Segundo um estudo da Universidade de Plymouth, quantidades substanciais de microplásticos estão a acumular-se no fundo dos oceanos.

Plástico no oceano

Os cientistas acreditam ter descoberto a razão pela qual a quantidade de plástico encontrado na superfície dos oceanos é muito inferior ao que esperavam. Segundo um estudo de investigadores britânicos e espanhóis, publicado na revista científica Royal Society Open Science, as lamas e a areia do fundo do mar estão a servir de depósito para estes microplásticos desaparecidos.

Com base em amostras recolhidas em 16 locais nos Oceanos Atlântico e Índico e no Mar Mediterrâneo, recolhidas entre 2001 e 2012, a equipa descobriu que quantidades substanciais de microplásticos – pedaços minúsculos de plástico com menos de 1 mm – se acumularam juntamente com os sedimentos do fundo do mar, conta o The Guardian.

“A prevalência de microfibras de plástico em todos os núcleos de sedimentos e em todas as colónias de coral examinadas sugere que este poluente é ubíquo no mar profundo. Para além disso, a grande variedade de tipos de polímeros detetados revela que a acumulação e deposição das microfibras no fundo do mar são complexas e que estas surgem de uma variedade de fontes domésticas e industriais, conclui o estudo.

Lucy Woodall, do Museu de História Natural de Londres e coordenadora do estudo, avisa que praticamente tudo pode ser uma fonte para estes resíduos. “É só olhar em volta, para o que nos rodeia – os nossos computadores têm plástico, os nossos sacos têm, os nossos copos também. Todas essas coisas podem vir a acabar no oceano, por isso apontar uma fonte específica simplesmente não é possível.”

Os investigadores encontraram fibras de plástico em profundidades que vão desde os 300 m aos 3000 m. Segundo as suas estimativas, existirão 4 mil milhões de fibras por quilómetro quadrado nos sedimentos do Oceano Índico. Os fragmentos de plástico encontrados mediam, geralmente, entre 2 e 3 mm de comprimento e menos de 0,1 mm de diâmetro.

Um estudo do final de 2014 estimou que existem mais de 5 biliões de detritos de plástico nos oceanos, pesando, no total, quase 269 mil toneladas. No entanto, os autores do estudo tinham avisado que este valor era apenas 0,1% da produção global de plástico por ano.

“A mensagem fundamental do estudo é bastante simples: eles estão lá. Agora precisamos de descobrir quais são os seus impactos no nosso ambiente”, declarou Lucy Woodall. O plástico no oceano é uma ameaça para a vida marinha, tendo sido estudado o seu impacto negativo em peixes, ostras e aves marinhas. “Sabe-se que uma série de organismos ingere microplásticos e existe o receio de que isto lhes possa provocar danos físicos e/ou toxicológicos”, lembram os autores do estudo.
Partilha:

Comentários:

0 comentários. Diz-nos o que pensas

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.