O ministério do Ambiente da Índia ordenou o cancelamento do reconhecimento dos circos que forçam os animais selvagens a realizar truques.

Elefantes no circo

O ministério do Ambiente, Florestas e Alterações Climáticas da Índia ordenou o cancelamento do reconhecimento de todos os circos no país que forçam os animais selvagens a realizar truques.

A Autoridade Central de Zoos (CZA, na sigla em inglês) do ministério anulou o registo dos circos, após um ano de investigações por parte de uma equipa especializada, que trouxe à luz casos de extrema crueldade sobre os animais.

“O processo de anulação de registo foi levado a cabo com base num conjunto de investigações. As investigações mostram que os animais estavam a ser mantidos em condições cruéis nos circos e que eram torturados para que realizassem truques”, disse DN Singh, secretário-membro da CZA. “Alguns dos proprietários dos circos até nos apresentaram fotografias manipuladas para provarem que os animais eram bem tratados.”

Em 1998, o governo central indiano proibiu os ursos, macacos, tigres, leopardos e leões de serem exibidos e treinados para entretenimento. Os elefantes só passaram a estar protegidos em 2013.



A ordem de cancelamento foi emitida com base nas recomendações de um comité de peritos, que concluiu que a crueldade é inerente aos circos e que os animais selvagens são sujeitos a dor e sofrimento desnecessários quando são treinados e forçados a dar espetáculos.

De acordo com a CZA, os circos não podem forçar os animais a realizar truques sem que possuam instalações adequadas, como estabelecido pela lei em 2009. Isto inclui o alojamento apropriado com espaço suficiente, a gestão de resíduos, a interdição da exibição de animais doentes, a garantia de que os animais não estão sob stress e de que recebem os cuidados médicos necessários.

Segundo especialistas, os animais do circo são frequentemente vítimas de violência física às mãos dos seus treinadores, sofrendo de solidão, aborrecimento e frustração por viverem grande parte das suas vidas em jaulas de dimensões reduzidas ou passarem meses acorrentados, enquanto viajam de cidade em cidade.

Alguns dos proprietários dos circos investigados alegaram que não utilizavam os seus elefantes para espetáculos, mas que os mantinham para fins “educativos”.

A CZA também deu instruções para que os supervisores de vida selvagem dos estados indianos reabilitassem os elefantes dos circos cujo registo foi cancelado. A equipa de investigação descobriu que estes elefantes quase não conseguiam andar devido a lesões e dores. Os animais estavam acorrentados e tinham sido treinados com recursos a ganchos de metal proibidos pela lei.

São cada vez mais as cidades, estados e países a adotar proibições totais ou parciais do uso de animais selvagens em circos e espetáculos itinerantes, como Nova Iorque, Madrid, Dublin, a Roménia e a Eslováquia.

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