Horta coletiva do UniPlanet

Temos uma novidade para vos contar: o UniPlanet vai criar uma horta biológica coletiva ou comunitária na zona de Coimbra.
O terreno fica a cerca de 10 minutos, de carro, do centro de Coimbra e tem vista privilegiada para o rio Mondego, que corre ao seu lado.
Tem algumas árvores de fruto e espaço para dividirmos com quem se queira juntar a nós.


Horta coletiva do UniPlanet

Para quem é a horta coletiva de Coimbra:

  • para quem já sabe de agricultura ou para quem não percebe nada e quer aprender;
  • para quem sempre quis produzir os seus próprios alimentos, mas não tinha acesso a um terreno;
  • para quem mora em Coimbra ou nos arredores;
  • para quem pertence à comunidade do UniPlanet (leitores, seguidores das redes sociais e amigos).

Horta coletiva do UniPlanet

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Artigos da Respiramor

Respiramor é um projeto criado por Joana Barbosa e tem como objetivo despertar as pessoas para o lado mais positivo da vida, com muita gratidão e amor.

O UniPlanet falou com Joana Barbosa que nos apresentou o seu projeto.


UniPlanet (UP): Como nasceu a Respiramor?

A Respiramor nasceu em 2016. Começou apenas com um canal de YouTube, que ainda mantenho, onde falo sobre positividade, veganismo, gratidão, bem-estar... e depois passados uns meses decidi que queria passar essas mesmas mensagens a mais pessoas através de objetos de venda e começar a criar um negócio com isso. Foi então que em dezembro de 2016 lancei os meus primeiros três produtos.

Tinha um Planner mensal para o ano de 2017, com desafios mensais, espaços para escrevermos pelo que estávamos gratos, coisas que realmente nos faziam evoluir como pessoa. A acompanhar o Planner, tinha também um Tote Bag e uma caneca com o logo da marca. A partir daí foi sempre a acrescentar produtos. Neste momento existem 4 coleções dentro da marca: "Vegan For Life" que espalha mensagens positivas sobre o veganismo, "Life is Amazing" que passa mensagens positivas e de gratidão pela vida, "Cats Are Awesome" que é só sobre gatos, para quem os adora e os entende e uma quarta coleção que lancei estes dias sobre sustentabilidade e meio-ambiente.



T-shirt da Respiramor


UP: Qual é o grande objetivo desta marca?

O grande objetivo é que as pessoas sintam a mensagem presente no artigo, por mais simples que ela seja. Se elas captarem essa mensagem e guardarem dentro delas, mesmo que não comprem os produtos, a minha missão está a ser cumprida. Acho que para alertarmos as pessoas, temos que ir com calma, principalmente com aquelas que não fazem ideia do que se passa e do que estamos a falar. Então as mensagens de Respiramor, como são pacíficas e engraçadas, caem bem e a pessoa até se ri. Tenho vários clientes que compram produtos com mensagens a apelar ao veganismo para oferecerem a pessoas não veganas… é engraçado saber as reações de quem recebe. Nunca choca, é sempre uma coisa positiva.


Caneca da Respiramor


UP: O ambiente é também uma questão importante para a Respiramor, não é verdade?

Sim, o facto de ter muitos artigos em tecido, é para ajudar a reduzir o consumo de plástico, que tanto nos está a afetar. Respiramor, como o próprio nome indica, significa que devemos respirar amor. Por nós mesmos, pelos outros, pelos animais e pela natureza. Após três anos de veganismo, sinto-me cada vez mais conectada com a vida e todos os dias são um abre-olhos para novas realidades. Evitamos ao máximo o uso de plásticos tanto nos artigos, como nos embalamentos das encomendas.


Saco do pão da Respiramor


UP: Lançaste recentemente uma nova categoria “Let’s Save The Planet”. Queres apresentrar-nos esta tua nova coleção?

Esta coleção já estava planeada há alguns meses e começou agora a ser lançada. Já temos saquinhos de tecido para o pão e para as compras a granel. Ainda faltam sair os Tote Bags que estão a ficar lindos, com o nosso querido Planeta como personagem principal. A ideia é apelar à redução de lixo e à preservação do ambiente.


Sacos da Respiramor


UP: Quem está por trás das ilustrações da Respiramor?

As ilustrações são a 'cara' da marca e eu adoro todas. É o meu designer, o Rodrigo - @seykoartwork - que as faz. Ele sabe bem os meus gostos e surpreende-me sempre pela positiva. Ficam sempre mais bonitas do que eu idealizei. As ideias são dos dois, umas mais minhas, outras mais dele... depois ele desenha os estampados e ainda me ajuda na execução. É uma peça fundamental na marca e estou muito grata por trabalhar com alguém assim.


Joana Barbosa


UP: Para terminar, onde podemos encontrar os artigos da Respiramor à venda?

Podem comprar na minha loja online e também vendo em algumas lojas físicas no Porto e em Lisboa.


Saco da Respiramor
Bouquet

A Morrisons, uma cadeia britânica de supermercados, está a vender bouquets de flores “imperfeitas” a preços reduzidos.

A iniciativa pretende reduzir o desperdício, encorajando os clientes a dar uma oportunidade a estas flores, que não se desenvolveram devidamente devido ao tempo quente e seco que se tem feito sentir, e tornar o preço dos bouquets mais acessível.

“Seria uma pena ver estas flores bonitas serem desperdiçadas só porque os seus caules são um pouco mais curtos”, disse Drew Kirk, da Morrisons. “A nossa gama ‘imperfeita’ ajuda os produtores e os agricultores a reduzirem o desperdício e, ao mesmo tempo, permite aos clientes comprar flores com mais frequência.”

Em vez das habituais cinco libras esterlinas (5,60€), estes bouquets custarão £3 (3,40€) e a diferença, em termos de qualidade e aparência, será marginal, explicou Drew Kirk.

Bouquets
Fotos: Morrisons

O primeiro bouquet imperfeito à venda foi de girassóis e estátice com caules mais curtos do que é costume.

Em 2017, a Morissons já tinha começado a vender frutas e vegetais imperfeitos, que normalmente seriam descartados devido a imperfeições estéticas, como manchas ou deformações.

Vários outros supermercados têm embarcado na luta contra o desperdício alimentar com iniciativas semelhantes. O mais recente é o Lidl, que está a testar a venda de caixas com 5 kg de vegetais e frutos imperfeitos por apenas 1,70€, no Reino Unido.
Talão

Os talões e faturas de compras devem ser reciclados ou colocados no lixo indiferenciado?

Uma leitora fez-nos esta questão e nós perguntamos à Sociedade Ponto Verde, que nos respondeu o seguinte:
Os talões e faturas devem ser colocados no ecoponto azul, o único ecoponto onde é possível colocar artigos que não sejam embalagens – por exemplo jornais, papel de escrita e impressão, entre outros.
Nos restantes ecopontos - amarelo e verde - só deverá colocar artigos que cumpram a função de embalagem. No caso do amarelo, poderá colocar por exemplo garrafas de água, latas de conservas ou bebidas, pacotes de leite ou sumos, entre outros. No caso do verde, deverá colocar garrafas de vidro, boiões, frascos.”

O senão:
Os talões costumam conter Bisfenol A (BPA), um disruptor endócrino, que passará depois para os produtos de papel reciclado, como o papel higiénico reciclado (onde são frequentemente encontrados resíduos deste composto).
Purpurina dentro de frascos de vidro com água do mar

Quando lava a cara ou toma banho para remover o glitter biodegradável da pele, depois de uma festa ou do Carnaval, e este vai pelo ralo até ao mar, o que é que lhe acontece?

A Cornish Plastic Pollution Coalition, uma rede de associações ambientais e de conservação da Cornualha, quis saber a resposta a esta pergunta e decidiu testar três marcas de purpurina biodegradável.

Ao fim de três meses em recipientes abertos com água do mar, expostos à luz do sol e frequentemente agitados, as partículas “não mostraram sinais de se estarem a decompor”, constatou o grupo.

Os três meses correspondem aos 90 dias que os fabricantes afirmam ser o tempo estimado de decomposição deste produto.

“Estes são resultados muito interessantes – costuma-se assumir que ‘biodegradável’ significa ‘amigo do ambiente’, mas, de facto, estes artigos precisam de condições muito específicas para se decomporem, incluindo níveis de oxigénio e temperaturas elevadas e certos microrganismos”, escreveu o Programa Eco-Escolas da Irlanda do Norte no Twitter.

[O glitter biodegradável] é compostável em instalações aprovadas”, explicou a organização Plastic Planet. “Os principais cientistas britânicos de biomateriais ainda não estão a certificar nada como sendo compostável no meio marinho, uma vez que nada deveria ser atirado para o mar. Evitem-no a todo o custo, a não ser que tenham acesso a compostagem especializada.”

Contudo, esta última sugestão da organização levanta algumas dificuldades. “Como é que se recolhe o glitter para se levar a um compostor industrial? Simplesmente não é exequível”, contra-argumentou a #notplastic no Twitter.

A Cornish Plastic Pollution Coalition pretende revelar mais tarde os nomes dos produtos envolvidos na experiência e testar mais marcas presentes no mercado.
Foto: Cornish Plastic Pollution Coalition

Crianças sentadas num jardim

A MEL, Associação Movimento Educação Livre, promove modalidades alternativas de educação, que respeitam os direitos, as opções e o desenvolvimento integral das crianças e das famílias.

O UniPlanet falou com Inês Peceguina, vice-presidente da Associação MEL e investigadora na área da psicologia, da educação e do desenvolvimento, que nos apresentou o conceito do ensino doméstico.


UniPlanet (UP): Como nasceu o Movimento Educação Livre – MEL?

O Movimento nasceu em 2011. Foi o resultado de um exercício cívico, em modo parental, ou familiar. Um coletivo de educadores, encarregados de educação, inquietos naquela fronteira entre a insatisfação e a curiosidade e uma necessidade, mais de que um desejo, de agir, de transformar, de experimentar. Este coletivo de pessoas que então não se conheciam, foi capaz de gerar assim essa ação coletiva que se concretizou na criação da associação, uma associação para a defesa da liberdade em educação. Para informar, esclarecer e capacitar as famílias que tivessem, tenham, também esse desejo.

Para além da família, e pela sua natureza abrangente e transversal, a ação do Movimento faz-se em articulação com outras associações, parceiros, instituições envolvendo muitas pessoas com muitas e diversificadas competências e vivências. Porém, é importante também "contar", que é uma associação que depende em absoluto do trabalho voluntário. Esta sua condição, por sua vez, leva a que sejam, ainda, insuficientemente explorados alguns territórios importantes. São mais as barrigas do que os olhos, por assim dizer! E precisamos sempre de mais olhos, olhos atentos, que ficam, que se demoram e que assumem de coração esta tarefa, enquanto veículos de um conjunto de ferramentas que não nos pertencem, mas que pelo seu poder de mudança, de reinvenção de tantos lugares da pessoa, devem ser usadas com cuidado, com prudência e delicadeza e, assim o desejamos, com muito compromisso e espírito de missão.



Pai com crianças na natureza


UP: Pode explicar-nos em que consiste o ensino doméstico, o ensino individual, o ensino para a itinerância/ à distância e o ensino articulado?

Um a um... O ensino doméstico (ED) é aquele que é da responsabilidade de um co-habitante da criança/jovem, tendo a sua base na casa. Este co-habitante, geralmente um familiar próximo, deverá ter um determinado nível de habilitações literárias. São estas as duas condições atualmente previstas pela lei para esta opção. Na prática, contudo, não são critérios suficientes. É preciso, para além disso, compreender o que significa esta opção em termos de família, de projeto familiar.

É geralmente uma escolha que implica um grande planeamento e reflexão por parte dos encarregados de educação. Sobretudo, porque no nosso país, sendo uma situação muito rara, há também um grande desconhecimento, quer por parte da própria escola, quer por parte da sociedade em geral que confrontada com uma possibilidade de crescimento e desenvolvimento diferentes daquela que conhecem, tende a trazer uma enorme desconfiança e medo. Muitas dúvidas, e também muitas ideias sem nenhum fundamento e muitas vezes, altamente destrutivas e punitivas.

O Ensino Individual - difere na medida em que o responsável pelo projeto educativo é um professor, devidamente habilitado. Prevê igualmente a ausência de participação nas aulas.
O ensino para a itinerância (EI)/à distância, pressupõe que seja comprovada essa condição de vida nómada.

O ensino articulado existe para a música, a dança e o canto gregoriano. É uma possibilidade para fazer um percurso escolar que articula a formação artística ou desportiva, nas áreas referidas, e a escola. É nosso conhecimento que outras modalidades desportivas têm interesse nesta articulação mas que, para já, não se verifica essa abertura por parte de quem regula. O exercício de qualquer modalidade desportiva ou artística, em modo "alta competição" naturalmente, implica treino regular e sistemático, pelo que à partida, se forem outras as artes ou os desportos, será muito complicado que Portugal possa ser uma boa base de formação de excelência, se não for na arte da música, dança, teatro ou canto gregoriano.



Menina a ler


UP: A quem se destina o ensino doméstico?

Penso que terei respondido na questão acima. A famílias para quem este projeto faz sentido e que cumpram os requisitos legais - coabitação e habilitações. O ED manifesta-se numa forma de viver em que a casa é a base do projeto educativo. Isto pressupõe um tempo de estar em conjunto que é muito diferente do habitual. Por essa razão, prevê da parte do educador uma enorme disponibilidade para a relação, as interações, os conflitos. De um modo geral, parte de preocupações ou ideias que vão para além da realização académica. Assim, de forma muito breve, destina-se a quem encontra nesta forma um lugar melhor para crescer, para aprender e para cuidar desse lugar precioso em vias de extinção, que é a família.


UP: O que diz a lei portuguesa sobre o ensino doméstico?

Também já referi este aspeto. Diz que a criança tem de coabitar com o encarregado de educação e que este deve ter um determinado nível de habilitações. Sabemos que a lei está prestes a sofrer algumas alterações. Mas para já, é assim. Está também previsto que as crianças realizem provas de equivalência à frequência no final de cada ciclo de ensino, ou seja, no 4º, 6º, 9º e 12º ano, ou exames nacionais, se os houver nos respetivos anos.

Muito recentemente, saiu nova legislação que indica que os alunos em ED e EI também devem realizar as provas de aferição nos 2º, 5º e 8º anos. No entanto, não é claro o propósito desta avaliação que não tendo valor classificativo, poderá interferir com os projetos educativos das famílias que optaram pelo ED, por exemplo, por desvalorizarem esta forma de aprender e ensinar, centrada em testes e em tempos específicos de aquisição de determinados conteúdos.



UP: Como se processa a matrícula de um aluno em regime de ensino doméstico? Em que altura decorre esta matrícula?

Exatamente da mesma forma. A criança deve ser matriculada nos tempos próprios e normais. Deve assinalar essa opção e entregar a documentação necessária.


Crianças a brincar


UP: Como é o ano letivo de um aluno em regime de ensino doméstico?

Para esta pergunta não tenho resposta. Depende de cada família, da sua natureza, da sua ideologia, do número de crianças, da sua idade, da localização geográfica, etc. Posso no entanto contar brevemente como foi o nosso ano, no ano anterior. Segunda feira foi o dia da música. Em pequeno grupo, crianças entre os 4 e os 7, exploraram o corpo enquanto instrumento, as canções e cantigas das avós e bisavós. As rimas. O piano, a harmónica, etc.

A terça e a quarta foram dias de brincar em conjunto, em pequeno grupo também, uma semana em cada casa de uma das famílias. Nestes dias, vinham mais dois adultos, que trouxeram a sua singularidade e forma de estar que é diferente da da família. Trouxeram também algumas atividades. Trouxeram um "concelho de fogo", que é uma assembleia. Um exercício de democracia. De paciência, de escuta ativa. Trouxeram os burros, a casa no bosque, e o seu olhar rico em observações que nos foram devolvendo e sobre as quais conversamos com estas crianças. A quarta foi também dia de acrobacia aérea. E a terça, de ballet.

A quinta foi o dia do Museu, o Museu de história e ciência natural da universidade de Lisboa foi o escolhido do ano que passou. Foi também dia de Pavilhão do Conhecimento. As quintas que se alternavam. Sexta foi dia livre. Dia para estar sossegado. Para ficar em silêncio. Para desenvolver, fosse esse o desejo, projetos mais individuais. Com o suporte do encarregado de educação. Esta é uma descrição muito geral.

Pelo meio ficam inúmeras experiências por contar e inúmeros encontros e visitas e projetos e acontecimentos. Jantares de Natal coletivos. Noites de bruxas. Livros que se leram repetidamente. Que passaram do colo do adulto para o da criança. Outras famílias, porém, em função das dimensões que assinalei no início, terão tido um ano completamente diferente. Este é um dos aspetos, na minha opinião, mais interessantes do ED. A sua natureza "DIY", a sua possibilidade para se adaptar às circunstâncias de cada família.



UP: O que são comunidades de aprendizagem?

São escolas. A escola, na sua essência, seria uma comunidade de aprendizagem. Só que a escola foi-se fechando. Gradeando-se. Crescendo em sistemas de vigilância, de segurança, de higienização. A escola foi-se fechando à aprendizagem e ao conhecimento. Cresceu em disciplinas, em tempos curriculares, em metas, em avaliações. E em cansaço. Em desânimo. Em falta de significado.

As comunidades de aprendizagem seriam as escolas. Entretanto, fora da escola, parece estar a acontecer este fenómeno. Comunidades que se agregam, famílias, professores, autarquias e que redefinem espaços educativos, redefinem papéis, preocupações, objetivos. Estas comunidades não se organizam de acordo com as regras da escola de massas. Por vezes, erradamente, na sua transformação, neste exercício de não serem ainda uma escola alternativa, utilizam o ED como possibilidade de fazer avançar um projeto. São talvez um híbrido entre ED e escola. O futuro?



UP: Onde podemos encontrar mais informação sobre a associação MEL?

No site encontram alguma informação, embora o site esteja em processo de mudança também. Estamos ativos no Facebook, no Instangram, nos nossos e-mails.



Cláudia Sousa fala no TEDxLisboaED de 2014 sobre o ensino doméstico


exploração agrícola

Se a população mundial adotasse as orientações dietéticas norte-americanas, não haveria terra suficiente para produzir a comida que seria necessária.

Com as atuais práticas agrícolas, seriam necessários mais mil milhões de hectares de terra, uma área aproximadamente equivalente ao tamanho do Canadá, para que esta transição pudesse acontecer, concluiu um novo estudo publicado na revista científica PLOS ONE.

“Os dados mostram que necessitaríamos de mais terra do que a que temos se adotássemos essas orientações. É insustentável”, declarou Madhur Anand, professora da Universidade de Guelph, no Canadá.

“Este é um dos primeiros trabalhos a analisar a forma como a adoção das orientações dietéticas ocidentais pela população global se traduziria em termos de produção alimentar, incluindo importações e exportações, e, especificamente, como isso ditaria o ordenamento territorial e os seus efeitos negativos”, disse a professora.

Apesar de as orientações dietéticas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) serem consideradas um avanço comparativamente às dietas atuais dos norte-americanos, segundo os investigadores, as diretrizes deveriam continuar a ser desenvolvidas, utilizando, como critérios, não só a saúde mas também o uso do solo e a equidade a nível global.

Precisamos de ver a dieta não só como uma questão de saúde individual mas também como uma questão de saúde dos ecossistemas”, defendeu Madhur Anand.

Os investigadores também descobriram que, se a maioria dos países do Hemisfério Ocidental passaria a utilizar menos terra ao adotar a dieta recomendada pelo USDA, por outro lado, a maioria dos países do Hemisfério Oriental usaria mais.

Os autores do estudo preconizam a coordenação internacional das orientações nacionais no domínio dos regimes alimentares, já que as terras globais são um recurso limitado. “Um dos grandes desafios do séc. XXI é o desenvolvimento de dietas que sejam saudáveis para os nossos corpos e sustentáveis para o planeta”, disse Evan Fraser, um dos coautores do estudo.
Foto: Gary Csoff
Glifosato À venda num supermercado

Um tribunal de São Francisco, nos EUA, condenou, no dia 10 de agosto, a Monsanto por não ter um aviso de perigo no herbicida Roundup.
Segundo os jurados, o herbicida Roundup, na versão profissional RangerPro, contribuiu "consideravelmente" para o cancro do jardineiro Dewayne Johnson, de 46 anos.

Dewayne Johnson, cuja doença está em fase terminal, afirmou ter contraído um linfoma não Hodgkin em 2014, depois de ter manuseado este herbicida durante mais de dois anos.
Johnson era o responsável pelo combate de ervas daninhas numa escola em Benicia, na Califórnia.

Desde 2012 que, para combater as ervas daninhas, utilizou o Roundup e posteriormente a versão mais poderosa o RangerPro, que contêm glifosato.
DeWayne ficou com manchas na pele, que lhe apareceram depois de se ter pulverizado a si próprio com o produto, por acidente, em duas ocasiões.
"Se soubesse do perigo, nunca teria pulverizado a RangerPro em escolas", lamentou DeWayne.

Em 2014, foi-lhe diagnosticado o Linfoma não Hodgkin, cancro incurável do sistema linfático, tendo agora apenas dois anos de vida, de acordo com os médicos.

"Fico feliz por estar (…) a ajudar numa causa que é maior do que eu", afirmou depois do veredicto ser anunciado.

A empresa tem agora de indemnizar o jardineiro em 290 milhões de dólares (cerca de 250 milhões de euros).

Em 2015, um estudo da Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC) da Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou o glifosato, o herbicida mais usado em Portugal, como um “carcinogénio provável”.

Dewayne Johnson

2ª Foto: Reuters
Glifosato

No Brasil, a juíza federal substituta da 7ª Vara do Distrito Federal, Luciana Raquel Tolentino de Moura, determinou que a União não pode conceder novos registos de produtos que contenham como ingredientes ativos o glifosato, tiram e abamectina, durante 30 dias, até que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária conclua os procedimentos de reavaliação toxicológica, de acordo com a Reuters.

Esta decisão envolve a empresa Monsanto, que comercializa soja transgénica resistente ao herbicida glifosato, plantada em grande escala no Brasil, o maior exportador de soja. No Brasil também é permitido o milho e o algodão resistentes ao glifosato.
Tartaruga com plástico no nariz

A Nova Zelândia vai proibir os sacos descartáveis de plástico no próximo ano, anunciou a primeira-ministra, Jacinda Ardern.

“Usamos, todos os anos, centenas de milhões de sacos de plástico de uso único na Nova Zelândia. Uma montanha de sacos – muitos dos quais acabam por poluir o nosso precioso ambiente costeiro e marinho e causam danos graves a todos os tipos de animais marinhos – e tudo isto numa altura em que existem alternativas viáveis para os consumidores e para as empresas”, disse a primeira-ministra.

“Estamos a dar passos significativos com vista à redução da poluição por plástico, para que não passemos este problema para as gerações futuras.”

Os comerciantes terão seis meses para deixarem de distribuir sacos de plástico leves ou arriscar-se-ão a sofrer multas até 100 mil dólares neozelandeses (58 mil euros).

65 mil cidadãos neozelandeses tinham assinado uma petição que pedia a proibição destes artigos descartáveis. “Também é o principal assunto sobre o qual as crianças me escrevem”, informou a primeira-ministra.

Jacinda Ardern
Jacinda Ardern | Foto: Governor-General of New Zealand

As maiores cadeias de supermercados do país, assim como várias lojas, já anunciaram que irão eliminar estes sacos até ao final de 2018.

Os detalhes da proibição serão discutidos durante o próximo mês e o governo convidou o público a partilhar as suas opiniões, até ao dia 14 de setembro, relativamente à data de entrada em vigor e às estratégias que poderão ajudar as pessoas a fazer a transição.

Todos os anos, despejamos mais de oito milhões de toneladas de resíduos plásticos nos oceanos, colocando em risco baleias, tartarugas, leões-marinhos, aves e muitos outros animais.

No mundo, mais de 40 países já proibiram os sacos de plástico. O primeiro foi o Bangladesh, em 2002. Em 2003, a África do Sul tomou a mesma decisão, depois de declarar que estes itens já eram tão numerosos no país, que se tinham transformado na sua “flor nacional”.

Segundo um relatório da ONU, usam-se entre 1 e 5 biliões de sacos de plástico no mundo todos os anos. Se fossem atados uns aos outros, os 5 biliões de sacos cobririam uma área com o dobro da superfície de França.