Os fabricantes de cosméticos e artigos de cuidado pessoal já não podem adicionar micropartículas de plástico aos produtos no Reino Unido e no Canadá.



Os fabricantes de cosméticos e produtos de cuidado pessoal já não podem adicionar pequenas peças de plástico, conhecidas como “micropartículas”, aos seus produtos no Reino Unido e no Canadá, depois de as proibições anunciadas por ambos os países terem entrado em vigor no princípio de janeiro.

Numa primeira fase, foi proibido o fabrico de gel de duche, pasta de dentes, esfoliantes, entre outros produtos, com estas micropartículas, sendo que a proibição da sua venda entrará em vigor em julho.

Estima-se que existam cinco biliões de peças de plástico a flutuar nos oceanos. As micropartículas representam uma percentagem pequena mas importante destes plásticos, sendo uma forma de poluição fácil de prevenir.

As micropartículas de plástico que usamos nos nossos produtos e escorrem pelo ralo não podem ser filtradas pelas estações de tratamento de águas residuais, devido ao seu tamanho muito reduzido.

Consequentemente, vão parar aos rios, lagos e ao mar, onde são facilmente ingeridas por peixes e outros animais aquáticos, juntamente com as substâncias tóxicas que nelas se podem acumular, prejudicando a vida selvagem e entrando na cadeia alimentar.

“Se alguém comer seis ostras, é provável que tenha ingerido 50 partículas de microplástico”, avisou Mary Creagh, responsável do Comité para a Auditoria Ambiental do Reino Unido. Um relatório do mesmo comité também revelou que um só banho pode originar a entrada de 100 mil pequenas peças de plástico no oceano, graças à utilização de produtos de higiene com micropartículas deste material.

“As micropartículas persistem – as que se encontram nos nossos oceanos ficarão lá durante séculos”, explicou Tisha Brown, da Greenpeace.



“Os oceanos estão entre os nossos bens naturais mais valiosos e eu estou determinada a que ajamos agora para fazer frente ao plástico que devasta a nossa preciosa vida marinha”, disse a ministra britânica do Ambiente, Thérèse Coffey.
As micropartículas são totalmente desnecessárias, quando existem tantas alternativas naturais disponíveis, e eu congratulo-me com o facto de, a partir de hoje, os fabricantes de cosméticos não poderem adicionar este plástico prejudicial aos seus produtos”, declarou a ministra.

“Esperamos que esta proibição assinale o despertar de uma nova era na luta por oceanos mais limpos e saudáveis”, afirmou Dilyana Mihaylova, da Fauna & Flora International.

Contudo, existem produtos com micropartículas de plástico, como os detergentes, que não são abrangidos pelas novas proibições. “Existem imensos produtos que contêm ingredientes microplásticos que não estão incluídos na proibição, os quais continuarão a ser fabricados e vendidos. O próximo passo deveria ser considerar alargar-se o âmbito da proibição a mais produtos, como os protetores solares e maquilhagem de uso corrente.”

As micropartículas de plástico também já foram proibidas nos EUA e na Nova Zelândia.
Foto: MPCA/Flickr

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