Se soubesse que os sacos e garrafas de plástico que usa poderão acabar nos estômagos de uma ave marinha ou de uma baleia, ainda os usava?



Se soubesse que os sacos, talheres e garrafas de plástico que usa poderão acabar nos estômagos de uma ave marinha ou de uma baleia, ainda os usava?

Todos os anos, pelo menos 8 milhões de toneladas de plástico vão parar aos nossos oceanos. A cada minuto é despejado no mar o equivalente a um camião de lixo cheio de plástico. Até 2030, passarão a ser dois camiões por minuto e, em 2050, quatro.

Quando os animais marinhos encontram os detritos de plástico a flutuar no mar ou depositados no fundo do mar, sejam eles tampas de garrafas, cotonetes, sacos, palhas ou redes de pesca, podem comê-los por os confundirem com comida. De facto, as aves marinhas não só os ingerem como também alimentam as suas crias com eles.

O resultado? O plástico que vão ingerindo ao longo do tempo vai-se acumulando no seu aparelho digestivo, o que dá aos animais uma falsa sensação de saciedade e pode levar a que morram de fome. Há muitos mais problemas ligados à ingestão de plástico: lesões nos órgãos internos, obstrução intestinal e acumulação de químicos dos plásticos nos seus tecidos, entre outros.

Mas o plástico não precisa de ser ingerido para ser uma ameaça. Os animais ficam presos nas redes de nylon abandonadas no mar e nas nossas embalagens de plástico, o que os fere, impede de nadar normalmente, leva à exaustão e pode resultar na sua morte.

Não se sabe ao certo quantos animais são vítimas da poluição de plástico nos oceanos anualmente. Um estudo de 2015 descobriu 44 mil casos de animais presos ou que tinham ingerido detritos plásticos desde 1960, o que, segundo os autores do estudo, é um número que “subestima” o problema.



Tartaruga presa nos anéis de plástico usados para juntar as latas de bebidas.
Foto: Departamento de Conservação de Missouri


Uma cria de albatroz alimentada pelos seus progenitores com plástico. Já foram encontradas crias com mais de 275 peças de plástico no estômago, o que, numa pessoa, seria o equivalente a ingerirem-se 10kg de plástico. Foto: Chris Jordan


Ave que se estrangulou com a fita de um balão.
Foto: Pamela Denmon / USFWS


Leão marinho com plástico à volta do seu pescoço.


Tubarão com plástico na boca.
Foto: Aaron ODea / Marine Photobank


Ave imobilizada por um detrito de plástico.
Foto: David Cayless / Marine Photobank


Tartaruga presa em redes de pesca fantasma.
Foto: Jordi Pujol


Tartaruga que ingeriu um balão.
Foto: Blair Witherington / NOAA


Foca presa em redes fantasma.
Foto: NOAA


Sacos de plástico retirados dos intestinos de uma baleia que deu à costa na Noruega.
Christoph Noever / Universidade de Bergen


Cria de albatroz morta com o estômago cheio de lixo plástico.
Foto: NOAA

Sabe o que pode fazer para ajudar?

Reduza a quantidade de plástico que consome. Compre produtos com embalagens de cartão ou vidro ou que têm embalagens maiores, em vez dos que trazem muitos pacotes individuais.
Faça compras a granel ou avulso e leve os seus próprios sacos de tecido. Pode pesar os legumes ou frutas em sacos de rede.

Diga não aos plásticos descartáveis, como as palhas, os talheres e os pratos de plástico. Troque-os por artigos reutilizáveis.

Preste atenção à forma como descarta o plástico que não consegue eliminar do seu dia-a-dia. Não deite cotonetes na sanita e recicle o plástico no contentor amarelo.

Lembre-se: reduza e recuse primeiro. A reciclagem deve ser encarada como uma última opção.

"[Quando se recicla] não se está a fazer algo de positivo pelo ambiente. Só se está a fazer algo que é menos mau”, disse Adam Minter, escritor e ativista. “Se queremos mesmo lidar com o problema dos resíduos que estamos a enfrentar, precisamos de pensar melhor sobre a natureza do próprio consumo.”

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