O Reino Unido exportou mais de 36 000 artigos legais de marfim entre 2010 e 2015, mais do que qualquer outro país do mundo.

Elefante

O Reino Unido foi o maior exportador de marfim legal do mundo, entre 2010 e 2015, tendo vendido 370% mais marfim do que os EUA, o seguinte maior exportador, revelou uma análise da Agência de Investigação Ambiental (EIA, na sigla em inglês). Os investigadores avisam que estas exportações fomentam a procura global do produto, impulsionando a caça furtiva de elefantes em África.

As exportações de marfim do Reino Unido estão a estimular a procura a nível global, especialmente em Hong Kong e na China, dois dos maiores mercados do mundo tanto para o marfim legal como para o ilegal. Para além de fomentar a procura, o comércio legal do Reino Unido proporciona oportunidades para o branqueamento de marfim ilegal no país e internacionalmente”, declarou Mary Rice, diretora executiva da EIA.

De 2010 a 2015, o Reino Unido exportou mais de 36 000 artigos legais de marfim. Também exportou mais marfim para Hong Kong e para a China do que qualquer outro país, concluiu a análise da EIA, que utilizou dados da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES).

“Numa altura em que o governo chinês está a trabalhar no sentido de encerrar o seu mercado doméstico de marfim até ao final de 2017, o Reino Unido continua a injetar uma grande quantidade de marfim na China. O governo britânico deveria parar imediatamente de emitir licenças para todas as exportações de marfim, em especial para dar provas de solidariedade para com os governos de Hong Kong e da China, que se comprometeram a encerrar os seus mercados domésticos de marfim”, disse Mary Rice.

Em dezembro, a China anunciou que iria proibir o comércio doméstico de marfim até ao final de 2017 e a União Europeia proibiu, recentemente, a exportação de marfim em bruto.

As normas internacionais autorizam os países a exportar legalmente o marfim certificado como tendo sido trabalhado ou esculpido antes de 1976. Os artigos de marfim – como peças de xadrez e teclas de piano – fabricados antes de 1947 também são legais, não necessitando de um certificado, desde que a sua idade possa ser determinada.

“Podemos assistir à extinção da maioria dos elefantes”

A cada 15 minutos, morre um elefante às mãos de um caçador furtivo, de acordo com as estimativas dos cientistas, e, em menos de uma década, os números destes animais nas savanas africanas sofreram um declínio de 30%. Com uma perda anual estimada de 8%, o futuro não parece promissor para os elefantes africanos.

Catherine Bearder, deputada britânica do Partido Liberal Democrata, defendeu que o comércio de marfim do Reino Unido “deveria envergonhar-nos a todos. Cria e mantém um mercado que precisa de ser encerrado. O governo devia reconhecer que esta é uma altura de crise para os elefantes. Poderemos assistir, durante a nossa vida, à extinção da maioria dos elefantes na maior parte dos países onde vivem. Temos de erguer a nossa voz e dizer que isto não é aceitável.”

Os dirigentes britânicos prometeram realizar uma consulta pública sobre uma mudança de política em matéria da comercialização de marfim. Contudo, a EIA e outros grupos ambientalistas dizem estar à espera desta consulta há mais de seis meses.

“Não é um compromisso novo”, explicou Shruti Suresh, da EIA. “Chegou a altura de o governo do Reino Unido dar provas de liderança nesta questão e anunciar uma alteração legislativa que faça com que o marfim deixe de poder ser vendido no mercado do Reino Unido e de poder ser exportado.”

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