A nova certificação aposta na saúde do solo, no bem-estar dos animais e na equidade social.



O Instituto Rodale está a desenvolver, juntamente com uma coligação de agricultores, cientistas, organizações sem fins lucrativos e marcas, um novo tipo de certificação: o rótulo de produção biológica regenerativa.

Quando estiver finalizada, esta certificação irá além da biológica, ao estabelecer padrões mais rigorosos relativamente à saúde do solo, bem-estar dos animais e equidade social para os agricultores e trabalhadores.

“O termo ‘agricultura biológica regenerativa’ distingue um tipo de agricultura que vai além da palavra ‘sustentável’. Para nós, isto sempre significou uma agricultura que reforça os recursos que utiliza, em vez de os destruir e esgotar", explica o instituto. "[É] uma abordagem que encoraja a inovação contínua para o bem-estar social, ambiental e económico.”

“Os objetivos da Certificação Biológica Regenerativa são aumentar a matéria orgânica do solo com o passar do tempo, melhorar o bem-estar dos animais, proporcionar estabilidade económica aos agricultores, fazendeiros e trabalhadores e criar ecossistemas e comunidades regionais resilientes”, diz o Instituto Rodale.

São estes os três pilares da certificação: a saúde do solo, a equidade social e o bem-estar dos animais.



1º Pilar: Saúde do Solo

Este é um dos princípios fundamentais do Instituto Rodale, que tem servido de base para muitos trabalhos de investigação desenvolvidos pela organização nos últimos 70 anos. O Instituto Rodale acredita que, mais do que apenas mitigar os danos ao solo, a agricultura biológica deve melhorar a qualidade do solo com o passar do tempo, adicionando nutrientes e acumulando matéria orgânica. Para tal, a organização promove, por exemplo, o uso de culturas de cobertura, rotações de culturas e técnicas que não exijam que o solo seja lavrado.

O impacto de uma mudança sistemática para as práticas de agricultura biológica regenerativa poderia ser “profundo”. “Em 2014, um estudo do Instituto Rodale estimou que, se as atuais terras de cultivo e pastagens passassem a utilizar práticas de produção biológica regenerativa, 100% das emissões anuais mundiais de CO2 poderiam ser absorvidas pelo solo”, escreveu o instituto.

2º Pilar: Equidade Social

Valendo-se dos modelos do Comércio Justo e da Fair for Life, a Certificação de Produção Biológica Regenerativa exige que sejam pagos salários dignos a todos os trabalhadores das exploração agrícolas e estabelece normas justas para a formação de preços, não tolerando trabalho infantil ou forçado.

3º Pilar: Bem-estar dos Animais

A nova certificação aposta em animais alimentados em regime de pastoreio e vai além das normas de produção biológica do Departamento de Agricultura dos EUA, que estabelecem que os animais têm de ter acesso ao ar livre e que os ruminantes, como as vacas e as ovelhas, têm de ter acesso a pastagens durante a estação de pasto, num mínimo de 120 dias por ano. O novo rótulo também proíbe os sistemas de produção de animais confinados, adere às cinco liberdades do bem-estar animal e defende a minimização das distâncias de transporte de animais.

A certificação vai ser administrada pela NSF International, uma organização com sede em Michigan, que testa, inspeciona e certifica produtos, e está aberta a diversos parceiros de certificação, de acordo com o instituto.

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