O cientista Richard Kirby filmou o momento em que uma microfibra de plástico é ingerida por plâncton e entra na cadeia alimentar marinha.



O cientista Richard Kirby filmou o momento em que uma microfibra de plástico é ingerida por plâncton, para mostrar as consequências da poluição de plástico na vida marinha e uma das formas como este material está a entrar na cadeia alimentar marinha e mundial.

“Quando o vi, pensei que aqui estava algo, visualmente, para chamar a atenção do público para o problema do plástico no mar, explica o cientista. Embora as pessoas já estejam familiarizadas com a ideia de animais marinhos de maior porte, como tartarugas, aves marinhas e baleias, a ingerir sacos e outros resíduos de plástico, muitas não fazem ideia de que este material afeta mesmo algumas das criaturas mais pequenas do mundo.

“Aqui temos algo no qual se pode ver realmente como uma fibra minúscula causou uma obstrução intestinal em algo tão pequeno como um Sagitta setosa, um membro do plâncton, impedindo o avanço da comida. O intestino de um Chaetognatha estende-se por todo o comprimento do seu corpo; sendo assim, a fibra impediu que qualquer alimento se deslocasse no seu intestino desde a zona abaixo da sua cabeça.”


Esta foi a primeira vez que Richard Kirby filmou plâncton a ingerir plástico, mas não foi a primeira vez que o testemunhou. Na amostra que recolheu em águas britânicas, conta o cientista à BBC, o incidente não se tratou de uma ocorrência isolada, sendo relativamente comum.

Segundo estimativas das Nações Unidas, existirão 51 biliões de partículas de microplásticos nos mares e oceanos – 500 vezes o número estimado de estrelas na nossa galáxia.
Os especialistas avisam que a presença de plástico no fundo da cadeia alimentar poderá afetá-la “até ao topo.

“[Estes organismos] desempenham um papel ecológico muito importante na rede alimentar marinha. São predadores vorazes de outros animais planctónicos e também representam uma importante fonte de alimento para os peixes, lulas e outras criaturas que comem plâncton”, disse Emily Baxter, do North West Wildlife Trusts, à BBC.

Mesmo se parássemos de produzir plástico hoje, este problema continuaria por muito tempo. Vemo-lo agora a entrar no fundo da cadeia alimentar e potencialmente a afetá-la até ao topo. Esse problema não desaparecerá.”



Mark Browne, cientista e autor de diversos estudos sobre os efeitos dos resíduos de plástico nos ambientes marinhos, declarou que este vídeo era mais uma prova de que os “polímeros são frequentemente ingeridos por animais”.

“A questão essencial permanece: será que este material tem impactos ecológicos e porque não estão os governos a usar uma base científica sólida para substituir produtos problemáticos por alternativas mais seguras? Isto poderia ser feito se eles encarregassem ecólogos e engenheiros de trabalhar em conjunto para identificar e remover as características dos produtos que (se fossem descobertos como detritos nos habitats) possam ter impactos ecológicos.”

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