ilustração de uma pessoa a passear num bosque rodeada de árvores

As árvores podem parecer indivíduos solitários, mas o solo sob os nossos pés conta uma história bem diferente. Elas estão secretamente a conversar, a negociar e a travar guerras umas com as outras.

Fazem-no utilizando uma rede de fungos que cresce ao redor e dentro das suas raízes. Os fungos fornecem às árvores nutrientes e, em troca, recebem açúcares.

Mas os cientistas descobriram que esta relação é muito mais profunda do que pensávamos. Ao se ligarem a esta rede de fungos, as árvores podem partilhar recursos umas com as outras. Este sistema foi apelidado de “Wood Wide Web”.

Pensa-se que as árvores mais velhas, carinhosamente conhecidas como árvores-mãe, utilizam esta rede de fungos para fornecer açúcares às plântulas que se encontram à sombra, proporcionando-lhes assim uma melhor possibilidade de sobrevivência.



As árvores que estão doentes ou a morrer podem despejar os seus recursos na rede e estes poderão assim ser usados por vizinhos mais saudáveis.

As plantas também usam os fungos para enviar mensagens umas às outras. Se são atacadas, elas podem libertar sinais químicos através das suas raízes que avisam as suas vizinhas de que devem aumentar as suas defesas.

Contudo, assim como acontece na nossa internet, a “Wood Wide Web” também tem o seu lado obscuro.

Algumas orquídeas utilizam o sistema para roubar recursos de árvores vizinhas. Outras espécies, como a nogueira-preta, libertam químicos tóxicos, através da rede, para sabotar os seus rivais.

Pondo o cibercrime arbóreo de lado, os cientistas ainda continuam a deliberar sobre a razão que faz com que as plantas se pareçam comportar tão altruisticamente.

A rede oculta cria uma comunidade próspera entre indivíduos. Da próxima vez que for a um bosque, poderá preferir pensar nas árvores como parte de um grande superorganismo, que conversa, troca informações e alimentos debaixo dos nossos pés.
Loja Maria Granel

A Maria Granel é uma mercearia biológica a granel que promove o desperdício zero, sem embalagens, e o consumo sustentável. Nesta loja, os clientes levam as quantidades que querem.

O UniPlanet falou com Eunice Maia, criadora da Maria Granel, que nos apresentou este projeto.


UniPlanet (UP): Como nasceu a Maria Granel? O que inspirou a sua criação?

A Maria Granel é fruto de uma história de amor entre um açoriano e uma minhota. É uma homenagem às suas raízes, um bocadinho do campo na cidade. É um regresso ao passado, com o olhar no futuro e na sustentabilidade do nosso planeta. Abrimos as portas a 16 de novembro de 2015 e somos a primeira mercearia biológica a granel em Portugal.
(Vejam no fim da entrevista a história completa da Maria Granel)


Loja Maria Granel


UP: Que tipo de produtos podemos comprar na Maria Granel? São todos biológicos?

Esse é um dos nossos pilares da nossa missão de sustentabilidade: todos os nossos produtos são biológicos, com certificação. Muitos têm também certificação "fair trade". Além disso, investimos muito tempo na seleção criteriosa de produtores e fornecedores, dando sempre prioridade ao que é local e nacional e de elevada qualidade. Temos um enorme orgulho em afirmar que já lançámos vários produtos nacionais e adoramos conhecer as histórias e os rostos por trás das marcas e dos projetos a que nos associamos.

Ilustração: 12 razões para consumir bio
Ilustração: 12 razões para consumir bio | Helena Loução

Somos também a primeira Zero Waste Concept Store portuguesa, pelo que disponibilizamos igualmente acessórios "plastic free" para uma casa livre de plástico e mais amiga do ambiente.



UP: Está a decorrer o desafio “julho sem plástico”. Que conselhos dariam a quem quer participar, mas não sabe por onde começar?

Pelo segundo ano consecutivo, participamos e estamos a partilhar nas nossas redes sociais o desafio #plasticfreejuly. Mostramos, através de dicas diárias, como adotar gestos simples que reduzam o desperdício e alternativas ao plástico. São 30 dias, 30 dicas. Este ano com uma surpresa adicional, uma vez que, a convite da Filipa Silva, autora da plataforma Slower, nos associámos à Ana Milhazes Martins (Lixo Zero Portugal), à Leila Teixeira (Âncora Verde) e à Inês Espada Nobre (Graragem) mostrando que é possível viver #30diassemplastico. Convidamos todos a visitarem estas contas e páginas e a seguirem o desafio. O segredo é dar um passo de cada vez, com equilíbrio e sem fundamentalismo. Se tivéssemos de escolher apenas um gesto, seria andar sempre com um saco de pano. Só essa mudança tem um impacto muito significativo no ecossistema: os sacos de plástico têm, em média, 25 minutos de uso, sendo imediatamente descartados. Quando se encontram no mar, são muitas vezes confundidos pelos animais marinhos com alimento, motivando a sua morte. O saco de pano é reutilizável vezes sem fim. Além de ser também muito mais bonito!


Loja Maria Granel


UP: Que tipo de embalagens levam os clientes para adquirirem os vossos produtos?

Somos os pioneiros na introdução no mercado nacional do sistema BYOC, "Bring Your Own Container". Incentivamos os nossos queridos fregueses a trazer as suas próprias embalagens (sacos de pano, frascos de vidro,...). E são cada vez mais as pessoas (famílias inteiras) a fazê-lo. Tanto, que acabámos de criar um protótipo de saco especificamente para acomodar frascos e facilitar esta rotina.


Loja Maria Granel


UP: A Maria a Granel é mais do que uma loja, é também um espaço de troca de conhecimento e de realização de workshops. Que eventos futuros estão programados?

Sem dúvida, desde o trabalho conceptual da criação da loja, que começou ainda em 2013, que a nossa missão foi projetada para ser concretizada sempre em e para a comunidade. É a nossa forma de contribuir para a mudança da sociedade e também a forma de retribuir o carinho com que somos tratados diariamente. As nossas Quintas da Maria são espaços de partilha (de saberes e de sabores) de acesso livre dedicados à sustentabilidade e à alimentação saudável.

Já nesta semana, na quinta-feira, receberemos na loja de Campo de Ourique a bióloga marinha Ana Pêgo, autora do projeto Plasticus Maritimus, que vem conversar connosco sobre o plástico e o seu impacto nefasto no ecossistema marinho. Mas vem aí muito mais e uma programação muito, muito interessante, uma vez que no nosso novo espaço, em Campo de Ourique, contamos com uma cozinha totalmente equipada e espaço para workshops, apresentações e eventos.



Loja Maria Granel


UP: Para terminar, que conselhos dariam a alguém que está a pensar criar uma loja a granel numa cidade portuguesa onde ainda não existe nenhuma?

Muita paixão, muito trabalho, muita coerência. Muita paixão, muito trabalho, muita coerência.


Logo Maria Granel

Morada:
Maria Granel
Rua José Duro, 22B
Bairro de Alvalade, Lisboa



A história da Maria Granel

A Maria Granel, a primeira “Zero Waste Store” portuguesa, uma mercearia biológica a granel, abriu as portas em Lisboa (Alvalade), em novembro de 2015. É o sonho a dois de uma minhota e um açoriano.
A ideia nasceu em 2013 e foi sendo alimentada e maturada até 2015. As nossas memórias de infância estão particularmente associadas ao campo e à terra. Essas raízes definiram a nossa identidade. Quisemos dar continuidade a esse património afetivo. E este projeto é mesmo isso: um regresso às origens, um regresso a casa.

Estudámos o mercado internacional (e falámos com os fundadores de lojas pioneiras em todo o mundo) e nacional de forma profunda e achámos que fazia todo o sentido introduzir em Portugal a venda a granel de produtos biológicos, dispensado totalmente as embalagens.
Quando abrimos as portas, contávamos com 240 produtos. Neste momento, temos um portefólio de mais de 600 produtos, loja online e acabámos de estrear em loja uma secção de detergentes e beleza a granel.

Neste percurso, conhecemos Bea Johnson, a nossa maior inspiração. Uma das iniciativas mais marcantes da nossa (curta) história foi termos sido os anfitriões da sua vinda a Portugal (pela primeira vez). Bea é a fundadora do movimento internacional “Zero Waste Home”, a quem a CNN, o Finantial Times e o New York Times, entre outros órgãos de comunicação social, já dedicaram reportagens, dando destaque à sua filosofia de vida, centrada no minimalismo e na sustentabilidade.

Em conjunto, promovemos uma conferência de apresentação do “Zero Waste Lifestyle”, que decorreu no auditório da Junta de Freguesia de Alvalade, no dia 8 de julho de 2016. O principal objetivo desta iniciativa era partilhar, sem fundamentalismos e de forma muito prática, a experiência pessoal da oradora, dicas e conselhos sobre como optar por uma vida “Desperdício Zero” (sem nunca abdicar do estilo!). Acreditamos que esta oportunidade mudou consciências e mentalidades a nível nacional.

Na sequência desta conferência, entrámos em contacto com a Editorial Presença, sugerindo a publicação em Portugal da tradução do livro de Bea, Zero Waste Home, um best-seller na sua categoria na Amazon. E conseguimos! Em setembro de 2016, o livro estava nas bancas e era lançado na nossa loja, contando com um prefácio nosso.


Bea Johnson
Foto: Bruno Colaço

Missão: consumo responsável, consumo sustentável, diminuição do desperdício

O nosso conceito recupera o imaginário coletivo das nossas antigas mercearias de bairro: o cheirinho maravilhoso a café e a frutos secos, os cartuchos de cartão, o atendimento personalizado e atencioso de quem sabe sempre o nosso nome e os nossos gostos, e, claro, a venda a granel, mas com um toque de modernidade e assumindo como principal preocupação a sustentabilidade.
Os nossos produtos são apresentados em dispensadores individuais, com doseadores, de que as pessoas se podem servir diretamente.

Somos a primeira loja em Portugal, e uma das pioneiras na Europa e no mundo, a dispensar as embalagens e a vender exclusivamente a granel.
Fomos, aliás, com muito orgulho, referenciados internacionalmente como os introdutores do sistema BYOC (“Bring your own container”) no mercado nacional.

Quem nos visita pode trazer de casa o seu recipiente, para o reabastecer com os produtos de que necessita. Se se esquecer dele, ou se preferir, poderá adquiri-lo na loja. Temos ao dispor sacos de papel reciclado e frascos de diferentes dimensões, de acordo com a preferência. Esta opção é deliberada, consciente. Um contributo. Um gesto para ter um impacto considerável na redução das emissões de CO2 e na quantidade de resíduos destinados a aterros e incineradoras.

Além disso, ao incentivar a aquisição apenas da quantidade de que efetivamente necessita, estaremos também a diminuir o desperdício alimentar. O compromisso de sustentabilidade estende-se ainda ao facto de os nossos produtos (cerca de 500) serem 100% biológicos, certificados, livres de organismos geneticamente modificados, respeitando os solos e o ritmo das estações e da terra.

E se a nossa inspiração é tradicional, a nossa missão está totalmente comprometida com o presente e vocacionada para o futuro. Cremos que é possível consumir de forma mais sustentável, reduzindo o desperdício e apostando mais na qualidade, do que na quantidade. Assim estaremos a fazer a nossa parte para as gerações futuras herdarem um mundo melhor.


Loja Maria Granel

O nosso público é transgeracional, de dentro e de fora do bairro de Alvalade. Apresenta uma preocupação com a sustentabilidade, é um público informado e interessado num consumo responsável e consciente.

Conseguimos contagiar e "educar" uma comunidade inteira para a reutilização de frascos e sacos de pano para se abastecer diretamente na loja, recusando por completo o uso do plástico. Somos, como já referimos, os introdutores em Portugal do sistema BYOC.
Os nossos produtos destacam-se pela qualidade, trabalhamos com fornecedores de excelência, meticulosamente escolhidos, alinhados com os nossos valores de sustentabilidade.

Desde julho de 2017, mês em que aderimos à iniciativa internacional "Plastic free july", acrescentámos ao nosso portefólio dezenas de acessórios Zero Waste, utensílios que permitem às pessoas um dia a dia sem plástico. Lançámos em dezembro de 2017 a loja on-line.
Introduzimos, por exemplo, no mercado português o bee's wrap, um substituto da película aderente. Apresentámos também soluções como cotonetes de bambu, escovas de dentes de bambu, copos reutilizáveis de bambu,...

Os nossos queridos fregueses contam igualmente em loja com a presença de uma nutricionista, uma vez por mês - um serviço gratuito, assim como com workshops quinzenais de entrada livre: as "quintas da Maria", associados aos temas ligados à nossa missão e conceito (alimentação saudável, confeção de produtos, estilo de vida zero waste,...).
Para além disso, temos vindo a fazer um trabalho de sensibilização com os nossos parceiros para a importância de adotar medidas mais sustentáveis de embalamento dos produtos, reduzindo os resíduos gerados.

Passados quase três anos da nossa abertura, continuamos a intervir ativamente na comunidade, estimulando a adoção de gestos amigos do ambiente: temos em curso um “Programa Zero”, promovemos consultoria, conferências e conversas informais em ambiente corporate, partilhando com empresas nacionais e internacionais, ONG e outras entidades o nosso percurso e testemunho de sustentabilidade; dinamizamos com regularidade workshops na loja sobre o tema; e, recentemente, acompanhámos um grupo de alunos de um colégio da zona durante uma semana, supervisionando um trabalho de projeto (“Change it”) sobre os passos que a escola poderia dar para ser um espaço mais ecológico (recolha de lixo; exposição e instalação e exposição artística com os resíduos recolhidos; conferência com Ana Pêgo, bióloga marinha responsável pelo projeto “Plasticus Maritimus”; workshop sobre consumo sustentável e estilo de vida Zero Waste).

O alcance do nosso trabalho tem sido, felizmente, tão significativo e o impacto tão marcante, que recebemos do outro lado do Atlântico um convite para apresentarmos o nosso projeto e a nossa loja no Brasil, em outubro passado, na semana "Lixo Zero Brasil". Tivemos a oportunidade de, entre oradores internacionais, falarmos sobre o nosso exemplo em universidades, conferências e fóruns.
Fomos também referidos como uma loja Zero Waste pioneira internacionalmente na plataforma Zero Waste APP.

Fomos selecionados pela AHRESP para apresentar o nosso conceito na FIL durante a BTL no âmbito dos Prémios AHRESP.
Vamos lançar em breve um movimento (internacional) enquadrado nas Zero Waste Cities europeias, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, que colocará Lisboa no mapa do que de melhor se faz no mundo para combater o desperdício: Zero Waste Lisbon.

E chegámos nesta semana a Campo de Ourique! Escolhemos este bairro cheio de charme para abrir a segunda loja, com 150m2 distribuídos por 2 pisos. No piso superior, funciona a mercearia biológica a granel; no piso inferior, está a primeira Zero Waste Concept Store nacional, bem como um espaço totalmente equipado para a realização de workshops, eventos e apresentações, ao serviço da nossa missão de sustentabilidade.


Loja Maria Granel
Krill

Cinco importantes empresas de pesca de krill concordaram em parar de pescar os minúsculos crustáceos em vastas áreas ao redor da península Antártica, para ajudar a proteger a vida selvagem da região gelada.

As cinco empresas, sedeadas na Noruega, Chile, Coreia do Sul e China, são membros da Associação de Pesca Responsável de Krill (ARK, na sigla em inglês). Juntas, representam 85% da indústria de pesca de krill no Oceano Antártico.

“Os nossos membros concordam que a indústria tem de se desenvolver de forma sustentável para garantir a viabilidade, a longo prazo, das reservas de krill e dos predadores que dependem delas”, declarou a ARK, num comunicado. “Hoje, estamos a avançar com uma iniciativa pioneira, implementando voluntariamente zonas interditas à pesca de krill na península Antártica.”

As populações de krill antártico (Euphausia superba), minúsculos crustáceos ricos em proteína que são consumidos pelas baleias, pinguins, focas e outros animais, têm sofrido declínios drásticos nas últimas décadas, sendo a pesca à escala industrial uma das causas.

O krill é pescado em enormes quantidades para alimentar os peixes da aquacultura ou para a extração de um óleo que é usado em suplementos alimentares (cápsulas de ómega 3).

Cápsulas de ómega 3
Cápsulas de óleo de krill | Foto: Zeyus Media

Para além de serem um elemento essencial da cadeia alimentar do Antártico, também se acredita que estes pequenos animais translúcidos promovem o sequestro de carbono, uma vez que comem alimentos ricos em carbono perto da superfície oceânica e os excretam quando se deixam afundar em águas mais profundas.

A decisão da ARK foi saudada com entusiasmo pelas organizações de conservação. “Este é um passo ousado e inovador por parte destas empresas e esperamos ver o resto da indústria de krill a seguir o seu exemplo”, disse Frida Bengtsson, da Greenpeace.

Em março deste ano, uma das maiores cadeias de lojas de produtos naturais do Reino Unido, a Holland & Barrett, cedeu à pressão da Greenpeace e concordou em retirar os produtos à base de krill – como os suplementos de ómega 3 – das suas prateleiras. Os ativistas tinham bombardeado o CEO da empresa com 40 mil e-mails em 24 horas e rotulado os produtos de krill nas lojas com autocolantes sobre o seu impacto no ambiente. Agora, a Greenpeace quer que as outras lojas do país, nomeadamente a Boots, sigam o seu exemplo.

As empresas da ARK também se comprometeram a apoiar a criação de uma série de áreas marinhas protegidas no Oceano Antártico.

Os detalhes das áreas protegidas, incluindo as zonas interditas à pesca, deverão ser finalizados pela Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos da Antártida (cujos membros incluem 24 países e a União Europeia) numa conferência que se realizará na Austrália, em outubro.
1ª foto: NOAA
Sapatilhas da Adidas

A Adidas anunciou que tem como objetivo utilizar apenas plástico reciclado no fabrico do seu calçado e roupa até 2024.

“O nosso objetivo é livrarmo-nos dos poliésteres virgens a partir de 2024”, afirmou Eric Liedtke, diretor das marcas do grupo Adidas.

A marca pretende vender 5 milhões de roupas recicladas em 2018 e 11 milhões em 2019, o que representará apenas 3% da sua produção anual de vestuário.
O poliéster reciclado é 10% a 20% mais caro do que o poliéster virgem.

Em 2016, a Adidas associou-se à Parley for the Oceans e produziu equipamentos de futebol e sapatilhas feitos com plástico recolhido no oceano. De acordo com o relatório anual da Adidas de 2017, a coleção Parley vendeu mais de um milhão de pares de sapatilhas em todo o mundo.
elefante com presas de marfim em destaque

Há marfim ilegal de elefantes recentemente abatidos à venda em Portugal e por toda a Europa, revelou um novo estudo da Avaaz.

Os investigadores compraram 109 artigos de marfim a antiquários e vendedores privados de 10 países europeus e testaram-nos na Universidade de Oxford, utilizando o método de datação por radiocarbono para determinar a sua idade.

Três quartos dos objetos foram classificados como ilegais. Os testes também revelaram que algum do marfim pertencia a elefantes que ainda estavam vivos em 2010.

Todas as peças compradas na Bulgária, Itália e Espanha eram ilegais, assim como a maioria dos itens adquiridos em Portugal, França e Holanda.

“É revoltante”, disse Bert Wander, activista da Avaaz que organizou a compra dos artigos. “Estou a ver as bugigangas que compramos em cima da minha secretária e só de pensar que um elefante – com todas as coisas que estamos a aprender sobre eles, sobre o seu processo cognitivo e as suas sociedades avançadas – morreu para se fazer esta pulseira que estou a segurar agora, faz-me ficar furioso.”

Os outros países envolvidos no estudo foram a Bélgica, a Alemanha, a Irlanda e o Reino Unido.


A Avaaz expõs as oitenta peças de marfim ilegal à frente da Comissão Europeia, em Bruxelas, exigindo a proibição do comércio de marfim na Europa

As peças que os investigadores adquiriram foram-lhes apresentadas pelos vendedores como tendo origem antes de 1947 ou então não possuíam informação relativa à sua idade.

O marfim anterior a 1947 é visto, na União Europeia, como uma antiguidade, podendo ser comercializado sem restrições. Contudo, o comércio do marfim com origem entre 1947 e 1990 está sujeito a restrições e são necessários certificados oficiais para que possa ser vendido legalmente.

Os testes realizados na Universidade de Oxford revelaram que mais de 74% dos artigos eram posteriores a 1947 e que um em cada cinco provinha de elefantes mortos após o comércio internacional de marfim ter sido proibido em 1989.

Estes testes não nos dizem a data em que o elefante morreu, mas sim quando o marfim se formou no animal vivo. Isto significa que o elefante poderá ter morrido décadas após a data revelada nos resultados.


Algumas das peças adquiridas pelos investigadores | Fotos: Avaaz

“Estes resultados chocantes mostram que o suposto mercado ‘legal’ de marfim está, de facto, a impulsionar o massacre irracional de elefantes”, defendeu Catherine Bearder, deputada do Parlamento Europeu. “Chegou a altura de todos os Estados-membros da UE introduzirem uma proibição total do marfim com um número limitado de exceções para obras de arte excecionais.”

Todos os dias, são mortos, em média, 55 elefantes e os conservacionistas temem que, a este ritmo, eles possam estar extintos na natureza no espaço de uma geração.

“A lei europeia sobre o marfim está desadequada e os elefantes estão a pagar o preço”, afirmou Bert Wander. “Precisamos urgentemente de a corrigir, proibindo o comércio de marfim e garantindo que todos os elefantes são protegidos, para que se consiga travar a caça furtiva e salvar estes animais para as gerações vindouras.”

De acordo com o ativista, o estudo rebate as alegações da Comissão Europeia de que não existem provas da comercialização de marfim ilegal na UE.

“Estes testemunhos inesperados provam, sem qualquer sombra de dúvida, que há marfim ilegal a ser vendido por toda a Europa”, disse. “Cada dia em que a venda destas bugigangas persiste é um dia mais perto da exterminação dos majestosos elefantes para sempre.”


As peças de marfim ilegal expostas e divididas por país

Felizmente, também há sinais de esperança. A China proibiu o comércio de marfim, com exceção dos artigos que designa como “antiguidades genuínas”. Hong Kong, o maior mercado de marfim do mundo, anunciou recentemente a sua proibição e o Reino Unido, o maior exportador de marfim legal do mundo, também está a andar nessa direção.

Entretanto, a Comissão Europeia está atualmente a rever as leis da UE sobre o marfim. Karmenu Vella, Comissário europeu do Ambiente, declarou que o novo estudo da Avaaz era “uma contribuição muito importante para a Comissão”, enquanto esta planeia os próximos passos. “Proteger os elefantes é uma prioridade”, escreveu na sua conta do Twitter.

muitas sardinhas empilhadas

Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) sobre a pesca, aproximadamente 35% das capturas mundiais de peixe são desperdiçadas e não chegam aos pratos dos consumidores.

Em cerca de um quarto destas perdas, os peixes são atirados, sem vida, de volta para a água por serem demasiado pequenos ou de espécies indesejadas.

Contudo, a maioria das perdas deve-se à falta de conhecimento ou de equipamento de refrigeração para manter o peixe fresco, o que faz com que este apodreça antes de ser consumido.

“[O facto de existir] desperdício alimentar num planeta onde há fome é ultrajante”, disse Lasse Gustavsson, diretor executivo da organização Oceana na Europa.

O relatório também revela que um terço das espécies de peixe que são alvo de pesca comercial estão a ser sobrepescadas e que, atualmente, a aquacultura já fornece mais de metade do peixe consumido a nível mundial.

Contudo, este tipo de produção pode prejudicar as populações piscícolas, já que muitas vezes os peixes da aquacultura são alimentados com pescado selvagem capturado no mar. Acresce ainda o problema de poder causar poluição.

“A aquacultura está longe de ser uma panaceia, já que é muitas vezes insustentável. Utilizarem-se 20 milhões de toneladas de peixes, como cavalas, sardinhas e anchovas, para alimentar peixes de aquacultura em vez de pessoas é um desperdício de alimentos incontestável”, defendeu Lasse Gustavsson.



A pesca emprega 60 milhões de pessoas no mundo e envolve 4,6 milhões de embarcações, dados que demonstram a dimensão do sector, mas também preocupam a FAO, que teme que existam demasiados barcos a tentar capturar poucos peixes.

“Desde 1961 que o crescimento anual global do consumo de peixe tem sido o dobro em relação ao crescimento da população”, disse José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO.

A sobrepesca abunda em algumas regiões, denuncia o relatório. Nos mares Mediterrâneo e Negro e na zona sudeste do Pacífico, dois terços das espécies são alvo de pesca excessiva. “Conhecemos a situação”, disse Lasse Gustavsson. “Temos as soluções: estabelecer limites de captura de peixe de acordo com os pareceres científicos e travar a pesca ilegal e destrutiva. Tudo o que nos falta é a ação política.”

De acordo com outros estudos que incluem as estimativas da pesca ilegal, as reservas de peixes selvagens estão a diminuir mais rapidamente do que os dados da FAO sugerem.

“Existe demasiada pressão sobre os recursos marinhos e precisamos de muitos mais compromissos dos governos para melhorar o estado das suas pescarias”, disse Manuel Barange, diretor do departamento de pescas e aquacultura da FAO.

Daniel Pauly, da iniciativa de investigação Sea Around Us da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, tem sido muito crítico a respeito dos anteriores relatórios da FAO por não terem em consideração a pesca ilegal e, consequentemente, subestimarem significativamente as capturas totais, mas acolheu favoravelmente o novo relatório por ter utilizado um leque muito mais vasto de informação.

“A crise da sobrepesca será difícil de resolver. Contudo, as colaborações entre diferentes partes interessadas podem ajudar a dar a volta a algumas das tendências negativas. Esta é a melhor edição do [relatório da FAO sobre a pesca] que eu já li.”
crias de urso polar brincam com plástico preto na neve

Duas crias de urso polar foram observadas a brincar com um pedaço descartado de plástico em Svalbard, um arquipélago remoto a meia distância entre a Noruega continental e o Pólo Norte.

Esta brincadeira aparentemente inofensiva pode ter, infelizmente, consequências graves para os filhotes de urso, já que, à semelhança de tantos outros animais, estes podem engolir o material e correr o risco de asfixiar ou de que o plástico obstrua o seu aparelho digestivo.

Svalbard fica a centenas de quilómetros da Europa continental e tem uma população de 2600 habitantes, um número inferior aos cerca de 3000 ursos polares presentes no arquipélago.


Recentemente, uma equipa de investigadores navegou nas águas geladas do arquipélago, a bordo do navio “Blue Clipper”, para investigar o impacto da poluição por plástico no ambiente marinho, tendo descoberto resíduos plásticos em todos os lugares analisados.

“Ver a quantidade de plástico que está a chegar a este ambiente remoto e aparentemente intocado foi uma experiência muito desanimadora”, disse Claire Wallerstein, que integrou a equipa Sail Against Plastic.

“Havia muitos resíduos de pesca, mas o que mais me entristeceu foi [ver] que muito do lixo que está a poluir o Ártico são os mesmo detritos descartáveis de sempre do nosso dia-a-dia – garrafas de plástico, hastes de cotonetes, beatas de cigarro, toalhitas húmidas, embalagens para a comida e recipientes de poliestireno.”

Com as correntes marítimas, os detritos podem chegar a Svalbard vindos de lugares muito distantes. Alguns residentes locais afirmaram ter encontrado resíduos plásticos provenientes da Flórida nas praias do arquipélago.

No início de 2018, uma equipa de investigadores do Instituto Polar Norueguês revelou que os resíduos plásticos se estão a acumular no Ártico norueguês, afetando aves marinhas, peixes, focas e até mesmo renas.
Foto: Kevin Morgans
Waffles

Com estas oito receitas, aprenda a fazer deliciosas e fáceis waffles vegans, sem ovos nem lactose.
Sirva com chantilly vegan, gelado, chocolate, doce, fruta ou simples.
Experimente!

Waffles vegan sem glúten



Waffles de limão



Waffles vegans de banana (video em inglês)



Waffles vegans com 3 ingredientes (vídeo em espanhol)



Waffles proteicos (vídeo em espanhol)



Waffles com molho de chocolate



Waffles de matcha

Ingredientes na descrição do video aqui.



Waffles de aveia e quinoa (video em inglês)

Casa a Granel

As lojas a granel estão de volta e são uma opção que permite lutar contra o desperdício alimentar e evitar o uso desnecessário de embalagens descartáveis de plástico.

O UniPlanet falou com os criadores da Casa a Granel de Lisboa que nos apresentaram este projeto.


UniPlanet (UP): Como nasceu a Casa a Granel?

Desde cedo, os dois sócios fundadores (marido e mulher) dedicaram parte do seu tempo e formação ao estudo de como conciliar dois vetores:
  • a paixão pela comida saudável, por um lado;
  • a sustentabilidade económica, social e ambiental, por outro lado.
Não sendo a venda a granel um conceito novo, os sócios viajaram e analisaram o que de melhor se faz na Europa e pelo Mundo neste campo. Depois de bastante estudo, planeamento e aplicando as melhores práticas, nasce em 2015 a Casa a Granel, aplicação que consideramos a melhor resposta para a conjugação dos 2 fatores supra referidos.



Porta da Casa a Granel


UP: Que tipo de produtos podemos comprar na Casa a Granel?

A Casa a Granel assume-se sem qualquer constrangimento como uma verdadeira Mercearia de Antigamente, mas com o toque de modernidade e cumprimento de todas as regras de segurança e higiene atuais.
Como tal, tem desde leguminosas secas, frutos secos, diferentes tipos de sal, massas, grãos de cereais e farinhas, até especiarias, cereais de pequeno-almoço (artesanais), bolachas (artesanais), chocolates, frutas desidratadas, chás, ervas medicinais e superalimentos.



UP: É também uma loja de bairro, não é verdade?

É essencialmente uma loja de bairro com todo o bairrismo em que isso se traduz. A Casa a Granel prima pela proximidade e por, de forma natural, converter a relação comprador-vendedor numa relação de partilha de vivências, numa relação de amizade.


Casa a Granel


UP: Dão importância à proximidade e à origem dos produtos?

A Casa a Granel desde o início da sua abertura (há cerca de 3 anos) privilegia a produção nacional de qualidade. Desde a abertura da loja que a Casa a Granel tem produtos de vários “cantos” deste nosso Portugal.
Sob o mesmo critério – a qualidade do produto -, a origem natural dos produtos é fundamental na escolha do parceiro. Ou seja, se o mirtilo se dá naturalmente na zona de Sever do Vouga, o nosso mirtilo desidratado é de Sever do Vouga; se o pistacho reputado como sendo de melhor qualidade é do Irão (por deter as condições de solo e de clima naturalmente propícias aos seu crescimento), os nossos 5 tipos de pistacho são do Irão; se não existe pinhão comparável ao pinhão nacional, pois o nosso pinhão (com a categoria de 1ª qualidade) é de Alcácer do Sal; outro exemplo de que nos orgulhamos é a nossa farinha de alfarroba: é 100% alfarroba e 100% nacional, do Algarve.

A sazonalidade é importante e a proximidade com o produtor (para conhecimento do seu projeto) é igualmente importante. Todavia, apesar de defendermos e apoiarmos a produção nacional naquilo que somos fortes (caso do pinhão, amêndoa, frutas) também valorizamos o que de melhor se produz internacionalmente de forma natural e sustentável. Para melhor explicar e desmistificar este ponto, exemplificamos: não vamos encontrar uma verdadeira banana da madeira produzida na Inglaterra, assim como não vamos encontrar uma verdadeira castanha do Brasil produzida em Portugal. Se houver a produção da banana da Madeira em Inglaterra, certamente o produto não terá a mesma qualidade pois foi produzido num ambiente não natural sendo necessário recorrer a artifícios qualquer que seja o método produtivo – ainda que em modo de produção biológica.

Adicionalmente, a Casa a Granel orgulha-se de ter parceiros que promovem e participam no Comércio Justo, projeto que temos vindo a acompanhar de perto com responsabilidade, empenho e determinação.



Cestas com feijões


UP: Está a decorrer o desafio “julho sem plástico”. Que conselhos daria a quem quer participar, mas não sabe por onde começar?

Consideramos existirem dois pontos essenciais no problema do plástico:
  1. a utilização desnecessária, por um lado;
  2. a resposta a dar ao plástico que já temos, por outro lado.
A Casa a Granel segue uma máxima neste campo:
»Simplificar: Um problema não se resolve criando novos problemas.
O que significa isto? Sensibilizando para o problema, convidamos as pessoas a adotarem o compromisso pessoal e social de se preocuparem com a saúde do meio ambiente como sendo um problema seu, um problema familiar, e não apenas como sendo um problema político, económico ou futuro. Convidamos as pessoas a começarem por gestos simples: a utilização de sacos reutilizáveis no transporte de compras é um bom início. Existem imensas soluções no mercado, bastante acessíveis e de vários tamanhos, o que faz com que seja fácil trazê-los consigo.

Para a compra de produtos, a venda a granel é uma excelente solução: o consumidor pode levar os seus frascos ou embalagens de casa e evita a colocação de novo plástico em circulação. Caso não tenha as suas embalagens consigo, pode optar por sacos de papel para o transporte – chegando a casa, pode passar para as suas embalagens e garantir uma melhor conservação.

Para produtos embalados, já existem algumas alternativas plastic free, como os tradicionais frascos, embalagens de cartão, ou plástico vegetal compostável.
Se tiver muitas embalagens de plástico (toda a gente tem), não entre em histerias – tente reutilizá-las ao máximo. Não vale a pena ir a correr para descartar tudo o que tem em casa. Vá trocando aos poucos o que der para trocar ou o que já não der para reutilizar. Acima de tudo, privilegiamos a reutilização das embalagens que já causaram pegada ecológica; ao reutilizar-se essas embalagens está-se já a dar um passo fundamental na redução ou menorização da pegada ecológica.

Neste ponto é interessante ver como muitos dos nossos clientes chegam mesmo a reutilizar os próprios sacos de papel. Lembre-se que ser amigo do ambiente não deve significar um encargo para si, mas sim uma poupança para todos. É errado quando o negócio se sobrepõe ao conceito.
Por fim, quando descartar um plástico, garanta que o faz de forma correta, enviando-o para reciclagem. O maior problema do plástico está na forma como é descartado sendo que grande parte fica nos solos ou vai parar aos recursos hídricos de todos nós!



Casa a Granel


UP: Que produtos estão proibidos por lei de serem vendidos a granel em Portugal?

A venda a granel é bastante abrangente. No campo de produtos alimentares secos, destacamos os seguintes:
» Farinhas de cereais;
» Arroz para alimentação humana da classificação Oryza Sativa L. (engloba a maioria dos arrozes comuns em Portugal).

A Casa a Granel respeita e cumpre as regras existentes, pelo que não vende qualquer desses produtos a granel.
Informamos cada um dos nossos clientes quanto a este ponto – isto é, o porquê de não termos esse tipo de produtos à venda no nosso estabelecimento -, dessa forma também lhes garantindo que a Casa a Granel prima pelo escrupuloso cumprimento da legislação existente.

Consideramos que não concordar com algumas das leis revistas recentemente não nos confere qualquer direito de violar as mesmas.
Respeitamos a legislação existente e respeitamos os nossos clientes, assim legitimando a confiança dos mesmos quanto a tudo o que se faz no nosso estabelecimento.

Ou seja, a Casa a Granel não sobrepõe o interesse comercial ao (in)cumprimento das obrigações legais.
Sem embargo, porque se considera um interveniente ativo na área, a Casa a Granel tem vindo a diligenciar esforços no sentido de sensibilizar a classe política para a descontextualização de muita da legislação existente nesta matéria, desta forma expectando que o legislador abra os olhos para o que deve ser alterado em consonância com a própria Europa.



Avelãs


UP: Que regras seguem para salvaguardar a segurança e higiene alimentar?

A Casa a Granel tem implementado o sistema de HACCP auditado por uma empresa Autorizada e Certificada. Anualmente são efetuadas várias auditorias nos dois campos: segurança e higiene alimentar. A Casa a Granel orgulha-se de cumprir todos os requisitos legais bem como recomendações e boas práticas sugeridas pelos auditores, sugestões essas que vão além do que é exigido legalmente.


UP: Que tipo de embalagens levam os clientes para adquirirem os vossos produtos?

As embalagens mais comuns trazidas pelos nossos clientes são frascos de vidro e sacos de pano. Alguns trazem embalagens de plástico, garantindo a sua reutilização enquanto der. Caso não tragam embalagem, temos as tradicionais saquetas de papel na loja.


UP: Para terminar, onde podemos encontrar mais informação sobre a Casa a Granel?

A Casa a Granel tem Facebook e Instagram usados como meios de partilha de conhecimento, sugestões e experiências com os produtos.

Tendo aparecido em várias publicações e reportagens, a Casa a Granel assume-se como mercearia de proximidade e orgulha-se de receber clientes de várias zonas que procuram produtos de qualidade a preços competitivos.
Destacamos a nomeação para os Prémios Mercúrio 2017 na categoria Comércio Alimentar e a participação na reportagem “Contas Poupança”.



Casa a Granel logótipo

Morada:
Casa a Granel
Rua Francisco Metrass, 6 B
Lisboa
Leopardo das neves

De acordo com a mais recente atualização da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), há 26 197 espécies ameaçadas no mundo.

“[Estas descobertas] reforçam a teoria de que estamos a entrar num período em que as extinções estão a ocorrer a um ritmo muito mais elevado do que o padrão natural. Estamos a colocar em risco os sistemas de suporte de vida do nosso planeta e o futuro da nossa própria espécie”, advertiu Craig Hilton-Taylor, da UICN.

Desde o ano passado, seis espécies foram declaradas extintas, elevando o total para 872. Outras 1700 estão classificadas como criticamente em perigo, possivelmente extintas.

Dezanove espécies já antes incluídas na lista estão agora um passo mais perto da extinção. Uma delas é o sapo Ansonia smeagol (batizado com o nome de uma personagem de “O Senhor dos Anéis” de Tolkien), colocado em risco pela expansão do turismo na Malásia.

O aumento do número de espécies ameaçadas deve-se parcialmente à expansão da própria lista, que inclui agora 93 577 espécies.

Ansonia smeagol
Ansonia smeagol |Foto: Chan Kin Onn

Um alerta para os Açores

Em Portugal, dos mais de cem insetos avaliados nos Açores, 74% estão ameaçados de extinção, devido a ameaças como as espécies invasoras e a degradação do habitat.

Todas as 12 espécies de escaravelhos do género Tarphius analisadas foram classificadas como ameaçadas. Estes escaravelhos dependem de madeira em decomposição ou de uma cobertura de musgos e fetos para sobreviverem, mas a conteira (Hedychium gardnerianum), uma planta originária dos Himalaias, está a substituir lentamente as espécies nativas. O Tarphius relictos, um escaravelho endémico da Ilha Terceira, tem sido especialmente afetado por esta mudança, estando agora limitado a uma distribuição com menos de um hectare.

A UICN menciona a criação recente de uma área protegida pelo Governo dos Açores que “dá alguma esperança ao futuro destas espécies”.

“Os escaravelhos são elementos-chave dos ecossistemas, cumprindo funções críticas como a predação e a polinização”, disse Axel Hochkirch, da UICN.

Na Madeira, o molusco Geomitra grabhami, uma espécie endémica do arquipélago, anteriormente classificada como criticamente em perigo (possivelmente extinta), passa agora apenas a criticamente em perigo.

A procura por perfume também coloca espécies em risco de extinção

A árvore Aquilaria malaccensis, que produz uma madeira muito valiosa, passou de “vulnerável” a “criticamente em perigo”, já que as suas populações sofreram um declínio de mais de 80% nos últimos 150 anos.

O pau-de-águila, usado para produzir perfume e incenso, desenvolve-se em algumas árvores do género Aquilaria quando estas são infetadas por bolor e produzem, como mecanismo de defesa, uma resina escura e perfumada. Como é difícil perceber que espécimes foram infetados, são abatidos ilegalmente grandes números destas árvores em busca da preciosa madeira, já que, sem infeção, é uma madeira normal e inodora.

Pau-de-águila
Pau-de-águila

“A atualização da Lista Vermelha da UICN revela o massacre que a biodiversidade do nosso planeta está a enfrentar”, defendeu Inger Andersen, diretora-geral da organização. “Espécies invasoras, mudanças nos padrões dos incêndios, ciclones e conflitos entre os seres humanos e a vida selvagem são apenas algumas das muitas ameaças a causar devastação nos ecossistemas do nosso planeta.”

Um dos destaques do relatório deste ano foram os répteis australianos – 7% dos quais estão ameaçados. De acordo com um estudo recente, os gatos selvagens matam cerca de 600 milhões destes animais por ano.

Nas ilhas Maurícia e Reunião, a raposa-voadora-mauriciana (Pteropus niger) passou de “vulnerável” a “em perigo”. A população deste morcego diminuiu 50% entre 2015 e 2016, devido, em grande parte, a um programa de abate motivado por supostos danos causados por estes animais às culturas de frutas.

Nem tudo são más notícias: quatro espécies de anfíbios que se temia que estivessem extintas foram redescobertas na América do Sul. Mesmo assim, as rãs e os sapos apresentaram, de um modo geral, alguns dos declínios mais acentuados, juntamente com os corais e as orquídeas.

“Esta atualização da lista vermelha de espécies ameaçadas da UICN mostra que são necessárias medidas urgentes para a conservação das espécie ameaçadas”, disse Jane Smith, da UICN.

“Esta é a nossa oportunidade para agir – temos o conhecimento e as ferramentas para o que precisa de ser feito, mas precisamos agora que todos, governos, sector privado e sociedade civil, intensifiquem ações para prevenir o declínio e a perda de espécies”, disse Craig Hilton-Taylor.

Na opinião de Cristiana Pasca Palmer, secretária-executiva da Convenção sobre a Diversidade Biológica, o mundo precisa agora de um pacto global para a biodiversidade, equivalente em importância ao Acordo de Paris sobre o clima. Cristiana quer que as reservas naturais, áreas marinhas protegidas e outras espaços semelhantes cresçam 10% todas as décadas, para que metade da Terra seja amiga da natureza até 2050.
1ª foto: Leopardo-das-neves, uma espécie classificada como "vulnerável" (Eric Kilby)