A China vai criar um parque nacional 60% maior do que o de Yellowstone para proteger o leopardo mais ameaçado do mundo e o tigre-siberiano.



A China aprovou, recentemente, planos para criar um parque nacional no nordeste do país, que servirá de santuário para dois dos grandes felinos mais ameaçados do mundo: o leopardo-de-Amur e o tigre-siberiano (também conhecido como tigre-de-Amur).

O parque fará parte do novo sistema de parques nacionais do país e será 60% maior do que o famoso Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA, estendendo-se ao longo de 14 500 km² nas províncias de Heilongjiang e de Jilin (que faz fronteira com a Rússia e a Coreia do Norte).

“O compromisso da China é um passo extremamente importante na recuperação de ambas as subespécies no nordeste asiático”, disse Dale Miquelle, especialista em grandes felinos da Wildlife Conservation Society, ao The Huffington Post.

O leopardo-de-Amur e o tigre da Sibéria

Considerado o mais ameaçado dos leopardos, em 2007, restavam menos de 30 leopardos-de-Amur (Panthera pardus orientalis) na natureza e a UICN declarou que a subespécie estava localmente extinta, tanto na China como na península coreana. Tinha sobrevivido apenas uma pequena população na província de Primorsky, na Rússia, que, contudo, continuava a enfrentar ameaças como a urbanização, a construção de estradas e a caça.



Da mesma forma, entre o início e meados do séc. XX, devido à caça e a outras atividades humanas, acreditava-se que só existiriam cerca de 40 tigres-siberianos (Panthera tigris altaica) na natureza – a maioria dos quais no nordeste da Rússia. A subespécie foi presumida extinta na Coreia do Sul e, por volta da mesma altura, existiam menos de cinco destes animais na China.

Graças às medidas tomadas pelos governos destes países e pelas organizações de conservação, como a criação da Reserva Natural de Tigres e Leopardos de Hunchun em 2002, ambos os grandes felinos voltaram à região e as suas populações estão a recuperar. Segundo a WWF, de 2008 a 2015, a população de leopardos-de-Amur duplicou, com 60 destes felinos na Rússia e 12 na China.

A recuperação do tigre-siberiano foi mais impressionante: hoje em dia, há cerca de 400 a viver em estado selvagem.



Todavia, a sobrevivência destes animais não está assegurada. Alguns povoamentos, como a cidade de Hunchun na província de Jilin, estão localizados dentro da áre de distribuição natural destes predadores e funcionam como um corredor importante que liga os habitats destes felinos na Rússia e na China. Isto dá origem a conflitos entre os habitantes locais e os animais.

As autoridades do governo acreditam que o parque nacional deverá aliviar algumas destas tensões. Ao mesmo tempo, também há planos para “transferir algumas das comunidades [e] fábricas existentes para fora da área do parque nacional, de forma a evitar conflitos entre a vida selvagem e as atividades humanas”.

A Direcção Geral dos Recursos Florestais de Jilin declarou que também irá criar um centro de monitorização e recuperação para os tigres e leopardos selvagens, assim como outras instalações de investigação. Fan Zhiyong, da WWF Pequim, espera que o parque venha ainda a ter um papel crítico na proteção de toda a biodiversidade local e não apenas na dos dois felinos.

Embora a China tenha criado muitas áreas protegidas ao longo dos anos, a ideia de um “parque nacional” é nova no país. Em 2015, o governo declarou a intenção de desenvolver um sistema de parques nacionais, tendo, para este esforço, estabelecido uma parceria com o Instituto de Paulson, sedeado em Chicago. Durante um período de 3 anos, serão lançados diversos projetos-piloto de parques nacionais em nove províncias.

Em 2013, o presidente Yi Jinping anunciou que a China iria desenvolver um conjunto de reformas ambientais para alcançar a visão de uma “civilização ecológica” – uma civilização que investe no desenvolvimento económico ao mesmo tempo que se compromete com a sustentabilidade ambiental. O país tem mostrado sinais de estar a trabalhar para concretizar esta visão, tendo-se tornado o maior investidor do mundo em tecnologias verdes e tendo anunciado que iria proibir o comércio doméstico de marfim até ao final de 2017.

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