Até as montanhas remotas da Suíça estão poluídas com plástico, revela estudo

Até as montanhas remotas da Suíça estão poluídas com plástico, revela estudo

16 de Maio, 2018 0

Suíça

Uma equipa de cientistas descobriu que há microplásticos no solo da Suíça, mesmo em regiões montanhosas remotas, às quais só se chega a pé.

“Estas descobertas são alarmantes”, disse Michael Scheurer, investigador do Instituto de Geografia da Universidade de Berna e um dos autores do estudo. “Por exemplo, estudos novos indicam que os microplásticos no solo podem ser prejudiciais e até letais para as minhocas.”

Os investigadores analisaram amostras de solo de 29 planícies de inundação em reservas naturais suíças e descobriram microplásticos – fragmentos com menos de 5 mm de diâmetro – em 90% dos solos.

“Ficamos muito surpreendidos”, continuou Scheurer. “Todas as áreas ficavam dentro de parques nacionais. Achávamos que poderíamos encontrar uma ou duas partículas de plástico, mas encontrámos muitas.”


Pedaços de um balão – que se irá, eventualmente, fragmentar em partículas de plástico – descobertos em Vallée de Joux no Cantão de Vaud | Foto: Instituto de Geografia da Universidade de Berna

Achamos que [o plástico] tem de ser transportado pelo vento”, explicou Moritz Bigalke, coautor do estudo. “Não há outra explicação – não há povoações lá [nas montanhas], nem turismo.”

Como quase 100% do plástico utilizado no país é reciclado ou incinerado – a taxa mais elevada da Europa –, os investigadores acreditam que o problema poderá ser ainda pior em países com uma gestão de resíduos mais ineficaz.

Os estudos sobre a poluição por microplásticos têm-se focado maioritariamente nos oceanos, onde podem prejudicar a vida marinha e absorver toxinas da água. Contudo, esta poluição também está presente nos rios, lagos e até nos terrenos agrícolas.

Moritz Bigalke afirmou que se estima que a aplicação das lamas de depuração provenientes das estações de tratamento de águas residuais em terras agrícolas possa transportar para o solo um número de microplásticos superior ao que vai parar aos oceanos.

“É necessário investigar-se a forma como os microplásticos afetam a produção alimentar e se eles podem entrar na cadeia alimentar”, defendeu Bigalke.

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