As borboletas-monarca do oeste dos EUA sofreram um declínio muito mais dramático do que se pensava e podem desaparecer nas próximas décadas.

borboleta-monarca

Um novo estudo revelou que as populações de borboletas-monarca do oeste da América do Norte sofreram um declínio muito mais dramático do que se pensava e que enfrentam um risco mais elevado de extinção do que as populações do este.

Se não forem tomadas medidas para ajudar a população a recuperar, as borboletas migratórias do oeste poderão desaparecer nas próximas décadas, avisa Cheryl Schultz, autora do estudo.

“Este estudo não mostra apenas que há menos borboletas-monarca agora do que havia há 35 anos. Também nos diz que, se as coisas ficarem como estão, as borboletas-monarca do oeste não estarão cá daqui a 35 anos”, contou a investigadora.

Ao contrário das borboletas-monarca do este que migram para o México para lá passarem o Inverno, a população do oeste passa esta estação no litoral da Califórnia. Na Primavera, espalham-se pelos estados do Arizona, Nevada, Califórnia, Oregon, Washington, Idaho e Utah, e põem os seus ovos em asclépias, as plantas que estas borboletas utilizam como fonte de alimento, abrigo e das quais as suas lagartas se alimentam exclusivamente.

Mapa da migração das borboletas-monarca nos EUA
A Migração das borboletas-monarca (Danaus plexippus) nos Estados Unidos | Mapa: Xerces Society

“Nos anos 80 havia 10 milhões de borboletas-monarca a passar o Inverno no litoral da Califórnia. Hoje em dia, quase nem chegam às 300 mil”, disse Cheryl Schultz.

Embora ainda não se conheçam as causas exatas deste declínio, a perda e a modificação do habitat, assim como o uso de pesticidas são fatores importantes que têm influenciado a queda dos seus números.

“Os cientistas, os decisores políticos e o público têm-se concentrado nos declínios dramáticos da bem conhecida população oriental; contudo, este estudo revela que as borboletas do oeste ainda correm mais risco de extinção”, disse Emma Pelton, bióloga da Sociedade Xerces e coautora do estudo. “Vamos precisar de medidas significativas de conservação para salvar as borboletas-monarca do oeste.”

O estudo foi financiado pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, que está, atualmente, a considerar se deve classificar a borboleta-monarca como uma espécie ameaçada.

“A parte difícil de se ser uma bióloga de conservação é documentar os declínios das espécies. A parte entusiasmante é descobrir como ajudar a recuperar as espécies em declínio”, disse Elizabeth Crone, professora da Universidade de Tufts e coautora do estudo. “No séc. XX, tiramos as águias-de-cabeça-branca do limiar da extinção, ao limitar o uso de DDT. Se começarmos agora, podemos fazer do séc. XXI a era em que as borboletas-monarca regressam às nossas paisagens.”




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