Segundo um novo estudo, o leão africano e o leopardo-nebuloso-do-Bornéu podem ser os próximos grandes felinos na lista de extinções.

Leão

Os grandes felinos que ficaram extintos no final da última glaciação, como o famoso tigre-dentes-de-sabre, são aqueles que perderam a maior percentagem das suas presas naturais, afirmou uma equipa internacional de cientistas. Segundo eles, o leão africano e o leopardo-nebuloso-do-Bornéu poderão ser os próximos nesta lista de extinções.

“[O nosso] estudo conjunto mostra claramente que, se as presas primárias dos grandes felinos continuarem a sofrer um declínio a um ritmo de tal forma acelerado, então os grandes felinos, incluindo o leão, o leopardo-nebuloso-do-Bornéu, o tigre e a chita estão expostos a um elevado risco de extinção”, declarou Chris Sandom, investigador da Universidade de Sussex.

“Onde, hoje em dia, apenas o lince-euroasiático representa os felinos de maior dimensão na Europa ocidental, os nossos cálculos sugerem que haveria pelo menos mais três grandes felinos, se as suas presas tivessem sobrevivido para os alimentar”, disse Dawn Burnham, investigadora da Unidade de Investigação para a Conservação da Vida Selvagem (WildCRU) da Universidade de Oxford.

Para o trabalho, a equipa de cientistas quis saber se as tendências de extinção da última glaciação poderiam ser aplicadas às populações das atuais espécies de grandes felinos. Os cientistas investigaram a causa de extinção de sete felinos na última glaciação – o leão-americano, o leão-das-cavernas, a chita americana e quatro tipos diferentes de felinos de dentes-de-sabre – e descobriram que, se estes animais estivessem vivos hoje em dia, em média, apenas 25% das espécies das suas presas naturais ainda existiriam nas suas áreas de distribuição. A maioria destas presas ficou extinta devido, em parte, a atividades humanas.

Leopardo-nebuloso
Leopardo-nebuloso-do-Bornéu (Neofelis diardi) | Foto: Spencer Wright

Os investigadores acreditam que a perda de espécies de presas foi um importante factor que contribuiu para a extinção destes felinos.

De seguida, a equipa apurou se um declínio semelhante na disponibilidade de presas poderia levar à extinção de alguns dos grandes felinos mais emblemáticos do mundo. Os investigadores descobriram que, se todas as espécies de presas que estão atualmente ameaçadas ou em declínio dentro das áreas de distribuição dos grandes felinos ficassem extintas, apenas restariam 39% das presas do leão africano e 37% das do leopardo-nebuloso-do-Bornéu.

Se esta tendência de perda continuar, os cientistas acreditam que haverá um “elevado risco de extinção” para estas duas espécies em particular. A falta de diversidade de presas nas áreas de distribuição do tigre, leopardo e chita também coloca estes felinos em risco.

“O aforismo churchiliano que diz que aqueles que não aprendem com a história estão condenados a repeti-la veio penosamente à ideia quando vimos o número de presas dos leões na África Oriental e dos leopardos-nebulosos na região indo-malaia que parecem estar prestes a seguir o mesmo caminho dos seus congéneres de outras regiões”, disse o professor David Macdonald, diretor da WildCRU.

A extinção e vulnerabilidade das espécies de presas colocam em “sério risco” os grandes felinos que se alimentam delas, reitera Chris Sandom, acrescentando que existe uma “urgente necessidade de que os governadores protejam tanto as espécies de grandes felinos como as suas presas”.

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