Em 1960, menos de 5% das aves marinhas tinham plástico nos seus estômagos; hoje, os investigadores estimam que esse nº tenha subido para 90%.

Ave com rede de pesca no pescoço

Em 1960, menos de 5% das aves marinhas tinham plástico nos seus estômagos; hoje em dia, os investigadores estimam que esse número tenha subido para os 90%.

Investigadores da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO) e do Imperial College de Londres descobriram que a maioria das aves marinhas do mundo – incluindo albatrozes e pinguinstêm plástico nos seus estômagos, proveniente de sacos, tampas de garrafas e fibras de roupas sintéticas, levados pelos rios, esgotos e depósitos de lixo para o oceano.

A equipa prediz ainda que a ingestão de plástico afetará 99% das espécies de aves marinhas do mundo, até 2050.
Segundo Denise Hardesty, coautora do estudo, as aves marinhas são excelentes indicadores da saúde dos ecossistemas e as estimativas a que a equipa chegou surgem do trabalho de campo que realizaram, no qual encontraram quase 200 peças de plástico numa só ave marinha.

Os pássaros confundem os pedaços coloridos de plástico com comida ou engolem-nos acidentalmente, provocando problemas nos intestinos e perda de peso, o que pode ser fatal. De acordo com os investigadores, os plásticos terão o maior impacto na vida selvagem onde os animais se reúnem no Oceano Antártico, numa faixa no sul da Austrália, da África e na América do sul.
Erik van Sebille, outro dos coautores do estudo, observou que o plástico é mais prejudicial nas zonas onde existe uma grande diversidade de espécies.

“Estamos muito preocupados com espécies como os pinguins e os albatrozes gigantes, que vivem nessas áreas”, disse o investigador. “Embora as infames ‘manchas’ de lixo no meio dos oceanos tenham densidades impressionantemente elevadas de plástico, poucos animais vivem lá”, acrescentou.

Para Denise Hardesty, ainda há tempo para reduzir o impacto que o plástico tem nas aves marinhas, se forem tomadas as medidas certas, como uma melhor gestão dos resíduos.

“Até mesmo medidas simples podem fazer a diferença. Os esforços para reduzir as fugas de plásticos para o ambiente, na Europa, resultaram em mudanças mensuráveis do plástico nos estômagos das aves marinhas, em menos de uma década”, explica, acrescentando que isto “sugere que melhorias na gestão de resíduos podem reduzir o plástico no ambiente, num curto espaço de tempo”.


Fonte: TreeHugger

Plástico na praia
Foto: Britta Denise Hardesty/CSIRO/AP
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