Segundo um estudo, fazer voluntariado em projetos ligados à vida selvagem e à natureza melhora a saúde mental e devia ser prescrito pelos médicos.



Segundo um novo estudo da organização Wildlife Trusts, as pessoas que fazem voluntariado em projetos ligados à vida selvagem e à natureza demonstram uma melhoria significativa na sua saúde mental. A análise apoia a ideia de que a natureza pode e deve ser prescrita como uma terapia pelos médicos.

O estudo acompanhou 139 voluntários que participavam em diversos projetos da Wildlife Trusts, desde passeios na natureza a atividades de conservação, passando ainda pelo projeto Men in Sheds, que constrói comedouros para aves e hotéis para insetos. A Wildlife Trusts é uma organização constituída por 47 fundos para a vida selvagem do Reino Unido.

Investigadores da Universidade de Essex monitorizaram o bem-estar dos participantes através de questionários e descobriram que 95% das pessoas com níveis baixos de saúde mental melhoraram em apenas seis semanas. Os participantes também afirmaram que se sentiam mais positivos, mais saudáveis, mais ativos e mais ligados à natureza.

“As provas são claras e inequívocas – fazer voluntariado na natureza (…) tem um impacto inegável na saúde das pessoas”, disse Dominic Higgins, da Wildlife Trusts, ao The Guardian.

“Faz com que se sintam melhor, mais felizes e mais ligadas aos outros. O Departamento de Saúde devia tirar notas disto – as nossas descobertas podiam ajudar a aliviar a carga atual sobre os serviços de saúde, porque ilustram um novo modelo de prestação de cuidados que não depende exclusivamente da medicação e dos serviços tradicionais”, afirmou.


Foto: Wildlife Trusts

Alguns dos voluntários tinham sido encaminhados para os projetos da Wildlife Trusts por médicos de família e centros de saúde. Para vários, a experiência com a vida selvagem, jardinagem e artesanato foi transformadora. Sair para a natureza fez-me sentir como se tivesse nascido de novo, contou um. “Fez com que deixasse de viver debaixo do meu edredão todo o dia”, disse outro. “Ajudou-me com a minha depressão e agitação e ajudou-me a descontrair e a tomar decisões sobre a minha vida”, disse um terceiro.

“Os responsáveis pela saúde, ordenamento, transporte, parques públicos e lazer precisam de trabalhar em conjunto para tornar a natureza mais acessível para as pessoas”, defendeu Dominic Higgins.

São inúmeros os estudos que atribuem ao contacto com a natureza um conjunto surpreendente de benefícios para a saúde física e mental, que incluem a redução da obesidade e da depressão. Em 2011, uma avaliação do governo britânico estimou que os benefícios dos espaços verdes para a saúde e assistência social tinham um valor anual de 30 mil milhões de libras (33,5 mil milhões de euros).

“Tem havido estudos exaustivos sobre os efeitos prejudiciais da selva de betão para a saúde, portanto não deveríamos ficar surpreendidos com o facto de a saúde mental melhorar nos ambientes naturais, declarou John Middleton, presidente da Faculdade de Saúde Pública do Reino Unido.

“É um grande passo em frente que esta pesquisa tenha demonstrado agora alguns dos benefícios. As autoridades deveriam procurar desenvolver este tipo de esquemas – é mais barato do que a medicação e a proteção social, e a contribuição dos voluntários para melhorar o ambiente também nos proporciona um legado duradouro para a comunidade.”


O projeto Men in Sheds | Foto: Alan Wright/Wildlife Trusts

Mike Rogerson, investigador da Universidade de Essex que liderou o estudo, apontou a existência de um pequeno número de médicos, na Europa e nos EUA, que já receitam a natureza como um remédio para os problemas de saúde mental, dizendo que isto precisa de ser feito mais generalizadamente. “Precisa de ser oficialmente reconhecido pelos decisores – isso é a única coisa que falta”, disse.

Falando dos resultados do estudo, o investigador comentou: “Houve melhorias para todos, isso é o mais importante a dizer. Mas também convém mencionar que os indivíduos com os níveis mais baixos de bem-estar, no princípio, vieram a mostrar os maiores progressos.”

Mais de dois terços de todos os participantes notaram uma melhoria no seu bem-estar em seis semanas.

“A base factual tem crescido no curso dos últimos 10 anos e a confiança está a chegar lá. Agora precisamos de avançar para o próximo nível (…) e dar aos médicos de clínica geral a confiança de que a podem prescrever”, disse Mike Rogerson.

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