Três das amostras analisadas eram portuguesas e são marcas que são atualmente comercializadas.



Uma equipa de investigadores realizou um estudo no qual analisou 17 marcas de sal vendidas em oito países, Portugal, Austrália, França, Irão, Japão, Malásia, Nova Zelândia e África do Sul, em busca de microplásticos (minúsculas partículas de plástico).

“Os microplásticos só estavam ausentes numa das marcas, enquanto as outras continham entre 1 a 10 microplásticos por kg de sal”, referem os investigadores no estudo. Três das amostras analisadas eram portuguesas e são marcas que são atualmente comercializadas, conta o Público.

Todos os anos são despejados entre 5 e 13 milhões de toneladas de plásticos nos oceanos. O sol e a água desfazem este plástico em minúsculas partículas, que quando têm menos de 5 mm são chamadas de “microplásticos”, fazendo já parte da dieta de muitas espécies marinhas, como o zooplâncton, ostras, peixes ou mesmo das baleias. Os microplásticos são também um dos ingredientes de alguns produtos de beleza (pastas de dentes, esfoliantes, champôs) ou até mesmo de detergentes.

“Os plásticos funcionam como esponjas e, por isso, conseguem absorver um elevado volume de contaminantes da água onde estão. Como normalmente ficam na água durante bastante tempo, existe a oportunidade para absorverem uma quantidade significativa de poluentes”, explicou Ali Karami, investigador na Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde da Universidade Putra, na Malásia, e principal autor do artigo publicado na revista Scientific Reports, do mesmo grupo da revista Nature.

“Estamos a consumir microplásticos em vários produtos, incluindo marisco, mel e até cerveja. Assim, o sal não é o único culpado”, conta Ali Karami.

“Os microplásticos podem libertar poluentes no nosso organismo que, a longo prazo, podem provocar problemas de saúde, explicou o investigador.

Das 72 partículas extraídas das amostras, 41,6% eram polímeros plásticos, 23,6% eram pigmentos (associados a aditivos colocados nos plásticos), 5,5% eram carbono livre e 29,1% não foram identificadas.

Uma das três marcas portuguesas analisadas alcançou o máximo registado de 10 partículas de microplásticos (nylon, polipropileno, polietileno, entre outros) por kg de sal. As outras duas marcas não continham microplásticos mas, tinham partículas de vários pigmentos.




Legenda: (a) polipropileno, (b) polietileno (c) pigmento (phthalocyanine) (d) nylon

Ali Karami acredita que os produtores de sal desconhecem esta realidade e afirma que o sal não será seguramente a única fonte de microplásticos na nossa dieta.

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