Numa carta aberta, o médico Christopher Portier apontou falhas na avaliação das agências europeias sobre o risco para a saúde do glifosato.

Glifosato usado na agricultura

Numa carta aberta a Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, o médico Christopher Portier apontou falhas na avaliação das agências europeias sobre o risco para a saúde do glifosato.

“A classificação de risco do glifosato é um bom exemplo de como a falta de transparência sobre os dados científicos que estão por trás de decisões importantes sobre a saúde pública pode minar a confiança do público”, escreve o cientista.

Portier teve acesso ao estudo elaborado a partir de dados transmitidos confidencialmente pela indústria do glifosato à EFSA (Agência Europeia de Segurança dos Alimentos) e à ECHA (Agência Europeia de Produtos Químicos) e acusa as agências de não terem levado em conta oito casos de aumentos significativos de tumores após exposição ao glifosato.

“Estas omissões tornam impossível aos cientistas exteriores julgarem a qualidade dos estudos, o rigor dos métodos usados para analisar os dados, ou determinar se existem razões legítimas nas discussões para que os tumores identificados (…) tenham sido excluídos”, acrescenta.

Em 2016, um grupo de 100 cientistas, liderados por Portier, alertou para os problemas para a saúde ligados ao uso do glifosato. Nesse mesmo ano, Bruxelas prolongou a licença do glifosato por mais 18 meses, enquanto esperava pelo relatório da ECHA.

Na carta Portier propõe que as avaliações das agências europeias sejam repetidas e que os dados em que essas avaliações se baseiam sejam tornados públicos.

Após o parecer positivo da EFSA e da ECHA, os comissários europeus decidiram recentemente "retomar as conversações com os Estados-membros sobre uma possível renovação da autorização do glifosato durante 10 anos".

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