente e à sustentabilidade, e é fruto de uma parceria entre o UniPlanet e o blog Âncora Verde. Tem como missão inspirar, informar e criar uma comunidade de leitores com estilos de vida mais conscientes, de forma a que todos juntos possamos criar um mundo melhor.

O nº1 da Raízes Mag, dedicado ao Minimalismo, e o nº2, sobre o consumo consciente, foram gratuitos. No dia 10 de janeiro, vai sair a revista nº 3, na qual vamos falar sobre o desperdício zero, alternativas ao plástico e sobre os projetos portugueses que estão a fazer a diferença nestas frentes. A revista terá um custo de 2€.

Os novos números poderão ser adquiridos na nossa loja online aqui.
Poderão também adquirir aqui a nossa subscrição anual: 6 números da Raízes Mag, pelo valor de 5.

Como estamos em época natalícia, criamos também um Vale Oferta, que poderão oferecer àquela pessoa especial. Este Vale Oferta garante o acesso a todos os números da Raízes Mag que saírem em 2019, também a um preço especial. Vejam mais aqui.
Pó de talco

De acordo com a Reuters, a Johnson & Johnson sabia, há mais de 40 anos, que o seu pó de talco para bebés continha amianto. A conclusão surgiu depois de serem analisados relatórios da empresa e outros documentos confidenciais.

Entre 1971 e 2000, segundo testes realizados, as embalagens de pó de talco da marca revelaram a presença de uma pequena quantidade de amianto.

A empresa tem sido acusada por centenas de mulheres que afirmam ter desenvolvido cancro do ovário depois de utilizarem produtos da marca. Em 2016, a Johnson & Johnson foi condenada a pagar uma multa de 70 milhões de euros a uma mulher que desenvolveu cancro.
Manifestação a favor do aborto

O Parlamento irlandês aprovou hoje, 13 de dezembro, o projeto de lei que legaliza o aborto, sete meses depois do referendo histórico no qual o país votou "sim" pela legalização do aborto.

O texto autoriza o aborto incondicional até 12 semanas, ou até 24 semanas em casos excecionais, especialmente quando a vida da mãe está ameaçada.

Foto: AP
Desflorestação

A Noruega vai ser o primeiro país do mundo a proibir a compra de óleo de palma ligado à destruição de florestas tropicais pela sua indústria dos biocombustíveis. A decisão foi aprovada no dia 3 de dezembro, no parlamento, e entrará em vigor em 2020.

A destruição da floresta tropical para a expansão de plantações de óleo de palma está a colocar em risco espécies criticamente ameaçadas, como os orangotangos.

“A decisão do parlamento norueguês é um exemplo importante para outros países e demonstra a necessidade de uma reforma séria na indústria mundial do óleo de palma”, afirmou Nils Hermann Ranum, da Rainforest Foundation Norway.

A União Europeia comprometeu-se a acabar com os biocombustíveis associados à destruição de habitats naturais a partir de 2030.

Cartaz

Diariamente são desperdiçados 3,6 milhões de quilogramas de comida em todo o mundo, sendo que 870 milhões de pessoas poderiam ser alimentadas apenas com este desperdício. Cerca de 800 milhões de pessoas passam fome no nosso planeta.
1/3 dos alimentos produzidos mundialmente vão parar ao lixo, quando 198 mil hectares foram usados para produzir toda a comida desperdiçada.

Este documentário é sobre estilos de vida individuais com repercussões conscientes no coletivo. Porque do ponto de vista da Natureza não existe desperdício. É a simbiose da vida. Um todo constituído de variáveis interdependentes, cada uma com a sua causa e reação.

O freeganismo é um estilo de vida alternativo baseado no boicote ao capitalismo, com vista a diminuir o impacto causado no ambiente e rejeitando qualquer forma de exploração humana e animal. Fazem-no através do consumo limitado e consciente de recursos, bem como do resgate (aproveitamento) do desperdício. Não por necessidade, mas por acreditarem que a sociedade produz acima das suas necessidades e possibilidades, com vista a dar continuidade a uma sociedade de consumo e crescimento ilusório.



“Para o consumidor comum, aquilo que mais aconselho do que aprendi, é a fazermos cada vez mais uma compra planeada. Sabermos o que precisamos realmente, não comprarmos acima das nossas possibilidades, comprarmos localmente, evitarmos grandes superfícies, tomarmos conhecimento de como, quem e de onde os nossos produtos vieram. E acima de tudo, consumir menos e reaproveitar mais. O mundo não suporta mais este estilo de vida baseado num crescimento ilusório à custa de recursos que são finitos. Pensarmos mais do ponto de vista da Natureza e menos do ponto de vista do capital” disse Pedro Serra, realizador de Wasted Waste, numa entrevista que deu ao UniPlanet.

Wasted Waste
Realizado e produzido por Pedro Serra
84 minutos
2018

Vejam também:
Documentário “Que Estranha Forma de Vida” e as Comunidades Auto-suficientes
Abelha

As abelhas e os outros insetos polinizadores estão em declínio no mundo. E se o colapso das suas populações pudesse ser evitado com a adoção de uma nova estratégia agrícola que atrairá estes animais para os campos e aumentará a produtividade das plantações?

Esta é a proposta de Stefanie Christmann, cientista do Centro Internacional de Investigação Agrícola em Regiões Áridas, cujo novo estudo revela os ganhos substanciais, em termos económicos e ambientais, que podem ser obtidos com a plantação de culturas pouco dispendiosas com floração – como oleaginosas, especiarias, plantas medicinais e forrageiras – num quarto das terras de cultivo.

A cientista apresentou os resultados deste estudo durante a Conferência da ONU sobre Biodiversidade, que teve lugar em novembro, no Egito.

Numa altura em que os declínios das populações de insetos se tornam cada vez mais alarmantes, a necessidade de mudanças é evidente. Na Alemanha, os insetos voadores sofreram um declínio dramático de 76% em três décadas. Em Porto Rico, a queda dos seus números foi ainda mais acentuada.

Abelha
Foto: Tambako The Jaguar/Flickr

A essência da técnica em que Stefanie Christmann tem trabalhado nos últimos anos, com ensaios de campo no Uzbequistão e em Marrocos, consiste em reservar uma em cada quatro faixas de cultivo para culturas com floração.

A cientista também disponibiliza aos polinizadores locais para nidificação, como madeira velha e terra batida, e planta girassóis perto para os abrigar do vento.

“Qualquer pessoa, mesmo nos países mais pobres, o pode fazer. Não é preciso equipamento, tecnologia, só um pequeno investimento em sementes. É muito fácil”, explicou.

Os resultados mostraram um aumento na abundância e diversidade dos polinizadores e benefícios “surpreendentes” para os agricultores.

As plantações foram polinizadas de forma mais eficiente, houve menos pragas e os rendimentos aumentaram em quantidade e qualidade, conta o The Guardian.

Abelha

Nas quatro regiões climáticas que a cientista estudou, esta técnica levou a um aumento da receita total dos agricultores, embora os benefícios tenham sido mais acentuados em terras degradadas e em explorações sem abelhas.

Os maiores ganhos verificaram-se em climas semiáridos, onde os rendimentos das abóboras aumentaram 561%, das beringelas 364%, das favas 177% e dos melões 56%. Em zonas com chuva adequada, as colheitas de tomate duplicaram e de beringela aumentaram 250%. Nos campos nas zonas de montanha, a produção de courgettes triplicou e a de abóboras duplicou.

Stefanie Christmann também quer ver mudanças nas políticas nacionais de paisagem. Trabalhando com os ministérios de turismo, agricultura e comunicação, a cientista quer sensibilizar para os benefícios económicos dos polinizadores selvagens e encorajar a plantação de mais flores silvestres, arbustos de bagas e árvores de flor.

Teríamos muitos mais insetos, flores e aves. E seria muito mais autossustentável. Até os países mais pobres do mundo o podiam fazer”, afirmou a investigadora, acrescentando que espera encontrar resistência por parte das empresas de agroquímicos. “Acho que a Monsanto não vai gostar porque eles querem vender os seus pesticidas e esta abordagem reduz as pragas de forma natural.”

“Isto não pode esperar. As abelhas, moscas e borboletas precisam de medidas urgentes. Tenho 59 anos e queria vê-los protegidos a nível mundial antes de me reformar, por isso tenho de me apressar”, disse.
1ª foto: Kuhnmi/Flickr
Jovem com pequena árvore na mão

Medronheiros, pinheiros e carvalhos, num total de mais de 2000 árvores ‘bebés’, vão ser entregues no dia 12 de dezembro aos alunos da Universidade de Aveiro (UA). A iniciativa Plantar o Futuro pretende fazer de cada estudante padrinho e madrinha de uma árvore autóctone da floresta portuguesa de forma a que delas cuidem em casa até aos meses de fevereiro e março. Nessa altura, os estudantes que aceitaram o desafio vão plantar as árvores no Campus da UA e em áreas florestais de Estarreja e de Águeda afetadas por incêndios.

A entrega das árvores decorre entre as 14h00 e as 17h30 junto ao edifício da Reitoria. Simbolicamente o Reitor Paulo Jorge Ferreira entregará a partir das 14h00 as primeiras árvores aos primeiros padrinhos e madrinhas.

Juntamente com as árvores autóctones, os estudantes vão receber ainda um pequeno livro, da responsabilidade da Associação Ambiental BioLiving, com orientações sobre as melhores formas de cuidar das pequenas árvores em casa.

Organizada pela UA, através do Grupo para a Sustentabilidade, e em parceria com a Associação Agora Aveiro, o projeto quer promover entre a comunidade académica a sustentabilidade dos ecossistemas florestais, preservando a biodiversidade nacional.

Para além do ‘babysitting’, o projeto Plantar o Futuro pretende que os estudantes se envolvam igualmente na plantação das árvores. Após a época de exames académicos, durante os meses de fevereiro e março e sob a orientação das Associações BioLiving e Quercus, estão já previstas várias ações de plantação em terrenos disponibilizados pelo Município de Estarreja e pelo Projeto Cabeço Santo da Quercus, em Águeda, onde os incêndios de 2018 e 2017 causaram estragos. Os estudantes vão também plantar árvores no Campus da Academia de Aveiro no dia 21 de março, Dia da Árvore.
beija-flor

São aves carismáticas, de pequeno porte e cores extravagantes. Existem mais de 300 espécies de beija-flor no mundo – todas nativas das Américas – e 58 estão presentes no México, onde algumas lendas locais os veem como mensageiros de entes queridos que já partiram.

Das espécies do México, 13 estão em perigo de extinção e cinco encontram-se ameaçadas. À semelhança de outros polinizadores, os números de beija-flores também têm sofrido declínios devido a um conjunto de fatores, que incluem a perda de habitat, a propagação de espécies invasoras e a utilização de pesticidas.

Estas ameaças levaram a UNAM, a maior universidade do México, a lançar um projeto ambicioso para proteger e monitorizar estas pequenas aves, através da criação de jardins urbanos com flores de cores vivas, escolhidas especialmente para elas.

beija-flor
Enquanto se alimentam do néctar das flores, os beija-flores pairam no ar, batendo as suas asas até 200 vezes por segundo | Foto: Kathy & Sam

O primeiro jardim

Em 2014, a professora e investigadora María del Coro Arizmendi Arriaga decidiu criar um jardim dedicado aos colibris na Faculdade de Estudos Superiores Iztacala, semeando, para tal, algumas das flores preferidas destas aves.

Desde então, muitos espécimes têm visitado o espaço e outras instituições e escolas têm pedido à professora para criar mais jardins. O projeto conta agora com vários destes espaços na área metropolitana da Cidade do México e já inspirou os cidadãos a fazer os seus próprios jardins, ajudando assim a alimentar os beija-flores durante a sua longa rota de migração.

“Não importa se se tem um quintal ou apenas um vaso de flores. Se as pessoas atraírem e alimentarem estas aves, utilizando o espaço de que dispõem, isso contribui imenso para a conservação da espécie”, disse María del Coro.

Também foram criados jardins em creches e lares de idosos. “É um projeto que custa muito pouco dinheiro e entusiasma muitas pessoas”, comentou a investigadora.



“O propósito deste projeto é implementar jardins de colibris para atrair estes animais e para lhes proporcionar recursos alimentares numa cidade onde o seu habitat natural foi deteriorado, utilizando [estes espaços] como meio de educação ambiental para destacar a importância da conservação destas aves como polinizadoras”, explicou a UNAM.

“Desta maneira, e de forma colateral, propõe-se promover como passatempo a observação destes animais entre os habitantes de cidades cuja perceção do meio natural é mínima.”

Os beija-flores são responsáveis pela polinização de um grande número de espécies na natureza, especialmente das plantas que requerem polinizadores de bico longo.

beija-flor
No México, o macabro comércio de talismãs também ameaça estas pequenas aves. Beija-flores taxidermizados são vendidos por 2000 pesos como amuletos destinados a dar sorte no amor.

A UNAM também possui uma estação de monitorização de colibris – um projeto conjunto com investigadores dos Estados Unidos e do Canadá.

O sítio, recuperado pela universidade, possui redes que permitem aos cientistas capturar as aves, colocar-lhes uma anilha de identificação e, posteriormente, libertá-las. O objetivo é monitorizar o estado da população e os seus padrões de migração.
1ª foto: Calypte anna (Becky Matsubara)