Conheça dois projetos britânicos que combatem o desperdício alimentar.



Embora seja um dos países da Europa onde se desperdiça mais comida – cerca de 10 milhões de toneladas por ano –, há cada vez mais iniciativas, no Reino Unido, para combater o desperdício alimentar.

Uma delas, a FoodCycle, já conta com mais de 20 refeitórios espalhados pelo país que servem refeições vegetarianas semanais a milhares de pessoas, a maioria das quais em risco de isolamento social e de pobreza alimentar. São “convidados” frequentes da FoodCycle sem-abrigo, idosos, famílias de baixos rendimentos, pessoas com problemas de saúde mental, desempregados e refugiados.

A FoodCycle acredita que o desperdício e a pobreza alimentares não deveriam coexistir e a sua fórmula engloba 3 fases: os supermercados doam os excedentes alimentares, os parceiros locais cedem o espaço para a preparação da comida e os voluntários oferecem o seu tempo, recolhendo os alimentos e cozinhando as refeições.



Segundo Anne Engel, uma das voluntárias do refeitório de Hackney, as doações mais generosas provêm dos vendedores de nacionalidade turca de frutas e legumes da zona e não das grandes superfícies comerciais. Nesse dia, Anne leva consigo, para a cozinha, alimentos doados – como mangas e hortelã –, que, de outra forma, teriam como destino o caixote do lixo. “Damos-lhes a comer todo o tipo de coisas diferentes e maravilhosas”, disse. O menu do dia será sopa, frittata e salada de frutas.

“É uma questão de mudar as atitudes em relação à comida”, explica. “Chegam-nos muitos voluntários que se mostram muito receosos em relação à comida fora do prazo de validade.”





A FoodCycle estima que, desde a sua criação em 2009, tenha evitado o desperdício de 178 000 kg de excedentes alimentares, transformados em 150 mil refeições que já fizeram a diferença para muitas famílias.
“É muito importante”, disse um dos “clientes” da FoodCycle. “Uma refeição aqui significa que há mais comida em casa para as crianças.”

“Ajuda financeiramente, mas também há o lado social”, lê-se noutro testemunho. “Há muitas pessoas que vivem sozinhas e é agradável sentarmo-nos à mesa [com mais gente], a jantar.”



Outro projeto britânico para reduzir o desperdício alimentar é a SpareFruit, criada por um antigo voluntário da FoodCycle, Ben Whitehead. Ben afirma ter evitado que 15 toneladas de fruta fossem parar ao lixo desde a sua primeira visita ao mercado local para pedir excedentes de alimentos. “Ofereceram-me 12 caixas cheias de ananases fantásticos”, disse à AFP. “Eu tinha ido de bicicleta! Por isso eles olharam para mim e riram-se.”

Depois de várias experiências com as frutas consideradas feias ou insuficientemente “perfeitas” para o consumidor final, Ben Whitehead criou, em 2015, a empresa SpareFruit, que desidrata maçãs e pêras para fazer snacks. “Se passar nos pomares vai ver um tapete de fruta. Alguma dela não comeríamos, mas eu diria que 90% dessa fruta está perfeitamente apta para consumo”, afirmou.

O aparecimento destes e outros projetos mostra como as atitudes da população britânica têm vindo a mudar em relação aos alimentos desperdiçados, algo que, aliás, o criador da SpareFruit descobriu quando perguntou aos consumidores se comeriam um produto que, de outra forma, acabaria no lixo. “A resposta de todos foi: ‘Desde que esteja limpo, seja saudável e esteja apto ao consumo, porque não haveríamos de o fazer?'”



Estima-se que a União Europeia desperdice 88 milhões de toneladas de comida anualmente, mas já há países a tomar medidas para reduzir o desperdício que produzem. Em 2016, tanto a França como a Itália aprovaram leis que facilitam a doação do stock excedente dos supermercados e produtores.

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