O plástico que vai parar ao mar não é só um problema para a vida marinha. Quando este material entra na cadeia alimentar, “acaba no seu prato”.



Todos os anos, pelo menos 8 milhões de toneladas de plástico entram nos nossos oceanos e, segundo a Fundação Ellen MacArthur, até 2050, haverá mais plástico (por peso) do que peixes no mar.
Este não é só um problema para a fauna marinha que é afetada diretamente pelos detritos de plástico. Segundo Olivia Jones, da organização irlandesa An Taisce, quando os peixes ingerem plástico, este material entra na cadeia alimentar e “acaba no seu prato”.

80% da poluição de plástico nos oceanos é de origem terrestre e resulta de atividades humanas, como o hábito que algumas pessoas têm de deitar objetos na sanita, avisa Olivia. Os investigadores identificaram uma lista de 12 artigos frequentemente deitados na sanita, que inclui cotonetes, toalhitas faciais e de bebé, tampões, beatas de cigarro, medicamentos, fraldas e pensos. “As pessoas não sabem que isto é errado – foi por isso que iniciámos a campanha ‘pense antes de puxar o autoclismo’”, disse.

As cotonetes de plástico, por exemplo, são tão finas que conseguem passar através dos filtros das estações de tratamento de águas residuais (ETAR). Daí vão parar, eventualmente, ao mar, poluindo os oceanos e representando um perigo para a vida marinha. Muitas delas acabam por dar à costa, poluindo também as praias. De acordo com a Sociedade para a Conservação Marinha do Reino Unido, as cotonetes perfazem 60% do lixo proveniente das águas residuais encontrado nas praias.



Plástico encontrada dentro de um fogueteiro-arco-iris | Foto: Markus Eriksen

Muitas das peças de plástico que não são comidas inteiras pelas tartarugas, aves marinhas e peixes que as confundem com comida – com consequências fatais para os mesmos – acabam por se decompor em fragmentos minúsculos deste material, os microplásticos, que já cobrem o fundo do mar e cujo impacto nos ecossistemas só agora começa a ser estudado.

Os microplásticos também estão presentes em produtos de cuidado pessoal como o gel de duche, a pasta de dentes e os esfoliantes. Estas micropartículas de plástico já foram proibidas nos EUA e no Reino Unido.
Olivia Jones explica que, para além do perigo de ingestão, o plástico no mar pode acumular toxinas com o passar do tempo, prejudicando os habitats marinhos.

Estima-se que os resíduos de plástico afetem 43% dos mamíferos marinhos e que 90% das aves marinhas tenham plástico nos seus estômagos – de facto, até 2050, este número subirá para 99%, prevê a CSIRO. Os efeitos da ingestão de plástico nas aves têm sido muito estudados e incluem problemas nos intestinos, entrada de poluentes para a corrente sanguínea, úlceras gástricas, lesões do fígado, infertilidade e, em muitos casos, morte.

Também há indícios de que as aves marinhas dão de alimento às suas crias pedaços deste material. Em 2011, a bióloga Jennifer Lavers encontrou uma cria de pardela com 90 dias de idade que tinha mais de 275 peças de plástico no estômago. Numa pessoa, isto seria o equivalente a ingerirem-se 10kg de plástico.

“Podemos todos fazer algo”, enfatiza a ativista. “Podemos participar em limpezas das praias, podemos colocar um caixote de lixo na casa de banho para que as pessoas não deitem cotonetes na sanita e podemos comprar produtos com menos embalagens.” E não se esqueça que pode optar por cotonetes com haste de papel.



Cria de albatroz alimentada pelos progenitores com plástico | Foto: Chris Jordan
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