Todos os anos, inúmeras toneladas de chinelos de borracha sintética descartados vão parar ao mar, ameaçando a fauna e flora marinhas.

Chinelos poluem uma praia

Todos os anos, inúmeras toneladas de chinelos de borracha sintética descartados vão parar ao mar, dando à costa nas praias de todo o mundo e ameaçando a vida marinha. Só às praias da África Oriental chegam aproximadamente 80 toneladas de chinelos por ano, de acordo com o grupo de conservação Ocean Sole.

Sob a ação das correntes oceânicas, os resíduos percorrem grandes distâncias no mar, indo, por vezes, parar a outros continentes. É este o caso de muitos dos chinelos que fazem o seu caminho até às praias do Quénia.

“Nós recebemos, de facto, a poluição marinha de quase todo o resto do mundo emergente”, explica Erin Smith, diretora executiva da Ocean Sole.

A maioria dos resíduos que chega ao Quénia tem origem na Ásia – Índia, Indonésia e China –, explica a ativista, e a corrente oceânica distribui-os ao longo de toda a costa oriental de África. Alguns destes detritos acabam mesmo por deixar o Oceano Índico e alcançar a América do Sul.



Como não são biodegradáveis, os chinelos de borracha sintética representam uma ameaça para a fauna e flora marinhas.

“A nossa fundadora, Julie Church, nos anos 90, descobriu uma praia (…) toda coberta de chinelos”, contou Erin Smith à CNN. “O que ela viu não foram só peixes mortos que tinham tentado alimentar-se no seu habitat natural, mas também tartarugas impossibilitadas de se aproximarem de terra para desovar.”

“[A poluição] começou a matar a flora, começou a matar os caranguejos na areia… temos praias desertas que costumavam ter comunidades nelas, que antigamente podiam pescar, e todo o ecossistema ficou arruinado por este aumento extraordinário da poluição marinha.”



O Quénia também é parcialmente culpado por esta poluição. Muitos dos chinelos do país acabam, inevitavelmente, nos cursos de água, tornando-se um problema, mesmo antes de chegarem ao oceano. Num dos maiores bairros degradados de Nairobi, a capital do Quénia, um aglomerado de chinelos descartados bloqueou uma vez o abastecimento de água potável da área.

“Mais de três milhões de pessoas só podem comprar este tipo de calçado”, lembra a diretora executiva da Ocean Sole. E embora muitos os tentem arranjar quando ficam estragados, a vida útil média de um chinelo é de apenas dois anos.

“Acho que é altura de começarmos a procurar um calçado alternativo, ou um material alternativo, para responder a este tipo de necessidade”, defendeu. “Os nossos produtos precisam de evoluir.”

Todos os anos, pelo menos oito milhões de toneladas de plástico invadem os oceanos e, até 2050, poderá haver mais plástico do que peixes no mar, por peso, avisam os conservacionistas. A presença de plástico no meio marinho tem consequências devastadoras para a fauna.



Dar uma nova vida aos chinelos retirados das praias

Fiel ao seu objetivo de limpar as praias e, ao mesmo tempo, impulsionar o desenvolvimento económico e social da comunidade, incentivando os moradores locais a recolher, lavar e processar estes materiais para terem uma fonte de rendimento, a Ocean Sole já recolheu mais de 1000 toneladas de chinelos das praias e dos cursos de água do Quénia, desde 2005.

Com os chinelos recolhidos, a equipa de artesãos treinada pela Ocean Sole cria esculturas coloridas de elefantes, javalis, rinocerontes, leões e girafas, algumas das quais em tamanho real.

Outros países, como o México e o Nepal, demonstraram interesse em importar este modelo.




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