“Os praticantes de medicina chinesa têm a obrigação de corrigir conceitos inexatos sobre o uso de espécies selvagens na medicina tradicional.”

Urso-negro-asiático em cativeiro numa jaula de dimensões reduzidas para a extração da bílis

Os médicos praticantes de medicina tradicional chinesa (MTC) na Malásia e a TRAFFIC, a rede de monitorização do comércio da vida selvagem, juntaram-se para encontrar soluções de forma a reduzir o uso de espécies de fauna e flora selvagem ameaçadas nos medicamentos tradicionais.

Durante a conferência “Alternativamente Eficaz”, a Federação das Associações de Médicos Chineses e Distribuidores de Medicamentos da Malásia e a TRAFFIC apresentaram substitutos para as espécies usadas e debateram as ameaças causadas pela procura de medicamentos feitos à base destas espécies.

Os participantes foram convidados a assinar uma declaração através da qual se comprometiam a utilizar apenas ingredientes de fontes lícitas, apoiar os esforços para reduzir a procura de medicamentos feitos com espécies ameaçadas e usar exclusivamente recursos selvagens permitidos pelas leis do país. No total, 46 médicos assinaram este compromisso.

“Esta comunidade de praticantes e médicos tem um papel crítico no fornecimento e distribuição de plantas e animais selvagens para os medicamentos. Um compromisso para utilizar apenas recursos da vida selvagem legais e sensibilizar os seus clientes para as alternativas sustentáveis ajudará a reduzir a tremenda pressão sobre os ursos e muitos outros animais selvagens procurados como curas, disse Lalita Gomez da TRAFFIC.

Um dos grandes focos do debate foi a utilização corrente de bílis e vesícula biliar de urso pela indústria de MTC e a ameaça que representa para as populações de ursos selvagens na Ásia. Os ursos são mantidos em jaulas de dimensões reduzidas, durante toda a sua vida, para que lhes seja retirada bílis, que é usada na produção de medicamentos.

Bílis de urso à venda
Bílis de urso à venda | Foto: TRAFFIC

“É a responsabilidade de cada um de nós estimar e proteger os recursos naturais. Os praticantes de medicina chinesa e os comerciantes devem escolher medicamentos produzidos legitimamente, prestar atenção ao conteúdo dos produtos, não comprar ingredientes medicinais de proveniência desconhecida e resistir de forma consciente aos artigos ilegais”, defendeu o presidente da Federação, Ting Ka Hua, que assinou o compromisso.

“Os praticantes de medicina chinesa têm a obrigação de corrigir conceitos infundamentados e inexatos sobre o uso de espécies selvagens na medicina tradicional”, disse.

Como várias inspeções e análises anteriores demonstraram, é fácil encontrar-se bílis e vesícula biliar de urso nas lojas de MTC da Malásia, um país que é um importante produtor e consumidor de partes e derivados de urso.

“A comunidade de praticantes e utilizadores de MTC na Malásia pode ser um dos aliados mais fortes para se acabar com o comércio ilegal de vida selvagem e estamos muito satisfeitos com esta parceria com a maior comunidade de MTC da Malásia”, declarou Kanitha Krishnasamy da TRAFFIC. “As boas notícias são que há substitutos eficazes para os produtos à base de urso disponíveis e a serem usados em todo o mundo e é importante que a comunidade malaia conheça estas alternativas e trabalhe no sentido de as incorporar.”

Para ajudar a que isto aconteça, a Federação tem distribuído informação sobre as espécies de flora e fauna selvagem ameaçadas pela procura de medicamentos tradicionais às associações de praticantes de MTC.
Foto: Animals Asia


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