Leila é uma “biblioteca de coisas” em Berlim, fundada por Nikolai Wolfert, onde os produtos não são vendidos mas sim emprestados.



Leila é uma pequena loja em Berlim, fundada em 2012, que funciona como uma “biblioteca de coisas”. O seu nome surge da junção de duas palavras alemãs – “leihen” (emprestar) e “Laden” (loja) – e, fiel a ele, a loja não vende os seus artigos: empresta-os.

Quem se quiser tornar membro só precisa de doar um artigo que já não utilize ou precise e, em troca, poderá levar emprestados os milhares de objetos que Leila disponibiliza.
“Tentamos evitar que os recursos acabem no lixo porque as pessoas que já não precisam das suas coisas trazem-nas para a loja e nós podemos então emprestá-las de graça”, explica Nikolai Wolfert, um dos cofundadores do projeto.

O inventário de Leila inclui um pouco de tudo, desde ferramentas, pequenos eletrodomésticos, carrinhos para bebé, equipamento de campismo, livros, jogos e brinquedos, passando por instrumentos musicais, barcos insufláveis e até mesmo monociclos e máquinas de fumo. Os artigos mais requisitados, no entanto, são os berbequins (furadeiras, no Brasil).

“Um berbequim só é usado, em média, durante 13 minutos em toda a sua vida útil – como se justifica comprar algo assim? É muito mais eficiente partilhá-lo”, diz Nikolai. “As coisas mais importantes na vida não são coisas. Temos de compreender que não queremos um berbequim, só queremos um buraco na parede. Temos de mudar a nossa forma de pensar para um estilo de vida mais pós-materialista.”





A “loja” sem fins lucrativos é gerida por voluntários e pretende lutar contra o desperdício, promovendo, ao mesmo tempo, a “economia de partilha”. Em vez de ficarem em casa esquecidos durante anos a fio, os eletrodomésticos e outros objetos, muito dos quais de utilização ocasional, são trocados entre vizinhos que partilham assim a utilidade destes produtos.

“As pessoas começam a encontrar formas de viver e consumir em conjunto e eu acho que isso é um desenvolvimento positivo”, conta o cofundador de Leila. “É só uma solução, no entanto. Precisamos de mais ideias sustentáveis e de carácter social (…) Temos de chamar a atenção para os recursos e o consumo.”



A ideia de criar Leila surgiu em 2011, na sequência da derrota do Partido Verde nas eleições de Berlim. Nikolai Wolfert decidiu começar a procurar formas de fazer política a um nível mais local. “Abrir uma loja nunca foi um dos meus objetivos na vida”, conta. “Sempre quis fazer algo a nível político. A economia da partilha é uma boa ideia, mas não deveríamos permitir que se reduza apenas à economia.”

A renda de Leila é paga, quase na sua totalidade, por donativos. Quando Nikolai teve a ideia do projeto e contactou o município para conseguir apoios, não recebeu qualquer resposta.



Desde a sua criação, Leila tem inspirado outros projetos no país e até na Áustria. No distrito de Neukölln, em Berlim, por exemplo, o projeto Trial & Error organiza trocas de material para atividades artísticas e artigos de moda. A empresa Deutsche Telekom ajudou a criar uma rede social (wir.de) para a troca de ferramentas e serviços.

“Isto é tudo possível porque vivemos numa sociedade onde existem demasiadas coisas”, diz outro dos cofundadores de Leila, Jacob Heiden. “Todas as casas têm coisas a mais. É preciso considerar-se aquilo de que se necessita diária e semanalmente e aquilo que só é necessário por um curto período de tempo.”

Inka, uma das “clientes” habituais da loja, responde com prontidão, quando questionada sobre o que a levou a participar no projeto: “Faz todo o sentido, para mim, porque poupo dinheiro e nunca tenho de deitar coisas fora.”




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