“As empresas devem pagar pelos danos que causam. Só então é que serão forçadas a criar alternativas ecológicas”, defendeu Geraint Davies.



Num artigo para o jornal The Guardian, Geraint Davies, membro do Comité para a Auditoria Ambiental e deputado do Partido Trabalhista do Reino Unido, defendeu que as empresas poluidoras devem pagar pelos danos que causam, refletindo assim opiniões proferidas pelo diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente.

“O plástico está a destruir os nossos oceanos e, no entanto, as grandes empresas continuam a receber dinheiro para produzirem plástico barato. Chegou a altura de os poluidores pagarem pelos danos que causam”, escreveu Geraint Davies.

Todos os anos, milhões de toneladas de plástico invadem os oceanos. As consequências desta poluição são bem conhecidas: tartarugas presas em detritos, leões-marinhos a asfixiar com resíduos à volta do pescoço e aves e baleias com estômagos cheios de plástico. Se continuarmos neste caminho, em 2050, haverá mais plástico do que peixes (por peso) no oceano.

“As empresas devem pagar pelos danos que causam. Só então é que serão forçadas a criar alternativas ecológicas”, defendeu. “As empresas de combustíveis fósseis receberam subsídios de 5,3 biliões de dólares (4,2 biliões de euros) no mundo, em 2015, sendo que só a China ofereceu subsídios de 2,3 biliões de dólares. Como o plástico é feito de combustíveis fósseis, estes são efetivamente subsídios descomunais para o plástico.”


Foto: Reuters/Erik De Castro

“Em vez de receberem dinheiro para poluir as nossas águas, os poluidores deviam pagar para que os seus resíduos plásticos fossem reciclados”, continuou Geraint Davies. “Atualmente, esse custo é suportado pelo contribuinte, mas o custo da reciclagem deveria fazer parte do do próprio plástico – o dinheiro adicional seria transferido para os governos locais para pagar a reciclagem.”

O governo deveria recompensar os comerciantes que desenvolvem novas ideias sustentáveis e aumentar as taxas sobre as embalagens que são difíceis de reciclar. Isto reduziria a procura por plásticos letais entre os produtores e os retalhistas.”

No artigo para o jornal britânico, o deputado defende a necessidade de se tomarem “medidas radicais”. “A proibição dos plásticos não recicláveis que matam peixes devia ser uma prioridade”, escreveu. Davies menciona o exemplo da cadeia de supermercados britânica Iceland, que se comprometeu a acabar com as embalagens de plástico em todos os produtos da sua marca num prazo de cinco anos.

“Temos um dever incondicional de proteger os oceanos pelo futuro dos nossos filhos. Se queremos salvar as nossas tartarugas, aves e baleias, temos de dar passos radicais para resolver o problema do plástico. Isto significa que temos de incentivar as empresas a reduzirem a utilização de plástico em prol de alternativas sustentáveis e de proibir o plástico não reciclável”, concluiu.

Em setembro do ano passado, Erik Solheim tinha proferido palavras semelhantes, declarando, durante uma conferência sobre desenvolvimento sustentável: “O lucro de destruir a natureza ou de poluir o planeta é quase sempre privatizado, ao passo que os custos de poluir o planeta ou de destruir os ecossistemas são quase sempre socializados. Isto não pode continuar. Quem poluir, quem destruir a natureza tem de pagar o preço dessa destruição ou poluição”.
1ª foto: Caroline Power Photography

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