Os inseticidas neonicotinóides poderão ser proibidos na UE, se as propostas da Comissão Europeia forem aprovadas.



Os insecticidas mais usados no mundo poderão ser proibidos na UE, se as propostas da Comissão Europeia, às quais o jornal britânico The Guardian teve acesso, forem votadas favoravelmente pela maioria dos Estados-membros. Os documentos mencionam “riscos agudos para as abelhas” e a proibição poderá entrar em vigor ainda este ano.
As abelhas e os outros polinizadores são responsáveis pela polinização e fertilização de três quartos das colheitas agrícolas do mundo e as suas populações têm sofrido um declínio acentuado nas últimas décadas, devido à perda de habitat, doenças e utilização de pesticidas.

Os inseticidas em questão, os neonicotinóides, são usados há mais de 20 anos e são muito tóxicos para as abelhas.

As propostas da Comissão Europeia (CE), que poderão ser votadas já em maio, foram baseadas nas avaliações de risco da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, publicadas em 2016, e contemplam a proibição da utilização de três neonicotinóides – imidacloprida, clotianidina e tiametoxam – nos campos, com uma exceção aberta para as plantas cultivas em estufas.

“A quantidade de provas científicas sobre a toxicidade destes inseticidas é tão elevada que não existe nenhuma razão para estes químicos continuarem à venda no mercado”, disse Martin Dermine da PAN Europe. “A PAN Europe lutará, juntamente com os seus parceiros, de forma a obter o apoio da maioria dos Estados-membros para esta proposta.”




Para Matt Shardlow, diretor executivo da organização Buglife, estas propostas são bem-vindas. “A EFSA confirmou mais de 70 riscos elevados nas sementes tratadas com neonicotinóides.”

Um relatório recente realizado por peritos da ONU considerou um “mito” a ideia de que os pesticidas são necessários para alimentar o mundo e preconizou a criação de um novo tratado global para controlar a sua utilização. “Dado o fracasso da indústria de pesticidas em fazer face, ou mesmo reconhecer, o desastre ecológico causado pelos pesticidas neonicotinóides, concordamos que existe uma necessidade premente de uma nova convenção mundial”, disse Matt Shardlow.



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