As escolas estão a descobrir que pôr os alunos a cultivar os seus legumes tem diversos benefícios para a saúde e para a aprendizagem.



Há escolas que estão a descobrir que pôr os alunos a semear e a cuidar dos seus próprios vegetais não só promove uma alimentação mais saudável e a atividade física como também oferece oportunidades de aprendizagem únicas.

Como convencer as crianças a comer mais legumes? Esta pergunta passa várias vezes pela cabeça de pais e de educadores. Algumas escolas estão a abordar este problema de uma forma mais proactiva: descobriram que pôr os alunos a cultivar os seus próprios legumes pode fazer toda a diferença. “Tivemos um grupo de crianças que estava muito animado por ir comer couves-de-bruxelas porque tinham sido elas a colhê-las”, conta Helen Carvall, diretora da Escola Primária de Rockmount, em Londres. “Também colheram muitas acelgas e fizeram posters que diziam ‘Gloriosa Acelga!’, que afixaram na sala de refeições. E encorajavam as outras crianças, dizendo: ‘Comam isto! Fomos nós que o plantámos!”

Com a ajuda da Trees for Cities, uma entidade ambiental independente de caridade social, a escola transformou um jardim pouco usado numa horta escolar com ruibarbo, frutos vermelhos, feijões, cebolas, acelgas, batatas e maçãs.

Os “recreios comestíveis” oferecem às crianças lições sobre nutrição, promovem a atividade física e são também uma fonte de frutas e vegetais frescos nos “desertos de comida”, zonas onde é difícil encontrar estes produtos a preços acessíveis, explica o The Guardian. Em Bronx, Nova Iorque, “é mais fácil conseguir-se uma bebida alcoólica do que uma alface”, disse Stephen Ritz, cujo projeto Green Bronx Machine se tem difundido por outras escolas dos EUA, para além da sua. Os seus alunos já cultivaram 16 000 kg de vegetais.

“É preciso começar-se em pequena escala”, avisa. “Comece pequeno e celebre com frequência. Deixe os miúdos assumirem o comando, ou pelo menos deixe-os pensar que o fazem. Seja um ditador benévolo. Plante as coisas de que eles gostam ou as coisas que são importantes para os pais e os avós deles. Faça perguntas. Inicie o debate.”
Para o sucesso dos projetos, é igualmente importante que os professores aprendam a integrar a horta nas suas lições de forma bem estruturada e envolver o resto dos funcionários.

“Uma horta pode obviamente ser usada para lições sobre alimentação saudável, sobre como cultivar alimentos e por aí em diante”, disse Kate Sheldon da Trees for Cities, explicando que as possibilidades não se ficam exclusivamente por aqui. “Por exemplo, pode-se levar a matemática para o ar livre, para calcular as quantidades produzidas e as dimensões dos canteiros.”



Na sua escola, em Londres, Helen decidiu contratar um coordenador para supervisionar o projeto. A função do coordenador é gerir os canteiros e o calendário de plantações da época e trabalhar em parceria com os professores para os ajudar a planear lições que tiram proveito de todo o potencial do jardim.

“Fazemos coisas muito empolgantes, por isso requer bastante planeamento”, explicou Cassie Liversidge, coordenadora de pátios comestíveis em sete escolas. “Os professores nem sempre dispõem do tempo ou do conhecimento para planearem por eles próprios. Além disso, é uma ótima oportunidade para verem como os seus alunos trabalham. Ficam mesmo empenhados.”
As lições de Cassie não se limitam ao tópico da alimentação saudável, incluindo, por exemplo, sessões sobre a forma como o linho é utilizado para fabricar roupa ou até mesmo um projeto a longo prazo sobre o trigo que culminou com cada aluno a fazer o seu próprio pão.

Há quem vá um passo ainda mais longe. A Escola de St. Paul, igualmente em Londres, associou-se a um chef local que compra os excedentes do jardim e a Trees for Cities trabalha com a organização School Food Matters, que ajuda as escolas com quem coopera a levarem os seus produtos hortícolas para o mercado.

Helen Carvall planeia, à medida que a horta da escola vá crescendo, envolver os pais e outros membros da comunidade para que também eles deem uma mão e desfrutem do espaço. Entretanto, está a trabalhar em conjunto com as famílias e o cattering da escola para garantir a difusão de um estilo de vida saudável tanto na escola como em casa. “Não é só um pequeno jardim decorativo no canto do recreio”, declarou. “É algo ativo, ali para ser usado. Tornou-se parte do etos; tem de se enquadrar na identidade da escola.”

Stephen Ritz defende que todo este trabalho produzirá resultados maiores do que frutas e legumes. As sementes representam o potencial genético e as crianças são as minhas sementes, brinca. “A minha colheita preferida são cidadãos de produção biológica.”



Fotos: Grow Your Own Food (1ª) | Edible Playgrounds (2ª) | The Borough Market (3ª)
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