“Até ao início do próximo século, confrontamo-nos com a perspectiva de perder metade da nossa vida selvagem”, disse o biólogo Peter Raven.



Uma em cada cinco espécies está, atualmente, em risco de extinção. Até ao final do século e caso não sejam tomadas medidas preventivas, passarão a ser 50% das espécies.

Até ao início do próximo século, confrontamo-nos com a perspetiva de perder metade da nossa vida selvagem. Todavia, dependemos do mundo vivo para nos sustentarmos. É muito assustador”, declarou o biólogo Peter Raven, do Jardim Botânico de Missouri.

“A malha viva do mundo está a escapar-se por entre os nossos dedos sem que nós mostremos grandes sinais de preocupação”, dizem os organizadores da conferência “Extinção Biológica”, que decorre esta semana no Vaticano e que pretende determinar as mudanças sociais e económicas necessárias para salvar a biosfera do planeta.

Embora se costumem ver notícias sobre animais em risco de extinção, como os tigres e os rinocerontes, os cientistas defendem que pouca atenção é dada à destruição da maioria das outras formas de vida – espécies de fauna e flora vitais para o equilíbrio do planeta, já que purificam o ar e a água, absorvem as emissões de carbono dos nossos carros e fábricas, regeneram o solo e controlam as pragas.

Os países ocidentais ricos estão a esgotar os recursos do planeta e a destruir os seus ecossistemas a um ritmo sem precedentes”, contou o biólogo Paul Ehrlich, da Universidade de Stanford, na Califórnia. “Queremos construir autoestradas por todo o Serengeti para obter mais minerais raros para os nossos telemóveis. Capturamos todo o peixe do mar, destruímos os recifes de coral e emitimos dióxido de carbono para a atmosfera. Desencadeámos um enorme evento de extinção. A questão é: como é que o paramos?”

Segundo estatísticas das Nações Unidas, a população mundial, atualmente 7,4 mil milhões, chegará a 11,2 mil milhões até 2100. “Se se olhar para os números, é óbvio que para sustentar a atual população mundial de forma sustentável – e enfatizo a palavra sustentável – seria necessário mais meio planeta para nos proporcionar esses recursos. Contudo, se todos consumissem os recursos ao mesmo nível dos EUA – que é o que o mundo ambiciona – seriam necessárias mais quatro ou cinco Terras”, disse Paul Ehrlich.

“Estamos a destruir os sistemas de suporte de vida do nosso planeta. Temos a capacidade de o parar. O problema é que o perigo não é aparente para a maioria das pessoas e isso é algo que devemos corrigir.”

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