21% das espécies vegetais do mundo estão em risco de extinção, concluiu a primeira avaliação global da flora.



Uma em cada cinco espécies vegetais do mundo está em risco de extinção, concluiu a primeira avaliação global da flora, realizada por peritos dos Reais Jardins Botânicos de Kew.

Das 390 mil espécies vegetais conhecidas, mais de 30 mil são usadas pelos seres humanos – 57% destas são utilizadas no desenvolvimento de medicamentos e 5500 na alimentação.

“As plantas são absolutamente fundamentais para a humanidade”, disse Kathy Willis, diretora de ciência nos jardins de Kew e autora do trabalho. “As plantas fornecem-nos tudo – comida, combustível, medicamentos, madeira – e são extremamente importantes para a regulação do nosso clima. Sem elas não estaríamos aqui.”

As principais ameaças enfrentadas pelas espécies vegetais são a destruição dos habitats para a agricultura (31%) – p.ex., para a produção de óleo de palma e para a criação de gado –, a desflorestação para a obtenção de madeira (21%) e a construção de edifícios e infraestruturas (13%).

Numa nota mais positiva, o relatório revela que são descobertas 2000 espécies novas de plantas todos os anos. “Considero isso muito encorajador e excitante. Ainda estamos a descobrir espécies novas de árvores, espécies novas de alimentos: foram descobertas, por exemplo, 5 espécies novas de cebola [em 2015]”, explicou a investigadora ao The Guardian.


Foto: Plantação de óleo de palma

“Existem vastas áreas no mundo nas quais não sabemos que [plantas] estarão lá a crescer. Poderá residir lá a chave para o futuro da comida. A diversidade genética nos nossos alimentos está a ficar cada vez mais pobre.”

Ao longo de milhares de anos, muitas das nossas culturas importantes foram selecionadas e cruzadas de forma a tornarem-se mais produtivas, perdendo, entretanto, genes que as ajudam, por exemplo, a combater pragas. As beringelas, as bananas e o sorgo estão entre as plantas cultivadas com muito pouca diversidade genética, o que as deixa vulneráveis a novas ameaças.

“Atualmente, com os desafios globais [da] dimensão populacional, alterações na utilização dos solos, doenças das plantas e pragas, existe uma crescente urgência de se encontrarem e preservarem as variedades silvestres das plantas cultivadas, dizem os investigadores no relatório, sublinhando que “o acesso a este grande e diverso fundo genético é essencial” para se criarem variedades mais robustas.

O relatório também revela que mais de 5000 espécies invadiram países estrangeiros e estão a causar danos no valor de milhares de milhões de euros por ano. “Estima-se que as despesas com as espécies invasoras correspondam a quase 5% da economia mundial e que o seu impacto, só na economia do Reino Unido, equivalha a 1,9 mil milhões de euros por ano.”

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