Land-grabbing, a apropriação de terras férteis de grandes dimensões em países pobres.



“A aquisição de terras, uma tendência mundial, é uma forma de neocolonialismo. As nações ricas tomam posse de terrenos nos países pobres, onde em 2/3 destes as populações passam fome”, conta Hans Rudolf Herren, engenheiro agrónomo e entomólogo suíço, galardoado com o Prémio Mundial da Alimentação.

Hans Rudolf Herren é uma das pessoas que critica o fenómeno do Land-grabbing, ou seja a apropriação de terras férteis de grandes dimensões. “Normalmente, estas terras são utilizadas para a agricultura industrial em grande escala e para a plantação de produtos que não se destinam aos mercados locais: a maior parte é exportada e usada na produção de biocombustíveis, forragens e alimentos industriais, entre outros”.

A compra de terras tem sido monitorizada pelo banco de dados online Land Matrix, desde 2012, que é coordenado pelo Centro para o Desenvolvimento e o Ambiente (CDE) da Universidade de Berna. O seu objetivo é tornar a compra e a venda de terras mais transparente.

A África e a Ásia são as principais vítimas do land-grabbing, sendo que 2/3 dos terrenos se situam nos países mais pobres do mundo. Os governos destes países acreditam que necessitam de modernizar a agricultura e que os investimentos neste setor permitirão o desenvolvimento de infraestruturas e incentivarão o comércio e a criação de empregos. Desta forma, as novas tecnologias são bem recebidas e os efeitos secundários como o uso de pesticidas e herbicidas (como o glifosato) ou de organismos geneticamente modificados (OGMs) são ignorados.
O Land Matrix revelou que os principais países compradores são a Malásia, os EUA, a Grã-Bretanha, a Singapura e a Arábia Saudita. A China, que normalmente se associa ao land-grabbing, aparece na 9ª posição.

Fonte: Swiss Info com dados da Land Matrix

"Este fenómeno sempre existiu mesmo depois do fim do colonialismo. Mas aumentou muito a partir da década passada, com o aumento dos preços das “commodities” alimentares e a crescente produção de biocombustíveis. Até a crise dos mercados financeiros, em 2007, lhe deu um impulso, desviando a atenção de vários investidores das finanças para investimentos ligados ao comércio de matérias-primas, produtos agrícolas ou terrenos, conta Markus Giger, investigador no Centro para o Desenvolvimento e o Ambiente.

Nos últimos dois ou três anos, esta tendência diminuiu por causa da queda dos preços dos produtos agrícolas e do petróleo e das críticas internacionais que contribuíram para a suspensão de projetos de produção de biocombustíveis, conta o Swiss Info.

Rudolf Herren defende que os governos deveriam exigir uma maior transparência e proibir investimentos especulativos sobre os produtos agroalimentares.
“Podemos especular sobre o ouro porque podemos viver sem ele. Mas não sobrevivemos sem os alimentos. As especulações sobre os alimentos são criminosas e deveriam ser proibidas”, defende.

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