Graças a um programa de conservação e a um novo parque nacional, os leopardos-das-neves parecem estar a prosperar em Wakhan, no Afeganistão.

Leopardo-das-neves

O s leopardos-das-neves vivem nas regiões montanhosas de uma dezena de países da Ásia Central e do Sul da Ásia, mas, nas últimas décadas, a sua população tem vindo a diminuir, vítima dos caçadores que cobiçam as suas peles, ossos e outras partes corporais – usadas na medicina chinesa – e dos agricultores que veem nestes animais uma ameaça para o seu gado. A espécie foi classificada como “ameaçada” pela UICN.

Mas nem tudo são más notícias. Graças a um programa de sete anos e a um novo parque nacional, estes leopardos parecem estar a prosperar em Wakhan, no Afeganistão.
O Parque Nacional de Wakhan, que se estende ao longo de um milhão de hectares quadrados, foi inaugurado em 2014 e será, atualmente, lar de até 140 destes grandes felinos, segundo as estimativas dos cientistas. Stephane Ostrowski, especialista da Wildlife Conservation Society, considera este número saudável e sustentável e vê nele um fator demonstrativo da igual prosperidade de outras espécies, como a cabra íbex siberiana e a marmota de cauda comprida – as principais presas do leopardo.

Uma das medidas que os programas de conservação têm vindo a adotar é a construção de currais cercados com telhados de malha para proteger as ovelhas, cabras e vacas, das quais depende a subsistência da população local, nesta que é uma das regiões mais pobres de um dos países mais pobres do mundo.

Um decreto presidencial proibiu a caça de leopardos no país há mais de 10 anos, mas a caça furtiva continua a verificar-se: os cientistas depararam-se com uma carcaça com uma bala na cabeça e, nos mercados da capital afegã, Cabul, não é impossível encontrar à venda uma pele destes animais, que pode custar 1600€. “Recebemos relatórios de todas as províncias, onde a caça ilegal continua, seja devido à pobreza, por se tratar de um hobby ou para vender a pele a preços elevados no mercado”, declarou Mostapha Zaher, diretor geral da Agência Nacional de Proteção do Ambiente.

Mesmo assim, o trabalho de investigação de Stephane Ostrowski e de outros cientistas revelou que os números globais de leopardos-das-neves poderão ser bastante mais elevados do que as anteriores estimativas mais otimistas, que os colocavam nos 7500 espécimes. Segundo os dados que recolheram, poderão existir mais de 8000 destes felinos em apenas 44% da sua área de distribuição.

Os cientistas descobriram que estes animais gostam de percorrer grandes distâncias e que não se importam de ficar molhados. “Estes felinos conseguem atravessar rios grandes e nadar em águas extremamente frias”, contou Stephane à AP. Uma fêmea, por exemplo, atravessou o rio Amudária até ao Tajiquistão; permaneceu no país algumas semanas e depois regressou ao Afeganistão.

Embora só viajantes intrépidos se aventurem a visitar esta região remota e de difícil acesso, o turismo é precisamente uma das esperanças manifestadas por alguns residentes locais, entre os quais Simah, estudante do secundário de 17 anos. “Desde que a proibição foi introduzida, os números de animais selvagens têm aumentado por cá e isso está a atrair turistas estrangeiros, disse. ”Isso pode ser bom para a economia do Afeganistão.”

No parque nacional de Wakhan não há só leopardos-das-neves para ver – aliás, uma ocorrência rara face ao caráter esquivo destes felinos. Também há lobos, ursos-pardos, raposas vermelhas, carneiros de Marco Polo, entre outros animais.
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