A procura, o comércio e as falhas de regulação são responsáveis por níveis sem precedentes no tráfico de espécies, o que leva ao seu declínio.

Papagaio cinzento

Singapura desempenha um papel-chave, como ponto de transbordo, no comércio internacional – e tráfico – de aves, segundo um novo estudo da Wildlife Conservation Society (WCS) e da organização que monitoriza o comércio da vida selvagem, TRAFFIC. 29 das espécies de pássaros importadas para esta cidade-estado, entre 2005 e 2014, foram consideradas vulneráveis, ameaçadas ou criticamente ameaçadas pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN, conta a National Geographic.

Segundo Chris Shepherd, coautor do estudo, é especialmente preocupante o número de papagaios cinzentos africanos envolvidos neste comércio. Estes papagaios são muito procurados como animais de estimação devido à sua inteligência e impressionante capacidade de falar. São naturais da África Equatorial, mas, graças a esta procura, as populações destas aves têm vindo a desaparecer de algumas partes do seu habitat. Embora tenham sido criados milhões em cativeiro, a procura de papagaios selvagens continua alta e eles são especialmente vulneráveis porque se juntam em bandos grandes que se concentram perto de fontes de água ou em zonas onde os animais costumam extrair ou lamber importantes sais minerais das rochas.

Os papagaios cinzentos tornaram-se tão populares que alguns países africanos, dirigidos pelo Gabão, propuseram à CITES, a entidade que regula o comércio de vida selvagem, que os categorizasse como necessitando de máxima proteção.

O novo estudo, publicado na revista científica Oryx, revela que Singapura tem sido um dos principais pontos de passagem de pássaros provenientes da África e da Europa para a Ásia Oriental e o Médio Oriente e que, entre 2005 e 2014, a cidade-estado importou 212 espécies de pássaros consideradas pela CITES como requerendo proteção, tendo sido os papagaios cinzentos as aves mais comercializadas.
O estudo também descobriu discrepâncias nos dados do comércio. Embora Singapura tenha importado quase 225 600 pássaros durante esse período, apenas 60% destes foram reexportados – o que deixa cerca de 86 000 pássaros sem paradeiro conhecido. É pouco provável que todas estas aves tenham permanecido na cidade-estado.
Os estudos da TRAFFIC têm realçado também o facto de muitas das aves comercializadas em e através de Singapura serem de origem ilegal. Os pássaros, assim como muitos outros animais, são frequentemente capturados ilegalmente nos seus países de origem ou falsamente declaradas como tendo sido criadas em cativeiro quando, na realidade, são espécimes selvagens, capturados dos seus habitats naturais. Entram, então, no comércio internacional da vida selvagem, acabando por ser, muitas vezes, “legalizados” durante o seu trajeto.

A procura, o comércio e as falhas de regulação são responsáveis por níveis sem precedentes no tráfico ilegal, o que leva ao declínio de muitas espécies nos seus habitats naturais.
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