A poluição causada pelos plásticos que usamos está tão disseminada que já há fibras deste material no pó das casas e no ar que respiramos.

Fragmentos de plástico na praia

A poluição causada pelos plásticos que usamos está de tal forma disseminada que já há partículas deste material no pó das nossas casas e no ar que respiramos. Segundo os investigadores, uma das grandes fontes do plástico no ar são as fibras das roupas de tecidos sintéticos.

Outras fontes incluem os detritos deste material, os resíduos levados dos aterros pelo vento, os cones de sinalização e as lombas rodoviárias, que se vão deteriorando e fragmentando em pedaços minúsculos com a luz do Sol, o vento e a água.

Muitas destas partículas vão parar aos cursos de água, mas, graças ao seu tamanho reduzido, podem ser arrastadas para o ar, entrando na atmosfera e sendo posteriormente depositadas pela chuva, por exemplo, na poeira urbana.

“A maioria das pessoas não terá conhecimento de que há partículas minúsculas de plástico no pó das estradas e no ar. Estas são conclusões preliminares e ainda não foi realizada qualquer investigação aprofundada para determinar se existe algum risco significativo para a saúde humana”, disse Tamara Galloway, professora e especialista em ecotoxicologia da Universidade de Exeter.

Embora ainda não se conheçam os impactos na saúde da presença de plástico na atmosfera, um estudo realizado por cientistas iranianos analisou a poeira urbana e constatou que as crianças e os adultos poderão ingerir, respetivamente, mais de 3200 e 1000 partículas de plástico, por ano. “A poeira das ruas pode ser uma fonte importante da contaminação de microplásticos no ambiente urbano”, concluíram os cientistas.



Estes trabalhos de investigação demonstram que a ingestão de peixe e marisco contaminado com microplásticos não é a única forma de estas partículas entrarem no corpo humano.

Tamara Galloway culpou a “eliminação inadequada” dos plásticos pela presença de partículas deste material na atmosfera.

“Nesta fase, parece crítico que se realizem pesquisas financiadas a 100% para explorar esta questão e para determinar de que forma a exposição através da poeira e dos detritos terrestres se compara à exposição através da ingestão de peixe e marisco contaminado, por exemplo”, declarou a professora, durante a apresentação do seu relatório numa conferência da ONU. “O plástico em si só não é tóxico e a maioria das estimativas sugere que a quantidade a que estamos expostos é provavelmente demasiado baixa para ter algum efeito, mas simplesmente não sabemos.”

Em 2016, Frank Kelly, professor de saúde ambiental do King’s College de Londres, avisou o Comité para a Auditoria Ambiental da Câmara dos Comuns de que podemos estar a inalar partículas de plástico.

Se as inalarmos, elas poderão trazer químicos para as partes inferiores dos nossos pulmões e talvez até para a nossa circulação”, afirmou, comparando este problema a “todas as outras emissões” de poluentes dos veículos.

Recentemente, uma equipa de investigadores franceses estimou, a partir de um estudo atmosférico, que entre três e dez toneladas de fibras sintéticas são despejadas, anualmente, numa cidade do tamanho de Paris.

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