Todos os anos, até 190 000 toneladas de microfibras de plástico libertadas pela nossa roupa invadem os oceanos e contaminam a vida marinha.



Todos os anos, até 190 000 toneladas de microfibras de plástico libertadas pela nossa roupa invadem os oceanos, estimou o grupo de consultadoria Eunomia. Este é o peso de 1357 baleias-azuis e um valor bastante mais elevado do que as estimadas 35 000 toneladas de micropartículas de plástico provenientes de produtos como os cosméticos, que também vão parar ao mar.
“Um número considerável de peixe e marisco está atualmente contaminado por pequenos fragmentos de plástico, incluindo fibras”, disse Richard Thompson, professor da Universidade de Plymouth. “E, de facto, já que elas não se degradam, a não ser que tomemos medidas para reduzir estes plásticos, vamos vê-los cada vez mais na vida marinha, no futuro.”

De cada vez que é lavada, a roupa de tecidos sintéticos liberta centenas de milhares de fibras de plástico. Muitas delas passam através dos filtros das ETAR (estações de tratamento de águas residuais) e fazem o seu caminho até aos nossos rios, terrenos agrícolas e oceanos, entrando, eventualmente, na nossa cadeia alimentar.




As microfibras são tão pequenas que se tornam difíceis de detetar a olho nu, mas já foram encontradas, com a ajuda de um microscópio, nos estômagos de peixes, aves, plâncton e criaturas do fundo do mar. Até 2050, 99% das aves marinhas terão plástico nos seus estômagos, concluiu um estudo da CSIRO e do Imperial College de Londres. Quando os animais ingerem plástico sentem uma falsa sensação de saciedade que leva muitos deles a morrer de fome.

Mas há quem esteja à procura de soluções. Um exemplo são os alemães Alexander Nolte e Oliver Spies que desenvolveram o Guppy Friend, um saco capaz de capturar as fibras que se soltam da roupa na máquina de lavar.



Outro é Sophie Mather, que, juntamente com investigadores da Universidade de Leeds, lançou uma campanha de angariação de fundos colaborativa (crowdfunding) para desenvolver uma nova tecnologia que mudaria a forma como determinados materiais, como o nylon e o poliéster, são fabricados.

“A indústria da moda precisa realmente de fazer muito mais relativamente a isto. Vemos [por exemplo] tecidos como a malha polar que são péssimos. Perdem muitas fibras quando os lavamos e precisamos de saber mais sobre isto”, contou à Sky News.

De acordo com estudos anteriores, as roupas mais velhas serão as que mais fibras perdem durante a lavagem. Os especialistas avisam, todavia, que, se não houver um maior compromisso por parte da indústria da moda, o problema irá piorar consideravelmente com o tempo.



Infográfico: Eunomia 2016


Subscrever a Newsletter

Partilha:

0 comentários. Diz-nos o que pensas

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.