Pela primeira vez, cientistas encontraram indícios de microplásticos ingeridos por animais das profundidades marinhas.



Cientistas encontraram, pela primeira vez, indícios de microplásticos ingeridos por animais das profundidades marinhas, como galateas, pepinos-do-mar e caranguejos-eremitas. Esta descoberta, publicada na revista científica Scientific Reports, revela a escala a que chegou a poluição dos detritos de plástico nos oceanos.
Os investigadores das Universidades de Bristol e de Oxford descobriram microfibras de nylon, poliéster e acrílico dentro de criaturas marinhas dos Oceanos Atlântico e Índico, em profundidades entre os 300m e os 1800m – a primeira vez que tal se observou a uma profundidade tão grande. Estas microfibras entram no oceano, por exemplo, através da lavagem de roupa de tecidos sintéticos e com as redes de pesca.
“Este resultado espantou-me e é uma chamada de atenção para o facto de que a poluição do plástico chegou verdadeiramente aos locais mais longínquos da Terra”, declarou Laura Robinson, professora de geoquímica da Universidade de Bristol.

Os microplásticos são pedaços minúsculos deste material com menos de 5 mm de comprimento, o que abrange as microfibras analisadas neste estudo e as micropartículas usadas em cosméticos, como exfoliantes, gel de banho e pasta de dentes, e em produtos de limpeza. Um só banho pode originar a entrada de 100 000 partículas de plástico no oceano, segundo o Comité para a Auditoria Ambiental da Câmara dos Comuns. A preocupação com o impacto ambiental destas micropartículas levou o governo do Reino Unido a anunciar a sua proibição até ao final de 2017.

Os microplásticos têm aproximadamente o mesmo tamanho da neve marinha, partículas de matéria orgânica que caem gradualmente através da água até ao mar profundo, das quais se alimentam muitos organismos marinhos.

“O principal objetivo desta expedição de investigação era recolher microplásticos dos sedimentos no oceano profundo – e descobrimos grandes quantidades deles”, explicou Michelle Taylor, autora do estudo, do departamento de Zoologia da Universidade de Oxford. “Dado que os animais interagem com este sedimento, vivendo nele ou comendo-o, decidimos olhar para dentro deles de modo a ver se haveria algum indício de ingestão. O que é particularmente alarmante é que estes microplásticos não foram descobertos em zonas costeiras, mas no fundo do oceano, a milhares de quilómetros das fontes terrestres de poluição.”

O estudo contou ainda com a colaboração do Museu de Historia Natural de Londres e do Departamento de Ciências Forenses da Universidade de Staffordshire.

Foto: Organismos que ingeriram microfibras de plástico | Fonte: Scientific Reports 6, Article number: 33997 (2016)
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