“Precisamos de compreender que se matarmos os nossos oceanos, também nos estamos a matar a nós”, defendeu Erik Solheim, do Programa Ambiental da ONU.




“Estamos perante um Armagedão dos oceanos: Todos os anos, despejamos pelo menos oito milhões de toneladas de plásticos nos nossos oceanos”, avisou o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, Erik Solheim. “A este ritmo, vamos acabar por ter mais plástico nos oceanos do que peixes até meio deste século e isso acaba por voltar [para nós] na nossa cadeia alimentar.”

“Precisamos de compreender que se matarmos os nossos oceanos, também nos estamos a matar a nós”, afirmou.

As embalagens, sacos e garrafas de plástico que usamos durante apenas alguns minutos são feitas de um material que foi concebido para durar uma eternidade. Uma vez no mar, o plástico não desaparece, pura e simplesmente. Fragmenta-se e flutua durante anos e décadas, viajando milhares de quilómetros, ou então deposita-se no fundo do mar.

“O lixo despejado nos oceanos irá, em última instância, acabar por dar de novo à costa ou afundar-se nas profundezas marinhas, não há outras opções”, disse o cientista Alan Jamieson. “Uma vez que estes plásticos cheguem ao fundo do mar, não há mais nenhum lugar para onde possam ir, por isso assume-se que eles simplesmente se acumulem em maiores quantidades.”



Para além de poluírem os habitats marinhos, os resíduos plásticos também confundem os animais, que os ingerem por assumirem que são comida. A sua ingestão pode-lhes provocar lesões nos órgãos internos, obstrução intestinal e acumulação de químicos dos plásticos nos seus tecidos. Um estudo realizado na Suécia descobriu que as partículas de plástico na água se podem acumular nos cérebros dos peixes, afetando o seu comportamento.

Asfixiar os oceanos com lixo

Os oceanos fornecem alimento e emprego a milhares de milhões de pessoas. Em troca, nós asfixiamo-los com montanhas de lixo, resíduos tóxicos, pesticidas, águas residuais não tratadas e petróleo bruto.

“Após décadas de despejos descontrolados, algumas regiões do oceano ficaram comprovadamente contaminadas com concentrações elevadas de poluentes nocivos, incluindo metais pesados, nutrientes inorgânicos e petroquímicos clorados”, contou a Agência de Proteção Ambiental dos EUA.

O plástico também tem sido descoberto no ar que respiramos, no sal marinho, na água da torneira e até no mel. Sherri Mason, professora da Universidade Estadual de Nova Iorque em Fredonia, resumiu esta situação com as seguintes palavras: “[Os plásticos] são ubíquos no ar, na água, no peixe que comemos, na cerveja que bebemos, no sal que usamos – os plásticos estão simplesmente em todo o lado”.


Foto: NOAA

O plástico ingerido pelos animais marinhos entra na cadeia alimentar humana. Cientistas da Universidade de Ghent avisaram que os consumidores europeus de peixe e marisco poderão ingerir até 11 mil fragmentos de plástico por ano, dos quais dezenas são absorvidos para a corrente sanguínea e vão-se acumulando no corpo, ao longo do tempo.

“É uma simples questão de mudarmos os nossos hábitos e de se travar a entrada de plásticos no oceano, em primeiro lugar. Para isso, precisamos que os governos tomem medidas e de garantir que os poluidores paguem e que a reciclagem é recompensada”, disse Erik Solheim à CBS News.

“Felizmente as soluções são evidentes: existem muitas alternativas naturais para as micropartículas de plástico na pasta de dentes ou no esfoliante (…) Não precisamos que a comida seja sistematicamente embalada em plástico e certamente que não precisamos de palhinhas ou de copos de café descartáveis de plástico, defendeu.

Este é um desastre ambiental causado pela preguiça, que pode ser facilmente resolvido por uma boa dose de inovação e vontade política.”

1ª foto: “Maré de lixo de plástico" invade a costa de uma ilha paradisíaca das Caraíbas (Caroline Power)

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