O leopardo-das-neves, uma espécie considerada “em perigo” desde 1972, foi reclassificado como “vulnerável” pela UICN.

Leopardo-das-neves

O leopardo-das-neves, uma espécie considerada “em perigo” desde 1972, foi reclassificado como “vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). A reclassificação foi anunciada no dia 14 de setembro e surge no seguimento de uma avaliação de três anos que determinou que já não existem menos de 2500 destes animais na natureza e que os seus números já não estão a sofrer um declínio acentuado – os dois critérios para serem considerados “em perigo”.

As estimativas dos especialistas apontam agora para a existência de cerca de 4000 leopardos-das-neves em estado selvagem, podendo os seus números chegar aos 10 000 animais.

No entanto, isto não significa que já estejam livres de perigo. A caça furtiva para a obtenção da sua pele e ossos e a perda de presas continuam a ameaçar a sobrevivência destes elusivos grandes felinos. “A espécie ainda enfrenta ‘um elevado risco de extinção na natureza’ e é provável que ainda esteja em declínio – só não ao ritmo que pensávamos”, explicou Tom McCarthy, do grupo de conservação Panthera.

A tarefa de avaliar o estado das populações destes grandes felinos, que vivem, principalmente, em montanhas, a mais de 3000 metros de altitude, não é fácil. “Envolve uma enorme quantidade de trabalho em algumas das regiões mais remotas e inóspitas do mundo”, disse Peter Zahler, da Wildlife Conservation Society.

As novas tecnologias, como as armadilhas fotográficas e as coleiras transmissoras, são uma grande ajuda neste trabalho e estão a “dar-nos melhores informações sobre onde os leopardos-das-neves estão e até onde vai a sua área de distribuição”, explicou o investigador.

Entre os desenvolvimentos positivos que têm ajudado na recuperação das populações destes animais, contam-se o aumento do número de áreas protegidas, os esforços das comunidades locais para proteger os animais dos caçadores furtivos e a construção de currais para o gado à prova de predadores. Mas ainda há muito trabalho a fazer.

“Dizer-se que os leopardos-das-neves estão agora ‘vulneráveis’ em vez de ‘em perigo’ não significa que estão fora de perigo”, afirmou Peter Zahler. “Não é preciso muito para fazer com que os grandes predadores desapareçam das paisagens. Vimo-lo acontecer vezes sem conta em todo o mundo.”


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