Frank Kelly, professor do King’s College de Londres, avisa que podemos estar a inalar micropartículas de plástico.



Há cada vez mais microplásticos no mar, onde os animais marinhos os ingerem por os confundirem com comida, e os cientistas também alertam para a sua presença nos terrenos agrícolas, onde ainda se desconhecem as suas consequências. Segundo Frank Kelly, professor de saúde ambiental do King’s College de Londres, haverá mais motivos para preocupação: podemos estar a inalar estas partículas, avisa.

“Existe uma possibilidade, uma possibilidade genuína, de que algumas destas micropartículas sejam arrastadas para o ar e transportadas de um lado para o outro e que nós acabemos por as inalar”, disse.

Na sua opinião, o tamanho destas partículas possibilita a sua inalação e o facto de estarem cada vez mais presentes nos nossos ambientes faz com que esta hipótese deva ser considerada. Os microplásticos poderiam ser transferidos para a atmosfera através da secagem das lamas de ETAR, utilizadas como fertilizante nos solos agrícolas, explica o professor, acrescentando que um estudo francês detetou a presença das partículas no ar.

“Se as inalarmos, elas poderão trazer químicos para as partes inferiores dos nossos pulmões e talvez até para a nossa circulação”, afirmou, comparando este problema a “todas as outras emissões” de poluentes dos veículos. Os efeitos na saúde dos microplásticos, quer ingeridos quer inalados, só agora começam a ser estudados.

Segundo o Departamento do Ambiente, da Alimentação e dos Assuntos Rurais do Reino Unido, “mesmo para os consumidores de grandes quantidades de peixe ou marisco com a maior probabilidade de possuírem um grau relativamente elevado de contaminação por microplásticos marinhos, é provável que a exposição dietética às partículas de microplásticos seja relativamente baixa em comparação com a inalação de microplásticos”.



Todos os anos, 8 milhões de toneladas de plástico invadem os oceanos, dando origem a biliões de pedaços deste material a flutuar na superfície marinha e depositados no fundo do mar. Um único banho pode originar a entrada de 100 mil partículas de plástico no oceano, graças à utilização de produtos de higiene – como gel de banho, esfoliantes e pasta de dentes – com micropartículas de plástico, segundo relatórios do Comité para a Auditoria Ambiental do Reino Unido.

Estas micropartículas perfazem apenas uma pequena quantidade do total de detritos de plástico no mar, contudo ativistas de todo o mundo defendem que a sua presença nos ecossistemas marinhos poderia ser facilmente evitada com proibições decretadas pelos governos. Face a estes protestos, os EUA proibiram a utilização destas partículas em dezembro de 2015 e o Reino Unido decretou também a sua proibição, que entrará em vigor em 2018.

As micropartículas de plástico são ingeridas por criaturas marinhas, que as confundem com comida. Os pequenos fragmentos podem acumular toxinas da água marinha, que são posteriormente passadas pela cadeia alimentar, explica o The Guardian. De acordo com um estudo, uma pessoa que coma meia dúzia de ostras poderá estar a ingerir 50 micropartículas de plástico.
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