Tangerineira

Miguel Freitas, secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, afirmou que apesar de existirem 270 mil hectares dedicados à agricultora biológica, Portugal importa 50% dos produtos biológicos que consome.

“Estamos a importar cerca de 50% de tudo aquilo que consumimos em matéria de agricultura biológica. É tempo de perceber que o mercado está ansioso de ter este tipo de produção e a indústria também percebeu que tem aqui um nicho”, afirmou Miguel Freitas à Lusa.

“Nós [Portugal] temos neste momento 270 mil hectares de agricultora biológica. O apoio à agricultura foi importante, essencialmente no apoio a sistemas de produção agrícola, nomeadamente pastagens e forragens, onde temos cerca de 200 mil hectares, no olival 30 mil e nas frutas e legumes cinco mil.”

“Na verdade, com estes 270 mil hectares, nós ainda não somos capazes de ter muitos produtos de agricultura biológica no mercado. E, portanto, é esse o resultado que esperamos e vamos refletir com os agentes do setor como é que podemos dar este passo da lógica do apoio à produção para a lógica da geração de valor através do mercado. Esse é um passo muito importante que estamos a fazer.”

O secretário de Estado explicou que existe um plano de ação em execução que tem a dimensão de apoio à produção, de perspetiva de mercado e de formação e capacitação dos agentes.

Em 2017, foi criado o Centro de Competências da Agricultura Biológica e dos Produtos no Modo de Produção Biológico cuja sede é em Serpa, envolvendo vários municípios, universidades, a Agrobio e vários parceiros da agricultura biológica. Foi também criado o Observatório de Agricultura Biológica, um centro de recolha de dados, de livre acesso, de informação e de produção de estudos.
Urso

A União Europeia vai permitir que os criadores de gado recebam indemnizações totais dos prejuízos causados pelos ataques de animais protegidos, como os linces, os lobos e os ursos.

As despesas efetuadas pelos produtores de gado para prevenir estes danos, como a instalação de cercas elétricas ou a aquisição de cães de guarda, também serão reembolsadas na sua totalidade.

A decisão da Comissão Europeia pretende ajudar a proteger os grandes predadores e melhorar o apoio aos agricultores em zonas onde estes animais estão presentes.

“Até agora, apenas 80% do valor dos investimentos poderia ser reembolsado através dos auxílios estatais. A decisão de hoje altera as orientações [da União Europeia relativas aos auxílios estatais] para aumentar essa percentagem para 100%”, diz o comunicado da Comissão Europeia.

“Os Estados-membros também serão autorizados a reembolsar a 100% as denominadas despesas indiretas, como os gastos com veterinários resultantes do tratamento de animais feridos e os custos de trabalho relacionados com a procura de animais desaparecidos após um ataque de um animal protegido.”

Após muitas décadas de declínio, as populações de carnívoros de grande porte estão estáveis ou em crescimento em muitas partes da Europa.

Lobo

Existem, atualmente, cerca de 17 mil ursos-pardos no continente, espalhados por 22 países. As populações de lobos da Alemanha, França e de outros países continuam a crescer e já visitam as nações vizinhas.

Com o aumento dos seus números, também aumenta a probabilidade de conflitos entre estes animais e os seres humanos. Apesar de estarem protegidos por lei na maioria dos países, os ataques dos carnívoros ao gado têm provocado a ira dos produtores e levado alguns a “fazer justiça pelas próprias mãos”.

Só em 2016, aproximadamente 10 mil ovelhas foram mortas em ataques de lobos na França, levando o país a pagar cerca de 3,2 milhões de euros em indemnizações.

Agora que a Comissão Europeia abriu o caminho para a compensação integral, cabe a cada Estado-membro da UE implementar esta decisão.


Nos últimos 10 anos morreram envenenados em Portugal mais de centena e meia de animais com estatuto de proteção especial. Este é o tema da Grande Reportagem “Veneno Selvagem” da RTP1, no Programa “Linha da Frente”, às 21h, depois do Telejornal.
A reportagem vai mostrar quem é que envenena animais selvagens, porquê e quais as consequências.

Tigre branco

A recomendação feita pelo PAN em dezembro de 2017 foi aprovada e o circo no “queimódromo” do Porto deixa de ter animais este ano. A medida visa valorizar o potencial humano no circo e restringir o uso de animais nestes eventos.

O contrato já assinado entre a empresa municipal Porto Lazer, que gere o espaço, e o circo Cardinali define que passa a ser proibido “realizar números artísticos ou espetáculos que envolvam animais de qualquer espécie, ficando expressamente proibida a entrada e presença no “queimódromo” de qualquer animal”.

"No Porto, dá-se mais um passo ético na relação com os animais. Pela primeira vez, o circo de Natal da nossa cidade não incluirá espetáculos com o uso de animais", disse Bebiana Cunha, Deputada Municipal do PAN no Porto. Esta decisão vai, “por um lado, ao encontro do sentimento já presente na sociedade portuguesa relativamente ao modo como os animais detidos para uso circense são tratados, ao mesmo tempo que valoriza assim o potencial humano nas artes circenses.”

A Assembleia da República aprovou, em outubro, o fim do uso de animais selvagens no circo, que ocorrerá nos próximos seis anos.

Desde 2015, os espetáculo de Natal não podem ter animais no Coliseu do Porto.

Artigos da Kierrätyskeskus

Numa altura em que o mundo se preocupa cada vez mais com o impacto da produção dos bens de consumo e a utilização insustentável dos recursos naturais, surgem projetos que procuram fazer a diferença.

É este o caso dos centros de reutilização “Kierrätyskeskus” na Finlândia. Os seus grandes armazéns – diferentes das habituais lojas de segunda mão – fornecem uma alternativa à “cultura do descartável” e combatem o desperdício.

Existem sete, espalhados por várias cidades da área metropolitana de Helsínquia. O inventário destas lojas sem fins lucrativos inclui uma enorme variedade de objetos em segunda mão a preços acessíveis, como mobília, eletrodomésticos, roupa, brinquedos, livros, utensílios de cozinha, bicicletas, artigos de desporto e muito, muito mais. Para o resto do país, está disponível uma loja online.

Estamos a consumir os recursos naturais a um ritmo insustentável. O cerne do Kierrätyskeskus reside na redução deste hábito destrutivo, de modo a promover e permitir a reutilização, upcycling, DIY e um estilo de vida sustentável. Acreditamos que cada um de nós pode ser mais do que apenas um consumidor”, explica a organização.

Os artigos disponíveis nas lojas são doados pelo público ou por empresas. Os centros reparam os eletrodomésticos e aparelhos eletrónicos doados que possam estar avariados e ainda fazem “upcycling” de alguns artigos, criando novos produtos para a Plan B, a sua própria marca de moda, mobiliário e acessórios.

Artigos da Kierrätyskeskus

Artigos da Kierrätyskeskus
Fotos: Kierrätyskeskus

É assim que é possível fazer compras e doar algo ao mesmo tempo. “Estou à procura de roupas novas para o meu emprego novo”, explica uma cliente. “E trago peças de roupa que já não uso [para as doar].”

O Kierrätyskeskus também tem uma missão educativa e de sensibilização ambiental. Kaisa Karjalainen, especialista ambiental do centro, explica que é esta a função de um roupeiro localizado na loja, que ensina as crianças a analisar a qualidade do vestuário. “Nos últimos anos notamos um aumento na moda descartável”, conta Kaisa. “É difícil encontrar roupas que durem mais do que algumas lavagens.”

Não quero ir ao IKEA. Vou encontrar algo muito mais interessante e original aqui”, conta uma cliente à BBC, enquanto procura uma prateleira em segunda mão. “Não quero ter a mesma mobília que toda a gente. O que eu comprar aqui será muito mais barato e melhor para o planeta.”

Artigos da Kierrätyskeskus

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Fotos: Kierrätyskeskus

Na secção de “upcycling” da loja, ou Plan B, encontram-se peças únicas, entre as quais um banco feito com uma prancha de snowboard, roupas feitas de cortinas e uma mesa que já tinha sido um sinal de trânsito. Os preços desta gama de artigos originais são mais elevados do que os dos produtos em segunda mão.

Queremos que as pessoas deem valor às coisas velhas”, conta Peppi Mattila, gerente da loja.

Artigos da Kierrätyskeskus
À direita, alguns produtos da Plan B | Foto: Kierrätyskeskus

“Gosto muito destes espaços", diz uma cliente. “Morei no Luxemburgo, onde há lojas em segunda mão – mas não assim. Só tinham roupas e livros, não havia mobília. Hoje estou à procura de umas mesas novas.”

Artigos da Kierrätyskeskus

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Fotos: Kierrätyskeskus

Cada talão recebido com a compra de um produto na loja mostra a quantidade de recursos naturais que foram poupados ao se evitar a aquisição (e produção) de um artigo novo.

Os centros também promovem workshops criativos, nos quais se podem fazer presentes, bijuteria e outros objetos, ou costurar sacos, roupas e acessórios, com a ajuda de um especialista.


Uma das lojas na cidade de Vantaa
Rinoceronte

A China suspendeu a alteração à lei que iria permitir o comércio de ossos de tigre e chifres de rinoceronte, após o protesto de vários grupos de conservação.
Os produtos destes animais em perigo de extinção são usados na medicina tradicional chinesa, apesar da falta de evidência sobre a sua eficácia no tratamento de doenças.

De acordo com Ding Xuedong, um funcionário do Conselho de Estado, a alteração que iria permitir o comércio de chifres de rinoceronte e ossos de tigre sob "circunstâncias especiais" foi "suspensa para análise".

"Os departamentos relevantes do Governo chinês vão em breve continuar a organizar campanhas especiais de combate focadas em travar o comércio ilegal de rinocerontes, tigres ou produtos derivadas destes animais", afirmou Ding. "Vamos lidar com ações ilegais de forma rigorosa".
Lobo

Depois de terem sido perseguidos e eliminados deliberadamente do Parque Nacional de Yellowstone no início do séc. XX, os lobos e os pumas só foram reintroduzidos neste parque no final do mesmo século.

Agora, um estudo da Universidade Estatal de Oregon mostrou que o regresso dos carnívoros de grande porte está a ter um impacto positivo na estrutura e funcionamento dos cursos de água. Estas descobertas realçam o papel dos grandes predadores na saúde dos ecossistemas aquáticos e ribeirinhos.

O estudo começou nove anos após a reintrodução dos lobos em Yellowstone e duas décadas após o regresso dos pumas ao mesmo parque. Os investigadores Robert Beschta e William Ripple analisaram os arbustos e árvores do género Salix (salgueiros) na margem de dois braços de um afluente do rio Beaverhead, o Blacktail Deer Creek, ao longo de um período de 13 anos – a primeira vez em 2004 e a segunda em 2017.

O desaparecimento dos lobos e dos pumas do Parque Nacional de Yellowstone levou ao aumento do número de veados. Ao se alimentarem excessivamente da vegetação ripícola, estes cervídeos contribuíram, por sua vez, para a erosão das margens dos canais e a degradação dos cursos de água, outrora protegidos por arbustos.

Lobo
Lobo no Parque Nacional de Yellowstone | Foto: NPS/Jacob W. Frank

“Nos anos 90, os cervos continuavam a não permitir que os salgueiros crescessem muito, ficando normalmente com menos de 60 centímetros de altura, e isso levou ao alargamento do ribeiro”, contou Robert Beschta. “Mas, em 2017, predominavam os salgueiros com mais de 1,80 m, e o coberto florestal sobre o ribeiro, que tinha estado essencialmente ausente em 1995, aumentou, ao longo dos dois braços do afluente, para 43% e 93%, respetivamente.”

Todas estas mudanças – o aumento da altura da vegetação e do coberto florestal e a estabilização das margens dos canais – indicam a recuperação do ecossistema ribeirinho, explicou o investigador. Contudo, esta recuperação ainda está nas suas fases iniciais.

“Em algumas zonas, estas alterações geomorfológicas nos canais poderão não ser rapidamente reversíveis e poderão persistir durante muito tempo”, disse.

Lobo
Lobo no Parque Nacional de Yellowstone | Foto: NPS/Jacob W. Frank

Ainda assim, a recuperação que já teve lugar mostra os muitos aspetos positivos da presença dos carnívoros de grande porte.

“Os pumas tinham regressado há algum tempo, e os ursos tinham estado sempre presentes, mas eles não conseguiram controlar as populações de cervídeos ou pelo menos o seu ‘browsing’ [consumo de rebentos e folhas de árvores e arbustos]”, afirmou Robert Beschta. “Só quando os lobos regressaram é que tivemos este efeito e começamos a ver progressos nas comunidades de plantas e nos cursos de água.”

Com as melhorias observadas nos canais e na vegetação ripícola, os castores também estão a regressar a partes da zona estudada. As barragens destes animais trarão consigo um leque de benefícios para o ecossistema. “Isso são boas notícias não só para a vegetação ripícola mas também para uma série de espécies de animais selvagens, como os pássaros, as aves aquáticas, os anfíbios, os peixes, entre outros”, disse o investigador.

O ribeiro de Blacktail Deer em 2005 e em 2017
O ribeiro de Blacktail Deer em 2005 (em cima) e em 2017 (em baixo) | Foto: Universidade Estatal de Oregon
Filhoses

Em algumas zonas do país, o Natal é sinónimo de filhoses.
Com estas duas receitas, aprenda a fazer deliciosas filhoses vegans, sem ovos.
Experimente!

Filhoses vegans



Filhoses alentejanas vegans

Filhoses
Foto: Sparkly vegan
Veja a receita destas filhoses alentejanas aqui.

As filhoses coloridas da Berlineta

A Berlineta, uma marca que vende bolas de Berlim vegans, lançou este ano, para o Natal, filhoses sem ingredientes de origem animal e com cores e sabores surpreendentes: limão, laranja, pistácio, beterraba e alfarroba. Cada uma custa 1,50€ e estão disponíveis por encomenda.



Veja também:
18 Doces Tradicionais de Natal em versões vegans
Supermercado sem plástico

Um supermercado de Londres tornou-se um dos primeiros do mundo a criar zonas livres de embalagens de plástico no seu estabelecimento.

Durante as últimas 10 semanas, o supermercado Thornton’s Budgens substituiu as embalagens de plástico de mais de 1700 produtos – incluindo vegetais, chocolates, leite, pão, carne, batatas fritas e queijo – por alternativas feitas de papel, vidro, metal e outros materiais mais inovadores.

Nos próximos três anos, a loja espera livrar-se de “virtualmente” todos os outros plásticos.

Em fevereiro, um supermercado holandês tornou-se o primeiro do mundo a inaugurar um corredor sem embalagens de plástico, em resposta à crescente preocupação mundial com os danos causados pelos resíduos plásticos aos ecossistemas marinhos.

Supermercado sem plástico
Foto: Thornton's Budgens

“Esperamos que o que aqui estamos a fazer constitua um desafio para as cadeias de supermercados de maiores dimensões, como a Sainsbury’s, a Tesco e outras”, declarou Andrew Thornton, fundador do Thornton’s Budgens.

“As coisas mudarão muito rapidamente, assim que uma delas disser aos grandes produtores, como a Coca-Cola, a Heinz ou a Unilever: ‘se não deixarem de nos enviar produtos embalados em plástico, não vamos continuar a adquiri-los’.”

Supermercado sem plástico
Para os 300 queijos da loja, foi desenvolvido um novo tipo de invólucro de cera. | Foto: Thornton's Budgens

A acompanhar o processo de transição do supermercado está o grupo A Plastic Planet. Sian Sutherland, cofundadora do grupo, explicou que o processo está a ser facilitado pelos produtores mais abertos à ideia de embalarem os seus produtos sem plástico.

“São as grandes marcas que são como caracóis no seu ritmo de mudança”, acusou. “O Thornton’s Budgens está (…) a mostrar que embalar algo tão fugaz como a comida num material tão duradouro como o plástico é a definição da loucura.”

“Todos os outros supermercados podem observar e aprender com o que estamos a fazer”, disse a ativista. “Convertemos 1700 produtos em apenas 10 semanas, mas esse é apenas o começo.”

Capa da Raízes Mag

Já saiu o nº 2 da Raízes Mag, a nossa revista online bimestral dedicada ao ambiente e à sustentabilidade.

O tema da revista nº 2 é o Consumo Consciente. Neste número vai encontrar 10 dicas para se tornar um consumidor mais consciente, artigos sobre o comércio justo e sobre a economia da partilha e uma entrevista à DOME Ethical Store, uma loja online portuguesa que coloca o bem-estar do planeta e das comunidades em primeiro lugar.

A Susana Fonseca, da Associação ZERO, falou-nos sobre greenwashing e a Maria Campelo, da Tutisfore, sobre a Floresta e o Natal.
O Movimento Bloom preparou 10 ideias de brincadeiras para os mais novos para os dias de chuva.
Como estamos também a entrar na época natalícia, o UniPlanet preparou 20 dicas para passar um Natal mais sustentável e com menos plástico e a Sofia Magalhães d’O Blog da Spice um Menu de Natal vegan e sem açúcar!

A Raízes Mag

A Raízes Mag é um projeto fruto de uma parceria entre o UniPlanet e o Âncora Verde e tem como missão inspirar, informar e criar uma comunidade de leitores com estilos de vida mais sustentáveis, de forma a que todos juntos possamos criar um mundo melhor.

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