Os moradores das cidades e vilas podem ter um papel muito importante na proteção dos insetos polinizadores, dizem os cientistas.

Abelha

Os moradores das cidades e vilas podem desempenhar um papel muito importante na proteção dos insetos polinizadores, garantindo que estes sobrevivem e prosperam à sua volta, disse uma equipa de cientistas das Universidades de Northampton e de Plymouth.
A natureza das cidades está a mudar e, com o declínio que se tem verificado nas populações globais de abelhas e borboletas, estes espaços urbanos contêm, muitas vezes, populações de abelhas mais diversas e numerosas do que as paisagens rurais vizinhas.

Num estudo, publicado na revista científica Conservation Biology, os investigadores explicam que os novos trabalhos de investigação sobre a ecologia urbana estão a alterar, a nível global, a forma como encaramos a importância ecológica e biológica das cidades e defendem que as políticas de urbanismo precisam de acompanhar esta nova perspectiva.

“Os habitats urbanos têm tradicionalmente sido negligenciados pelos ecólogos e pelos conservacionistas com interesse em polinizadores. Contudo, estudos recentes têm demonstrado, a nível mundial, que as cidades podem sustentar grandes comunidades diversificadas de abelhas e de outros insetos que desempenham um papel importante na polinização das culturas”, declarou Jeff Ollerton, coautor do estudo e professor de biodiversidade da Universidade de Northampton.

Mick Harley, outro dos autores do relatório, da Universidade de Plymouth, salienta o crescente reconhecimento do papel das hortas e jardins urbanos na preservação da biodiversidade. “Ao cultivarem uma variedade de plantas de todo o mundo, os jardineiros podem desempenhar um papel importante, já que asseguram que um conjunto de fontes de alimento está disponível para muitos polinizadores diferentes.” Na sua opinião, estas teorias podem ser aplicadas globalmente, para benefício das pessoas e comunidades em todo o mundo.


Abelha e borboleta


Segundo os autores do estudo, a diversidade dos moradores das cidades cria diversidade de preferências estéticas paisagísticas, o que se traduz na variedade de plantas melíferas cultivadas – plantas estas que sustentam populações diversificadas de abelhas. E, dado que as abelhas nativas podem viver toda a sua vida em espaços relativamente pequenos, a conservação urbana de insetos polinizadores torna-se acessível, já que pequenas ações podem produzir grandes benefícios para estes animais.

Outros trabalhos recentes têm demonstrado que cuidar das populações de abelhas selvagens em áreas urbanas também impulsiona a diversidade e abundância das espécies nos terrenos agrícolas próximos. Deste modo, os benefícios do trabalho de conservação alargam-se tanto às zonas urbanas como rurais.

“Uma vez que os agricultores de todo o mundo e a segurança alimentar dependem das abelhas e de outros polinizadores, cuidar das populações de polinizadores urbanos é importante”, dizem os autores do relatório. “A crise global de polinizadores é um problema ambiental que cada residente urbano pode ajudar a remediar. Não há necessidade de arranjar uma colmeia, algo que pode aumentar a competição por recursos com as abelhas nativas.
Plante, simplesmente, flores mais variadas de tamanhos diferentes, deixe as preciosas “ervas daninhas” crescer mais uma semana ou duas antes de as cortar do seu relvado, deixe alguma terra sem cobertura vegetal para as [abelhas] solitárias que fazem ninhos no solo, aprenda a apreciar a estética dos quintais de outras pessoas que plantam para as abelhas, e, então, veja os polinizadores urbanos florescer.
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