As gerações futuras poderão crescer num mundo onde não existem muitas das espécies vivas hoje em dia, avisam os conservacionistas.



Os biólogos chamam ao que está a acontecer hoje em dia a “sexta extinção em massa”. Até ao final do século, estima-se que uma em cada seis espécies esteja extinta. De facto, há animais que poderão desaparecer em apenas alguns meses, avisam os conservacionistas, e as gerações futuras poderão crescer num mundo onde não existem muitas das espécies vivas hoje em dia.

As extinções devem-se a uma variedade de causas, entre as quais a perda de habitat, o crescimento populacional, a caça e as doenças, causas estas que são complexas e estão, em muitos casos, interligadas.

Vaquita Marinha

Atualmente, existem mais de 23 mil espécies na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN, incluindo 41% dos anfíbios, 25% dos mamíferos e 13% das aves do planeta.

Entre as espécies criticamente ameaçadas, está, por exemplo, a vaquita marinha, também conhecida como “panda do mar”. Os números destes cetáceos caíram 90% desde 2011 e os cientistas estimam que já só existam 30 vaquitas na natureza. Todas elas vivem no Golfo da Califórnia, no México.



Estes animais ficam presos nas redes de emalhar destinadas à pesca de totoaba, um peixe que também está em risco de desaparecer e cuja bexiga-natatória é vendida a preços exorbitantes na China por se acreditar que aumenta a fertilidade.

Como precisam de subir à superfície para respirar, as vaquitas que ficam presas nestas redes ilegais acabam por morrer afogadas.

“O tempo está a esgotar-se para a vaquita; poderemos perder tragicamente o ‘panda do mar’ numa questão de meses”, disse Chris Gee da WWF.

Para tentar proteger as restantes vaquitas, o governo mexicano decretou, no mês passado, a proibição permanente das redes de emalhar no Golfo da Califórnia. Os conservacionistas avisam que muito dependerá do devido cumprimento da lei.

Pangolim

Outro animal em risco de desaparecer no espaço de uma geração é o pangolim, conhecido como “o mamífero mais traficado do mundo”. O pangolim é considerado uma iguaria na China e a procura da sua carne e escamas, usadas na medicina tradicional chinesa, está a levar a espécie ao limiar da extinção.

“O pangolim poderá ficar extinto antes que a maioria das pessoas chegue mesmo a saber como ele é”, apontou Lis Key da organização International Animal Rescue. “Não tenho a certeza se poderia desaparecer numa década, mas certamente que em algumas décadas sim. Os números usados quando se fala sobre o tráfico de pangolins aludem, normalmente, não a indivíduos, mas ao número de cargas de camião. É trágico.”



Orangotangos e lóris

A conservacionista avisa também que os orangotangos e as espécies de lóris pertencentes ao género Nycticebus estão criticamente ameaçados devido à caça furtiva e à perda de habitat.

“Ambos estão criticamente ameaçados, ou seja, a um passo da extinção, devido ao incessante ritmo acelerado da perda de habitat e aos efeitos da caça ilegal”, declarou. “A não ser que sejam tomadas medidas para travar estas atividades, o futuro de ambas as espécies será sombrio.”

Um estudo recente revelou que mais de metade das espécies de primatas não-humanos do mundo estão em risco de extinção.

Rinocerontes

Restam menos de 100 rinocerontes-de-Java na natureza, graças à caça furtiva. Segundo o grupo Save the Rhino, estes animais poderão ficar extintos numa década ou até em menos tempo.


Rinoceronte-indiano, a espécie mais próxima do rinoceronte-de-Java | Foto: Nandhu Kumar

A procura de chifre de rinoceronte, que é usado na medicina tradicional chinesa, também está a levar ao declínio de outras populações de rinocerontes.

Na África do Sul, são mortos, em média, três destes animais por dia e, infelizmente, o país revogou, recentemente, a proibição do comércio doméstico deste produto.

Órix, lémures e muitos mais animais

Também já só restam cerca de três dúzias de órix-de-cimitarra na natureza, depois de estes terem sido caçados até à extinção por caçadores de troféus em busca dos seus chifres.


Lémure-preto-de-olhos-azuis | Foto: Charlie Marshall

Em Madagáscar, já só existem cerca de 100 lémures-pretos-de-olhos-azuis em estado selvagem. Um estudo da Universidade de KwaZulu-Natal predisse que a espécie ficará extinta até 2025. Outra espécie de lémure igualmente em perigo, o Propithecus candidus, já só conta com 250 destes animais.

“Alguns dos lémures em Madagáscar são caçados porque os habitantes locais acreditam que eles são espíritos malignos. Também são vítimas da perda de habitat”, contou Niki Rust, da WWF, ao The Telegraph.

Nas próximas décadas também poderão ficar extintos o canguru-aborícola-de-manto-dourado, o coelho Bunolagus monticularis, o mico-leão-de-cara-preta e o saola.

Elefantes africanos

Da mesma forma, com menos de 415 000 elefantes africanos na natureza e com uma perda anual estimada de 8%, a sobrevivência destes animais está seriamente comprometida.



“Esta espécie poderá ficar extinta durante o nosso tempo de vida, em 10 ou 20 anos, se esta tendência se mantiver”, disse Dune Ives da organização Vulcan. “Dentro de cinco anos podemos ter pedido a oportunidade de salvar este animal magnífico e emblemático.”

“Existem imensas espécies que carecem desesperadamente da nossa ajuda e que poderão desaparecer em apenas uma ou duas gerações”, disse Nick Rust. “Muitas das populações são tão pequenas e estão tão isoladas que apenas bastaria uma doença para as dizimar.”

“Mas existem histórias de sucesso nos esforços de conservação. As populações dos gorilas-da-montanha estão a aumentar e temos agora cerca de 800 na natureza. Os cangurus-aborícolas-de-manto-dourado também parecem estar a estabilizar.”

“Os números podem ser devastadores, mas não é demasiado tarde. Com maiores proteções podemos ajudar a garantir um futuro positivo para as espécies ameaçadas”, disse Heather Sohl da WWF.

Foto da capa: Saola (Reuters/Claro Cortes IV)

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