Um novo estudo revelou que as partículas de plástico na água se podem acumular nos cérebros dos peixes e causar-lhes danos cerebrais.

peixes

Um novo estudo da Universidade de Lund, na Suécia, revelou que as partículas de plástico na água se podem acumular nos cérebros dos peixes. O plástico pode causar-lhes danos cerebrais, a provável causa dos distúrbios comportamentais que os investigadores observaram nos animais.

“O nosso estudo é o primeiro a mostrar que as partículas nanométricas de plástico se podem acumular nos cérebros dos peixes”, disse Tommy Cedervall, professor associado da Universidade de Lund.

Os investigadores estudaram a forma como os nanoplásticos podem ser transportados através de diferentes organismos no ecossistema aquático – das algas para o zooplâncton e deste para os peixes.

Descobriram que as partículas de nanoplástico conseguem atravessar a barreira hematoencefálica e acumular-se no tecido cerebral dos peixes. A barreira hematoencefálica é uma camada protetora de células entre os vasos sanguíneos e o cérebro, que protege este órgão de moléculas, células e organismos patogénicos.

resíduos de plástico na água
Foto: David Jones (Just One Ocean)

Todos os anos, pelo menos oito milhões de toneladas de plástico vão parar aos oceanos, o que é o equivalente a despejar-se o conteúdo de um camião de lixo no oceano a cada minuto.

“O plástico, eventualmente, fragmenta-se em nanopartículas, que podem ser uma ameaça ainda mais potente, já que conseguem atravessar barreiras biológicas, penetrar em tecidos, acumular-se nos órgãos e afetar o comportamento e metabolismo dos organismos”, escreveram os autores do estudo.

“Estes efeitos não costumam ser o resultado da toxicidade do material por si só, mas sim das características físicas das nanopartículas. Por isso, o tamanho da partícula desempenha um papel determinante para o seu impacto biológico.”

Os peixes afetados pelos nanoplásticos exibiram perturbações comportamentais: comiam mais lentamente e exploravam o seu ambiente com menos frequência. Os investigadores acreditam que estas alterações comportamentais podem estar associadas a danos cerebrais causados pela presença de nanoplásticos no cérebro.

Cadeia alimentar: algas-zooplâncton-peixe | Fonte: Scientific Reports

Também descobriram que quando o zooplâncton é exposto a nanoplásticos morre, ao contrário do que acontece quando é exposto a partículas de maior dimensão.

Estes diferentes impactos poderão ter repercussões em todo o ecossistema. “É importante estudar-se a forma como os plásticos afetam os ecossistemas (…) As partículas de nanoplástico têm, provavelmente, um impacto mais negativo nos ecossistemas aquáticos do que as peças de plástico de maior dimensão”, afirmou Tommy Cedervall.

Os investigadores salientam que não se atrevem a concluir que as nanopartículas de plástico se poderão acumular em outros tecidos dos peixes e ser potencialmente transmitidas para os seres humanos através do consumo. “Não, não temos conhecimento de tais estudos e somos muito cautelosos no que se refere a fazer comentários sobre isso”, disse o investigador.

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