Se não quiser comer estas embalagens, deite-as fora que elas decompõem-se naturalmente.



A embalagem destas waffles belgas é especial: em vez de ser feita de plástico derivado de petróleo, é feita de algas, o que significa que é nutritiva e pode ser comida e, se for deitada fora, decompõe-se naturalmente.

Estas embalagens foram inventadas pela Evoware, uma startup indonésia, e já estão a ser testadas por algumas empresas, incluindo os fabricantes das waffles retratadas na fotografia acima.

“Queremos criar um mundo mais limpo ao travar os resíduos de plástico na sua raiz”, contou David Christian, cofundador da Evoware, à Fast Company.

São várias as vantagens de se escolherem as algas como matéria-prima: enquanto crescem, absorvem CO2 e, ao contrário de outros recursos usados para produzir bioplástico (como o milho), são cultivadas sem fertilizantes e sem a necessidade de muito espaço. Para além disso, quando consumidas, são uma fonte natural de fibras, minerais e vitaminas.

Segundo a Evoware, podem-se produzir, numa área de oceano com aproximadamente o tamanho de um campo de basebol, mais de 35 toneladas de algas marinhas num ano.


Alguns dos produtos da Evoware | Foto: Evoware

Embora a Evoware não revele os “segredos” do seu processo de produção, a startup explica que as algas são convertidas em embalagens sem a utilização de químicos.

Para além de servirem para embalar waffles, hambúrgueres, sanduíches e sabonetes, as embalagens também podem ser utilizadas para substituir as pequenas saquetas de plástico que contêm os condimentos das massas instantâneas ou as saquetas de café instantâneo. Como se dissolvem em água quente e não têm praticamente sabor, em vez de se abrirem, podem ser simplesmente atiradas para a taça de ramen ou para a chávena de água.


Os copos comestíveis Ello Jello feitos de algas | Foto: Evoware

A empresa também inventou os "Ello Jello", uns copos que podem ser usados para servir bebidas frias e que estão disponíveis em quatro aromas – laranja, líchia, hortelã-pimenta e chá verde. Estes copos também são comestíveis e têm uma textura um pouco semelhante à gelatina, mas mais consistente. São feitos de algas e ingredientes naturais, sem conservantes, adoçantes artificiais ou gelatina.

Os clientes também podem encomendar o pó e os moldes dos copos e fazê-los em casa. Quem não os quiser comer, pode sempre descartá-los, sabendo que eles se decompõem em 30 dias.

A Indonésia é um dos países cujos rios transportam mais toneladas de plástico até ao mar, todos os anos. De facto, quatro rios do país, os rios Brantas, Solo, Serayu e Progo, despejam, em conjunto, 101 000 toneladas de plástico, por ano, no mar.



No entanto, segundo David Christian, e apesar da abundância de resíduos plásticos, os indonésios ainda não se aperceberam da necessidade de se resolver este problema.

“O conhecimento, compreensão e sentimento de urgência para se minimizar o uso de plásticos descartáveis ainda são muito reduzidos”, disse. “Isto faz com que o nosso bioplástico pareça irrelevante e ‘desnecessário’.”

A Evoware é um dos seis vencedores do Desafio de Design Circular da Fundação Ellen MacArthur e da OpenIdeo, que incidiu na procura de alternativas para as embalagens de plástico que são demasiado pequenas ou complexas para serem recicladas.

Juntamente com os outros cinco vencedores, a Evoware vai participar num programa de aceleração com a duração de um ano, em 2018.

Subscrever a Newsletter

Partilha:

0 comentários. Diz-nos o que pensas

Obrigado pelo comentário! Respeite os outros leitores. Comentários ofensivos ou com linguagem imprópria serão eliminados.