O uso de neonicotinóides é tão generalizado que se descobriu que, em algumas regiões, a água potável também contém estas substâncias.



Os neonicotinóides são pesticidas amplamente utilizados em todo o mundo e vários estudos têm vindo a associá-los ao declínio das populações de abelhas e a detetá-los em rios e ribeiros. Outros trabalhos de investigação têm sugerido que a exposição crónica a estes inseticidas pode causar problemas neurológicos e de desenvolvimento a outros animais.

O uso destes pesticidas é tão generalizado que os investigadores descobriram que, em algumas regiões, a água potável também contém estas substâncias.

Depois de terem descoberto neonicotinóides nas águas superficiais de regiões de agricultura intensiva nos EUA, Gregory LeFevre, David Cwiertny e os seus colegas quiseram investigar o destino destes compostos, já que esta água, depois de tratada, acaba nas torneiras da população local.

“Apresentamos, pela primeira vez, a presença de três neonicotinóides na água destinada ao consumo humano e demonstramos a sua persistência geral durante o tratamento convencional da água”, escreveram os investigadores no estudo publicado na revista científica Environmental Science & Technology Letters.

A equipa de investigação testou os diferentes sistemas de tratamento da água. O sistema de filtração rápida em areia usado para o abastecimento da Universidade de Iowa apenas reduziu os neonicotinóides clotianidina, imidacloprida e tiametoxam em cerca de 1%, 8% e 44%, respetivamente. As amostras de água desta estação de tratamento continham entre 0,24 e 57,3 nanogramas por litro dos neonicotinóides individuais.

Por outro lado, as concentrações dos inseticidas verificadas na água tratada pela estação de tratamento da cidade de Iowa, que usa filtros de carvão ativado granular (CAG), foram consideravelmente inferiores, tendo-se removido 100%, 94% e 85% das mesmas substâncias, respetivamente.

Segundo os investigadores, não existem limites regulamentares para estas substâncias, uma vez que ainda se está a investigar se elas afetam a saúde humana e de que forma o fazem.
Os autores do estudo defendem a necessidade de se realizarem mais estudos para descobrir se a exposição crónica a níveis baixos de neonicotinóides poderá ser prejudicial.

“O nosso trabalho oferece um ponto de vista novo sobre a persistência dos neonicotinóides e o seu potencial de transformação durante o tratamento e a distribuição da água, ao mesmo tempo que identifica o CAG como uma ferramenta de gestão suscetível de se mostrar eficaz na redução das concentrações de neonicotinóides na água destinada ao consumo humano”, escreveram os investigadores.

Subscrever a Newsletter

Partilha:

0 comentários. Diz-nos o que pensas

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.