Desde 1990, desapareceram cerca de 970 milhões de borboletas-monarca, segundo estatísticas do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA.

Borboleta-monarca

Desapareceram, desde 1990, quase mil milhões de borboletas-monarca, segundo estatísticas do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA. A perda de habitat – especialmente de asclépias, as plantas que servem de alimento a estas borboletas e de abrigo para as suas lagartas –, devido ao aumento da utilização de culturas geneticamente modificadas e de herbicidas, é um factor importante que tem influenciado o seu declínio. Outras causas incluem o uso generalizado de inseticidas neonicotinóides, doenças e a destruição do habitat onde as borboletas-monarca passam o Inverno.

A estas estatísticas, juntam-se as de um relatório de junho de 2016 da Xerces Society que comparou o número médio de borboletas que passaram o Inverno na Califórnia, durante os períodos de 1997-2001 e de 2010-2014, e descobriu um declínio de 74%.

Em dezembro de 2015, cientistas mexicanos revelaram outros dados alarmantes, desta vez relativos a um importante santuário de borboletas-monarca. Segundo um estudo realizado na Reserva de Biosfera da Borboleta-Monarca, em 2014-2015, pelo Instituto de Biologia da Universidade Nacional Autónoma do México, 20 hectares deste refúgio ficaram degradados graças à desflorestação causada pelo abate de árvores ilegal e um outro hectare devido a um cocktail de “seca, pragas, relâmpagos e derrocadas”. Isto significa que um considerável número destes polinizadores, na sua viagem pelo Canadá, Estados Unidos e de regresso ao México, não terão para onde voltar.

“Há anos que a maioria das comunidades locais no núcleo da Reserva de Biosfera da Borboleta-Monarca tem demonstrado o seu compromisso para preservar as suas florestas, ao participar no Fundo Monarca, reduzindo a desflorestação para quase zero em 2011. Infelizmente, nos últimos 3 anos, o abate de árvores ilegal tem sido documentado na mesma comunidade de San Felipe de los Alzati”, explicou o diretor-geral da WWF no México, Omar Vidal.

“É essencial que as autoridades aumentem a vigilância na área e que continuem o seu diálogo com a comunidade de San Felipe de los Alzati para travar a degradação das florestas imediatamente”, declarou Victor Cordero, diretor do Instituto de Biologia da Universidade. Recentemente, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem (Fish and Wildlife Service – FWS) dos Estados Unidos declarou oficialmente extintas duas espécies de borboletas, que não eram observadas desde 2000 e 2004, respetivamente. As populações de outros polinizadores, como escaravelhos e, principalmente, abelhas, também têm diminuído significativamente, sendo o uso generalizado de pesticidas uma das causas apontadas para este fenómeno.
Em parceira com duas organizações de conservação, o FWS planeia plantar asclépias por todo o país de modo a salvar o maior número possível de borboletas-monarca, conta o Washington Post. A agência financiará ainda projetos de conservação e disponibilizará sementes de asclépia a qualquer pessoa disposta a plantá-las, mesmo em espaços públicos, como bermas da estrada, parques, florestas, entre outros lugares.
A responsabilidade dos agricultores pelo declínio destes insetos é, na opinião do diretor do FWS, Dan Ashe, apenas parcial. “Fomos todos responsáveis. Nós somos os consumidores dos produtos agrícolas. (…) Os agricultores não são o inimigo. Poderão ser parte da solução? Sim, defende.
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