Os papagaios cinzentos africanos selvagens passaram a integrar o Apêndice I da CITES, sendo assim proibido o seu comércio.



O comércio internacional de papagaios cinzentos selvagens foi banido, graças aos votos de diversos países na 17ª Conferência das Partes (CoP) da CITES, que teve lugar na África do Sul. Esta espécie passa assim a integrar o Apêndice I da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção). A proposta foi apoiada por sete países de onde estes pássaros são naturais – Angola, Chade, Gabão, Guiné, Nigéria, Senegal e Togo –, assim como pela União Europeia e pelos EUA. As aves criadas em cativeiro por criadores registados na CITES poderão, no entanto, continuar a ser comercializadas.

“Se esta ave pudesse falar – e certamente pode – o papagaio cinzento africano diria obrigado”, disse Susan Lieberman da organização Wildlife Conservation Society. Agora, com a proteção do Apêndice I (…), a voz do papagaio cinzento africano não será silenciada nas grandes florestas de África.”

A sua impressionante capacidade de mimicar palavras humanas tornou estas aves extremamente populares como animais de companhia. A crescente procura impulsionada por esta popularidade tem vindo a dizimar as populações selvagens destes papagaios na África, dada a facilidade da sua captura.

Segundo um estudo de 2015, desapareceram das florestas do Gana quase 99% destes papagaios, desde 1992. Na maioria dos restantes países de onde a ave é natural, verificou-se um declínio das populações na ordem dos 50%, ao longo de três gerações. A espécie tornou-se, inclusive, extremamente rara ou extinta localmente em Benin, Burundi, Guiné, Guiné-Bissau, Quénia, Ruanda, Tanzânia e no Togo, conta o Mongabay. Este declínio generalizado levou à classificação da espécie como “vulnerável” na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN, em 2012.

O tráfico ilegal destas aves faz-se passar frequentemente por “comércio legal”, graças a “licenças da CITES falsificadas ou fraudulentas, carregamentos clandestinos ou através da identificação indevida de espécimes selvagens como aves criadas em cativeiro, conta a proposta apresentada na reunião. Cerca de 7266 aves foram declaradas como tendo sido criadas em cativeiro na Guiné, República Centro-Africana, Costa do Marfim, Libéria, Camarões e na República Democrática do Congo, entre 2008 e 2013, apesar da inexistência de criadores certificados de papagaios cinzentos nestes países.

“Proibir o comércio tornará mais fácil (...) combater os caçadores furtivos e os traficantes e dará às restantes populações selvagens as tão necessárias tréguas”, declarou Colman O Criodain da WWF.
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