O programa para capturar e salvar as últimas vaquitas marinhas sobreviventes foi suspenso, após a morte do exemplar capturado pela equipa.



O programa para capturar e salvar as últimas vaquitas marinhas sobreviventes no Golfo da Califórnia, no México, foi suspenso, depois de a vaquita fêmea encontrada pela equipa ter morrido seis horas após a sua captura. Durante horas, os veterinários lutaram para manter a toninha viva, sem sucesso.

Lorenzo Rojas, cientista que liderou este esforço, descreveu aquele que pode ser o último contacto estreito entre os seres humanos e o cetáceo criticamente ameaçado, do qual já só restarão menos de 30 exemplares na natureza. O cientista afirmou que duvida que, para o ano, ainda restem vaquitas suficientes para se tentar proceder de novo à sua captura.

“Ela estava a adaptar-se, mas numa questão de segundos algo se desencadeou no seu cérebro e ela começou simplesmente a nadar mais rápido, incrivelmente rápido, como se quisesse fugir de onde estava, sem nenhuma perceção do espaço onde se encontrava”, disse.

Segundo o plano estabelecido, a vaquita capturada tinha sido transportada para um curral flutuante no mar, onde se esperava que os animais se pudessem reproduzir sem perigo. No entanto, o animal não reagiu bem, dando mostras de stress.

“Os veterinários decidiram que era hora de a libertar. (...) Colocaram o animal frente ao mar aberto, e ela começou a nadar, mas nadava de uma forma muito estranha… e os veterinários decidiram trazê-la de volta para o barco”, contou Lorenzo Rojas. “Submeteram-na a ressuscitação cardiopulmonar durante três horas e tentaram mantê-la viva.”


Curral flutuante no mar para as vaquitas capturadas | Foto: Kerry Coughlin / National Marine Mammal Foundation

O animal morreu seis horas após a sua captura. Com tão poucas vaquitas restantes, a equipa decidiu suspender o programa.

O ministro do ambiente do México, Rafael Pacchiano, tentou ver a situação com otimismo, dizendo que têm sido avistados diversos grupos destes animais. “A conservação da vaquita continuará a ser uma prioridade”, partilhou no Twitter.

Lorenzo Rojas não se mostra tão confiante, dizendo que apesar dos esforços do país para proibir a utilização ilegal de redes de emalhar, a pesca ilegal continua a verificar-se. O cientista disse-se surpreendido por encontrar redes de emalhar novas que “tinham sido colocadas na água provavelmente um dia ou dois antes de nós termos lá chegado”.

A vaquita foi levada ao limiar da extinção pelo apetite da China pela bexiga-natatória de totoaba, um produto que é vendido a preços exorbitantes no país por se acreditar que aumenta a fertilidade. As redes de emalhar usadas na pesca de totoaba, uma espécie de peixe que também está criticamente ameaçada, acabam por capturar vaquitas, resultando na sua morte por afogamento, já que, como todos os cetáceos, elas precisam de vir à superfície respirar.

1ª foto: A primeira vaquita capturada pela equipa, uma cria com cerca de seis meses, que foi libertada | Foto: EFE/Secretaria do Ambiente e Recursos Naturais do México

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