Cebolas na terra

Uma frase que costumo ouvir muitas vezes é: “gostava de ter uma horta, mas não tenho um terreno”.
Por isso vou ensinar-vos várias formas de conseguirem um terreno a custo zero.

Em 2018, decidi começar uma horta comunitária em Coimbra para a comunidade do UniPlanet. Como não tinha um terreno e não poderia comprar um, comecei a procurar soluções.

Inscrevi-me numa formação de aromáticas e, mal me apresentei, disse que andava à procura de um terreno, para ver se os colegas ou a formadora sabiam da existência de algum. Um colega falou-me de um, nos arredores de Coimbra, que era cedido gratuitamente, e assim nasceu a primeira horta.

A segunda horta comunitária que criei foi através de um amigo que conhecia os donos de uma Guest House, em Coimbra, que tinha um terreno que não estava a ser utilizado. Apresentei-lhes a ideia de criarem lá uma horta comunitária, eles gostaram e assim nasceu este projeto.

Ao lado desta Guest House encontra-se um lar de idosos, que também tinha um terreno que não estava a ser cultivado. Um dia, em conversa com um dos responsáveis do lar, disse-lhe que seria muto interessante criar-se lá um projeto intergeracional de hortas escolares. Ele concordou com a ideia e assim foi criada gratuitamente mais uma horta.

Patrícia Esteves Victor Melo ©

Como viram, para arranjarem um terreno gratuito, podem fazer o seguinte:
  • perguntar em formações ligadas à agricultura se os colegas ou formadores conhecem algum terreno livre que possa ser cedido gratuitamente;
  • falar com empresas que tenham terrenos que não estejam a ser usados (hostels, lares, etc);
  • perguntar aos gerentes de cafés nos arredores da vossa cidade se sabem de terrenos que possam ser cedidos gratuitamente;
  • contactar Juntas de Freguesia ou Câmaras;
  • falar com Escolas Agrárias;
  • participar numa Horta Comunitária da vossa cidade.

O que não falta são terrenos que não estão a ser utilizados e que apenas dão despesas aos seus donos devido às limpezas que tem de ser feita regularmente.

Muito importante:
Quando procurarem um terreno, este deve ter obrigatoriamente água (furo ou poço), uma vez que a água é essencial para uma horta.

Patrícia Esteves

Patrícia Esteves é a criadora do UniPlanet, um projeto com 11 anos. É consultora na área da sustentabilidade. É mestre em gestão e doutoranda em geografia humana. É vegetariana há 18 anos, adora viajar e fazer caminhadas.

Ouriço

Conheça dezoito animais que vai querer ter por perto na sua horta:

Ouriços
Alimentam-se de caracóis, lesmas, sanguessugas, escaravelhos, arganazes e ratos.

Minhocas
Decompõem a matéria orgânica em húmus, enriquecendo o solo e proporcionando alimento às plantas.

Joaninhas
Alimentam-se de afídeos, sendo os mais conhecidos deles os pulgões que sugam a seiva das plantas. Uma joaninha adulta pode consumir entre 50 a 200 pulgões por dia.
É importante também no controlo de ácaros, cochonilhas e tripes.

Abelhas
São excelentes polinizadores para a sua horta ou pomar. É através da polinização que as flores são fecundadas e se tornam em frutos.
Uma abelha visita 10 flores por minuto em busca de pólen e de néctar.

Sapos
Alimentam-se de insetos e das suas larvas, ajudando no controle de certas pragas. Devemos proporcionar-lhes um habitat para se manterem por perto.

Lagartos
Alimentam-se de escaravelhos, borboletas, gafanhotos e caracóis.

Aranhas
Controlam a população de insetos e outros invertebrados, como o aranhiço vermelho; no entanto são predadores de insetos benéficos para a horta, como as joaninhas.

Pássaros
Alimentam-se de insetos que se não forem controlados, podem tornar-se em pragas na sua horta.

Libelinhas
Alimentam-se de mosquitos e moscas, chegando a comer 30 moscas por dia.

Percevejos
Alimentam-se de formigas e pulgões que se alimentam dos caules e das plantas.

Bicha-cadela
Alimentam-se de matéria orgânica em decomposição e ajudam no controlo de afídeos (pulgões).

Crisopa
Alimentam-se de pulgões, lagartas, cochonilhas, ácaros e tripes. Gostam principalmente de larvas.

Corujas
Alimenta-se de ratos.

Morcegos
Alimentam-se de muitos insetos e as suas fezes são um fertilizante natural.

Louva-a-deus
Alimentam-se de moscas, traças, pulgões e gafanhotos.

Licranço
Alimentam-se de caracóis, lesmas e vários insetos.

Galinhas
Alimentam-se de pragas e ervas espontâneas e enriquecem o solo com os seus excrementos. São ótimas para limpar os terrenos no final do ciclo de uma cultura.

Salamandra-de-pintas-amarelas
Alimentam-se de escaravelhos, formigas, caracóis e lesmas.
Planta

Talvez seja a única pessoa a pensar assim, mas não acredito em compensações de carbono.

Imaginem um pai que trabalha todos os dias até muito tarde, depois chega a casa e traz uma prenda para os filhos, que comprou numa loja para compensar o facto de não estar presente. Será que um brinquedo vai realmente resolver o problema da ausência? Não…

Também, nas compensações de carbono, uma empresa que vende, por exemplo, produtos feitos na China, faz os cálculos com uma calculadora de carbono e vê mais ao menos as suas emissões (já explico, mais à frente, porque é mais ao menos) e então é-lhe indicado quantas árvores tem de plantar para compensar as suas emissões. E, tal como o pai que troca um brinquedo pela sua ausência, será que por plantar uma árvore em Portugal está a resolver os problemas que existem na produção destes artigos na China? Será que não faria mais sentido procurar um fabricante que produzisse de uma forma mais sustentável na China, quer a nível ambiental quer social, ou até em Portugal? Será que contribuir para a despoluição dos rios na China não faria mais sentido? Então porque plantamos árvores em vez de tentar resolver os problemas?

Já nem falo nos créditos de carbono (comprar-se créditos a um país menos desenvolvido para se poluir num país desenvolvido) que são uma total hipocrisia… E os escândalos (aqui, aqui e em muitas mais notícias) associados a estes créditos falam por si.

Sou contra plantarem-se árvores? Claro que não. Mas não acredito em compensações que dão uma falsa sensação de trabalho cumprido às empresas. Acredito em ações. Por exemplo, se uma empresa quiser plantar árvores ou limpar uma praia deve fazê-lo como parte do seu Plano de Ação e não como uma compensação. Além de que as árvores plantadas devem ser autóctones e variadas, ou seja, nada de monoflorestas de carvalhos.

Para terminar, queria ainda lembrar que as calculadoras de carbono são, na verdade, muito limitadas. Sabiam que a internet polui imenso, graças aos seus servidores e ao arrefecimento dos mesmos? A maioria dos nossos trabalhos, hoje em dia, ocorre graças ao uso da internet e as calculadoras de carbono não costumam contemplar ainda as emissões da internet.

Resumindo, acho que devemos procurar resolver os problemas nas suas raízes, que devemos plantar árvores como ações e não como compensações e que devem ser plantadas árvores variadas para se criarem autênticos bosques e não monoflorestas de carvalhos.

Patrícia Esteves

Patrícia Esteves é a criadora do UniPlanet, um projeto com 11 anos. É consultora na área da sustentabilidade. É mestre em gestão e doutoranda em geografia humana. É vegetariana há 18 anos, adora viajar e fazer caminhadas.

oficina self-service

A Câmara Municipal de Coimbra está a instalar 83 postos de parqueamento de bicicletas distribuídos pela cidade. O objetivo é que cerca de um terço desses postos seja instalado na envolvente da rede de ciclovias municipais, que já tem mais de 20 km. Esta rede viária liga polos importantes da cidade, tais como estabelecimentos de ensino, de saúde e zonas comerciais, equipamentos desportivos e pontos de articulação com transportes públicos.

Em curso está também a instalação de cinco oficinas de self-service, que incluem um suporte onde as bicicletas ficam suspensas, uma bomba de ar interna de alta qualidade com manómetro e as ferramentas essenciais para pequenas reparações.

A implementação desta rede de postos de parqueamento vai permitir um melhor desempenho do sistema ciclável, considerando a complementaridade dos diversos modos de transporte e promovendo o crescimento do número de pessoas sensibilizadas e que aderem à utilização da bicicleta nas suas deslocações diárias. Uma forma de reforçar o impacto da rede ciclável na redução do uso do transporte privado motorizado e, consequentemente, a emissão de gases com efeitos de estufa.

A autarquia tem seguido uma política de incentivo à utilização de bicicletas que justifica, pois, a aposta em estacionamentos seguros e bem localizados para esses veículos. Recentemente voltou a operar em Coimbra uma empresa que disponibiliza um sistema de partilha de trotineta, cujo conceito passa por disponibilizar estes veículos na medida das necessidades dos utilizadores para viagens de curta distância e deslocações diárias na área urbana.

A autarquia vai agora avançar com a criação de mais 18 km de ciclovia ao longo do leito periférico direito do Mondego, de forma a ligar as povoações que se localizam ao longo da EN111. Esta nova via vai ligar-se aos restantes 20 km de ciclovia já existentes que vão do Açude-Ponte até ao Vale das Flores e à Portela; aos 11 km que estão previstos serem executados do Açude-Ponte até ao concelho de Montemor-o-Velho, pela margem esquerda junto à estrada do Campo, onde se irá ligar ao restante percurso ciclável até à costa atlântica na Figueira da Foz; à ligação de 1,3km de ciclovia entre o Açude-Ponte e Bencanta; e, posteriormente, à ciclovia que será criada na estrada de Eiras.

Pode consultar o mapa da localização dos parqueamentos aqui.

oficina self-service
Cartaz do PAN

Foi hoje, 31 de março, aprovado na Assembleia da República, o Projeto de Lei do PAN que proíbe o tiro ao pombo.

A iniciativa do PAN foi aprovada por maioria com votos contra do PSD, CDS, Chega, PCP e 3 deputados do PS. A Iniciativa Liberal absteve-se e os restantes votaram a favor. O BE, PEV e a deputada Cristina Rodrigues apresentaram também propostas neste sentido.

Já existem alternativas viáveis para a prática do tiro a alvos artificiais, sem necessidade de se matarem animais, sendo que a maioria dos países já proibiu este tipo de competição.


Pombo a dançar


A vegetação silvestre espontânea, muitas vezes considerada desagradável à vista ou “inútil”, é fundamental para a vida selvagem, nomeadamente para os insetos polinizadores (como as abelhas), dos quais depende toda a vida na Terra.

Devido à pressão das atividades humanas e à consequente perda de habitat selvagem, os insetos polinizadores atravessam um período de acentuado declínio, com consequências severas na agricultura e saúde global.

Como contributo para a salvaguarda dos insetos polinizadores, o Município de Lousada vai deixar de cortar a “relva” e assumir a vegetação espontânea nos espaços verdes que foram devidamente assinalados com placas identificadoras.
Horta

Tem a melhor horta do Mundo?
“A Melhor Horta do Mundo” é uma nova rubrica do UniPlanet na qual vamos dar a conhecer as hortas dos nossos leitores e da nossa comunidade. Queremos ver hortas de Portugal, do Brasil e de outros países. 😊

Para participarem, enviem um vídeo onde digam o vosso nome, a cidade e o país onde estão e nos mostrem a vossa horta, que legumes e frutas plantaram.

Podem enviar vídeos de:
  • Hortas urbanas;
  • Hortas de varanda;
  • Hortas comunitárias;
  • Hortas escolares;
  • Hortas de empresas;
  • Outras hortas.
Enviem os vossos vídeos para o nosso e-mail (theuniplanet@gmail.com).
Nota: podem usar o WeTransfer para enviarem os vídeos maiores (é gratuito).

Os vídeos das vossas hortas vão ser publicados no nosso site, no YouTube e nas nossas redes sociais.

Participem! 🌿🥕🍅🍒

Horta
Bolotas

Foi assinado no dia 25 de março um protocolo de cooperação entre a Junta de Freguesia de Valongo e a Metro do Porto, que resultará na reconversão de mais de sete hectares de eucaliptal, com a plantação de 2960 sobreiros. A iniciativa deverá ter lugar no outono, época mais propícia a este tipo de operação.

"A Junta de Valongo, que tem participado com grande proactividade no projecto do Parque das Serras do Porto, tomou a decisão de não renovar um contrato antigo de exploração de madeira de eucalipto, estando a sua propriedade, na encosta poente da Serra de Santa Justa, gradualmente a ser reconvertida para floresta nativa, com o envolvimento do Parque e do município de Valongo, e contando com apoio técnico da Portucalea", foi anunciado numa publicação do Facebook do Parque das Serras do Porto.

Esta área foi alvo de estudos académicos por parte de estudantes da FCUP e de uma experiência de inoculação de touças de eucalipto com fungos, para prevenir a rebentação, numa ação promovida pelo CRE.Porto/projecto FUTURO. Em 2019, com a colaboração da LIPOR, foram reconvertidos cerca de quatro hectares, com a plantação de sobreiros e pinheiros-mansos. A LIPOR continua a assegurar a manutenção da área e está a alargar a intervenção a mais dois hectares. Com o envolvimento da Metro do Porto, este trabalho será expandido a mais 7,4 hectares.

Conversa às Seis. Entrevista a Ivo Vale Neves PJ de Valongo

Conversa às Seis. Entrevista a Ivo Vale Neves, PJ de Valongo Em analise o cancelamento do contrato para plantação de eucaliptos em terrenos serranos da Junta e o acordo com a Metro do Porto para a plantação de quase três mil sobreiros.

Publicado por Jornal Novo Regional em Sexta-feira, 26 de março de 2021
Fashion Revolution

A Fashion Revolution Week está de volta e vai decorrer de 19 a 25 de abril em formato digital.

Durante esta semana vão decorrer Webinars, #OpenFactory e Círculos de Partilha sobre os temas mais relevantes trazidos pelos seguidores e consumidores. É tempo de uma revolução na moda.

A Fashion Revolution Week, campanha global anual, apela mais uma vez à transformação urgente da Indústria da Moda numa indústria que coloque as pessoas e o planeta à frente dos lucros. Apela também ao reconhecimento público e governamental da intersecção entre direitos humanos e a preservação da natureza.

As atuais crises sociais, diretamente ligadas à Indústria da Moda, ganharam no último ano uma proporção mundial, agravadas pela pandemia. A luta é global e requer ação coletiva e descentralizada.

É tempo de exigir transparência internacional e ação política, muito para lá de questionar #WhoMadeMyClothes ou #WhoMadeMyFabric. É preciso exigimos a responsabilização das marcas no cumprimento de direitos humanos fundamentais e apelar à solidariedade do consumidor com todos os trabalhadores da cadeia de produção de moda, em todas as partes do mundo.

Este ano este evento gratuito foca-se na reflexão sobre o poder do indivíduo consumidor na mudança política e sistémica necessária a um mundo mais justo para todos. Com a ajuda de membros da comunidade e influenciadores digitais, vamos levantar o véu às denúncias de trabalho forçado da minoria Uyghur na província de Xinjiang, China, especificamente em fábricas têxteis que produzem para grandes marcas mundiais e mergulharemos no movimento #payup (“Paguem aos vossos trabalhadores”) que mobiliza os consumidores a pressionarem as marcas a pagar encomendas de entrega cancelada devido à pandemia (estima-se que mundialmente os fornecedores aguardem pagamentos entre $3.2 e $5.8 biliões, referentes aos primeiros 3 meses de pandemia*).



Vai também responder à difícil pergunta: “para onde vão as roupas que doamos?” – numa viagem à realidade dos mercados de 2ª mão do continente africano, como o de Kantamanto em Accra no Gana, onde chegam 15 milhões de peças de roupa todas as semanas. Vão falar durante o evento sobre as marcas de fast-fashion que destroem biliões de euros de roupa não vendida anualmente, com o objetivo de manter o prestígio da novidade. O mesmo acontece com encomendas devolvidas online, no caso de algumas marcas: vão diretamente para o lixo. E entender as implicações das mudanças nas políticas de agricultura na Índia, um dos maiores produtores de algodão do mundo, onde milhares de trabalhadores rurais protestam há várias semanas.

Entre a campanha de ativação online por parte de dezenas de revolucionários (membros da comunidade), irão conectar-se em direto com 10 fábricas/ateliers de diferentes marcas portuguesas, no âmbito da #OpenFactory, por uma maior transparência na cadeia de abastecimento.

Os webinars vão diretos ao assunto, todos os dias da semana às 18h30, ensinando consumidores a serem ativistas, a distinguirem o greenwashing, e a repensar a relação com a roupa; e ensinando profissionais a comunicar de forma transparente, e a gerir o desperdício têxtil.

Vai ser introduzido um novo formato: Círculos de Partilha – sessões acessíveis por inscrição – que vão acontecer no fim de semana de manhã (24 e 25 de abril das 10h30 às 12h), tanto para profissionais do sector como para consumidores. Este encontro online é mais pessoal, terapêutico e privado, facilitado pela Cândida Rato, especialista no método Way of Council.

* - Clean Clothes Campaign

O Fashion Revolution é um movimento global que visa sensibilizar o consumidor para o impacto social, ambiental e económico da Moda, escrutinando as práticas da indústria a uma escala global. Tendo como objetivo mostrar que uma mudança positiva de comportamento (produtores/ marcas) e consumo (público-geral) é possível, encorajando todos os que procuram alternativas éticas e sustentáveis. Em Portugal, uma equipa de 14 voluntários dá forma à Fashion Revolution Portugal organizando anualmente uma série de eventos orientados para a ação, educação e procura de soluções, ajudando cada vez mais pessoas a reconhecer o poder individual que têm no contributo para uma mudança positiva e significativa.
Montanha russa

Às vezes queremos mudar a nossa vida, mas não sabemos por onde começar. A ferramenta Roda da Vida é uma grande ajuda neste processo uma vez que nos ajuda a analisar o nosso grau de satisfação nas principais áreas da nossa vida.

Com estes dois vídeos aprenda a criar e a preencher uma Roda da Vida, para que torne a sua vida mais equilibrada.
Se não quiser desenhar a sua Roda da Vida pode fazer download de uma aqui.

Depois de preenchida, deve selecionar as duas áreas nas quais está mais insatisfeito para começar a dedicar-se mais a estas, começando a implementar ações para melhorar estas áreas.

Se fizerem a vossa Roda da Vida e partilharem numa story do Instagram, não se esqueçam de chamar o UniPlanet (@theuniplanet) para a vermos também. 😊