As abelhas rainhas e operárias expostas aos pesticidas neonicotinóides morrem mais cedo, revela um novo estudo.

abelha

As abelhas-rainhas e obreiras expostas a pesticidas neonicotinóides morrem mais cedo, o que afeta a saúde de toda a colmeia, concluiu um estudo realizado por biólogos da Universidade de Iorque.

Os investigadores ficaram surpreendidos ao descobrir que o pólen contaminado por neonicotinóides recolhido pelas abelhas provinha não de culturas resultantes da germinação de sementes tratadas com estes inseticidas, mas de plantas silvestres das áreas adjacentes a estas culturas.

“Isto indica que os neonicotinóides, que são solúveis em água, transbordam dos campos para o ambiente circundante, indo parar a outras plantas que são muito atrativas para as abelhas”, disse Nadia Tsvetkov, investigadora que liderou o estudo.

Embora vários estudos tenham vindo a ligar estes inseticidas a efeitos negativos na saúde e comportamento das abelhas, alguns cientistas criticam estes trabalhos, sugerindo que as abelhas estudadas tinham estado expostas a doses elevadas de pesticidas durante muito mais tempo do que o que seria registado realisticamente nos campos.

Abelha recolhe néctar numa flor

A equipa de investigação estudou os enxames de abelhas de cinco apiários perto de culturas de milho de sementes tratadas com neonicotinóides e de seis apiários longe de zonas agrícolas. “Os enxames de abelhas perto do milho estiveram expostos a neonicotinóides durante três a quatro meses”, explicou a investigadora.

Descobriram que o pólen contaminado por neonicotinóides que as abelhas recolheram não pertencia às culturas de milho ou soja da região (Ontário e Quebeque).

Em seguida, os investigadores alimentaram os enxames com um suplemento de pólen artificial que continha quantidades cada vez menores do neonicotinóide mais usado em Ontário, clotianidina, ao longo de um período de 12 semanas. A experiência reproduziu o que ocorreria naturalmente no campo.

As abelhas expostas ao pólen tratado durante os primeiros nove dias de vida tiveram a sua longevidade encurtada em 23%. Os enxames expostos a pólen tratado foram incapazes de manter uma abelha-mestra saudável e apresentaram fracas condições de higiene.

“Descobrimos que a exposição realista aos neonicotinóides perto dos campos de milho reduz a saúde das colmeias de abelhas”, declarou Tsvetkov.

Os biólogos fizeram outra descoberta preocupante: os "níveis realistas de um fungicida podem tornar os neonicotinóides duas vezes mais tóxicos para as abelhas".

“O efeito dos neonicotinóides nas abelhas passa rapidamente de mau a pior, quando se junta o fungicida boscalide à mistura”, disse Valérie Fournier, professora da Universidade de Laval, que colaborou no estudo publicado na prestigiada revista cientifica Science.

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