Os cientistas estimaram que as baleias-de-bossa possam estar a ingerir mais de 300 mil microplásticos por dia.



No oceano, o zooplâncton está a ingerir partículas microscópicas de plástico e a passá-las, através da cadeia alimentar, para o salmão, para as baleias e outras espécies, a um ritmo “alarmante”, avisam os cientistas, num estudo publicado na revista Archives of Environmental Contamination and Toxicology.

A equipa estimou que um salmão adulto de regresso ao estreito de Georgia, no Canadá, possa estar a consumir até 91 partículas de plástico por dia e que as baleias-de-bossa possam estar a ingerir, diariamente, mais de 300 000 microplásticos.

“Estas partículas podem representar um sério risco de ferimentos para os animais marinhos que as consomem, podendo obstruir os seus intestinos ou libertar químicos para os seus corpos”, disse Peter Ross, coautor do estudo e investigador do Centro de Ciência Marinha do Aquário de Vancouver.

Os microplásticos são fragmentos, fibras e granulados de plástico de dimensões reduzidas, que vão parar aos oceanos através da lavagem de tecidos sintéticos, da fricção dos pneus dos automóveis durante a condução, da degradação de resíduos maiores deste material ou da utilização de cosméticos com micropartículas de plástico.


Peter Ross, coautor do estudo, no laboratório | Foto: Aquário de Vancouver

Estas partículas também já foram observadas no peixe e marisco consumidos pelo homem. Até ao final do século, as pessoas que comam regularmente espécies marinhas, como camarão, ostras e peixes, entre outras, poderão estar a consumir 780 000 pedaços de plástico por ano, avisaram os cientistas da Universidade de Ghent, na Bélgica.

Embora ainda não se conheça o efeito da sua ingestão na saúde humana, os cientistas têm sugerido que os fragmentos podem absorver e libertar poluentes, que se vão acumulando ao longo da cadeia alimentar.

“Estamos agora a começar realmente a perceber que o plástico se fragmenta em pequenas peças e só porque não o conseguimos ver não significa que não esteja a ter um impacto potencialmente enorme e negativo no ambiente marinho”, declarou Christianne Wilhelmson, diretora executiva da Georgia Strait Alliance.
“Isto demonstra até que ponto temos tratado os oceanos como uma lixeira e que isto está mesmo a regressar para nos assombrar”, defendeu.

“Reciclamos os plásticos para fazer casacos polares, mas estamos agora a aperceber-nos que esses casacos polares libertam fibras durante a lavagem e que essas fibras não estão a ser capturadas pelas estações de tratamento de águas residuais e que acabam no oceano como parte da poluição.”

1ª Foto: Baleia-de-bossa (Christopher Michel)

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