Rinoceronte

A China suspendeu a alteração à lei que iria permitir o comércio de ossos de tigre e chifres de rinoceronte, após o protesto de vários grupos de conservação.
Os produtos destes animais em perigo de extinção são usados na medicina tradicional chinesa, apesar da falta de evidência sobre a sua eficácia no tratamento de doenças.

De acordo com Ding Xuedong, um funcionário do Conselho de Estado, a alteração que iria permitir o comércio de chifres de rinoceronte e ossos de tigre sob "circunstâncias especiais" foi "suspensa para análise".

"Os departamentos relevantes do Governo chinês vão em breve continuar a organizar campanhas especiais de combate focadas em travar o comércio ilegal de rinocerontes, tigres ou produtos derivadas destes animais", afirmou Ding. "Vamos lidar com ações ilegais de forma rigorosa".
Lobo

Depois de terem sido perseguidos e eliminados deliberadamente do Parque Nacional de Yellowstone no início do séc. XX, os lobos e os pumas só foram reintroduzidos neste parque no final do mesmo século.

Agora, um estudo da Universidade Estatal de Oregon mostrou que o regresso dos carnívoros de grande porte está a ter um impacto positivo na estrutura e funcionamento dos cursos de água. Estas descobertas realçam o papel dos grandes predadores na saúde dos ecossistemas aquáticos e ribeirinhos.

O estudo começou nove anos após a reintrodução dos lobos em Yellowstone e duas décadas após o regresso dos pumas ao mesmo parque. Os investigadores Robert Beschta e William Ripple analisaram os arbustos e árvores do género Salix (salgueiros) na margem de dois braços de um afluente do rio Beaverhead, o Blacktail Deer Creek, ao longo de um período de 13 anos – a primeira vez em 2004 e a segunda em 2017.

O desaparecimento dos lobos e dos pumas do Parque Nacional de Yellowstone levou ao aumento do número de veados. Ao se alimentarem excessivamente da vegetação ripícola, estes cervídeos contribuíram, por sua vez, para a erosão das margens dos canais e a degradação dos cursos de água, outrora protegidos por arbustos.

Lobo
Lobo no Parque Nacional de Yellowstone | Foto: NPS/Jacob W. Frank

“Nos anos 90, os cervos continuavam a não permitir que os salgueiros crescessem muito, ficando normalmente com menos de 60 centímetros de altura, e isso levou ao alargamento do ribeiro”, contou Robert Beschta. “Mas, em 2017, predominavam os salgueiros com mais de 1,80 m, e o coberto florestal sobre o ribeiro, que tinha estado essencialmente ausente em 1995, aumentou, ao longo dos dois braços do afluente, para 43% e 93%, respetivamente.”

Todas estas mudanças – o aumento da altura da vegetação e do coberto florestal e a estabilização das margens dos canais – indicam a recuperação do ecossistema ribeirinho, explicou o investigador. Contudo, esta recuperação ainda está nas suas fases iniciais.

“Em algumas zonas, estas alterações geomorfológicas nos canais poderão não ser rapidamente reversíveis e poderão persistir durante muito tempo”, disse.

Lobo
Lobo no Parque Nacional de Yellowstone | Foto: NPS/Jacob W. Frank

Ainda assim, a recuperação que já teve lugar mostra os muitos aspetos positivos da presença dos carnívoros de grande porte.

“Os pumas tinham regressado há algum tempo, e os ursos tinham estado sempre presentes, mas eles não conseguiram controlar as populações de cervídeos ou pelo menos o seu ‘browsing’ [consumo de rebentos e folhas de árvores e arbustos]”, afirmou Robert Beschta. “Só quando os lobos regressaram é que tivemos este efeito e começamos a ver progressos nas comunidades de plantas e nos cursos de água.”

Com as melhorias observadas nos canais e na vegetação ripícola, os castores também estão a regressar a partes da zona estudada. As barragens destes animais trarão consigo um leque de benefícios para o ecossistema. “Isso são boas notícias não só para a vegetação ripícola mas também para uma série de espécies de animais selvagens, como os pássaros, as aves aquáticas, os anfíbios, os peixes, entre outros”, disse o investigador.

O ribeiro de Blacktail Deer em 2005 e em 2017
O ribeiro de Blacktail Deer em 2005 (em cima) e em 2017 (em baixo) | Foto: Universidade Estatal de Oregon
Filhoses

Em algumas zonas do país, o Natal é sinónimo de filhoses.
Com estas duas receitas, aprenda a fazer deliciosas filhoses vegans, sem ovos.
Experimente!

Filhoses vegans



Filhoses alentejanas vegans

Filhoses
Foto: Sparkly vegan
Veja a receita destas filhoses alentejanas aqui.

As filhoses coloridas da Berlineta

A Berlineta, uma marca que vende bolas de Berlim vegans, lançou este ano, para o Natal, filhoses sem ingredientes de origem animal e com cores e sabores surpreendentes: limão, laranja, pistácio, beterraba e alfarroba. Cada uma custa 1,50€ e estão disponíveis por encomenda.



Veja também:
18 Doces Tradicionais de Natal em versões vegans
Supermercado sem plástico

Um supermercado de Londres tornou-se um dos primeiros do mundo a criar zonas livres de embalagens de plástico no seu estabelecimento.

Durante as últimas 10 semanas, o supermercado Thornton’s Budgens substituiu as embalagens de plástico de mais de 1700 produtos – incluindo vegetais, chocolates, leite, pão, carne, batatas fritas e queijo – por alternativas feitas de papel, vidro, metal e outros materiais mais inovadores.

Nos próximos três anos, a loja espera livrar-se de “virtualmente” todos os outros plásticos.

Em fevereiro, um supermercado holandês tornou-se o primeiro do mundo a inaugurar um corredor sem embalagens de plástico, em resposta à crescente preocupação mundial com os danos causados pelos resíduos plásticos aos ecossistemas marinhos.

Supermercado sem plástico
Foto: Thornton's Budgens

“Esperamos que o que aqui estamos a fazer constitua um desafio para as cadeias de supermercados de maiores dimensões, como a Sainsbury’s, a Tesco e outras”, declarou Andrew Thornton, fundador do Thornton’s Budgens.

“As coisas mudarão muito rapidamente, assim que uma delas disser aos grandes produtores, como a Coca-Cola, a Heinz ou a Unilever: ‘se não deixarem de nos enviar produtos embalados em plástico, não vamos continuar a adquiri-los’.”

Supermercado sem plástico
Para os 300 queijos da loja, foi desenvolvido um novo tipo de invólucro de cera. | Foto: Thornton's Budgens

A acompanhar o processo de transição do supermercado está o grupo A Plastic Planet. Sian Sutherland, cofundadora do grupo, explicou que o processo está a ser facilitado pelos produtores mais abertos à ideia de embalarem os seus produtos sem plástico.

“São as grandes marcas que são como caracóis no seu ritmo de mudança”, acusou. “O Thornton’s Budgens está (…) a mostrar que embalar algo tão fugaz como a comida num material tão duradouro como o plástico é a definição da loucura.”

“Todos os outros supermercados podem observar e aprender com o que estamos a fazer”, disse a ativista. “Convertemos 1700 produtos em apenas 10 semanas, mas esse é apenas o começo.”

Capa da Raízes Mag

Já saiu o nº 2 da Raízes Mag, a nossa revista online bimestral dedicada ao ambiente e à sustentabilidade.

O tema da revista nº 2 é o Consumo Consciente. Neste número vai encontrar 10 dicas para se tornar um consumidor mais consciente, artigos sobre o comércio justo e sobre a economia da partilha e uma entrevista à DOME Ethical Store, uma loja online portuguesa que coloca o bem-estar do planeta e das comunidades em primeiro lugar.

A Susana Fonseca, da Associação ZERO, falou-nos sobre greenwashing e a Maria Campelo, da Tutisfore, sobre a Floresta e o Natal.
O Movimento Bloom preparou 10 ideias de brincadeiras para os mais novos para os dias de chuva.
Como estamos também a entrar na época natalícia, o UniPlanet preparou 20 dicas para passar um Natal mais sustentável e com menos plástico e a Sofia Magalhães d’O Blog da Spice um Menu de Natal vegan e sem açúcar!

A Raízes Mag

A Raízes Mag é um projeto fruto de uma parceria entre o UniPlanet e o Âncora Verde e tem como missão inspirar, informar e criar uma comunidade de leitores com estilos de vida mais sustentáveis, de forma a que todos juntos possamos criar um mundo melhor.

Para receber a Raízes Mag (nº 1, dedicada ao Minimalismo, e nº2) no seu e-mail, inscreva-se aqui.

A partir do nº3, a Raízes Mag terá um custo de 2€.
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cápsulas de café

Será que podemos colocar as cápsulas de café no ecoponto amarelo?

O UniPlanet perguntou à Sociedade Ponto Verde e a resposta foi a seguinte:
As cápsulas de café não devem ser colocadas no ecoponto amarelo, pois não são consideradas embalagens. Para minimizar o impacto ambiental deste resíduo, as cápsulas podem ser entregues às respetivas marcas, que muitas das vezes asseguram o seu encaminhamento para valorização e reciclagem.”

Alternativa:
Utilize cápsulas de café reutilizáveis em inox.
Palau

O Presidente de Palau, um pequeno país insular da Micronésia, assinou uma legislação que proíbe o uso de protetores solares tóxicos para os recifes de corais. A lei definiu mais de 10 produtos químicos, como a oxibenzona e o octinoxato, como sendo "tóxicos para os corais".

Os comerciantes que venderem estes protetores solares podem ser multados até 1000 dólares (cerca de 879 euros) e os protetores solares podem ser confiscados aos turistas.
A proibição entra em vigor a 1 de janeiro de 2020.

Os últimos estudos mostraram que os químicos usados nos protetores solares causam o branqueamento dos corais e, por fim, a sua morte.

Os operadores turísticos deverão também fornecer aos seus clientes copos, palhinhas e recipientes para a comida reutilizáveis.

Em julho deste ano, o Havai tornou-se no primeiro Estado norte-americano a banir o uso de protetores solares com oxibenzona e octinoxato, uma lei que entrará em vigor em 2021.
Relvado em Lisboa

Os benefícios naturais dos relvados são de longe ultrapassados pelos seus efeitos negativos no ambiente, sendo, por isso, necessário explorarem-se alternativas, defenderam dois ecólogos num artigo publicado na prestigiada revista Science.

Embora deem cor ao meio urbano e um ar convidativo aos jardins, parques e outros espaços de lazer, estes “tapetes” de relva cortada não são tão verdes como parecem. Os relvados modernos consomem não só muita água, mas também fertilizantes. Para além disso, precisam de ser cortados frequentemente, sendo para isso usados, em muitos casos, corta-relvas a gasolina, que libertam poluentes para a atmosfera.

“Na Suécia, 52% das zonas verdes urbanas são relvados. Nos Estados Unidos, os relvados cobrem 1,9% da área terrestre do país e a relva é a maior cultura não alimentar irrigada”, escreveram os ecólogos Maria Ignatieva e Marcus Hedblom.

Os cientistas estimaram que, a nível global, os relvados ocupem entre 0,15 e 0,80 milhões de km2, ou uma área maior do que a Inglaterra e Espanha juntas.

Em regiões áridas dos Estados Unidos, a irrigação dos relvados representa 75% do consumo doméstico anual de água”, explicam os cientistas. “Em Perth, na Austrália, o volume anual de águas subterrâneas usado para a irrigação de espaços verdes públicos é de 73 gigalitros (Gl) e de 72 Gl adicionais a partir de furos ilegais em quintais para a irrigação de relvados privados.”

Cortador de relva

Outro dos motivos de preocupação é a contaminação das águas subterrâneas ou das águas de escoamento devido à utilização excessiva de fertilizantes, herbicidas e pesticidas. Só em 2012, o sector Casa e Jardim dos EUA utilizou 27 milhões de quilogramas de pesticidas.

A relva artificial ou sintética também não é a solução. “A substituição de zonas verdes degradadas por relvados de plástico elimina a verdadeira natureza das cidades e diminui a sua sustentabilidade geral, já que estes reduzem o número de habitats e de organismos do solo, poluem as águas de escoamento superficial e podem até ter consequências negativas desconhecidas para a saúde humana, através das partículas de plástico”, defenderam os autores do artigo.

A estes aspetos negativos, junta-se ainda o da contribuição dos relvados para a homogeneização ecológica urbana.

“Da grande variedade dos géneros da relva, apenas um número limitado de espécies é selecionado para os relvados. Nos países de clima frio, a Festuca rubra, Lolium perenne, Poa pratensis, e a Agrostis spp. são as plantas mais utilizadas, e nos países quentes a Cynodon dactylon, Paspalum spp., Stenotaphrum secundatum, e Zoysia japonica são as espécies dominantes. Em muitas regiões, as ervas do relvado estão a tornar-se invasoras.”

Pesados estes fatores, os investigadores sugerem que é chegada a altura de o mundo repensar a ideia do relvado. Algumas comunidades já o começaram a fazer, substituindo-o por prados naturais. É o que aconteceu, por exemplo, na cidade inglesa de Kingston upon Hull, que decidiu plantar flores silvestres em cerca de 16 mil metros quadrados de terra.

Um
Um "relvado" alternativo com plantas nativas, na Universidade Sueca de Ciências Agrícolas, em Uppsala | Foto: Maria Ignatieva

Em Kingston upon Hull, os separadores centrais e as bermas de muitas estradas estão cobertos de flores silvestres.
Em Kingston upon Hull, os separadores centrais e as bermas de muitas estradas estão cobertos de flores silvestres.

Noutros sítios, por exemplo, no Parque Natural de Südgelände, em Berlim, algumas secções da paisagem puderam tornar-se “selvagens” e foram colonizadas por vegetação espontânea.

Os ecólogos sugerem que a investigação de diferentes tipos de plantas poderá ajudar a criar “tapetes” densos, diversos e de baixa manutenção, que não precisem de muita água para sobreviver e que possam ser usados para fins recreativos.

Para além da investigação das plantas apropriadas, Maria Ignatieva e Marcus Hedblom defendem que se deve “ir além dos princípios teóricos” e levar em consideração as condições geográficas, culturais e sociais de cada país, aquando do desenvolvimento de um relvado alternativo.

Um dos desafios cruciais consiste em saber como acelerar a aceitação de alternativas sustentáveis por parte do público e a adoção de uma nova estética da vegetação no planeamento e design urbanos.

“A criação de uma nova norma ecológica requer demonstrações, a educação do público e a introdução de soluções ‘conciliatórias’ de design. Por exemplo, uma faixa de relvado convencional pode emoldurar um prado ou outro tipo de vegetação ‘selvagem’”, sugeriram. “A utilização de cores como o cinzento, prateado, amarelo e até castanho nos relvados alternativos pode dar uma sensação da natureza real.”
Pessoa só

Theresa May, primeira-ministra britânica, nomeou, em janeiro deste ano, uma ministra da Solidão, Tracey Crouch, que tem como missão principal garantir a maior coordenação possível de todos os ministérios na luta contra o problema.

Estima-se que no Reino Unido haja mais de nove milhões de pessoas sós, que vivem permanentemente ou frequentemente sozinhas, pessoas que não têm ninguém para conversar ou partilhar os seus pensamentos e experiências, uma triste realidade da vida moderna.

Tracey Crouch tem de estabelecer uma estratégia para combater a solidão no país, que está associada a doenças como a demência, a tensão alta e a mortalidade prematura.

A solidão custa à economia britânica cerca de 2,8 mil milhões de euros todos os anos, de acordo com um relatório da comissão para a Solidão (criada pela deputada trabalhista Jo Cox).
O documento afirma que a solidão pode ser mais perigosa do que a obesidade ou do que fumar 15 cigarros por dia.

A Cruz Vermelha Britânica descreve a solidão e o isolamento como uma “epidemia oculta”, que afeta pessoas de todas as idades.

As estufas de Almeria

No último episódio do seu programa “Mediterranean”, transmitido pela BBC, o apresentador britânico Simon Reeve denunciou a poluição por plásticos agrícolas que contamina a costa espanhola.

No leito seco de um rio no sul do país, Simon deparou-se com algo que o deixou sem palavras: a visão de várias camadas de resíduos plásticos enterradas, umas sobre as outras, no solo. Muito deste plástico provém das estufas espanholas que fornecem vegetais e frutas a toda a Europa.

“Quer dizer que, quando mudam o plástico das estufas, não são obrigados por lei a reciclá-lo?”, pergunta, incrédulo, o apresentador a Daniel Rolleri, diretor da organização Ambiente Europeo e especialista em poluição marinha.

A maioria do plástico é abandonada no terreno”, responde Daniel. “O plástico está totalmente integrado no solo, em diferentes camadas.”

Vídeo: Um excerto do 4º episódio do programa "Mediterranean" mostra o problema de plástico que afeta o Mediterrâneo

“É mais barato abandoná-lo?”, questiona Simon Reeve. “Exatamente, para o remover é preciso tempo, é preciso trabalho”, confirma Daniel Rolleri.

A história deste plástico não termina aqui. Pela ação da chuva, os resíduos são arrastados e acabam no mar Mediterrâneo. “É como uma autoestrada direta para o mar”, comenta o diretor da Ambiente Europeo.

O plástico abandonado vai-se fragmentando em pedaços cada vez mais pequenos, os quais são ingeridos por animais marinhos. Acabam, desta forma, na cadeia alimentar.

“Como espécie, posicionamo-nos fora do ambiente”, lamenta Daniel Rolleri. “Quando vemos problemas como este, pensamos: ‘Não faço parte dele. É um problema ambiental’. Agora, está a aproximar-se cada vez mais dos seres humanos. Não está só na cadeia alimentar. Há plástico na água da torneira e no sal.”
Foto: As estufas de Almeria, em Espanha (Yann Arthus-Bertrand)