Já ouviu falar nesta forma de ativismo?



Vai decorrer, no dia 23 de novembro, no Dialogue Café, dentro do ciclo Global Exchange of Crafts Makers, uma sessão sobre craftivismo, uma forma de ativismo que aborda o ambientalismo, o capitalismo, o feminismo e outras causas sociais.

O UniPlanet falou com Dália Sendra, do Dialogue Café, que nos deu a conhecer este conceito.


UniPlanet (UP): Qual o principal objetivo do ciclo Global Exchange of Crafts Makers?

O objetivo principal do ciclo Global Exchange of Crafts Makers é promover o diálogo e partilha de experiências entre artesãos e “makers” com o duplo fim de, por um lado, identificar os desafios e oportunidades deste sector no âmbito de uma economia criativa; e, por outro lado, incentivar a transmissão de conhecimentos entre artesãos tradicionais e inovadores, jovens e seniores e proporcionar formas de um relacionamento estreito entre todos. Por isso, no âmbito do ciclo Global Exchange of Crafts Makers abordamos algumas questões estratégicas, designadamente como promover uma moda mais sustentável, como desenvolver um negócio etc.

O ciclo foi lançado em 2016 e temos organizado até agora sessões em temáticas tão diversas como: promoção do diálogo intercultural e a diversidade cultural, diálogo entre tradição e design, inclusão de refugiados, moda sustentável, movimento DIY, cooperação entre fab labs e artesãos, e o desenvolvimento de um negócio. Para mais informações, por favor consultem a nossa página Web.




UP: Em que consiste o craftivismo? Pode dar-nos alguns exemplos desta prática?

Craftivismo é um novo conceito que surgiu em 2003. Betsy Greer, escritora e consultora, criou o conceito para juntar numa mesma palavra dois conceitos, o de ativism e o de crafts, e dar assim nome a um tipo de ação pelo bem comum que utiliza as técnicas artesanais como linguagem de protesto.

No entanto, este conceito tem raízes mais antigas e que consistem na utilização das técnicas artesanais para protestar, para promover uma causa ou mudança social, para empoderar coletivos em risco de exclusão. Nos séculos XIX e princípios do XX, feministas canadianas, tais como as Voice of Women ou Canadian Handicrafts Guild já utilizaram as técnicas do tricot, bordado, e outras artes manuais têxteis para educar e promover valores sociais, assim como para empoderar e favorecer a autonomia de mulheres em contextos rurais. Ao longo da história, há de facto muitas experiências que aliam este ativismo feito com crafts ao feminismo.




Hoje em dia, há muitos movimentos, comunidades e colectivos que trabalham a ideia do craftivism. Um exemplo é o Yarn Bombing, comunidades de pessoas que se agrupam à volta do crochet e do tricot e atuam nas ruas das nossas cidades com um determinado objetivo. Outro é o Craftivist Collective fundado por Sarah Corbett no Reino Unido. No Canadá existe o Blankets for Canada Society, um coletivo que tece mantas para pessoas sem-abrigo. Como iniciativas globais, podemos referir o Pussyhat Project, que dispensa apresentações… trata-se de uma iniciativa liderada a partir de Washington para celebrar o dia internacional da mulher em 2017, e que teve um impacto global muito relevante. De facto, veio a tornar-se um símbolo da solidariedade para com os diretos das mulheres.

Ao nível nacional, neste momento temos a Campanha Linha Vermelha em curso. Trata-se de uma ação nacional organizada pela Academia Cidadã e pelo Climáximo para sensibilizar a população para a questão da exploração de petróleo e gás nas praias e costas de Portugal. Para isso, as pessoas que apoiam a iniciativa estão a tecer peças em tricot ou crochet em vermelho que vão ser unidas com o fim de criar uma grande linha vermelha.

Mas craftivism é também usado para criar mudança social e, nesse sentido, há imensas iniciativas que estão a utilizar as técnicas artesanais para empoderar e favorecer a inclusão social de refugiados, idosos em risco de isolamento, ou mulheres e jovens em risco de exclusão e pobreza. Em Portugal, temos iniciativas muito interessantes a este nível como é o caso dos projetos para avós da A Avó veio Trabalhar, a Hora d´Avó e Entrelaços, para pessoas com background migrante, o projeto Transistórias, ou para refugiados os projetos Pão a Pão, Amal Soap, e Mano a Mano. Representantes de todas estas iniciativas têm participado em sessões do Dialogue Café, o que tem sido um enorme gosto, para além de a sua participação contribuir em muito para enriquecer os diálogos nesta matéria.





UP: Vai realizar-se no dia 23 de novembro, às 15h, no Dialogue Café, uma sessão sobre craftivismo. O que irá decorrer durante este evento?

No dia 23 de novembro, organizaremos uma partilha de experiências que utilizam o craftivismo como estratégia de atuação na diversidade das suas perspectivas: como ação nas ruas, como desenvolvimento de coletivos, como linguagem para a defesa de uma causa e também para o empoderamento de pessoas. Abordaremos igualmente este conceito quer do ponto de vista coletivo quer individual. As técnicas artesanais que utilizam as pessoas convidadas são várias e vão desde as técnicas têxteis do tricot, crochet ou bordado, até à ilustração. Para isso, contaremos com iniciativas e ativistas relevantes oriundos de cidades tão diversas como Évora, Lisboa, Novi Pazar (na Sérvia) e Rio de Janeiro. O debate será em inglês e será transmitido via Facebook.


UP: Onde podemos fazer a inscrição e encontrar mais informação sobre este evento?

Podem encontrar as informações no blog da página web do Dialogue Café ou no evento que criamos no Facebook: Craftivism at Dialogue Café! Para se inscreverem, basta mandarem um e-mail para: info@dialoguecafe.com.
Muito obrigada!




1ª Foto: Royal Alberta Museum

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