O Reino Unido, o maior exportador de marfim legal do mundo, cedeu à pressão dos ativistas e anunciou planos para a proibição da venda de marfim.



O governo britânico cedeu finalmente à pressão dos ativistas e anunciou planos para uma proibição quase total da venda de marfim, independentemente da idade dos produtos.

O Reino Unido é o maior exportador de marfim legal do mundo e os conservacionistas têm avisado que este comércio tem proporcionado oportunidades para o branqueamento de marfim ilegal.

Todos os dias, os caçadores furtivos matam, em média, mais de 50 elefantes. Depois de um declínio de 30% nos números dos elefantes das savanas africanas em menos de uma década, os cientistas avisam que a extinção destes animais poderá ocorrer no espaço de uma geração.

O plano para proibir o comércio de marfim foi anunciado pelo Secretário para o Ambiente do governo britânico, Michael Gove.
“O declínio da população de elefantes impulsionado pela caça furtiva envergonha a nossa geração. A necessidade de medidas radicais e firmes para proteger uma das espécies mais icónicas e estimadas do mundo é indiscutível”, disse o secretário para o Ambiente. “O marfim nunca deveria ser visto como uma comodidade com fins lucrativos ou como um símbolo de status – por isso queremos proibir a sua venda.”

Atualmente, o Reino Unido proíbe a venda de marfim em bruto, mas autoriza a venda de “antiguidades” – produtos feitos em marfim anteriores a 1947 – ou de produtos criados antes de 1990 que possuam certificados.



Com a nova proposta, que será debatida durante os próximos três meses, antes de a legislação ser introduzida, a venda de marfim antigo deixaria de ser permitida. No entanto, estão previstas algumas exceções, que incluem os instrumentos musicais e os produtos com “especial valor histórico, artístico ou cultural”.

Entre as figuras que pressionaram o governo britânico a agir, salientam-se a primatóloga Jane Goodall e o físico Stephen Hawking.

O plano foi saudado por diversas organizações de conservação da vida selvagem, entre as quais a Wildlife Conservation Society (WCS). “A implementação de uma proibição rigorosa sem a existência de falhas que os comerciantes possam explorar é essencial na luta contra a caça furtiva de elefantes e o tráfico de marfim”, disse a WCS.

A WWF defendeu que não “havia tempo a perder”. “Enquanto as discussões continuam, 55 elefantes africanos são mortos por dia. Precisamos de ser a geração a acabar com o comércio ilegal de marfim de uma vez por todas”, disse Tanya Steele, da WWF.

“Trata-se aqui de muito mais do que simplesmente proibir as vendas de marfim num país. Implica trabalhar com líderes globais e comunidades de todo o mundo, particularmente na China e no sudeste asiático, para implementar proibições e acabar com o comércio ilegal”, defendeu a ativista.

Vários outros países têm dado passos positivos no sentido de reduzir a procura de marfim de elefante. Em dezembro de 2016, a China – onde o marfim é visto como um símbolo de status e os preços podem chegar a 940€/kg – anunciou que irá proibir o comércio doméstico até ao fim de 2017. Hong Kong também anunciou que irá proibir o comércio de marfim até 2021.

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