Mesmo pequenas concentrações de plástico podem ter um impacto grave em habitats marinhos inteiros, diz um estudo liderado por Dannielle Green.



Mesmo pequenas concentrações de plástico – como as micropartículas presentes em alguns cosméticos e detergentes – podem ter um impacto grave em habitats marinhos inteiros, diz um novo estudo liderado pela cientista Dannielle Green, da Universidade de Anglia Ruskin.

O estudo, publicado na revista científica Environmental Science and Technology, seguiu um caminho diferente da maioria dos trabalhos sobre o assunto até à data. Em vez de se concentrarem em espécies individuais, os investigadores quiseram examinar o impacto da exposição aos microplásticos no funcionamento e biodiversidade dos ecossistemas de um habitat costeiro maior. Para tal, analisaram secções do fundo lodoso do mar com ostras (ostrea edulis), estudando os efeitos de pequenas quantidades de microplásticos – neste caso, partículas de ácido poliláctico (PLA) e de polietileno de alta densidade (PEAD) – nos bivalves e no habitat marinho durante 50 dias.

Os investigadores descobriram que a exposição aos microplásticos aumentou 7,5 vezes a taxa de filtração das ostras. Um estudo anterior tinha sugerido que os microplásticos poderão afetar a digestão das ostras, algo que elas tentam compensar aumentando a quantidade de comida ingerida.

A quantidade de microalgas – uma importante fonte de alimento – diminuiu, assim como diminuíram os nutrientes nos sedimentos do fundo do mar. Os tipos de animais a viver no lodo exposto aos microplásticos também mudaram, tendo aumentado o número de oligoquetas e de vermes Lineus longissimus. Estes animais são frequentemente considerados “espécies indicadoras” de poluição, já que prosperam onde outros organismos mais sensíveis não conseguem sobreviver.

Os microplásticos de PLA, que deveriam ser biodegradáveis, não se decompuseram rapidamente, causando essencialmente os mesmos efeitos do PEAD.



“O lodo é um pouco como uma bateria, no sentido em que a matéria orgânica é armazenada e depois reciclada e libertada sob a forma de nutrientes. Isto alimenta as algas e, por conseguinte, sustenta a rede alimentar nos sistemas marinhos”, disse Danielle Green.
O nosso estudo demonstra o potencial que os microplásticos têm para afetar o funcionamento e a estrutura de alguns habitats marinhos ao reduzir os nutrientes na água e mudar os tipos de animais que lá vivem.
"Algumas zonas costeiras extremamente contaminadas, como em redor de algumas partes da Coreia do Sul, registam concentrações muito superiores de microplásticos do que as usadas nesta experiência, por isso os nossos resultados são tanto realistas como significativos. É razoável predizer-se que podem ser possíveis efeitos em cascata mais vastos nos ecossistemas num futuro não muito distante.

A proibição recentemente proposta [no Reino Unido] das micropartículas de plástico nos cosméticos é um grande começo, mas os microplásticos na forma de fibras da roupa sintética e de partículas que se decompuseram de resíduos maiores ainda se estão a acumular no ambiente e requerem mais investigação e ação para deter o seu fluxo para os habitats marinhos.”

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