Alemães inventam saco para lavar roupa que impede as microfibras de chegar ao mar

Alemães inventam saco para lavar roupa que impede as microfibras de chegar ao mar

17 de Fevereiro, 2017 0

As notícias sobre a poluição causada pelas microfibras de plástico que se libertam dos tecidos sintéticos durante a lavagem dos mesmos, levou os alemães Alexander Nolte e Oliver Spies, proprietários de uma cadeia de lojas que vende roupa desportiva, a chegar a uma decisão. “Dissemos: ‘Ou temos de parar de vender [roupa] polar ou temos de pensar numa solução’”, conta Alexander Nolte.

Acabaram por enveredar pela segunda opção e foi assim que surgiu o Guppy Friend, um saco capaz de capturar as fibras que se soltam da roupa à medida que esta é sacudida e centrifugada na máquina de lavar, impedindo a sua fuga para os rios, lagos e oceanos, onde são uma ameaça para plantas e animais. O saco é suficientemente grande para que caibam dentro dele dois ou três casacos polares ou outro tipo de roupa feita de tecidos sintéticos.

O Guppy Friend é feito de poliamida (nylon), que não liberta fibras facilmente, e mantém-se funcional e intacto mesmo após centenas de lavagens. Quando se retira o saco da máquina de lavar, no final da lavagem, as fibras ficam visíveis contra o material branco do saco, prontas para serem removidas com facilidade à mão.

As fibras sintéticas não são biodegradáveis, ao contrário das naturais (p.ex., algodão e lã), e ainda podem acumular poluentes químicos, como pesticidas e retardadores de chama, presentes nas águas residuais. As fibras da roupa desportiva também são frequentemente revestidas com químicos para que cumpram determinados fins, como serem resistentes à água. Vários estudos têm detetado problemas de saúde no plâncton e em outros pequenos organismos que ingerem microfibras. Também têm sido descobertos microplásticos dentro do peixe e marisco vendidos aos consumidores um pouco por todo o mundo.

Ainda não existem estudos que revelem efeitos negativos causados pelas microfibras na saúde humana. “A investigação científica é lenta, por isso pode ser precisa mais uma geração para se descobrirem que danos [estes poluentes] farão. Não quero esperar tanto tempo”, disse Alexander Nolte.

A invenção dos alemães atraiu a atenção da marca de roupa desportiva Patagonia que decidiu contribuir para o financiamento do projeto e ajudou a melhorar a capacidade de capturar fibras do saco. Em 2015, a marca encomendou um estudo que revelou que a lavagem de um dos seus casacos polares de poliéster libertava até 250 mil fibras sintéticas.

Os dois alemães já têm 30 mil encomendas para o Guppy Friend que será comercializado nas suas lojas e também pela Patagonia – a marca disse que o fará sem fins lucrativos, cobrando apenas o preço que os alemães lhe fizerem mais os custos de envio. O preço ainda não está decidido, mas deverá rondar 20€-30€.

Nolte e Spies já têm outro projeto em mãos: estão atualmente a criar um sistema métrico que mostra a taxa/quantidade de fibras soltas por um determinado têxtil, de modo a ajudar os designers de roupa a escolher os tecidos que libertem menos fibras.



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